Love and Blood
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
Recadinho lá em baixo! :D
Uma semana havia se passado desde o incidente na galeria. De alguma forma, a morte da mulher servira como marketing para a Topázio, de maneira que muitos compradores e interessados apareceram por lá nos dias seguintes. Soube disso por intermédio de Lissa, quando fomos almoçar juntas, alguns dias depois.
Era planejado que eu me aproximasse da sobrinha de Viktor, mas não previ que iriamos nos tornar amigas. Lissa era uma jovem gentil e doce, tinha o dom para conversar com qualquer um sobre qualquer assunto sem se prejudicar. Não é a toa que fazia Ciências Políticas. Não conseguia vê-la sabendo do negócio que seu tio possuía por baixo dos panos, mas não poderia excluí-la logo de cara. De qualquer forma, ela era uma passagem para a vida pessoal de Viktor, e não poderíamos perder essa chance.
Sentia-me um pouco mal, por está-la enganando. Quero dizer, eu gostava de sua companhia, a considerava uma amiga, mas não era honesta com ela grande parte do tempo. Eu não era formada em administração, não possuía uma vida de glamour e o casamento entre Dimitri e eu não era verdadeiro. Sem contar que não foi sua personalidade o maior motivo por ter me aproximado dela. Mas eu abafei esses conflitos internos. Era por um bem maior. Quando tudo isso acabasse, ela entenderia. Pelo menos eu esperava que sim.
Minha relação com Dimitri também havia melhorado, e muito. Havíamos parado de brigar e passamos a nos portar como cumplices de verdade. Ele me fazia rir, mesmo embora seu sorriso seja um tanto quanto raro. Porém, quando ele sorria, iluminava todo o ambiente. Era simplesmente lindo.
Corremos todos os dias de manhã. Estava fora de forma desde o acidente há alguns meses, então Dimitri resolveu pôr-me na linha. Alimentava-me melhor e fazia exercícios regularmente. No apartamento, Dimitri trabalhava em alongar meus músculos e também, quando precisava, no meu relaxamento. Usamos muito a academia que possuía no prédio. Talvez seja essa nossa interação que tenha ajudado grandemente em nossa relação. Mesmo que, às vezes, houvesse uns momentos embaraçosos, como toques e olhares, mas estávamos mais capazes de supera-los sem grandes problemas.
Eu estava no chão da sala sob um colchonete, as pernas juntas jogadas para frente. Dimitri estava sentado a minha frente e segurava minhas mãos enquanto me puxava. O objetivo era que minhas mãos chegassem até meus pés sem que eu esticasse as pernas, mas as pontas dos meus dedos chegavam até o tornozelo.
– Não vou te puxar mais. – avisou Dimitri que me segurava com firmeza – Se eu forçar você pode acabar distendendo um músculo e se machucando. Amanhã você descansa, mas na sexta fazemos isso de novo.
– Mais que combinado, camarada. – manejei responder. Era meio difícil falar quando estava tão dobrada.
– Agora, devagar, vamos voltar. – ainda segurando minhas mãos, ele me acompanhou enquanto eu voltava a ficar reta, mediando minha velocidade.
Dimitri era um ótimo personal trainer. Tratava-me com dedicação e firmeza, mas nunca de maneira rude ou bruta. Estava sempre preocupado e atento, e eu meio que gostava disso mais do que deveria.
Cansada, larguei-me no colchão enquanto Dimitri se levantava. Meus músculos doíam, mas era uma dor boa. Estavam voltando à ativa e a cada dia que treinávamos a dor diminuía e eu me sentia mais animada.
– Ficar doente é uma merda! – exclamei de olhos fechados.
– Não era como se você tivesse alguma opção, Rose. – a voz de Dimitri vinha do alto e eu abri os olhos. Ele me estendeu a mão, me ajudando a levantar. – Não acredita realmente que com ataduras e dores teria conseguido mais do que se levantar da cama e ir até o banheiro, acha? Você precisava desse tempo de recuperação.
– É, bem, mas três meses fazem muita diferença. Estou morrendo aqui. Há alguns meses esses exercícios seria apenas o aquecimento!
– Rose, você deve parar de se cobrar tanto. – Dimitri ergueu uma sobrancelha daquela maneira legal que eu não conseguia fazer – Deixa que isso eu faça. Preocupe-se apenas em dar o seu melhor e não se superar a todo o momento.
