Love and Blood
3 Capítulo Dois
Notas iniciais
AVISO IMPORTANTE; O capítulo um teve poucas alterações, mas do dois em diante há MUITAS mudanças na história. Se você acompanhava a fic antes de eu apagar e recomeçar, leia novamente pra se atualizar. ;)
O tempo parecia ter parado. Como é que? Eu seria parceira de Dimitri? O idiota, metido, arrogante que estragou minha blusa, me perseguiu o dia todo e ainda teve a audácia de atrapalhar meu sonho? Eu teria que ser a mulher dele? Justo dele? Eu estava enganada. A vida era cruel, o destino era maligno e eu estava fodida. Isso não ia prestar, eu sabia. Mas tinha que ser profissional. Pelo menos em frente a Hans. Eu me virava com Dimitri depois, em particular.
Levantei-me da cadeira e virei-me para encontrar o dito cujo, que tinha o rosto inexpressivo, mas diversão em seus olhos.
– Belikov. – eu disse tentando não ser desagradável – Incrível como você parece estar em todo lugar. Especialmente onde eu estou.
– Espero que não se importe, mas nossa conversa ontem foi muito abrangente, e você tinha razão quando a Vasilissa e Viktor. Conversei com Hans e ele concordou em tê-la comigo neste caso.
– Me importar? Por que me importaria?
– Ora, vocês já se conhecem! – exclamou Hans com um sorriso – Isso facilita muito as coisas.
– Pois é. – respondi azeda sem desviar o olhar de Dimitri – A gente se esbarrou ontem.
– Ótimo, isso me poupa tempo para apresentações e por menores. – ele deu a volta na mesa e ficou entre nós. – Vocês já sabem como isso funciona. Rose, você queria mais informações, Dimitri as tem. E mais. Temos um beneficiador, ele tem se mostrado bem útil nas investigações e se ofereceu para investir no que for necessário. Dar-lhes-ei um mês para cobrir todas as informações que precisarão. Depois disso, vocês têm até cinco meses para ter tudo preparado para ir para Itália. Nesse meio tempo, vocês deverão se instalar em um apartamento que nosso beneficiador comprou pra vocês.
– O cara comprou uma casa pra gente? – indaguei surpresa. – Pra quê?
– Rose, você e Dimitri serão casados, mas não apenas na Europa. Daqui a um mês vocês terão de sair em eventos sociais e começaram e espalhar seus nomes, fazer amigos. Ou vocês realmente acham que Viktor não irá perguntar sobre vocês quando se conhecerem?
Seria isso um sonho e na verdade eu estava dormindo na minha cama no meu apartamento?
– Quer dizer que...
– Quer dizer que assim que saírem por essa porta, vocês assinarão um documento oficializando a união de vocês. – emendou Hans – Temos nossos técnicos organizando uma papelada que será enviada para o seu novo endereço. Lá terá tudo o que precisam saber e o que precisam se responsabilizar. Vocês se mudam amanhã. Tirem a semana para ler e me liguem se tiverem dúvidas.
Respirei fundo. Como tirar um band-aid, rápido e sem avisar, era bem assim que Hans se comportava e esperava que todos fossem com ele nessa.
– Senhor isso tudo é muito... Quero dizer, amanhã? Eu acabei de voltar e...
– Pensei que havia dito que estava ansiosa para isso? – Hans me cortou. – Não temos tempo pra esperar, Rose. A cada dia moças somem de suas famílias e nunca mais aparecem. Temos que cuidar disso. Tudo o que vocês precisam saber estará na pasta enviada. Vocês são adultos, se resolvam entre si. Agora, se me dão licença, tenho uma videio conferencia em quinze minutos.
– Sim, senhor. – dissemos em uníssono.
Assim que a porta do elevador se fechou e estávamos sozinhos, me virei para ele acusatoriamente.
– Você sabia. Sabia e não me disse nada. Desde quando você vem planejando isso?
– Juro que pensei em você apenas ontem à noite, enquanto tomava banho. – eu ergui as sobrancelhas, e de repente ele pareceu desconfortável.- Não comece pensando besteiras, Rose. No banho que eu relaxo e penso com clareza. Achei que seria uma boa tê-la, ter sua mente do meu lado e contatei Hans. Ele ficou feliz com a ideia e concordou comigo. Você tem mais credito com ele do que eu imaginava.
–Tenho meus motivos. E você, parece, não procurou saber quais eram.
– Não. Não me interessa o que fez no passado, apenas nosso futuro imediato neste caso.
– Que seja. Mas ainda estou brava com você. Agora pouco, antes da reunião, você sabia do que se tratava e deu aquele sorrisinho cínico pra cima de mim...
– Hans é nosso superior, Rose. Ele quem deveria te contar, ele quem deveria te recrutar, não eu.
– É... mas...- eu me interrompi frustrada. Dimitri tinha razão. – Okay, e o que fazemos agora?
– O que Hans nos disse para fazer. Vamos para casa, nos organizamos e amanhã vamos para nosso novo apartamento. Temos muitas coisas para ler e decidir. O quanto antes fizermos isso, melhor. — o elevador abriu para o nosso andar e saímos, ele me acompanhou até minha sala – E... bem. Precisamos ficar mais a vontade um com o outro. Não vamos convencer nem mesmo um cachorro que somos casados e nos amamos se ficarmos hostis desse jeito.
