Love and Blood
2 Capítulo Um
Notas iniciais
WASHINGTON D.C. – DIAS ATUAIS
Quando o despertador tocou, por algum milagre, eu já estava acordada tomando um bom banho quente. Lavei o cabelo, vesti minha roupa preferida de ir trabalhar e não tomei café. Minha intenção era sair cedo e não chegar atrasada, para variar. Eu passaria no Starbucks no caminho. Era hoje que minhas férias forçadas acabavam, e eu estava louca para voltar ao trabalho!
– É hoje, garotão.
Mandei beijinhos barulhentos para Thor, meu labrador, enquanto vestia o casaco comprido por cima da blusa de botões branca. Combinando, usava jeans escuro e botas de saltos grossos pretos. Podiam dizer o que quiser: que eram inapropriados, que não era comum. Mas eu odiava calças sociais. Amassam com uma facilidade incrível e são sempre largas demais. Além do que, eu conseguia passar seriedade e competência com aquela roupa ‘informal’. Talvez fosse o olhar frio e feroz que, segundo terceiros, estava quase sempre presente.
Antes de sair me analisei no espelho próximo a porta. Optei por usar cabelos soltos. Adorava meu cabelo. Era comprido e castanho tão escuro que parecia preto às vezes. Usava pouca maquiagem, apenas um pouco de blush, lápis e rímel. Básico. Nos lábios um batom cor de cereja e pronto. Estava perfeita para a grande volta.
– É isso ai. Vamos nessa, Rose.
Disse a mim mesma. Peguei a bolsa, as chaves e saí.
O transito em Washington estava um caos. Justamente por que eu estava na hora. Muito obrigada! Tamborilei os dedos impaciente no volante, enquanto via o tempo passar.
– Qual é!
Acionei o GPS e procurei por caminho alternativo. Mais longo ou não, desde que seja mais rápido.
Demorou um tempo maior que o de costume para chegar ao Starbucks. Minha sorte era que Mia já me esperava na mesa com um café me esperando.
Mia Rinaldi é uma das poucas amigas que mantenho. Digamos que sou uma pessoa difícil, mas ela soube lidar com meu passado e presente. Eu amo ela pra caramba, e não sei o que faria sem minha amiga. Geralmente tomamos café da manhã juntas, e como sou naturalmente enrolada, sempre quando chego, ela está à mesa me esperando com meu chocolate quente em mãos. Odiava café.
– Você é um anjo! – exclamei com um sorriso retribuindo o dela – Mas não vou poder ficar. Estou mais que atrasada!
Após cumprimenta-la com um beijo, tomei um gole da bebida. Mia riu.
– Rose, pelo amor! Sente-se! Vai acabar derrubando. – Vendo que não ia resolver nada discutir, ofereceu um croissant que, eu sabia, havia comprado pra mim. – Pelo menos coma algo no caminho. Se você ficar anêmica vai ter que voltar para casa.
Com este argumento não podia bater. Peguei o salgado e mandei um beijo no ar.
– Te devo um café da manhã!
– Tá, tá. Vai logo.
Ela se divertia, mas não entendia o quanto eu ansiava por estar de volta. Odiava ficar longe, odiava não ter minhas fontes e principalmente, odiava ficar longe do trabalho extraoficial que há cinco anos toma conta de cada tempo que não estou trabalhando.
Por sorte o transito pareceu melhorar. Então cheguei ao prédio com uma exatidão no horário estranha para mim. Acabei comendo todo o croissant no caminho e deixando o chocolate propositalmente esquecido para quando estivesse em minha sala. O estacionamento estava praticamente vazio. Pelo menos não havia ninguém que eu conhecesse, apesar de um ou outro ali me lançar um segundo olhar. Dois motivos: um – que eu era uma mulher atraente e tinha conhecimento disso. Dois – pela façanha que me afastou três meses atrás; muitos ficaram sabendo do meu desobedecimento, e me olham como louca ou corajosa demais. Seja qual for, deixei de ligar para isso há muito tempo.
No elevador, tirei o casaco e o dobrei sobre o braço, como de costume. Me permiti sorrir. Acordei cedo, deu tempo de comer e o transito, apesar de começar estressante, me surpreendeu. Eu estava linda e estava voltando. Tudo estava dando certo.
Mas talvez tenha pensado isso cedo demais.
– Ah, caramba!
Quando dei meu primeiro passo para fora do elevador, alguém esbarra comigo e derruba o conteúdo que eu estava guardando para mais tarde na minha blusa branca. Grande! Parabéns! Conseguiu estragar meu dia!
– Não olha por onde anda, não?
– Desculpe, eu não vi que o elevador estava com alguém...
– Claro que não viu. Se não agora estaria em minha sala, e não analisando o estrago que você fez na minha blusa.
