Love and Blood
8 Capítulo Sete
Notas iniciais
Dizer que o local era lindo e elegante era dizer pouco. Puro luxo e glamour seriam as descrições mais adequadas da nova galeria que Viktor havia aberto no quarteirão. Requinte e muito bom gosto, admito, mas ainda assim só de andar pelo local me dava vontade de dar meia volta e entrar novamente no carro. E se eu quebrasse alguma coisa?
Topázio, o nome dado à galeria, era um prédio amplo e térreo, com um belíssimo jardim nos fundos enfeitado por uma fonte redonda com um anjo à Boticceli em seu centro. A decoração era mínima: luzinhas brancas e alguns tecidos azuis em tons variados aqui e ali. O prédio por si só já era belo demais para ser ofuscado com painéis, enfeites e afins.
Não entendo muito de arte, mas sei quando gostava ou não de algo. Os quadros da tal artista eram cheios de sentimentos e cores, principalmente nos abstratos – que eram a maioria. Haviam alguns naturalistas e retratos, mas de longe percebia-se que sua afinidade era pincelar a tela sem se preocupar com limites.
- O que você acha deste? – indagou-me Dimitri certa hora, ao pararmos em frente há um quadro com muito vermelho e azul. – Acho que combina com você.
Inclinei a cabeça para um lado e depois para o outro, observando a obra.
- Parece cheio de raiva. Bruto. Embora o azul suavize isso. – dei-lhe uma olhadela séria. – Está me dizendo que sou uma pessoa violenta?
Dimitri sorriu de leve e apertou seu abraço de um braço em minha cintura.
- Não foi o que eu disse, mas é bem adequada sua avaliação. – antes que pudesse me conter, acotovelei seu estomago, porém sem muita força. – Você é uma pessoa vermelha e azul, Rose.
- O que isso quer dizer?
- Que você é única.
Desviei o olhar, voltando-me novamente para o quadro. Senti minhas bochechas esquentarem e esperava que a maquiagem escondesse que estava corada.
Única. O que ele queria dizer com isso? Era bom ou ruim? Seu tom não era de reprovação, mas tampouco consegui distinguir o que era. Limitei-me, portanto, em fingir que não me importava.
- Vou buscar algo para bebermos. – disse Dimitri após um tempo em silêncio – Já volto.
Seus lábios tocaram de leve o alto da minha cabeça, e mesmo embora não tivesse tocado minha pele diretamente, meu corpo inteiro esquentou, como sempre acontecia com suas demonstrações de afeto – ou simplesmente quando ele me tocava.
Virei nos calcanhares, passando os olhos pelo local em busca do dono da festa. Não encontrei Viktor, mas uma cascata de cabelos loiros platinados chamou minha atenção.
Vasilisa Dragomir estava há alguns metros de distancia, em frente à outra parede adornada com um quadro de uma paisagem montanhosa. Dirigi-me até onde estava, com calma e sem olhar diretamente para ela, como se estivesse conhecendo o local e não cercando minha ‘presa’.
Parei ao seu lado e observei o quadro. De perto era assustadoramente real.
- Nossa, parece uma fotografia! – exclamei em tom baixo, admirada.
- Parece mesmo, não é? – ouvi Vasilisa responder com um sorriso. – Natasha, digo, Tasha é realmente uma artista.
Natasha Ozera, conhecida como Tasha, era o novo investimento de Viktor. Em minha breve pesquisa, não havia visto um retrato sequer dela. Mas, talvez, seja porque ela não era meu foco.
- Viktor Dashkov teve um achado e tanto.
- Ele tem faro pra negócios tanto quanto para artistas. – Vasilisa virou-se para mim e sorriu, expondo dentes perfeitamente alinhados – Mas talvez meu julgamento seja suspeito, afinal sou sobrinha dele. – ela riu e juro por Deus parecia um delicado sino dos ventos. Ela parecia uma princesa! – Vasilisa Dragomir. Mas pode me chamar de Lissa.
- Rose Hathaway. Digo, Belikova. – revirei os olhos, mas por dentro queria me da rum soco. – Desculpe, ainda estou me acostumando com o sobrenome do meu marido. – sorri de leve dando nos ombros — Sobrinha?
- Prazer Rose. – ela nada disse sobre meu lapso. Na verdade, pareceu achar graça. – Bem, mais ou menos. Ele era casado com a irmã do meu pai. Não é tio de sangue, mas ainda é da família.