– Não tenho culpa se você é um grosso sem educação. Não espere que eu concorde com tudo o que diz, camarada, pois nem de brincadeira farei o tipo mulher submissa.
Ele fungou, e não me respondeu. Entramos na minha sala e comecei a organizar alguns documentos que precisaria. Algo me disse que não entraria ali por um bom tempo.
– Vou ter que me reorganizar agora... Pensei que Hans iria me forçar ao trabalho burocrático por causa... você sabe. – suspirei, pegando meu casaco e minha bolsa – Como fazemos amanhã?
Tranquei minha sala após sair e nos dirigimos até o outro lado do andar, tínhamos que passar na área de documentos e assinar nossa certidão de casamento.
– Hans ficou de me enviar o endereço. – informou ele ao entrarmos na sala onde já éramos esperados pelo pessoal – Pensei em passar no seu apartamento e irmos juntos. Se chegássemos em carros separados poderia chamar atenção, estamos nos mudando afinal de contas.
– Tudo bem.
Meu estomago se contorceu de nervoso. Eu passaria os próximos meses confinada numa casa com Dimitri. Acabaria matando-o, ou nos mataríamos mutualmente. Não conseguimos ficar muito tempo sem brigar, como isso daria certo?
– Até amanhã, então.
Depois de assinar todos os tipos de documentos necessários, descemos até a garagem. Não me despedi de Mase e Eddie, sabia que os encontraria novamente antes de ir até a Itália; os dois poderiam não ir comigo, mas ainda eram meus parceiros e se envolveriam na preparação de tudo.
– Até mais tarde, Hathaway.
Dimitri se fechou minha porta e se virou indo até seu carro, mas eu interrompi seu caminho, chamando-o novamente.
– Rose. – ele me olhou confuso — Me chame de Rose.
Ele sorriu e assentiu.
– Tudo bem então. Até amanhã. Rose.
– Volta! Volta tudo!
Eu suspirei revirando os olhos. Mia ainda estava de pijamas, sentada no sofá confortavelmente e com os olhos arregalados e um sorriso enorme no rosto.
– Quer dizer então que você teve um sonho totalmente erótico com esse deus grego e agora vai ter que trabalhar com ele?
– Russo. – corrigi – ele é russo. E sim. Vou trabalhar com ele. Passaremos longos seis meses na mesma casa, fingindo sermos casados e comparecendo em festas chics idiotas em Nova Iorque antes de irmos pra Itália passarmos sei lá mais quanto tempo juntos.
– Woha! – Mia se sentou nos joelhos, animada. – Conte-me tu-do. E não me esconda nada! Ai de você se não contar cada detalhe!
– Hey, Mia! – exclamei assustada – O que você acha que vai acontecer no apartamento? Vamos trabalhar, sua pervertida!
– Ele estará dormindo ao seu lado. Tomando banho ao seu lado. Acordando ao seu lado e você me diz que não vai acontecer nada? Ainda mais depois que você me disse desse sonho? Qual é, conta outra Rose!
– Pra começo de conversa, ele não vai estar ‘ao meu lado’. Vamos morar junto e só! E, okay, não vou negar que Dimitri é lindo... – fraquejei com o olhar que Mia me deu – Tudo bem, gostoso demais. Realmente, admito. Dimtri é gostoso, tá bom assim? Mas não vai acontecer nada entre nós. Nem hoje nem nunca! O cara é um arrogante idiota! Mal educado e... por que você está rindo?
– É o primeiro passo: negação. Depois vocês dois estarão nus na cama. Nus na sala. Nus no banheiro! – joguei uma almofada nela, mas Mia continuava a rir – Estou brincando... mas espere e veja. Duvido que você o verá com os mesmos olhos depois de dez dias.
Eu a fuzilei com os olhos e me levantei, pegando minha bolsa que havia caído no chão.
– Você vai engolir essas palavras, Mia. – ela revirou os olhos não levando a sério. – Você até me fez esquecer o que eu vim te pedir... De qualquer forma, como disse, vamos ter que viajar e vou me mudar amanhã não tenho permissão, como sempre, de levar Thor comigo.
– Eu vou cuidar dele, amiga. – concluiu ela com um sorriso – Sabe que sim. Ele vai passar anos adoráveis comigo!
– Anos? – eu ergui uma sobrancelha – Pretendo terminar tudo isso em no máximo um ano! Contando com esse tempo no apartamento.
– Mas vai que você resolve fugir com Dimitri para alguma ilha romântica no Caribe?
Eu pressionei os olhos perigosamente, fazendo-a rir. Dirigi-me à porta sem respondê-la e antes de sair ela me chamou.
– Ah, Rose. – seus olhos estavam animados, mas percebi certa tristeza. Ela não gostava do meu trabalho. Mesmo tendo sido ele que a salvara uma vez, anos atrás. – Você vai viajar de novo e ficará fora não sei quanto tempo... será que rola um jantar antes de você ir embora com seu Deus Russo pra Itália? Quero dizer, vocês não podem ficar isolados e um rosto amigo sempre é bom... E eu quero conhecer o seu Dimitri.
Eu ri abrindo a porta.