Não foram suas palavras que me fizeram sentir melhor, mas o sorriso que deu a seguir. Tá, não foi o sorriso aberto que lhe era tão raro, mas um sorriso genuíno e cúmplice. Um sorriso que dizia “Hey, estamos juntos nessa.”. Era o meu sorriso.
Antes que eu pudesse responder – ou pensar no que eu poderia responder, já que seu sorriso ocupou minha mente – o meu celular tocou, me fazendo pular. O número era restrito.
– Rose? É o Eddie, pode falar?
– Sim, espera só um pouco que vou por no viva-voz, Dimitri está aqui. – dei a volta no sofá e pus o aparelho sob a mesa de café a nossa frente. Dimitri sentou-se ao meu lado e acionei o viva-voz. – Pronto, pode continuar.
– Então, eu chequei aquela mulher que morreu na galeria. O nome dela é Julie Edwards, é uma ricaça que herdou toda a fortuna dos avós há uns anos. Não há muito sobre ela, fazia uns bicos de modelo, já apareceu na televisão e muitos eventos beneficentes. Mas o que chamou atenção sobre ela foi seu sangue. – ouvi um barulho ao fundo do que pareciam teclas sendo apertadas rapidamente – Consegui acesso ao seu corpo e fizemos nossos testes. Veja bem, o laudo da perícia diz que a causa da sua morte foi uma parada respiratória, mas tive uma intuição então achei que deveria dar uma olhada mais de perto. Nossos exames então detectaram o problema. Julie foi envenenada com cianureto. Devia ter uns 5 gramas no sangue.
– Cianureto? – indaguei – O que usaram na segunda guerra?
– Esse mesmo. – Eddie suspirou. Dimitri e eu trocamos olhares. – Isso não foi divulgado. Para todos os efeitos, uma segunda autópsia nunca foi feita.
– O que? Mas por quê? – exclamei me levantando do sofá, mesmo que Eddie não pudesse me ver – Não é justo pra família dela. Para seus amigos. Ela foi assassinada e não uma morte trágica. Eles precisam saber a verdade.
– Rose...
A voz de Dimitri era de alerta, mas o ignorei.
– Rose, estamos em meio de uma investigação internacional. Hans não quer tornar esse caso público e atrair atenção – explicou Eddie — Os pais dela têm negócios com Viktor. Não sabemos se a máfia de Dashkov tem ou não algo a ver com isso então até segunda ordem, nada disso será revelado. Mas não significa que Julie será enterrada como uma calamidade. Hans abriu uma linha investigativa para se certificar que Viktor está envolvido de alguma forma. Se não tiver, ai irá divulgar o caso à polícia e ele será levado a público, mas por hora, Rose, por favor, se acalme.
Tomar as dores dos fracos e oprimidos – e também dos mortos. Essa era eu. Mas Eddie tinha razão. Apesar de não gostar dela. Infelizmente, por um bem maior, a justiça de Julie Edwards deveria ser adiada.
Sentei-me no sofá novamente. Não havia nada para fazer.
– Desculpe, Eddie. Continue.
– Os técnicos vão tentar rastrear a droga, mas pode chegar a lugar algum. Mas o mais importante... Rose. – Eddie suspirou cansado e preocupado – Por favor, não faça nenhuma besteira. Eu conheço você e sei como às vezes seu senso de justiça fala mais alto que seu senso de se auto preservar. Mas por favor, por favor, Rose, dessa vez ponha um pouco de juízo em sua cabeça e não faça nenhuma burrice.
– Eddie...
Impulsividade era um dos meus maiores problemas. Ao mesmo tempo em que me tornava muito boa, era arriscado e extremamente perigoso – principalmente para minha saúde. Minha impulsividade fizera perseguir um piromaníaco em uma casa em chamas com risco de explodir a qualquer momento. Eddie ainda se lembrava disso. Fora ele quem me encontrou primeiro. Ainda me lembro de seu olhar assustado e me sentia muito culpada por isso.
– Não se preocupe, Eddie. – disse Dimitri, olhando-me seriamente – Eu não vou deixar que nada ocorra com Rose.
Seu olhar era quente e carregado de significados. Aquilo era uma promessa, eu sabia. E Dimitri cumpriria.
Mais tarde naquele mesmo dia, Lissa me ligou animada, dizendo que passariam o final de semana nos Hamptons e que gostaria que eu e Dimitri os acompanhássemos. Não precisei pensar duas vezes para aceitar o convite. Ela e seu tio passariam em nosso apartamento para nos buscar na manhã do dia seguinte e nos deixariam em casa na segunda no horário do almoço.