- Com certeza. – com um tio desses, quem precisa de inimigo? Voltei-me ao quadro antes que falasse demais — Essa paisagem está incrível mesmo, mas eu prefiro os abstratos. Você sabe que lugar é esse? – indaguei, procurando a informação na plaquinha que estava afixada ao seu lado na parede, mas nela só havia o nome e o ano.
- Sibéria.
Não foi Lissa que me respondeu. A voz veio atrás de nós, e era grave e mais velha. Viramo-nos e nos deparamos com uma mulher alta e vestida elegantemente com um vestido azul escuro justo; ela tinha boas curvas que o assentavam otimamente. Seus olhos eram profundos e intensos, mais azuis que o vestido, e destacados pela maquiagem. Os cabelos escuros estavam presos em um coque com várias mechas soltas. Apesar da maquiagem, pude ver uma fina e clara cicatriz em sua bochecha, próxima à orelha.
- Pintei este quadro em uma viagem que fiz para conhecer esse lugar incrível. – continuou ela sorrindo amigavelmente.
- Rose, te apresento Tasha Ozera, a dona da galeria e dos quadros hoje expostos.
Trocamos apertos de mãos e sorri de volta para ambas.
Caramba, elas pareciam saídas de um catalogo de modelos da Victoria Secrets. Mesmo tendo a consciência de que não era feia, perto delas me senti pequena e deslocada. Seus gestos e frases, elas pareciam estar flutuando sobre nuvens.
- Seus quadros são lindos, Sra. Ozera. Todos, embora admita que eu prefiro os abstratos.
- Achei mesmo que estes fossem seus preferidos. – seu tom de voz era descontraído e gentil. Tasha parecia o tipo de pessoa fácil de gostar. – Rose, você tem cara de quem gosta de desafios. Abstrato é um desafio pra quem o vê: dependendo de seu humor, do dia, você vê algo diferente.
Assenti, um pouco sem jeito. Não estava acostumada com isso. Com essa elegância toda, luva de pelica e tudo o mais. Tinha que pensar bem antes de falar e controlar minha língua para não falar demais. Hans tinha razão, essa missão era o teste de minha vida. Se eu falhasse, poderia desistir do trabalho – isso se eu tivesse a sorte de não morrer antes.
- Mesmo assim, essas montanhas são muito... – respire, Rose. Concentre-se e não perca o controle – são muito sedutoras. De repente tive uma vontade imensa de conhecer a Sibéria.
- Teria um prazer enorme em leva-la para conhecer minhas terras, Rose.
A voz de Dimitri teve um efeito imediato de alivio dentro de mim. Senti seu corpo logo atrás do meu, perto o suficiente para sentir seus movimentos. Um de seus braços rodeou-me ostentando uma taça de champanhe. Assim que a peguei, a mão ocupou-se por apoiar-se em minha cintura. Se lesse minha mente, poderia ver que estava mais que agradecida por sua presença ali – me tocando – e ainda por ter me trazido álcool.
Sorri e levei a taça à boca, ocupando-me para não ser necessário responder. O olhar de Natasha caiu no meu pseudo-marido e não pude deixar de notar que estavam cheio de admiração.
- O senhor deve ser o senhor Belikov. – concluiu Lissa com um sorriso e estendendo a mão – Rose estava comentando que são recém-casados, meus parabéns!
- Casados? – Natasha ergueu as sobrancelhas em elegante e sutil surpresa – Tão novos?
Apesar de ela parecer legal e tudo o mais, algo em seu tom de voz me fez arrepiar. Talvez fosse minha imaginação falando alto por conta do ciúme que senti quando ela o olhou – na verdade, como ela continuava olhando-o – com admiração e desejo.
Tudo bem que ele é realmente desejoso, mas ele é o meu marido. Não se olha dessa forma para maridos alheios. Principalmente quando a esposa está perto. Mesmo que o casamento fosse de mentirinha.
Dimitri apertou o braço em minha cintura e olhou-me com intensidade, sorrindo logo em seguida. Um sorriso suave e leve dirigido a mim.
- Pra que esperar quando se encontra o amor da sua vida?
Por mais que repetisse pra mim mesma que era seu trabalho, que devíamos passar a imagem de apaixonados e que nada disso era verdadeiro, senti meu coração se encher em meu peito com satisfação. Parte de mim gostaria que suas palavras, toques e olhares fossem verdadeiros. Mas eu sabia que, embora sentisse atração física absurda por ele, embora meus sentimentos estivessem aflorando dia após dia, Dimitri não sentia o mesmo por mim e que tudo o que ele fazia era parte de seu trabalho.