– Falarei com meus chefes, mas acho que não terá problema! Te ligo até final de semana pra te dizer, okay? E você verá que o Dimitri não tudo isso que você o pinta!
– Combinado!
Apenas quando cheguei ao carro e pus a chave na ignição eu me toquei de que ela havia dito ‘seu Dimitri’ para mim, e eu não a corrigira. Ela ainda ia usar isso contra mim futuramente.
Pensei em passar em algum restaurante e pegar alguma coisa para almoçar, mas eu não estava com fome alguma. Milagrosamente, parecia que meu estomago se fechara desde a reunião com Hans e Dimitri.
– Hey, garotão! – cumprimentei Thor que pulou em cima de mim assim que entrei em casa — Sentiu minha falta, foi?
Ele latiu duas vezes e saiu para a sala. Eu sorri para ele e fui para meu quarto. Tirei os sapatos e as meias, ficando descalça, vesti um blusão branco feminino e estava abotoando os shorts quando ouço o celular tocar. Era um número desconhecido.
– Rose? – A voz do Dimitri soou do outro lado da linha.
– Hey, camarada. Já sentindo falta da minha presença? — brinquei tentando espantar o frio súbito que senti na barriga que sua voz provocou. – Como conseguiu meu número?
– Ashford. – Ah, claro. Seu cachorrinho de estimação. – Hans me passou o endereço. Disse que o apartamento já está mobiliado e que só precisamos levar o estritamente necessário, o nosso contribuinte também deixou-nos um guarda-roupa inteiramente novo.
– Uau. Quem será a figura? Está gastando uma nota conosco e nem podemos agradecer.
– O mínimo que podemos fazer é pegar esse pessoal. – respondeu ele simplesmente. – Então, posso passar ai pra te buscar amanhã?
– Me buscar?
– Já esqueceu? Não podemos chegar no apartamento sozinhos, Rose. – explicou com um tom de voz que sugeria que ele pensava que falava com uma criança.
– Claro que não. – murmurei comigo mesma, me lembrando vagamente que já havíamos tido essa conversa – E o que faremos com meu carro?
– O carro de classe média? Fica. Nossos carros estão na garagem do apartamento.
– Hey, então por que você pode levar o seu carro?
– Eu não vou levar o meu carro. Irei te buscar de taxi... – Dimitri se interrompeu e suspirou — Rose, será que você pode parar de implicar e brigar comigo? Vamos deixar pra fazer isso pessoalmente pelo menos.
– Que horas você vem?
Pude jurar que ouvi um sorriso em sua voz quando ele me respondeu.
– Nove horas passo ai.
Às oito e meia da manhã Mia passou em casa para buscar Thor. Eu sentiria sua falta miseravelmente, mas prometi que antes de viajar iria visita-lo, pelo menos, uma vez por semana. Como Dimitri viria me buscar, Mia resolveu espera-lo para conhecê-lo e assim já poderia perguntar a ele se teria chances de nos vermos.
Eu era o tipo minimalista. Tudo o que precisaria se encontrava em duas caixas e duas malas que estavam próximas a porta esperando até que meu novo companheiro chegasse. O resto do apartamento estava limpo. O que tinha na geladeira e poderia ser comido estava com Mia, lençóis brancos cobriam os móveis e os únicos ornamentos que havia – poucos porta-retratos – estavam guardados nas caixas que levaria comigo. Minha vida agitada não permitia que meu apartamento fosse muito parecido com um lar e, sinceramente, eu também não me esforçava pra isso.
Às nove horas em ponto o interfone tocou e o porteiro avisou que Dimitri havia chego. Dei-lhe permissão para subir e procurei ignorar os olhares e sorrisos que Mia me lançava. Finalmente Dimitri bateu à porta e eu quase pulei do sofá coberto. Deveria ser rápida e acabar logo com isso antes que Mia falasse o que não devia.
– Bom dia, Rose. – Dimitri me cumprimentou educadamente quando abri a porta o suficiente para vê-lo. Ele ergueu um copo de isopor da Starbucks e deu um sorriso gentil e breve – Acho que te devo um chocolate quente.
Sorri e afastei Thor com a perna para permitir sua entrada.
– Bom dia. – respondi aceitando a bebida quente. – E obrigada. Você ainda me deve uma blusa nova.
– Pensarei no seu caso. – prometeu tranquilamente me fazendo sorrir. Ele olhou para as minhas coisas depois para mim – É só isso?
Antes que eu pudesse responder, Mia pigarreou da sala para se fazer presente e eu amaldiçoei mil vezes seu nariz grande intrometido.
– Ahn, Dimitri, deixe te apresentar minha amiga. – O guiei até a sala, com Thro em meus tornozelos – Essa é Mia Rinaldi. Ela vai cuidar do meu cachorro e do apartamento. Mia, esse é Dimitri Belikov.
Ela sorriu e seus olhos brilharam com a visão. Poderia ser mais óbvia? Mia se levantou e ajeitou os cabelos volumosos antes de estender a mão educadamente para cumprimenta-lo.
– Então você é o famoso Dimitri? – ele ergueu uma sobrancelha e eu lancei um olhar mortífero que a obrigou completar: — Ela reclamou da blusa que você sujou por uma hora inteira.