Levantei os olhos em direção ao idiota cego que estragou minha manha perfeita e que quase levou um soco. O cara era lindo. Lindo não, um... Deus. Era alto, forte, e tinha cabelos compridos na altura do ombro, eram castanhos cor de chocolate e muito bem cuidados. Seus olhos eram muito escuros, e havia competência e responsabilidade neles. Se fosse qualquer outro dia, qualquer um, eu teria dado uma resposta esperta e acabaria com seu número de telefone. Mas minha blusa manchada estragava meu dia que planejei ser perfeito, então nem sua beleza estonteante iria me negar à raiva.
– O que foi? Está admirando a obra de arte?
– Não. – havia algo em sua voz... um sotaque, que não conseguia distinguir de onde era – É que você me parece familiar...
– Okay, engraçadinho. Pode parando por ai. Não vou te dar meu número nem nada assim. Péssima cantada. Odiei a parte que você suja a minha blusa. Sair trombando por ai não adianta em nada, camarada. Mulher nenhuma gosta de encontrões.
Após meu breve discurso marchei para a minha sala, deixando-o para trás com aquela sobrancelha perfeita erguida. Como caras conseguiam ser tão irritantes?
– E ai, Rose! Está de volta!
– E com um péssimo humor, Mase.
Mason Ashford era uma graça. E caidinho por mim. Infelizmente eu não poderia dizer o mesmo, embora seus cabelos ruivos e as sardas fossem charmosos. Tudo que poderia dar a ele minha imperturbável amizade.
– É. A Rose está de volta. – ele riu, ganhando um soco no ombro que não apagou seu sorriso – Desculpa! Mas todos aqui sentimos falta da sua presença.
– Mason, se você quer um aumento, peça ao grande chefão. Se você quer um beijo... Peça ao grande chefão. Se continuar com as gracinhas, juro que te faço engolir o que sobrou desse copo.
Ele riu baixinho, mas não falou mais nada, apenas me acompanhou até a sala. A minha sala. Como era bom estar de volta, apesar da volta não ter sido como imaginava. Joguei o copo no lixo e o casaco sobre a cadeira giratória.
– É bom ter você de volta. Não é o mesmo sem você aqui.
– Seus dias de tédio acabaram, rapaz. – disse em tom brincalhão.
Ele sorriu e saiu da sala, me deixando a sós com meus pensamentos e trabalho acumulado.
A manhã pareceu se arrastar. Havia muitos documentos para serem lidos e assinados, e passei quase toda a primeira parte da manhã fazendo apenas isso. Após jogar a blusa branca no lixo e vestido outra – precaução nunca é demais – eu tratei de apagar o acontecido da mente. As chances de isso acontecer novamente eram muito poucas, menores ainda eram as chances de eu esbarrar no cara. Só sendo muito azarada. Ou sortuda, considerando a beleza dele. E eu deveria saber que eu era propensa a ter esse reencontro. Tudo sempre acontecia comigo.
– Qual é o seu problema?
Havia escaneado algumas fotos para que eu pudesse mandar para Mason e Eddie analisa-las também, mas por algum motivo o scanner se recusava a imprimir. Bati do lado e nada. Bati mais uma vez e nada. Ela apenas fez um barulho antes de morrer.
– Precisa de tinta.
Disse uma voz rouca e grossa atrás de mim. Virei-me para encarar o desconhecido.
– O que? Ah, não... – meu humor que havia se elevado se esvaiu completamente – Você. Trouxe mais alguma coisa para jogar em mim?
O cara algo não respondeu nem riu, apenas andou até o meu lado, abriu o scanner, mexeu onde eu não sabia mexer e como por um passe de mágica, as fotos foram impressas.
– Eu já te pedi desculpa pela blusa.
– Desculpa não vai limpa-la.
– Você quer o que? Uma blusa nova?
Peguei as folhas e as guardei na pasta que levava.
– Ótima ideia. Eu uso ‘M’, sim?
– Eu não vou te comprar uma blusa!
– Pois devia! – exclamei apontando o dedo pra ele – seu pedido de desculpas foi muito fraquinho, sabia? Não parecia sincero, minha blusa está arruinada e você está seco por ai, o mínimo que poderia fazer é comprar a porcaria de uma blusa nova pra mim.
– Sabe, não devia ficar muito irritada. Ser temperamental atrapalha as missões.
Woha! Ele iria me dar aulas agora?
– Eu sou muito boa no que faço, se você quer saber. – Retruquei ainda mais irritada por ser posta em dúvida – a melhor. Se considerar minha idade, eu sou um achado.
– E qual é a sua idade?
– Não te interessa.
Eu trombei contra seu ombro de propósito, embora doesse mais em mim que nele, e sai dali mais irritada ainda. Como conseguia ser tão... calmo? Tinha toda essa posse se controlado e certinho que me dava nos nervos. Meu humor estava péssimo, e não tinha como melhorar. Eu estava me enganando achando que se o dia passasse algo bom poderia acontecer e me fazer esquecer o incidente, mas acho que foi ingênua demais quanto a isso.