Ele era um ótimo mentiroso. E eu estava caindo em suas mentiras como uma garota tola do ensino médio.
- Ai meu Deus, vocês são tão lindos! – Lissa exclamou e me fez desviar o olhar pra ela. Minhas bochechas queimaram. – Logo se vê que são feitos um para o outro.
- É, pois é. – concordou Natasha sem muito ânimo.
Ossos do ofício.
Tomei um longo gole do champanhe, levando assim meia taça. Essa situação estava, no mínimo, constrangedora. Com absoluta certeza desconfortável. Mas parecia que ninguém além de mim e Dimitri — que estava tenso ao meu lado — percebia isso.
- Então você é da Sibéria? – Natasha indagou a Dimitri, interessada.
- Na verdade, sou de uma pequena cidade nos arredores de Omsk. Não sei nem se posso chamar de cidade, a diminuta, mas é um bom lugar para se morar.
- Cidades pequenas são as melhores para criar crianças. – concordou Natasha que não desviava os olhos dos dele – Todo mundo conhece todo mundo, é tudo perto. Sem contar a liberdade.
- É, porém há seus contras. – Dimitri deu nos ombros como se fosse nada demais. Estava ficando um pouco incomodada por ficar de fora da conversa. – A gente cresce dentro de uma bolha. Sem perigos, sem dificuldades. Pra quem que, como eu, nasceu para cair no mundo, isso pode ser um empecilho.
- Tenho certeza que você soube lidar muito bem com isso.
O sorriso ferino que Natasha deu foi o suficiente para que eu dê um chega nessa conversinha intima do tipo somos-amigos-de-infância dos dois e lembra-los que havia mais gente no grupo para trocar conversa.
- Então, Lissa, de onde você e Natasha se conhecem?
- Meu tio. Ele gosta de artes e há uns meses viu uns quadros de Tasha e gostou muito. Dai resolveu investir na arte dela e... bem, aqui estamos!
- Viktor é um anjo! Eu não dava nada para minha pintura, mas ele viu potencial e não se cansou enquanto não disse sim para seus planos. Sou muito grata a ele.
- E onde está esse benfeitor que trouxe mais uma artista para o mundo?
Eu bem que tentei não soar muito sarcásticas, mas algo deve ter escorregado por entre as palavras, resultando num olhar inexpressivo de Natasha e um apertãozinho de aviso de Dimitri em minha cintura.
- Titio deve estar por ai, fazendo uma social. – Lissa respondeu. Não sabia se ela não havia reparado no meu tom ou, se reparou, resolveu ignorar. – Quando o encontrar irei apresentá-los. Tenho certeza de que irão se dar bem, meu tio adora quem aprecia arte.
Um silêncio incômodo se formou e eu já não tinha mais nada na taça para beber. Foi Natasha que deu fim a esse momento estranho.
- Se me dão licença, irei circular e conversar com outros convidados. – ela sorriu gentilmente deixando sua taça com um empregado que passava por ali – Antes que eles se sintam enciumados por não lhes dar atenção.
Ela acenou com a cabeça e passou por mim e Dimitri, tocando em seu braço quando o fez. Um gesto que passaria despercebido por algum desatento ou mulher menos ciumenta que eu.
Abstraia, Rose. Foque-se no que viemos fazer.
- Ela é... interessante. – comentei.
- Ela é uma artista. – Disse Lissa com um tom de “isso explica tudo”.
Antes que outro silencio caia e que Lissa se afaste por sermos, sei lá, chatos demais, entrego minha taça à Dimitri enquanto lhe dizia:
- Já volto, preciso usar o toalete. – viro-me então para Lissa. – Lissa, você pode, por favor me indicar pra que lado fica? Chegamos a pouco e ainda não conheço todo o lugar.
- Claro! Será um prazer.
Ela era tão gentil e prestativa que senti dó dela por estar cercada de ladrões. Ela não merecia isso.
Lissa enlaçou seu braço no meu e começou a me levar em direção aos banheiros. Antes, porém, de nos afastarmos, virei-me para Dimitri e levei a mão livre em seu pescoço, trazendo sua cabeça para mais perto de mim e dando-lhe um beijo que beirava que não combinava com o local onde estávamos.
