Love and Blood
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
Deem uma olhadinha nas notas finais que há um aviso importante!!
Eu havia me metido em sérios problemas.
Havia trabalhado pouco como agente infiltrada, mas sabia que este era, de longe, um desafio enorme que muitos matariam para ter. Era um peixe grande que qualquer agente gostaria de ter em seu currículo. Mas o motivo dos meus problemas tinha outro nome: Dimitri Belikov.
O agente responsável pela investigação. Ele era lindo. Absurdamente lindo e gostoso. Sem contar que era inteligente. O cara sabia das coisas e havia vivido. Não era uma cabeça de vento, sem ofensas, como Mase. Mason ainda era... infantil demais. Agia como um adolescente na puberdade. Mas Dimitri era um homem já.
Dimitri era sete anos mais velho, era meu superior e, principalmente, era meu parceiro.
E eu estava me apaixonando por ele.
Rose Hathaway, sua estúpida! Como pude fazer isso comigo mesma? Já tinha problemas demais para me preocupar para ter mais um na lista. Mas não tinha culpa se Dimitri era tão... Dimitri.
Com seu sotaque, aquela forma dele puxar o ‘erre’. Seu corpo perfeito e quente. Aqueles olhos negros que não tinham medo de me olhar dentro nos olhos. E sua boca. Sua boa era linda quando sorria, um ato tão raro que cada vez que acontece meu dia está ganho. Sua boca na minha era ainda melhor. Suas mãos me segurando com firmeza e...
Tapa mental. Não. Um tapa não resolve, eu tinha que apanhar mesmo. Uma surra bem dada para ver se eu acordava para vida e o esquecia.
- Rose, você não está me ouvindo! – A voz ofendida de Mia me arrancou de meus devaneios – Quer por favor parar de sonhar acordada e prestar atenção na sua amiga que está falando?
- Me desculpe Mia. – me ajeitei na cadeira de ferro acolchoada do Starbucks onde estávamos, próximo do meu antigo apartamento. – Sou toda ouvidos.
- Onde essa sua cabecinha de vento estava, hein?
- Só pensando como será este novo... trabalho. Nunca antes sai dos Estados Unidos. Não sei como vai ser estar, por mim mesma lá na Itália. Quero dizer, não vamos ter muito apoio por lá.
Mia me olhou por um instante, aqueles olhos azuis me analisando.
Sempre tive a sensação que Mia sempre via demais. Ela parecia ter um instinto que me pegava. Sempre sabia coisas sobre mim. Às vezes mais do que eu mesma sabia.
- Tudo bem. – eu sabia que ela queria me fazer perguntas, mas ela se conteve – E como vão as coisas com o chefe bonitão.
- Dimitri não é meu chefe – retruquei na defensiva, provocando um sorriso dela. – Ele é meu parceiro, e está à frente da missão. Não significa que seja meu chefe. Somos iguais aqui. Ele mesmo me disse isso.
- Okay, vamos esquecer o bonitão e nos focar na festa de despedida.
- Já disse, nada de festas.
Mia fechou a cara, mas fingi que não vi enquanto tomava meu frapuccino.
- Rose, você está muito chata e sem graça. Tudo bem que fazia um tempo que você andava desanimada, mas esta semana você está uma... uma... estraga prazeres!
Suspirei. Desde que nos encontramos nas sessões de fotos, há duas semanas, Mia vinha me perturbando para fazermos uma festa de despedida quando fossemos para Itália. Ideia que eu e Dimitri rapidamente descartamos.
- Eu estou focada no nosso trabalho. Hoje a noite será nossa aparição oficial como um casal, temos outras coisas para nos preocupar, Mia.
- Você que sabe, mas não vai escapar de mim. Jantar pelo menos! – Ela franziu as sobrancelhas quando viu que ia argumentar – Não, nem vem! Poxa, eu quase não te vejo e logo vocês viajam, faça isso, por mim!
Eu estava derrotada, e ela sabia. Mia iria viajar para a casa do pai dali a dois meses. Meu vôo saia meio dia. Não íamos conseguir nos encontrar novamente tão cedo.
- Okay. – resmunguei – Um jantar então. Mas sem extrapolar, pelo amor de Deus, Mia!
- Pode deixar, será algo íntimo. Eu nem convidaria Eddie e Mason, por que eles podem te encontrar sempre que quiserem. O que, pra mim, é muita injustiça.