Na hora do almoço, Mase, Eddie e eu fomos comer em uma lanchonete do outro lado da rua. E lá estava ele, usando uma capa preta estilo cowboy. A mesa redonda estava vazia, com apenas uma xícara de café a sua frente. Imagino que já tenha almoçado e estivesse relaxando. Estava sentando tranquilo, as pernas esticadas na frente e lia um livro de aparência gasta e que não entendi o nome – estava em Russo, parecia – mas pela capa era algo, veja só!, de faroeste.
– Hey, Cowboy! – cumprimentou Eddie com um aceno e um sorriso se dirigindo pra a mesa dele. Lá vamos nós. – Já almoçou Belikov?
O estranho ergueu os olhos e ao reconhecer Eddie deu um leve sorriso. Eles se conheciam? Desde quando? E porque eu não o conhecia?
– Ainda não. – ele me olhou e acenou com a cabeça, vi divertimento em seus olhos.
– Eu vou pedir alguma coisa para comer. – ignorei o tal do Belikov e fui para um dos caixas, o da fila menor, claro.
Era karma. Ou simplesmente a sorte estava brincando comigo. Só podia! A terceira vez em uma manhã. Contei até 100 enquanto esperava meu pedido ficar pronto. E qual não foi minha surpresa ao pegar a bandeja e me virar para procurar Mase e Eddie quando os vi sentado com o outro. Definitivamente. Era karma.
Mase acenou para mim e veio pegar minha bandeja com um sorriso.
– Belikov nos chamou para sentar com ele. – informou enquanto eu o seguia com um suspiro resignado. – Rose, você precisa ver esse cara em ação. Ele é tipo um Deus!
– Menos Mase. – eu ri ignorando um olhar, que era pra ser sedutor, de um cara numa mesa próxima – Se ele fosse um Deus, estaria no céu, e não entre nós, meros mortais, na terra.
Mason abafou uma risada e colocou minha bandeja na mesa, na cadeira bem de frente ao idiota gostoso que estragou minha blusa. Para piorar, a mesa parecia pequena demais para nós dois. Literalmente. Seus joelhos ficavam encostando-se aos meus por baixo da mesa, e isso me incomodava. Parecia que tinha terminações nervosas na pele, por que cada toque tremia minha perna. Não estava gostando onde isso poderia dar.
– Vamos ver o que sobrou pra nós, Eddie. Rose deve ter acabado com o estoque de comida deles. – eu não respondi, apenas o encarei fuzilando com os olhos.- Ow, calma ai. Brincadeira, chefe.
Eles se retiraram e voltei meu olhar para a bandeja a minha frente. Havia pedido um x-tudo e um x-salada e coca cola para acompanhar. Eu sempre me exercitei e gastava muitas calorias, para compensar, eu comia. E muito.
– Não vai comer? – perguntei sem olhara o tal de Belikov.
– Não, não estou com fome agora. Eu belisquei alguma coisa no prédio. Só vim aqui pra tomar um café mesmo. Dar uma relaxada antes de voltar ao trabalho.
Não respondi e voltei minha atenção à bandeja a minha frente. Onde diabos estavam Eddie e Mason?
– Então você é a famosa Rose Hathaway. – isso não era uma pergunta. – Você ficou falada por um bom tempo na agência. Boatos sobre a novata que se recusou a deixar o Dark Hunter fugir e quase morreu em ação chegaram até Las Vegas.
Ergui uma das sobrancelhas em gesto cético, levantando meu olhar para encontrar os olhos escuros e profundos dele.
– Eu não sou novata, tá legal? E o que você estava fazendo em Vegas?
– Só posso dizer que estou em uma investigação oficial. – era de praxe. Mas por algum motivo eu o imaginei apostando numa mesa de sinuca. – E, sim, você é novata. Quantos anos tem de serviço? Não deve ter nem dois direito... Isso ainda é---
– Três anos e meio. – eu o interrompi, seca – final do ano faço quatro anos de serviço ativo. Isto significa, caso você não se lembre, que não peguei a parte burocrática. Fui direto às missões.
Dimitri pareceu surpreso, e fiquei satisfeita em calar a boca dele e jogar agua fria em sua arrogância.
– Wow. Quantos anos você disse que tinha, mesmo?
– Eu não disse. – retruquei – Onde você conheceu Eddie e Mase?
– Quando você estava afastada. Eddie voou comigo para Vegas. E tratar de um é tratar de outro, então Mason foi um... bônus.
Eu devo admitir que me senti enciumada. Mase, Eddie e eu éramos parceiros desde que entrei na Agência. E já conhecia o Mase antes disso, então eu os considerava como irmãos. Como uma família que eu não tinha, junto com Mia. Só em pensar que nesses três meses eles riram, se divertiram, se aventuraram e trabalharam sem mim, e passaram muito tempo com Dimitri, só em pensar me dava raiva. Eles eram meus amigos! Minha família.