– Mia, não começa. – interrompi revirando os olhos. – Veja, ele me pagou um chocolate quente novo. Está parcialmente desculpado.
Ela sorriu e então seu sorriso desapareceu quando cruzou os braços. Encarou Dimitri com seriedade e preocupação.
– Cuide bem da minha amiga, Belikov. Não a deixa fazer nenhuma bobagem.
– Pode deixar, Rinaldi. Rose não vai sair das minhas vistas.
– É bom mesmo. Por que ela é uma pessoa difícil de parar.
Hora de intervir. Antes que Dimitri abrisse a boca para perguntar, e Mia revelasse mais do que ele deveria saber. Sabia que ela se preocupava comigo e que esse caso poderia me fazer levar a extremos que há muito tempo eu evitava. Três meses atrás eu cheguei bem próxima de me perder, mas Mia não deixou. E eu estaria em outro continente agora, longe de sua proteção.
– Okay, acho que está na hora de irmos. – disse empurrando Dimitri para a porta — O taxi não deve esperar.
Ele foi até o corredor chamar o elevador, tempo suficiente para apenas lançar um olhar de aviso à Mia. Quando voltou, Dimtir empilhou as caixas e as levantou no braço sem parecer necessitar muita força. Eu peguei a alça das malas de rodinhas e as puxei atrás dele, deixando que Mia fechasse a porta atrás de nós. Ela carregava uma pequena malinha com algumas coisas de Thor, e este nos seguindo de perto.
– Dimitri, você acha que será possível eu ir visitar vocês antes de viajarem. – indagou Mia dentro do elevador lotado com nossas coisas.
– Não vejo por que não. Mas ainda não sabemos como seguirão as coisas... assim que tivermos todas as informações Rose te liga te informando o que puder e como proceder esse encontro. Tudo bem?
Ela sorriu em resposta e chegamos ao térreo. Dimitri começou a guardar as coisas no taxi enquanto eu e Mia nos despedimos com um abraço apertado. Prometemos nos cuidar e que nos veríamos em breve. Thor, que às vezes entendia as situações melhor que eu, estava triste e chateado, mas não havia muito o que fazer. Era meu trabalho. Dimitri e Mia se despediram com um aperto de mão e nós dois rumamos para nosso novo endereço.
Para a minha surpresa, nossa nova casa seria em um apartamento de luxo na Upper East Side, em Manhattan. Seja lá quem fosse o nosso patrocinador, estava gastando uma gana preta conosco, e eu me perguntava o porquê disso tudo.
– Rose. – Dimitri me chamou antes de descermos e vi que havia algo diferente em seus olhos, embora não soubesse o que – Está na hora.
Ele estendeu a mão e vi dois círculos de ouro sobre ela. Nossas alianças. Respirei fundo e ensaiei um sorriso antes de por a minha. Descemos do taxi e Dimitri foi chamar alguém para carregar nossas coisas. Fomos instruídos a subir que em breve nossas coisas chegariam, e assim fizemos.
Tudo ali era tão lindo que tinha receio até de olhar. Percebendo minha insegurança, Dimitri passou o braço em minha cintura, me puxando para ele.
– Conversamos direito no apartamento. – murmurou contra meu ouvido. – Mas pareça feliz e confortável, Rose.
Deliberadamente, ele beijou minha testa com gentileza e esperava que o calor que senti com a ação fosse coisa da minha cabeça. Abracei sua cintura e entramos no elevador. Ele era a única coisa que me ancorava na realidade então era a ele que tinha que, literalmente, me segurar.
O prédio não era muito alto, de dez andares e cada um possuía dois grandes apartamentos. O nosso ficava no sexto andar com uma bela vista para o Central Park. Já estava todo devidamente mobiliado, e gostei bastante da forma que o fizeram, sem muita presunção e bastante simplicidade ao mesmo tempo que apresentava riqueza e bom gosto.
O apartamento era composto por uma ampla sala de entrada que se estendia até a janela de vidro, ela possuía dois ambientes diferentes divididos por um sofá grande: uma tv tela plana em um e uma mesinha de café do outro. Uma mesa de jantar ficava entre esse espaço e a cozinha, que era média e possuía um balcão de mármore com bancos altos do lado aberto. Do lado esquerdo, em baixo das escadas transparentes, havia o banheiro e o escritório. Os três quartos ficavam no andar de cima e apenas um possuía banheiro próprio e um closet Na sala grande havia também uma lareira.
– Nossa, esse apartamento é incrível. – exclamei quando entramos no quarto que seria nosso – Não posso imaginar como será na Itália.
– Nem eu. – apesar de estar deslumbrada, me sentia um pouco desconfortável com tanto luxo, sentimento divido por Dimitri. – Mas nosso foco não é a casa ou a riqueza.
– Sim, sim, eu sei. – disse ao mesmo tempo em que a batiam na porta. – Deve ser nossas coisas.
– Eu vou buscar, pode deixar. – ele olhou para mim e então para o quarto, parecia perdido.
– Eu vou tomar banho então.
– Tudo bem.
E então saiu do quarto.
– Estava me perguntando se você tinha fugido. Mas quanta coisa é essa?
Após o banho, percebi que Dimitri não estava no apartamento e estranhei até voltar para o quarto e encontrar um bilhete avisando que voltava logo. Momentos depois ouvi a porta se abrindo avisando sua volta.