- Tudo bem então. Te aviso quando tiver a data de viagem. – respondi enquanto tirava dez dólares da carteira para pagar o que havia consumido. – Já aviso que não irei cozinhar, então se vire.
- Novidade seria se você fosse. – ela riu passando a mão pelos cachos indomáveis — Já sei o que vou fazer.
- Mia...
- Rose, preocupe-se em ir pra casa agora, e resolver o que tem que resolver com Belikov. O resto, cuido eu.
Com um revirar de olhos me levantei, deixando os dez dólares sobre a mesa redonda.
- Isso que me dá medo. – resmunguei antes de sair.
Eu evitei estar no mesmo cômodo de Dimitri ou falar com ele. Ou olhar para ele. Depois de tantos momentos durante esses dias, não sabia exatamente como me portar. E tinhas os meus pensamentos, nada, nada profissionais.
Por causa disso, a hostilidade que vira e mexe surgia entre nós e as discussões, não apareceram durante todo o dia. Não sabia se devia ficar feliz com isso ou não, uma vez que significava que estávamos afastando-nos um do outro.
- Ah, camarada, Mia está preparando um jantar de despedida pra gente. – avisei-o quando nos sentamos para almoçar – Era isso ou uma festa e, acredite, você não quer que Mia organize uma festa.
- Tudo bem.
Foi a única coisa que ele me respondeu. Dimitri era outro que agia diferente nos últimos dias. Naquela manhã depois das fotos do casamento, algo aconteceu entre nós, embora não compreendesse o que. Jurava que Dimitri iria me beijar, mas Mia chegou na hora e nunca soube o que iria acontecer. Dimitri já havia me dito, diversas vezes, que me achava bonita. Só pelo seu olhar dava pra perceber que minha beleza mexia com ele. Claro, era normal. Ele é homem e eu sou mulher. Seres humanos têm suas necessidades. Mas o que eu realmente queria era que meu amor por ele fosse correspondido. Me deixaria menos angustiada com toda essa situação.
O almoço transcorreu silencioso. Apenas se ouvia os rangidos dos garfos. Se um mosquito voasse no vizinho, não duvido que fossemos capazes de ouvi-lo também.
Acabamos de almoçar praticamente juntos e começamos a retirar a mesa. Tudo mais silencioso que cemitério. Sinceramente, isso me incomodava demais. Meu coração deu um pulo quando Dimtri veio para perto de mim na pia.
- Deixa que eu lavo a louça. – okay, não era exatamente o que eu queria ouvir.
- Não, pode deixar. – respondi com um suspiro. – Minhas mãos já estão com sabão mesmo.
- Enxague-as e vai fazer alguma coisa, deixa que eu cuido aqui.
- Dimitri, não dá trabalho. Eu já comecei, e além do mais, você sempre arruma as coisas.
- Rose, quer, por favor, ficar quieta e me obedecer?
O tom seco e quase arrogante de sua voz me estressou. Larguei o prato que estava lavando e ele caiu com um barulho abafado na pia.
- Nossa, me desculpe. Não queria ser desobediente, papai. Ou chefe. Ou seja lá como você quer ser chamado, oh, grande excelência.
- Rose, eu não...
O deixei falando sozinho e rumei para meu quarto.
Qual era o problema dele afinal de contas? Tinha que ser sempre mandão daquele jeito? Tão sério, tão... arght!
Havia buscado umas roupas na lavanderia e não as havia guardado ainda. Procurando ocupar minha mente e minhas mãos, resolvi dobrá-las e guardá-las logo.
A porta do quarto estava metade aberta, e ouvi os passos de Dimitri se aproximando no corredor, seguidamente de duas batidinhas na porta. Ignorei.
- Rose? Posso falar com você?
Ponderei em ignorar, mas não ia dar motivos para me chamar de infantil.
- Já está falando.
Ele ficou quieto por uns momentos e pude sentir o cansaço no silencio. Finalmente ele abriu mais a porta e entrou no quarto.
- Me desculpe. Por ter sido tão... ignorante com você. Por estar agindo assim. Me desculpe. Mas você também não tem ajudado muito. – Eu não respondi. Continuei a dobrar minhas coisas e empilhá-las em um canto – Rose, você não vai falar nada?
Dimitri conseguia me surpreender. Um cara tão inteligente e tão experiente pecando no erro mais idiota.
Suspirei e me levantei para encará-lo.