– Opa, a mesa está meio cheia.
A voz zombeteira de Mase me tirou do devaneio. Ele e Eddie tinham suas próprias bandejas cheias de comida e um largo sorriso no rosto. Dimitri fechou o livro e se levantou de repente.
– Eu já vou indo, a mesa é de vocês.
– Não, que isso! – negou Eddie, pondo a bandeja em nossa mesa — É só juntar outra! Cabe todo mundo. Não estamos te tocando, cara.
– Eu sei Eddie, mas eu realmente tenho que ir. Você sabe... o crime não para pra gente tomar café. Além do mais, este caso está me dando dores de cabeça. Estou pensando que não vai ter jeito. Teremos que nos infiltrar. Então tenho que falar com Hans agora e decidir o quanto antes.
– Beleza, vai lá.
Eles trocaram cumprimentos, Dimitri me deu um aceno de cabeça e se foi.
– Uau! Dose extra de simpatia hoje, Rose?
– Vai se foder, Mase. – mandei enquanto ele puxava uma cadeira vazia para a mesa – Se o cara quis ir embora, problema dele.
– Olhe, irritar um Russo é difícil. Dimitri então.
– Eu já te mandei calar a boca, Mase!
Eles riram, mas se calaram.
Russo. Era esse o sotaque! Fazia sentido agora, ele ler aquele livro estranho com letras estranhas. Embora a última coisa que eu atribuísse a ele fosse nacionalidade Russa. Não com os olhos daquela cor e a pele bronzeada. Mas eu não conhecia Russia nem os russos. E, honestamente, depois de hoje, nem queria conhecer.
– Camille, quero uma cópia daquele relatório do caso Barnes, sim? Parece que uma das lojas está sendo comprada e quero verificar o comprador e tudo que a envolver.
Odiava mexer com papéis. Meu negócio foi, é, e sempre será a ação. Eu até poderia suportar as investigações, desde que no final eu acabasse correndo atrás de alguém ou disfarçada em algum lugar. Dedicar-me somente e exclusivamente à burocracia me deixava louca! E agora, além disso, só para completar, a vida resolveu continuar a brincar comigo, jogando Dimitri pra cima de mim não apenas a manhã toda, mas a tarde também. Quando ia tomar café, lá estava ele. À sala de impressão, olha ele ali. Atrás de Mase ou Eddie, adivinha? Dimitri conversava com eles. Só podia ser brincadeira. Era combinado isso!
Mas eu aprendi bastante sobre ele. Era sério, concentrado e eficiente. Não recuava a enfrentamentos, e prevalecia-se sobre a maioria das pessoas. Com irritação, conclui que na maioria das vezes ele estava certo. Sobre tudo. Também não era de falar muito, tinha esse ar meio antissocial que atraia todas as mulheres. Todos os olhos maquiados voltavam-se pra ele quando passava ou falava. Bem irritante na verdade. Aposto que o ego dele deveria ser lá em cima.
– Rose. – Camille, minha secretária, bateu na porta com uma pasta na mão – Os papéis que você pediu. Está tudo na pasta. E tenho um recado de Hans pra você.
– Pode falar – disse pegando a pasta e abrindo-a
– Reunião amanhã no escritório dele. Às sete da manhã em ponto.
– Aham, tudo bem, obrigada.
Ela saiu fechando a porta com cuidado. Espera. Ela disse sete da manhã?
O dia foi preguiçoso. Parecia que todos estavam de complô contra mim, dando-me trabalhos fáceis e chatos para fazer. Meu humor que no começo do dia estava lá em cima, agora estava horrível. E nada adiantou quando fui embora e descubro que havia estacionado justamente ao lado do causador da minha irritação a maior parte do dia.
– Corro perigo de mais um atentado? – eu provoquei apertando a chave e abrindo o carro – Você não vai acidentalmente bater o carro no meu, vai?
Dimitri não respondeu, me lançou um olhar especulativo enquanto andava para seu carro, analisando algo em uma pasta parda com uma ruga de preocupação na testa. Abri a porta do carro e joguei minha pasta e sobretudo sobre o banco do carona e o observei melhor. Ele estava parado agora, na porta do carro. Os ombros tensos, a boca em uma linha rígida e os olhos preocupados. Tudo por causa do conteúdo da pasta.
– Hey, camarada. – eu o chamei, e um pouco a contragosto ele ergueu os olhos pra mim – Que está te incomodando tanto aí? Se precisar de um olhar de fora...
Ele me olhou desconfiado por mostrar interesse e tão boa vontade. Mas deve ter visto que estava sendo sincera e deu a volta no carro para se aproximar de mim e me estender uma folha.