Cheguei até a cozinha e o encontrei com uma sacola em cada mão. Tinha um cheiro quente e muito bom de comida.
– Nosso almoço. – eu fui para seu lado, e fucei as sacolas. – A geladeira estava vazia e como imagino que nenhum de nós dois estejamos com vontade de cozinhar, desci para comprar algo pra comermos. Espero que não se importe.
– Me importar? De maneira alguma! – exclamei ao constatar que ele havia trazido comida do meu restaurante oriental favorito – Obrigada. Estou morrendo de fome e nenhuma inclinação para cozinhar. Não que seja frequente minha vontade de fazer isso.
Ele riu e começou a tirar as caixinhas das sacolas e as colocou no balcão.
– Sabia. Mason reclamou que se não fosse pelos restaurantes você morreria de fome. – ele me deu uma olhadela de canto antes de continuar com cuidado – Ele também disse que se dependesse de você, passaria todo o tempo livre na agência. Que ele e Eddie só conseguem sair com você por que Hans te tira de lá quase a força.
– Mase disse isso, é? – ergui a sobrancelha indo lavar a mão na pia – Aquele boca grande.
– Não o leve a mal – riu-se Dimitri – ele não pode evitar. Está completamente atraído por você.
– Yeah, eu meio que sei isso. – respondi baixinho indo me sentar em um dos bancos. Dimitri me olhou... estranho. – O que?
– Nada. – ele voltou sua atenção à comida. – Então, Rose, já que você está proibida de ir à Agência nos finais de semana, o que você faz nos sábados e domingos?
Ele foi lavar sua mão na pia como eu, enquanto me sentava à mesa redonda, abrindo algumas caixinhas. Caramba! Dimitri trouxe tudo que eu gosto! Bem, e o que eu não gosto?
– Por quê? – indaguei sem dar muita atenção – Está pensando em me chamar para sair, camarada?
Dimitri sorriu e sentou-se ao meu lado, pegando as suas caixinhas. Ele comprara as duas unidades de cada, uma para mim e uma para ele. É, o cara tinha bom paladar. Ponto pra ele.
– Tenho que saber do que minha esposa gosta, não tenho? – eu revirei os olhos e ele sorriu de lado. Percebi que Dimitri raramente sorria com vontade. Eram sempre sorriso pequenos e controlados – Vamos deixar para falar de trabalho depois, Rose. Sabia que isso que você tem chama-se workholic?
– Eu não sou viciada em trabalho! – retruquei caçando camarões no macarrão – Eu apenas gosto do que faço. É diferente. Mas tudo bem. Não vamos falar de trabalho então.
Dimitri deu nos ombros, e totalmente habilidoso com os hashis, mordeu um pedaço do seu rolinho primavera.
– Então. – continuei tomando um gole de coca – Sobre o que mais o Mase disse sobre mim?
– Não muito. Como eu disse, Ashford é completamente apaixonado por você. Só enalteceu o quando ‘foda a Rose é’. Disse que você é bem como aquelas agentes de filmes: lindas e fatais.
– Não posso negar que nisso está certo. – ele ergueu uma sobrancelha descrente e eu sorri – O que? Não serei hipócrita e pagar de modesta por que não sou. Já recebi cantadas demais e nos momentos menos propícios pra fingir que não sei que pelo menos alguma coisa aqui atrai o seu sexo.
– Que seja. – disse simplesmente, divertido — Bem, ele repetia o quanto maravilhosa você é que conseguiu a proeza de ser uma das melhores agentes de campo de Hans em menos de três anos. E que deveria ser genético.
Eu abaixei a cabeça, de repente ocupada demais em caçar os camarões. Não o olhei de volta enquanto falava, temendo que minha expressão denunciasse a agonia que tomou conta de mim. Eu, geralmente, não era dada a emoções, principalmente em publico. Mas o que aconteceu com ela ainda me afetava demais para fingir que estava tudo bem, quando não estava.
– Ele disse isso? Que era genético?
Dimitri suspirou.
– Rose... Eu já sabia que era filha de Janine antes mesmo de Mason me contar. – sem erguer a cabeça, levei meus olhos aos seus. – Podem não ser muito parecidas fisicamente, mas definitivamente você é filha da Hathaway.
Eu sorri de leve, orgulhosa pela comparação.
– Eu sinto muito. – continuou ele. Sua pose de agente certinho e sério havia caído, e só podia ver gentileza em seus olhos tremendamente profundos. – Pelo o que aconteceu a vocês.
– Obrigada.
– Então, quer dizer que você tem fascínio por casas pegando fogo? – eu ergui os olhos, confusa com a brusca mudança de assunto. – O caso do piromaníaco.
– Ah! Sim... bem... – eu ri, e não precisei agradecer em voz pela sua atitude – O filho da puta queria se matar. Muito fácil isso. Faz as coisas erradas e se mata sem pagar nada em vida. Mas as coisas não deram muito certas...
– Foi muito arriscado de sua parte. Os dois poderiam ter morrido.
– É, mas eu não morri. E o infeliz sim. Digamos que foi uma troca justa, no final das contas. Mas ainda gostaria de ter prendido ele.