Sendo assim, Dimitri e eu arrumamos nossas malas aquela tarde. Ele não parecia tão excitado quanto eu para ir ao luxuoso Hamptons, mas não me censurou quando eu dei-lhe um sorriso enorme ao dar a notícia. E tampouco reclamou da enorme mala que pedi para retirar do alto do armário.
Percebi que Viktor era uma pessoa extremamente pontual. Quando Lissa me liga na manhã de sexta pedindo para esperarmos no saguão do prédio que dali cinco minutos estariam chegando, não imaginava que os cinco minutos seriam cronometrados. E quando previu que chegaríamos a sua mansão dali duas horas nunca presumi que seriam exatas. Isso e mais suas constantes checagens no relógio – o analógico de pulso e não o digital do celular – me indicou que eu não deveria me atrasar nunca para um compromisso com ele.
– Uau, que lugar incrível! – exclamei quando entramos em seu enorme salão de entrada – Como que vocês conseguem voltar à caótica Nova Iorque quando se tem uma casa dessas?
– É mais fácil aguentar o transito e o trabalho quando se sabe que possui um refugio assim no final de semana. – respondeu Viktor com um sorriso gentil. – Bem, irei pedir para um empregado mostra-lhes onde irão dormir. Enquanto isso, verei se está tudo certo para um passeio.
– Deixe que eu mostre o quarto a vocês! – se prontificou Lissa me pegando pela mão e me puxando pela casa, com Dimitri em nosso encalço – Vocês vão adorar aqui. A vista do quarto de vocês é ótima. Meu tio está vendo se o iate está pronto, ele queria passar o dia nele. Comprou essa semana! Então, sugiro que vistam roupas de banho.
Lissa disse num rompante enquanto subíamos as escadas. Olhei para Dimitri, mas ele apenas me deu um sorrisinho minúsculo e divertido. Esse final de semana seria interessante.
O quarto que dividiríamos era grande e com uma enorme janela de vidro com uma varanda, de frente para a praia. A cama era alta e grande, e parecia muito confortável. Não consegui não pensar que Dimitri e eu dormiríamos juntos ali pela primeira vez.
Aparentemente, pelo seu olhar, Dimitri pensara na mesma coisa que eu.
– Okay, então irei deixá-los se ajeitar. – uma batida na porta fez Lissa sorrir – As malas de vocês chegaram!
Ela abriu a porta e um empregado depositou nossas coisas ao pé da cama e saiu, seguido por Lissa que sorria para nós dois de um jeito que me deixou um pouco encabulada. Não era como se fossemos fazer alguma coisa. Mesmo que meus pensamentos estivessem voltados para isso.
Assim que fomos deixados sozinhos, Dimitri sentou-se na cama, tirando os sapatos.
– Pode ir se trocar no banheiro. Assim você tem mais privacidade.
Maneei com a cabeça e após pegar minhas coisas na mala entrei no banheiro do quarto. Assim como o cômodo anterior, era belíssimo e grande. Possuía uma banheira redonda que cabia tranquilamente duas pessoas. Era todo em branco e dourado — mármore e ouro, imaginei.
Quando sai do banheiro Dimitri ergueu uma sobrancelha e vislumbrei um brilho em seu olhar fugazmente antes de ser substituído por algo como desgosto. Ele estava vestindo uma blusa branca cavada e bermuda jeans e tênis. Gostava de vê-lo mais a vontade assim.
– Você vai com esse biquíni? – indagou-me olhando de cima a baixo – Você não tinha comprado um biquíni novo ontem?
Olhei-me no espelho de corpo inteiro do quarto. Havia comprado um biquíni novo na véspera, já que o meu antigo fazia anos que não usava. Era vermelho de amarrar na nuca e fazia conjunto com uma canga preta triangular de tecido macio.
– Esse é o biquíni novo? Qual o problema dele?
Dimitri cruzou os braços, numa pose que eu conhecia. Ele iria me dar um sermão, ou pior, quase isso. Uma lição zen provavelmente, quando ele fala pouco mas bonito e tenta me deixar mal por alguma coisa errada ou sei lá que eu tenha feito.
– Ai, camarada, não começa.
– Não começar o que? Quem está usando, aliás, quem está parcamente vestida é você.
– Dimitri, é um biquíni. Você não espera que eu vá de turca?