– Okay, preciso mesmo de uma opinião feminina. A assianatura da Dragomir estava em alguns documentos suspeitos de um caso que estamos investigando. Diga-me, Hathaway, como uma mulher jovem e bonita que você é, quais motivos levaram esta garota a se envolver com a máfia?
Deixei passar o elogio que ele havia me dito, as primeiras palavras gentis dele o dia todo, e analisei o que ele havia me passado. Então entendi o porquê do elogio. A mulher na foto era igualmente jovem e bonita, de maneira completamente oposta a minha. Tinha cabelos loiros platinados muito lisos, pele que parecia porcelana e olhos muito verdes. Não tinha um físico avantajado como o meu. Era visivelmente mais alta e muito mais magra. Parecia uma modelo. Uma sombra de inveja passou por mim. Rápida e bem leve. Fácil de superar.
– Meu Deus, qual o problema dos pais hoje em dia?
Murmurei ao ler as informações ao lado. Seu nome era Vasilissa Dragomir, tinha 23 anos, completos há pouco tempo, e era filha de uma poderosa e antiga família romenica. Os pais haviam morrido em um acidente de carro há quatro anos e seu irmão entrado em coma desde então; ttoda a sua imensa fortuna e posses foram para ela. Parte dos bens estava congelada até que completasse 25 anos e algumas outras posses só seriam devidamente dela assim que casasse. Quem estava administrando sua herança era seu tio, Viktor Dashkov.
Viktor era... interessante. Dono de uma rede de cassinos e hotéis de luxo pelo mundo todo. Viúvo, tinha uma filha chamada Natalie, da mesma idade de Vasilissa. Ele tinha cabelos ondulados, castanhos desbotados e com muitos fios brancos. Também tinha fama de mulherengo e ambicioso, embora fosse dado a gestos largos de caridade.
– Ela não se envolveu. – respondi devolvendo-lhe a folha. – Acredito que, por ela ser órfã e sem parente próximo vivo, seja o bode expiatório perfeito. Também não duvido nada que Viktor a case logo. São famílias tradicionais, antigas e acima de tudo muito ricas. Não se arriscariam forjar laços com alguma que não fosse igual. Ainda mais em um caso que envolva a máfia. Se os pais da menina estavam envolvidos nesse rolo, com a morte deles Viktor pode querer casá-la com alguém do meio e formar uma grande potência.
– Eu imaginei que fosse algo assim mesmo... – guardou a folha na pasta e me olhou curioso – você sabe bastante sobre isso... os Hathaway, por acaso, são alguma família rica, antiga e da máfia?
Eu abri um sorriso e girei a chave do carro no dedo distraidamente.
– Nem um pouco, camarada. E ai deles se fossem. Não casaria obrigada nem morta.
– Você não sabe. Teria crescido neste meio, para você seria o correto.
Eu entrei no carro e encaixei a chave na ignição, sem fechar a porta.
– Duvido muito. Sou naturalmente rebelde. Uma quebradora de regras por natureza. É só perguntar para qualquer um neste prédio. Garanto que a maioria das histórias sobre minha conduta é verdadeira.
Ele riu e eu fechei a porta, dando a partida no carro. Dimitri fez o mesmo em seu carro, mas abriu o vidro do carona e se precipitou sobre o banco para terminar a conversa comigo.
– Vou perguntar. Mas eu prefiro deixar que o tempo me diga isso.
– Como se fossemos passar muito tempo juntos.
Zombei e dei ré para sair do estacionamento. E juro que o ouvir dizer algo como “Você é que pensa, Rose.”, mas deve ter sido fruto da minha imaginação. Eu estava com fome, mentalmente cansada e precisando de um bom banho de banheira. Provavelmente afetou minha audição.
– Hey, quer parar de pular em cima de mim? Estou tentando cozinhar alguma coisa. E você sabe que isso já é perigoso o suficiente!
Thor parecia ter comido um saco de açúcar inteirinho sozinho sempre que eu vinha para casa final do dia. Ficava rondando, e passando entre minhas pernas, quase me fazendo cair. Eu pensando que demoraria a ele ter essa reação novamente, uma vez que passei quase três meses ao lado dele. Thor se aquietou, sentado no canto me olhando cozinhar. Ou tentar. Cozinha não era meu lugar preferido da casa. Gostava de comer, não de fazer a comida. Ponto.
– Quer saber... – eu desliguei o fogão onde tentava fazer uma boa macarronada com molho vermelho, mas não estava dando certo — Vou é ligar e pedir comida chinesa.
Dito e feito. Pedi dois rolinhos primaveras, um de carne e outro vegetariano, um yakisoba clássico e outro de camarão. Para sobremesa, bananas carameladas e rolinho romeu e julieta. Tudo isso acompanhada com a boa e velha coca cola.
Enquanto ligava, deixei a banheira enchendo para tomar um bom banho quente e relaxante. Espalhei uns sais de banho, mas não fiz espuma. Era meio depressivo, em minha opinião. É tudo meio romântico, e “românticidade” era algo que não existia em minha vida há muito tempo.