Dimitri manteve a conversa leve. Focando nos meus feitos e falando pouco, deixando-me manipular a conversa. Sem duvida nenhuma ele queria desfazer aquela tensão de quando entramos no assunto... delicado.
Devo admitir que fiquei um pouco impressionada quando ele me contou, pouco, mas contou, de suas missões. Sua mente lógica e instinto eram incríveis! Por mais que eu odiasse essa situação, eu estava ansiosa para vê-lo em ação. Talvez Mase estivesse razão e esse Dimitri Belikov fosse, de fato, um Deus.
– Você ainda não me respondeu. – perguntou-me ele a certa altura – O que fica fazendo nos finais de semana para não subir nas paredes?
Havíamos acabado de comer. Dimitri me ajudava a arrumar as coisas, encaixando as caixinhas umas nas outras e depositando sobre a pia enquanto eu passava agua no que usamos para por na máquina.
– Eu já disse que não sou workaholic. – respondi com um sorrisinho – Eu faço as minhas coisas... tudo que não deu tempo de fazer durante a semana.
– Hm...
Ele visivelmente não acreditava em mim.
– Eu estou falando sério! – exclamei me virando para ele. – Eu arrumo a casa, passo um tempo com Thor. Coisas normais.
Ele não pareceu convencido, mas ignorei. Enxuguei as mãos no pano de prato e me dirigi para a sala. Sentei-me no chão em frente à mesa de café e Dimitri foi até o escritório e voltou pouco tempo depois com uma gorda pasta preta.
– Eu disse que não íamos falar em trabalho. – começou ele se sentando a minha frente e abrindo a pasta – Mas vamos falar sobre nós.
– Manda a ver, camarada.
– Camarada? – ele ergueu uma sobrancelha e me irritei por não conseguir fazer isso ainda – Sério, Rose?
– Não reclama que poderia ser pior
Ele não respondeu, ao invés disso me passou uma folha para eu ler.
– Vamos usar os nossos nomes? – indaguei descrente.
Dimitri assentiu e encolheu os ombros.
– Hans quer assim. Ele não quer arriscar que descubram que uma busca acabe revelando falsos resultados e eles descubram. Há muito em jogo.
Continuei a ler. Éramos casados há alguns meses após outro tanto de noivado. Dimitri seria Diretor Técnico da empresa na qual usamos de fachada em uma das centrais na cidade e eu seria uma estagiária de administração – era mais fácil forjar esses detalhes que uma vida inteira.
– CTO*? Mesmo? – Eu o encarei com um sorriso no rosto – Você é o que? Algum tipo de nerd de computador?
– Um cargo bem acima do seu Rose, não sei qual a graça.
– Hm, então você é meio Sheldon Cooper...
– Rose!
Eu ri e retornei à minha leitura. Aquilo era apenas um resume e havia outras providências para tomar aquela semana – como me inteirar no assunto da faculdade e assinar alguns documentos para provar que eu pelo menos fiz minha matrícula.
Por cima dos cílios, percebi que Dimitri me encarava, como se esperasse alguma reação de mim ou sei lá. Eu havia perdido alguma coisa. Voltei a ler com atenção e entendi o que era.
– Nós iremos para Gênova?– tudo bem que eu sabia que iriamos para a Itália, mas pensei que seria para um lugar menos atraente.
Ele sorriu satisfeito.
– Sim.
– Você está de brincadeira? Upper East Side, Gênova e mansões? Esse vai ser o meu melhor e mais luxuoso trabalho.
Ele estava claramente divertido com minha reação. Mas tudo que recebi foi um sorriso tímido, e olhos brilhantes. Não pude deixar de reparar o quanto nossa relação estava evoluindo em pouco tempo. Talvez fosse o fato de sermos obrigados a trabalhar juntos que nos incitasse a ser legal um com o outro. Talvez por que não tínhamos, realmente, muitos motivos para brigar. Talvez fossemos mais parecidos do que eu poderia achar.
Passamos o resto do dia analisando as informações sobre nossa nova vida, tentando assimilar tudo e depois Dimtri trouxera duas outras pastas sobre os movimentos de Viktor. Quando já eram umas nove da noite, as folhas estavam todas cobrindo o chão, cheias de post-its amarelos e anotações à lápis nas bordas.
– Acho que não caba mais nada dentro do meu cérebro. – suspirei encostando a cabeça no sofá atrás de mim – Se eu não soubesse, acharia que Viktor é mais um daqueles caras com faro pra negócios.
– Isso ele tem. – concordou Dimitri com os olhos cansados. – Pena que faça de maneira errada.
Levantei-me do chão e fui até a cozinha e fucei nos armários, encontrando uma garrafa de vinho. Peguei duas taças, voltei para a sala e nos servi.
– Obrigado. – agradeceu-me ele pegando sua taça – Isso é tudo que sabemos até agora. Vamos precisar de, pelo menos, três meses para conseguir uma prova concreta contra ele. Vai ser complicado. Temos que entrar em seu circulo de amigos, o que não é fácil.
– Eu estava pensando sobre isso. Seria bom se o conhecêssemos antes da Itália.
– Precisamos de uma festa para que sejamos apresentados a eles formalmente.
– Ugh, festas! Quanto tempo que não sei o que é isso! – me ajoelhei no chão, me animando com a ideia que parecia ótima.