O motivo por ter feito isso eram três: Dimitri e eu éramos casados e tínhamos que demonstrar afeto. Esse motivo era o menor de todos. Grande parte de mim fez isso por que eu gostava de beijá-lo e queria pegá-lo de surpresa. Mas o motivo maior era porque Natasha estava ali perto e queria que ela visse, que ela presenciasse nosso beijo apaixonado – porque Dimitri não me afastou nem nada, como teria feito normalmente, ele retribuiu o beijo com gosto –, e se tocasse que ele não era um cara qualquer solteiro que ela podia por os olhos insanamente azuis.
Por mais que eu amasse beijar Dimitri, afastei meu rosto e sorri-lhe, com ar de vitória e presunção.
- Já volto. – murmurei.
- Okay. – ele murmurou de volta, um pouco abalado com os olhos brilhantes.
- Vamos, Rose, antes que você pule nele. – Lissa riu com a própria piada, que não estava muito longe da realidade. Dimitri provocava minha libido apenas por existir e cada dia mais estava difícil resistir ao russo.
Fiquei a vontade com Lissa rapidamente. No caminho para o banheiro, conversamos como se fossemos amigas há mais tempo que cinco minutos. Vez ou outra algum conhecido a parava para cumprimenta-la, e ela, educada e cordialmente, mostrava-se de ótimo domínio politico ao conversar com as pessoas importantes.
Após retocar a maquiagem e conversarmos mais um pouco – contei a ela como Dimitri e eu supostamente nos conhecemos –, resolvemos nos juntar novamente ao meu marido. O encontramos com mais duas pessoas, um jovem de cabelos escuros e ar sério e ele. Viktor Dashkov.
Lissa ficou tensa ao meu lado e imaginei se era a presença do tio. Imediatamente minha mente viajou imaginando se ambos tinham alguma rixa intima desconhecida.
- Ai meu Deus, Christian está com eles. – murmurou andando mais devagar.
- Quem é Christian? – observei o rapaz junto aos outros dois. Não me parecia conhecido.
- Ele é sobrinho da Tasha, foi criado por ela depois que os pais dele morreram. – lhe lancei um olhar confuso e ela torceu a boca – Ele está sempre por perto quando Tasha está. Isso me incomoda, só isso.
Ah, então era isso. Lissa gostava de Christian. Talvez nem ela saiba ainda, mas gostava. Precisaria ficar de olho nele, se ele percebesse os sentimentos dela poderia: a) usar em seu favor, já que os Dragomir são uma família influente e rica ou b) ele pode ser até mesmo da turma de Viktor, o que não melhora a situação.
Quando nos aproximamos, Viktor ria de algo que Dimitri havia dito, deixando-me curiosa e intrigada sobre os atributos sociais dele.
- Dimitri, você é um cara interessante. – ouvi-o dizer ao para de rir – Deveras interessante.
Deveras? Quem é que fala deveras hoje em dia?
- Apenas digo o que acho, sr. Dashkov.
- Honestidade é uma característica valiosa, Dimitri. Valorizo isso nas pessoas. E, por favor, senhor é meu pai. Pode me chamar de Viktor.
Nojento. Pigarreei para nos fazer presente no grupo e sorri quando os olhares caíram em nós.
- Rose. – Dimitri sorriu de volta e segurou minha mão, puxando-me para mais perto dele. – Deixe-me apresenta-la. Este é Viktor Dashkov, o investidor dessa linda galeria. E Christian Ozera, sobrinho da artista.
- Rose? Rose Hathaway, sua formosa esposa? – o sorrio de Viktor era predatório – Ela é ainda mais linda pessoalmente, Dimitri.
- Obrigada, sr. Dashkov. – estendo a mão para ele, a qual ele toma e deposita um beijo. Viro-me para Christian. – Prazer conhecê-los. Logo se diz que são parentes, você e sua tia têm os mesmos olhos.
- Obrigado. – Christian não olhava para mim quando respondeu, e sim para Lissa, que retribuía timidamente. – Srta. Dragomir.
Lissa murmurou um comprimento com um sorriso ensaiado. A tensão poderia ser cortada por uma faca.
- Como íamos dizendo – continuou Viktor – o que acha de marcarmos um almoço, hein Dimitri? Adoraria continuar nossa conversa sobre artes.
- Claro, seria um prazer!
- O convite se estende à sua esposa, logicamente. Se ela desejar ir com você, seria muito bem vinda.