Abri um vinho tinto e enchi uma taça pela metade para me acompanhar no banho. Havia algumas velas aromáticas espalhadas no banheiro, presente de Mia no aniversário passado, que eu acendia de vez em quando. Assim que a banheira estava cheia o suficiente para entrar, me despi e relaxei na agua quente. Fechei os olhos e encostei a cabeça na borda, suspirando fundo. O cheiro das velas, o vinho e a agua eram calmantes natos para mim desde o acidente, quase cinco anos atrás. Meu coração se apertou com a lembrança inconsciente. Sentia falta de seu sorriso, que quase nunca via. De seu abraço que era raro. Sentia sua falta, por mais que demonstrações de afeto fossem raros entre nós. Mas nos amávamos. E a queria de volta. Mas não havia nada que pudesse fazer para tê-la em minha vida. Tudo que podia fazer agora era continuar e encontrar seu assassino. Faze-lo pagar, uma morte lenta e dolorosa para compensar todas as minhas lágrimas derramadas.
– Rose, você está virando sentimental. – exclamei tomando todo o vinho da taça de uma vez.
Eu havia acabou de vestir meu pijama folgado – blusão e shorts – quando a comida chegou. O porteiro, que era super atencioso e me adorava, fez o favor de trazê-la para mim até meu apartamento, e eu comi tudo com vontade e fome. Dei uns camarões para Thor, mas o suficiente para não deixa-lo com dor de barriga e acabarmos com problemas de fedores desagradáveis a noite toda.
Eu tentei não pensar em Dimitri, mas ele ficava rodeando meus pensamentos. Da pior maneira, claro. Sua arrogância me irritava. Ele agia como se fosse Deus todo poderoso, como se fosse o mais foda dos fodas da Agência. Mas ele parecia realmente bom. Sem contar que era tremendamente gostoso. Do tipo que não devia ser permitido perambular por ai. E o caso que ele me mostrou no final da tarde havia chamado minha atenção. Eu teria que engolir todo meu orgulho e ir pedir mais informações pra ele e de quebra me oferecer para alguma ajuda. Se bem que poderia pedir a Mase fazer esse favor por mim... do jeito que ele idolatrava o cara. Eu ainda ia querer todos os detalhes do caso em Las Vegas quando eu estava fora.
Joguei as caixinhas no lixo e me preparei para dormir. Não deixava que Thor dividisse a cama comigo por questão de higiene, mas pela primeira vez eu sentia que a cama era grande demais para mim. Sentia falta de alguém para conversar coisas banais, e queria ter alguém para poder desabafar minhas angustias e minhas preocupações. Gostaria de voltar para casa e saber que teria alguém me esperando. Caramba, sentia falta de um homem em minha vida!
– É Thor... – disse estendendo a mão para ele que dormia ao meu lado no chão. – Seremos você e eu por um bom tempo, garotão.
Ele lambeu meus dedos em gesto de confortou e eu dei tapinhas carinhosos em sua cabeça. Virei-me para o lado, procurando uma posição confortável, e dormi quase que imediatamente, indo parar diretamente nos braços de um sonho.
Eu estava em uma cama macia. Macia e quente. Mas não tão quente quanto meu corpo. Ele estava em chamas. Não literalmente. Estava pegando fogo de prazer. Mãos fortes e grandes exploravam meu corpo, movidas pela luxúria, pressionando minha pele e me fazendo gemer. Eu também estava nua. Senti um frio no estomago quando lábios traçaram beijos até meu ventre e subiram novamente, optando por arranhar com os dentes de forma prazerosa entre os seios. Voltou a me beijar no pescoço e tomou meus lábios para si em um beijo cheio de urgência e paixão.
Deslizei minhas mãos em seu corpo sem pudor algum, e não foi surpresa ao constatar que ele também estava nu. Uma mão desceu para minha coxa e a apertou com força precisa, me fazendo arfar entre seus lábios. Nossas línguas travavam uma batalha de dominação na qual ele venceria no final. Com as pernas, abracei sua cintura no momento em que ele me tomava para ele por completo. Eu gemi alto e meu corpo se arqueou quando ele se moveu dentro de mim. Aproveitando-se da situação, sua cabeça desceu para meu busto e começou a beijar meus seios com carinho antes de os mordiscarem com cuidado e dar chupões que deixariam marcas depois.
Nos movimentávamos ritmados, e parecia que o prazer que sentia não era o suficiente. Eu precisava de mais. Queria mais e ele tinha que me dar. Minhas pernas o puxavam para mim com mais força, mas não a ponto de me machucar. As ondas de calor vinham com mais intensidade me deixavam cega e suada. Finquei minhas unhas em seus braços e ele voltou a me beijar na boca, sugando meus lábios. Mas eu não conseguia manter-me quieta. Meu corpo se arqueava no contorno de seu forte e quente. Eu gemi e chamava por um nome que não entendia. Minha pele era como terminações nervosas e tremia por seu toque. Ele ia e vinha dentro de mim com cuidado e habilidade, e eu poderia ficar assim a noite toda.