– E depois diz não ser viciada em trabalho.
– E eu não sou! – tomei um grande gole do vinho que era de alta qualidade. – Viktor possui seu próprio negócio de Hotel e Cassinos... Ele poderia se interessar por você e sua nerdice em computação, principalmente na criação de algo como firewalls ou algo do tipo para impedir hackers e essas coisas.
– Eu havia pensando em outra coisa, mas sua ideia é melhor. Tem mais chances de dar certo.
– Vai dar certo. Otimismo, por favor, camarada. – tomei um gole da taça e o olhei com a sobrancelha franzida – E que tom de voz impressionado é esse? Depois de tudo que ouviu sobre mim ainda se surpreendeu?
– Eu tenho o pressentimento que você, Rose, é do tipo que vive surpreendendo a todos.
Dei nos ombros, com um sorrisinho enquanto tomava outro grande gole de vinho.
– E me desculpe. Eu subestimei você. Achei que era apenas mais uma novata querendo fazer média com o chefe. Obviamente estava errado.
– Costumo passar mesmo essa impressão. É bom, até. Deixo as pessoas de cara no chão e saio por cima. – me gabei com um sorriso.
– E você gosta de estar por cima.
Não foi uma pergunta.
– Adoro.
Eu comecei a rir, sentindo o rosto esquentar. A pergunta e a resposta havia tido um duplo sentido que Dimitri só reparou com minha reação.
– Estar por cima eu quis dizer se sentir superior. – ele se apressou a explicar – Não quis dizer...
– Eu entendi o que você quis dizer, Dimitri. – tomei o resto do vinho de uma vez e voltei a encara-lo – Mas foi engraçado.
Ele ergueu uma das sobrancelhas, parecendo incomodado. Acho que ele não é do tipo que gosta de parecer bobo ou algo assim. O que me fez rir ainda mais.
– Rose, não te ensinaram que é feio rir à custa dos outros?
– Não te ensinaram a se divertir?
Peguei o vinho do chão e me servi de mais, enchendo a taça. Dimitri tinha a sua pela metade, mas completei mesmo assim. Não me sentia desconfortável com ele ali, ou incomodada. Eu o havia conhecido no dia anterior, e havíamos tido muitas desavenças em pouco tempo, mas mesmo assim eu me sentia bem ao seu lado. Mesmo ele me irritando com seus papos sérios e tudo mais.
– Eu sei me divertir. – retrucou ele, bebericando o vinho – mas eu faço isso na hora correta.
– Duvido. – provoquei em tom cético – Você é centrado e sério demais. Aposto que nem beber sabe.
Como se para provar o que eu dizia, entornei o conteúdo da taça. A forma que eu o fiz me deixou um pouco zonza, mas a sensação passaria logo. Dimitri me encarou, sem expressão alguma, então, me imitou, bebendo ainda mais rapidamente do que eu havia feito.
– Hmm – preenchi a minha taça uma terceira vez. Se continuássemos assim tomaríamos o vinho todo naquela mesma noite. – Você não me engana, Dimitri. É mandão, sério, certinho demais! Duvido que era assim no colegial. Você não sobreviveria. Além do que, é bonito demais e tem boa lábia. Definitivamente não era um nerd.
– Então qual sua suposição? – indagou-me se servindo de vinho também. — O que eu era, Rosemarie?
– Era popular. – afirmei com certeza. – Mas não era um dos bullyings, isso está na cara. Acho... que você quebrou o estereotipo de popular do colegial. Estudava e ia bem nas matérias, era um atleta, e todo mundo gostava de você. Seria perfeitinho demais, se não fosse sua impulsividade.
– Impulsividade?
– O fato de você ter pedido minha opinião no estacionamento e logo em seguida me chamado para o caso como sua parceira me deu uma pista.
– Você é uma das melhores. E estava disponível.
– Isso você não poderia saber. Sabia que eu era boa pelos lábios do Mason, o que o ato em si é de desconfiar, já que ele gosta de mim. E não tinha como saber que eu estava disponível. Logo, foi impulsivo de sua parte. Mas, também, não poderia te culpar. Seu raciocínio lógico foi perturbado pela minha beleza estonteante e inteligência suprema.
Dimitri se engasgou com o vinho e começou a rir. Eu o encarei seria. Era uma risada irônica e um tanto malvada. Não era uma genuína, mas ainda sim era bem bonita. Os dentes dele eram retos e brancos. E o sorriso era lindo. Enrugava o canto dos olhos de uma maneira harmoniosa ao rosto.
– Você me faz rir, Rose.
– Outra coisa que duvido. – ele ainda tinha um ar sarcástico no rosto, mas me ouviu em silencio. – Você não ri muito. Parece ter sempre cuidado com as palavras e as pessoas, embora eu não me classifique nessa ultima. E tem um... fundo de tristeza em seu olhar. Algo ruim lhe aconteceu e te deixou assim, sérião. Ao mesmo tempo te deixou chato e meticuloso. Aposto que prefere fazer as coisas que mandar alguém fazê-las. Duvido que se envolva com alguém e aposto que sua ultima namorada foi há muito tempo. Duvido que saia muito. Duvido que tenha encontros e duvido que você transe frequentemente, o que explica o fato de ser todo mal-humorado e não conseguir tirar os olhos de mim.