Viktor falava com Dimitri, ignorando o fato de eu estar bem ao lado dele. Isso me irritou profundamente e Dimitri passou o braço em minha cintura sentindo meu incômodo, prevenindo que algo seja dito ou feito.
- Você já foi ao jardim, Rose? – Dimitri indagou-me, olhando nos olhos. Algo me dizia que ele queria sair de lá.
- Apenas brevemente, logo quando chegamos.
- Vou mostrá-lo a você, é belíssimo. – respondeu com um sorriso. Voltou-se então ao resto do grupo – Se me dão licença, minha mulher e eu iremos caminhar um pouco pelo jardim.
- À vontade, Belikov. É um lugar muito romântico.
Lissa e Christian, durante nosso implícito embate, haviam se afastado uns passos, conversando de maneira intima e companheira. Não os interrompi. Apesar de um tanto rude, Christian não parecia um cara mal. Contudo, se os caras maus parecessem maus, seria mais fácil coloca-los atrás das grades.
A caminho do jardim, Dimitri se serviu de duas taças de champanhe, entregando uma a mim, a qual eu bebi quase inteira em alguns segundos.
- Beber não é a solução. – disse-me enfim, quando nos afastamos do volume de gente.
- Me poupe de seu discurso moralista, camarada. Dê-me cinco minutos para passar a raiva.
Dimitri aproximou-se por trás de mim, tão próximo que podia sentir sua respiração mexendo meu cabelo.
- Viktor Dashkov é um sociopata. – concluiu com certeza – A forma com o qual ele te tratou... Parecia um pedaço de carne a mostra num açougue. E nem falou diretamente com você. Era como se não estivesse lá.
- Ele é um idiota. – resmunguei terminando a bebida. Virei-me para olhá-lo e podia me ver refletida em seus olhos escuros – Obrigada por me tirar de lá.
- Não há pelo que agradecer. Eu fiz um favor a nós dois. – sua voz foi dura, demonstrando a antipatia que ele sentia pelo milionário.
Adoraria ter me inclinado e o beijado. Adoraria que, tendo feito isso, ele me beijasse de volta. Mas uma nova parte de mim que vinha crescendo há semanas desde que Dimitri e eu passamos a trabalhar juntos, uma nova parte de mim que era responsável e ciente de seus atos e tentava reprimir sua impulsividade, não deixou que fizesse isso. Então eu me afastei. E tive a impressão de ter vislumbrado um sorriso triste e orgulhoso em Dimitri.
- Acho que o discurso vai começar. – comentei ao ver uma movimentação de pessoas se juntando próxima de uma grande porta de vidro totalmente aberta que dava para o jardim. – Vamos lá, camarada.
Comecei a andar e em seguida Dimitri se juntou a mim. Ele segurou minha mão novamente e me senti mais confiante com ele ao meu lado.
Discursos não são algo que eu goste. Na verdade, qualquer pessoa que comece a falar com ar maçante e extenso meu cérebro automaticamente desliga. Era assim nas palestras na escola e continuou assim nos sermões de Hans. Com o discurso de inauguração do Topázio não foi diferente.
Seria um monte de agradecimentos, blábláblá, pessoas importantes, blábláblá mais agradecimentos. Permaneci ao lado de Dimitri, olhando para o pequeno palco improvisado onde Natasha e Viktor se encontravam e fingi ouvir tudo o que diziam. Estava preparada para bater palmas quando todos começarem e a sorrir no final.
Enquanto ocorria o discurso, uma movimentação próxima de onde eu e Dimitri estávamos começou. Algo sobre alguém estar muito bêbado, ou algo do tipo. Comecei a pensar que era falta de classe alguém conseguir se embebedar numa festa como aquela, mas um grito agudo e cheio de medo cortou a noite e fez com que Natasha e meus pensamentos se calassem.
O grito veio do canto movimentando e todos começaram a se afastar. Impelida pela curiosidade – e um pouco de preocupação – avancei contra a multidão com Dimitri em meu encalço. Uma mulher chorava em pânico nos braços de um homem.
Uma mulher vestida elegantemente jazia no chão. Olhos vidrados, pernas em ângulos estranhos e boca semiaberta. Paramédicos abriram caminho para chegaram até ela. Não precisei esperar que conferissem sua pulsação para saber o veredito.
Ela estava morta.
Notas finais
beijinhos e até a próxima!!
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