– Rose...
Ele entoou meu nome como uma prece, cheio de adoração. Sua voz era rouca e baixa, arfante como a minha. O abracei com mais força, como se a proximidade nunca fosse o suficiente. Sentia que estava próxima de chegar ao ápice, a instantes de um orgasmo.
– Ah, Rose!
Seu sotaque era um estimulo a mais, como se precisasse disso. A forma como ele dizia o ‘r’ era sexy e me fazia arrepiar. Nunca pensei que uma palavra apenas, carregada com sotaque russo, poderia me excitar tanto. Mas desconfio que só tinha esse efeito em mim por que era ele.
– Dimitri...
Murmurei seu nome em um suspiro entre gemidos. E foi como um balde de agua fria derramado sem dó nem piedade sobre mim.
Eu acordei.
O cobertor estava enrolado em minhas pernas, e eu suava de verdade. Me odiei por perceber que meu corpo estava sensível e que havia uma quentura subindo pelo ventre, chamando por alguém que não estava ali.
– Maldito russo! – exclamei com raiva, chutando a coberta para tirá-la de mim. – Nem em meus sonhos você me deixa em paz!
Com ainda mais irritação, constatei que era de manhã, e segundos depois o despertador tocou avisando-me que eram cinco e meia. O que? Eu havia passado a noite sonhando com aquele... com aquele arrogante metido?
Tomei um banho frio, de chuveiro, procurando aplacar o fogo que parecia me queimar por dentro. E funcionou. Em partes. Eu ainda podia ouvir sua voz, rouca, sexy e com sotaque sussurrando meu nome em meio a gemidos e suspiros. Arght! Controle-se Rose! Não deixe que o primeiro rostinho, e corpão, bonito te tire do sério assim! Eu tinha que estar focada e profissional. Tinha uma reunião com Hans e precisava ser a Rose fria e impassível.
Vesti-me com as roupas habituais, jeans preto skinny e blusa de botões branca. Calcei botas de salto e me olhei no espelho comprido do quarto para pentear o cabelo. Eu o prendi em um rabo de cavalo alto, deixando algumas mexas da frente soltas. Passei a maquiagem leve de sempre, lápis, rímel, um pouco de blush e batom claro, quase tom de boca.
Eu ainda estava irritada e com humor perigosamente sensível para dar muita atenção a Thor, e eu fiz uma anotação mental de compensá-lo quando voltasse, trazendo-lhe alguma coisa. Talvez alguns biscoitos ou algo assim. Assoprei um beijo a ele, que me olhava de uma forma que cortava o coração, e sai antes que me atrasasse pra reunião. Por algum milagre, acordara antes do celular tocar e ainda sai cinco minutos antes das seis. Mandei um sms pra Mia, iria diretamente para Agência, e então não iria me atrasar desta vez.
O trânsito estava mais tranquilo do que no dia anterior. Tomei um caminho mais curto e pude consegui estacionar em minha vaga quando faltavam quinze para as sete. Isso sim era de se admirar.
No caminho para o trigésimo andar, passei pela copa e peguei uma xícara de chocolate quente bem forte para eu acordar e forrar o estomago. Já que Starbucks estava fora do caminho, o jeito era improvisar com o que tinha. Quase engasguei quando Dimitri entrou comigo no elevador e apertou o mesmo andar no qual estava indo.
– Acordou cedo hoje, Hathaway. – disse-me ele após um aceno de cabeça – Caiu da cama?
– Quem dera. Reunião às sete.
– Hm.
Ele não disse mais nada, eu tampouco. E permanecemos em um silêncio, confortável até, por todo o caminho.
Meus olhos, inconscientemente, deslizaram para ele, analisando-o de cima a baixo. Dimitri tinha um corpo bonito, do tipo magro malhado ao estilo Alexander Skarsgard. A pele parecia macia vendo assim, tão de perto. E o elevador estava impregnado com o perfume do seu pós-barba.
Estremeci.
Eu estava novamente pensando no sonho. E no como seu toque era bom e no quanto seu corpo era quente e suave contra o meu. Senti o sangue subir para meu rosto e desviei o olhar e me dei um soco mental, por que tapa não resolveria, por estar pensando nele naquela forma. Era errado e doentio. Eu deveria ser internada no manicômio. Mal havia chegado e já estava enlouquecendo.
Finalmente o trigésimo andar chegou. Já não era sem tempo. Mas ele saiu comigo. E andou comigo até a ala da chefia. Eu me anunciei à secretária que disse que Hans já estava a minha espera, que podia entrar. Antes, porém, ouvi Dimitri me chamar.