– Não espero que você vá de burca. – corrigiu-me com um revirar de olhos enquanto se aproximava – Mas você está praticamente nua. Rose, vista algo, por favor.
Suspirei alto e encontrei um vestido de verão que serviria. Dimitri não parecia totalmente contente – acho que ele esperava que eu trocasse de biquíni, mas não iria dar o braço a torcer.
Quando chegamos ao barco a motor que iria nos levar ao iate, não pude deixar de abrir a boca em surpresa.
– Wow. – murmurei. Dimitri estendeu a mão para me ajudar a entrar no barco, mas meu olhar era preso no outro veículo mais ao longe. – Que incrível!
O iate de Viktor era, tipo, extremamente luxuoso. De três andares, possuía uma cozinha bem equipada com seu próprio time de cozinheiros, três suítes grandes, um espaço que era um misto de sala de estar com sala de jantar e um minibar. Havia também uma porta fechada, que eu imaginei ser uma espécie de escritório. Tudo era muito aberto e arejado, com tetos e paredes de vidros, tirando os quartos, que eram mais íntimos e particulares, embora possuíssem uma boa, e razoavelmente grande, janela. E o deck era espaçoso, com uma piscina que parecia se juntar ao oceano. Havia outro minibar, dentro da água. Era um paraíso ambulante.
Viktor já nos esperava por lá e nos sorria largamente, oferecendo taças de champanhes a nós três.
– Gostaram do meu novo brinquedo? – indagou tomando um gole da bebida – Haviam muitos modelos, mas optei pelo mais simples. Não quero esbanjar, sabe.
Mais simples?
– É muitíssimo bonito, Viktor. – concordo Dimitri com ar de admiração e um leve sorriso.
Apenas acenei, impressionada demais para dizer alguma coisa. Qualquer elogio parecia pequeno demais para aquele lugar.
Depois que Viktor nos mostrou que quarto poderíamos usar, informou que o almoço sairia as onze e que depois iriamos dar um passeio pelo pacífico para estrear o iate. Eu, por dentro, estava tão animada quando ele. Acho que não escondi muito bem, pois Dimitri e Viktor me olhavam com diversão.
– Bem, Rose, se não se importa, roubarei seu marido um pouco. Gostaria de mostrar minha coleção de arte particular. Por que você e Lissa não vão aproveitar o sol da manhã da piscina? Em breve nos juntaremos a vocês.
Viktor estava praticamente me chutando, mas, honestamente, eu não me importei. Não queria ficar lá dentro quando havia uma paisagem linda do lado de fora e um solzinho que iria me cair muito bem. Juntei-me a Lissa sem reclamar.
– É um lugar lindo. – comentei minutos depois enquanto tomávamos sol à beira da piscina. – Vocês têm essa casa há muito tempo?
– Eu passava meus verões aqui com meus pais e irmãos.
A voz de Lissa era inexpressiva, mas podia sentir que ela ainda sofria por eles. Achei que estava na hora de sair da minha zona de conforto. Eu estive pisando em ovos com Lissa desde quando nos conhecemos, procurando não falar nada desconfortável ou algo do tipo. Isso estava me matando, pois eu odiava fingir ser quem eu não era. Irônico, eu sei, mas sempre que pegava um caso que era necessário disfarce – não que eu tenha me envolvido com muitos desses – apesar de procurar não chamar a atenção eu não fingir uma personalidade que não era minha. É muito mais fácil escorregar assim.
Dessa forma, era preferível mostrar a ela quem eu era mesmo. Ou, pelo menos, a minha versão mais próxima da verdade: uma pessoa impulsiva que não tinha medo de falar o que pensava.
– Onde estão seus pais? – indaguei olhando-a de soslaio – Nem você nem Viktor comentam sobre eles e pelo que vi não estão em lugar algum por aqui?
Houve um segundo de silêncio. O suficiente para Lissa suspirar pesadamente antes de começar a falar com vagareza.
– Eles morreram. Foi um acidente de carro há quatro anos. Eles voltavam de uma festa beneficente. Havia chovido no dia e o carro patinou na água antes de capotar e cair na ribanceira. Os dois morreram na hora. – ela mordeu os lábios e hesitou antes de continuar – Meu irmão mais velho está em coma desde então. Os médicos não têm esperança que ele volte. Meu tio diz que eu deveria deixa-lo ir, mas eu não consigo. Ainda tenho esperanças que um dia ele volte, sabe? Um cara acordou do coma após trinta anos, por que isso também não pode acontecer com Andre?