Admito, peguei um pouco pesado. Falei mais do que devia e abusei do que não tinha. Era efeito da bebida, eu sabia. Devia ter me calado antes e ter ido tomar banho pra dormir. Só nos falar novamente no outro dia, quando estivesse sã. Imaginei que Dimitri se irritaria comigo, brigaria, sei lá! Mas ele parecia surpreso. E o tom de voz que usou para me responder tinha um tom leve, mas perceptível, de desafio.
– Você é bem atenta, Rose. – ele apoiou a taça no chão, e esperou que eu tomasse a minha toda para que fizesse o mesmo com ela. – Perceptiva. Mas tem um péssimo erro que é esquecer-se de olhar pra si mesma antes de falar algo.
Eu franzi a testa. O que ele queria dizer com isso? Tudo bem, eu era, realmente, workaholic – nunca admitiria isso a ele – mas eu sabia me divertir, eu bebia sempre que podia e pegava caras quando saia. Embora o tópico ‘sexo’ estivesse fora de meus domínios há alguns meses...
Mas antes que eu pudesse formular uma pergunta, Dimitri agiu rápido. Rápido mesmo. Ele me empurrou contra o chão, deitando-se sobre mim, pressionando nossos corpos. Meu coração acelerou, tanto pela surpresa tanto pela leve excitação que tomou conta de mim com seu toque. Seu rosto estava bem acima do meu, olhos nos olhos, narizes quase se tocando.
– Não vou discordar de você. Você está correta, parcialmente. – conforme ele falava, sua respiração quente tocava meu rosto fazendo cocegas. Respirei fundo. – Mas você também não está muito diferente de mim, Rose. Ambos temos um passado trágico. Ambos damos nossa vida pelo nosso trabalho. E ambos temos problemas com relacionamentos. Então não tende dar uma de moralista pra cima de mim.
– Eu não estava. – murmurei com a voz firme – Só estava lhe dizendo minhas conclusões sobre você. Você mesmo pediu, Dimitri.
– Eu sei, Rose... – ele abaixou a cabeça e deslizou o nariz pelo meu pescoço, me fazendo arrepiar. Traçou um caminho na pele entre o decote da blusa e meu corpo, eu me segurava para não arfar – E você está certa em todos os sentidos. Menos que eu não saiba me divertir. Acredite, eu sei. Você não tem nem ideia.
Minha respiração era pesada. Perceptível. Suas mãos contornaram meu corpo deixando um rastro de calor por onde passavam. A lembrança do sonho me veio à mente e de repente eu desejava que estivéssemos na cama. Nus.
Repreendi-me pelo pensamento. Eu não queria isso. Era apenas uma reação consequente de sua proximidade e provocação. Ele era um homem. Um lindo, gostoso e cheiroso homem. Eu era uma mulher. Somos humanos. Temos nossos instintos e necessidades. E eu precisava ignorá-las.
– Você fala demais, Rose. Já te disseram isso?
Seus olhos estavam nos meus novamente, fixos e insondáveis. Caramba, como eu queria beijá-lo e saber como seria a sensação! Então uma droga de raio, seguido por um forte trovão, iluminou a sala nos fazendo piscar como se acordando de um transe. Dimitri ainda estava sobre mim, e não parecia quere sair. Ou estava muito bêbado, com as quatro taças apenas, ou não tinha vontade mesmo.
– Acho que seria bom nós dois irmos dormir. Temos uma agenda bem apertada a partir de amanha. – ele se levantou de repente e senti falta do calor de seu corpo. – Dormirei no quarto de hóspedes. Você fica com o principal.
Sem saber o que dizer ou responder, só assenti com a cabeça.
Estava ferrada. Fodida. Definitivamente perdida.
Dimitri tinha um poder sobre mim incrível. Aquele Deus Russo seria um grande problema. Eu tinha que me segurar sempre perto dele. Mesmo quando irritada ou nervosa com ele, os sentimentos sempre evoluíam para mais. Para uma tensão sexual terrivelmente forte.
Um ponto positivo: ficaríamos os próximos meses juntos, agindo como um casal. Eu poderia me aproveitar desses momentos – os públicos apenas – para me satisfazer dele. Os futuros beijos e abraços. Poderiam ajudar nessa minha ânsia e lidar com a abstinência que enfrentava e que agora me trazia problemas.
O lado ruim? Ficaríamos os próximos meses juntos, agindo como um casal. Isso poderia piorar tudo e acabarmos na cama, terminando o meu sonho. Conforme nossa relação evoluía rápido, eu percebi nesses dois dias juntos, o que era apenas físico, poderia virar emocional. E se isso acontecesse, seria necessária uma intervenção urgentemente.
Notas finais
Gente, como eu disse, eu apenas revisei os capítulos alterando o necessário. Não reescrevi desde o começo. Então, se vocês virem alguma coisa contraditória, uma cena ou fala errada, QUALQUER ERRO, por favor, me digam, okay?? Apesar de eu ter lido o capítulo pra revisar, sempre pode passar alguma coisinha. ;)
E, por favor, comentem! É sempre MUITO BOM saber que não estou escrevendo pra fantasmas. haha ;p
Beijocas!
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