– Boa sorte. – ele sorriu de leve – reuniões logo cedo são de matar.
Eu apenas dei nos ombros e entrei na sala. Acho que tentei sorrir, mas ainda estava afetada demais para me lembrar.
– Rose! – Hans se levantou da cadeira e veio me saudar, pegando minhas mãos nas suas – Sinto não ter ido falar com você ontem. Mas, bem... é difícil ser o chefe. Tive muitas coisas para fazer, muitos nós para desfazer.
– Não se preocupe, está tudo bem, mesmo. – disse me sentando na cadeira oferecida – Só quero voltar ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Ele sorriu de leve e o analisei. Eu conhecia Hans há cinco anos, e ele era uma pessoa fácil de se ler. Tinha pra lá de 45 anos, e era um velho baixo de cabelos grisalhos e olhos duros. E havia muita preocupação nele, e uma ponta de hesitação.
– Okay, manda bala. – disse por fim, sabendo que vinha problema para eu resolver – O que eu tenho que fazer?
Ele torceu o nariz desaprovador. Odiava quando apressava as coisas. E odiava ainda mais eu estar correta.
– Rose, me sinto culpado por te pedir isso logo em sua chegada. – ele tomou feições profissionais e sentou-se em sua cadeira, cruzando os dedos sobre a mesa – Mas é que você é uma das melhores agentes que eu tenho... e me sentiria melhor, neste caso, se você o acompanhasse.
– Se trata de uma infiltração?
Só podia ser. Não seria um ataque direto, nem investigação por meio de terceiros. Eu seria iria investigar pessoalmente, estando entre os criminosos, como um deles. Era, realmente, uma das melhores agentes secretos. Sem medo de pular no fogo se precisar, e já dei mais que exemplos suficientes disso, e era o que deixava Hans preocupado.
– Estamos investigando uma máfia internacional há quase cinco anos, mas sempre que achamos que temos algo, a pista se perde e esfria. Nossas ultimas investigações levantaram alguns nomes e um centro de tudo isso. As suspeitas são de que uma rede de hotéis de luxo e cassinos seja, na verdade, fachada para seu verdadeiro investimento: tráfico de mulheres. O olho do furacão parece ser na Itália, e precisamos aumentar nossas chances. Nossos contatos italianos estão precisando de cobertura e pediram por agentes americanos para se juntar a eles. A ideia é enviar um casal recém-casado para ser recrutado pela máfia. E aí que você entra.
Assenti, tomando notas mentais sobre o caso, e pensando em quem eu chamaria para me acompanhar. Mase ou Eddie. Ambos eram ótimos, mas Mason tinha essa queda platônica por mim, e isso poderia ser um tropeço mais para frente.
Hans apertou um botão em sua mesa e a sala escureceu. As persianas de metal da janela se fecharam, transformando-se em tela para ele me passar as informações.
– Viktor Dashkov é um nome que aparece constantemente e desconfiamos que ele possa ser o chefe, se não de tudo, da uma boa parte. – uma foto conhecida apareceu na tela. Era o mesmo caso que Dimitri estava investigando. – É de nacionalidade americana, mas viaja frequentemente para a Itália, segundo ele para cuidara pessoalmente de seus hotéis e cassinos. Tente chamar a atenção, ser simpática e conquista-lo. Ele é um conquistador e adora mulheres consideravelmente mais novas. Se forem casadas, o desafio aumenta e é melhor ainda pra ele.
Eu sabia. O cara era do tipo velho, safado, oportunista. Não era a toa que havia se envolvido com tráfico de mulheres. Tinha dó de sua filha e sobrinha que tinham de conviver com ele.
– Rose. – ele virou a cadeira para me olhar com seriedade – preciso dizer para você se cuidar? Para não ser precipitada? Você viu como acabou sua última missão...
– Eu estou bem, Hans. Não se preocupe. Vou tentar não me matar. – eu sorri, mas ele permaneceu sério. Suspirei. – Okay, prometo que não vou fazer nenhuma idiotice, está bem?
– Assim espero.
Ele desligou o painel e abriu as cortinas novamente. Eu o olhei confusa.
– O que. É só isso? Mas e o resto das informações? Preciso de mais dados. Não era só isso, era?
– Não. Mas não sou eu quem irá passa-los a você. Como disse, será enviado um casal à Italia. Seu parceiro é o responsável pela missão, ele irá te passar tudo o que você precisar. Vocês dois terão o prazo de seis meses para preparar. – Hans pegou o telefone e apertou um numero – Mande-o entrar, Samara, por favor.
– Okay, e quem é ele?
No instante que a porta se abriu, senti seu perfume e meu coração deu um pulo. Não poderia ser. Não, a vida, o destino, ou sei lá o que, não seriam tão cruéis assim comigo.
– Rose, conheça seu novo parceiro e marido de consideração. Dimitri Belikov.
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