Nada respondi com seu desabafo e não acredito que ela esperasse que eu dissesse mesmo alguma coisa. Mas estiquei a mão a envolvi a dela, dando uma pressão confortadora como se dissesse “eu te entendo”.
Então caiu o silêncio novamente. Aproveitando o momento, peguei meu celular – que por sorte tinha sinal – e digitei uma mensagem para Eddie, apagando logo em seguida que seu envio fora concluído.
“Tenho uma má sensação sobre o acidente dos Dragomir. Investigue isso e o irmão em coma e me diga o que descobriu na segunda.”
Não assinei, e também não precisava.
– Hey, quer estrear essa piscina? – convidei com um sorriso, procurando suavizar seus pensamentos que ainda pareciam escuros.
Lissa sorriu para mim e se levantou ao mesmo tempo em que Dimitri e Viktor apareciam conversando. O olhar de Viktor para meu corpo exposto não foi algo que considerei lisonjeiro, mas o ignorei quando Dimitri, mais uma vez, pareceu absorto em mim. No quarto ele procurou deixar seus olhos longe de mim ou então focados em meu rosto, mas agora, pego pela surpresa, não conseguia deixar de me olhar, fazendo assim com que um calor subisse em meu ventre.
– Belikov, rapaz, você é um cara de sorte. – disse Viktor com seu olhar ainda em mim.
Dimitri não respondeu e eu, após um sorriso, apenas me juntei à Lissa na agua fria da piscina. Precisava distrair a mente e esquecer o olhar de desejo que Dimitri me lançara, mas ao invés de me deixar respirar e me recuperar, Dimitri acaba pulando na água atrás de mim.
– Eu te disse para trocar de roupa. – acusou baixinho se aproximando de mim.
Melhor que Dimitri seco e com aquela capa de cowboy era Dimitri com pouca roupa e molhado.
– Você me diz para por uma roupa. – retruquei em tom desafiador. – Eu pus. Mas você não espera que eu nade de vestido, espera?
– Rose...
– Tenha a santa paciência, Dimitri. Não dê uma de ciumento agora!
– Eu não estou ciumento. – seu tom de voz era cortante e, embora Dimitri soubesse mentir bem, eu consegui saber na maior parte das vezes quando isso ocorria. Tipo quando ele deu essa resposta. – Eu não estou ciumento. Só que não gostaria que você ficasse se expondo assim.
Ele estava com ciúmes. Eu sabia. Ele sabia. Mas admitir? Nunca. Então, por impulso, não segurei a língua.
– Hey, Viktor, Lissa – chamei-os em voz alta – Dimitri está se correndo por causa do meu biquíni. Vocês acham que é muito indecente?
Lissa me olhou como quem dissesse algum absurdo e ficou vermelha, sem saber o que dizer. Viktor, que estava numa cadeira debaixo do guarda-sol tomando alguma bebida colorida, puxou os óculos para baixo, olhando-nos.
– Eu entendo o ciúme. – disse com um sorriso de crocodilo – Com todo o respeito, Dimitri, mas Rose não tem apenas um rosto bonito como possui também um belíssimo corpo.
– Então eu deveria trocar o biquíni? – insisti.
– Depende... – Viktor riu suavemente e ajeitou os óculos novamente – Se você preza pela sanidade dele, e pela sua pressão sanguínea, acho que seria bom você comprar um novo, Rose.
Com essa, Viktor recostou-se na cadeira dando a conversa por encerrada.
– Obrigada por me expor assim, Rose.
Dimitri estava de mau humor, mas não dei bola, mostrei-lhe a língua e ele apenas revirou os olhos, provocando risadas minhas.
Por impulso – mais uma vez – aproximei-me e selei nossos lábios. Suave e rapidamente, antes que acabássemos em meio de uma cena que não deveria ser pública. Quando se tratava de nossos corpos juntos – nossos lábios – eu bem sabia que controle era algo que complicado.
Notas finais
Primeiro de tudo, NÃO ME MATEM!
Desculpem a demora, mas eu avisei que estaria beem difícil - o vestibular de meio de ano está chegando! D: - e houve um imprevisto na betagem - na verdade, como sou v1d4 l0k4 postei sem betar, só uma rápida revisão - e nossa, maior confusão está a minha vida nessas ultimas semaninhas, nem te conto. Mas espero que gostem do capítulo! As coisas irão ficar quentes nos próximos! ;)
beijinhos!!
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