- Não há nada a falar aqui, Dimitri. Está claro que quem precisa de um tempo pra pensar é você. – ele franziu a testa e fez menção em continuar. Eu o interrompi. – Poupe-me, camarada. Um dia você chega e diz que sou boa, que isso que aquilo, fica dizendo que somos iguais. Ai, outro dia você age, como você disse, de maneira ignorante e superiora. Então, do nada, você me beija. Não foi um selinho ou um beijinho ‘sem querer’. Foi um beijo de verdade. Aliás, mas que um. Logo depois se afasta e fica todo cheio de empecilhos, todo mal humorado e me chamando de adolescente mimada. Decida-se, Dimitri. Ou você é meu parceiro, posso contar com você e ser meu amigo, ou não somos nada disso. E te aconselho a pensar rápido, por que eu não vou entrar numa missão com você caso escolha a segunda opção.
Imergimos em um silencio absoluto. Dimitri parecia estarrecido pelo meu pequeno discurso, surpreso com minhas palavras e em conflito interno. Estava cansada de brigar. Estava cansada de discutir com ele. Só queria ter uma convivência pacifica, sem tantos obstáculos que, vira e mexe, apareciam.
- Eu vou tomar banho agora. – rompi o silencio me direcionando ao banheiro. – Se você me der licença...
Sem esperar reação de sua parte, fechei a porta e liguei o chuveiro. Suspirei encostando na parede. Por que tinha que ser tão complicado?
- Rose, está tudo bem?
No meio da tarde liguei para Mia. Mal trocamos cumprimentos e ela já sabia que havia algo errado.
- Você e Dimitri brigaram.
Não foi uma pergunta.
Havia me deixado largar no sofá, Dimitri fazia sei lá o que no escritório e aproveitei meu momento sozinha pra fazer a ligação.
- Não existem brigas quando apenas uma pessoa fala.
- Rose...
- Por que todos chegam a conclusão de que eu quem arrumo confusão?
- Por que geralmente é.
- Bom, desta vez não foi. Dimitri que agiu feito um babaca.
Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, o dito cujo saiu do escritório vindo para a sala, silenciando qualquer discussão ente ela e eu.
- Depois conversamos, Mia. Tchau.
Dimitri passou por mim e se dirigiu à cozinha enquanto falava.
- A limusine vem nos buscar as oito esta noite, Rose. – disse-me enquanto abria a geladeira e olhava dentro dela. – Por favor, tente não atrasar.
- Sim senhor, senhor. O que, espera, você alugou uma limusine?
Ele ergueu a cabeça por cima da porta da geladeira e me olhou com descrença.
- Você não espera que cheguemos numa festa importante dirigindo? – encolhi os ombros. A verdade era que nunca me ocorreu o como iríamos para a festa. – Aluguei uma limo e um motorista pra esta noite. Agora estamos no mundo das aparências, Rose. Quando mais belo, mais imponente e mais rico, melhor.
- E mais perigoso também. – murmurei me erguendo do sofá. – Vou tomar um banho e começar a me arrumar. Quando o cara chegar aqui estarei pronta.
Dimitri assentiu e voltou-se a se concentrar no conteúdo da geladeira enquanto eu me retirei e subi para o quarto.
Havíamos conseguido os convites por intermédio de uma das moradoras do prédio, que nos ouviu conversando e disse que ela poderia nos arranjar os convites e arranjos necessários para que entremos. Assim, conseguiríamos entrar na festa sem intermédio da agência, o que era bom.
Assim que saí de um demorado banho de banheira para relaxar, tomei uma chuveirada para lavar o cabelo e tirar o sabão do corpo. Banho de banheira era bom apenas para relaxar, mas não funcionava bem como um banho de limpeza. Eca.
Devidamente limpa e cheirando a sabonete, vesti um roupão macio de algodão e enrolei uma toalha no cabelo assim que o hidratei ainda bem úmida e saí do banheiro. Descobri com muita surpresa que o havia uma bandeja com torradas, cream chease e chocolate quente esperando por mim na mesinha redonda no canto do quarto. Ao lado da xícara, um papel dobrado ao meio para se sustentar em pé.
Rose,
Fiz algo para você comer, ou acabaria desmaiando até a hora da festa. Não se esqueça, iremos sair às oito e meia.
Dimitri
Um sorriso involuntário se formou em meus lábios e antes de começar a me arrumar, resolvi comer o que ele havia preparado. Mais uma vez, Dimitri se mostrava responsável e experiente. Eu nem havia pensado em comer, e certamente depois que estivesse maquiada não gostaria de estragar o make com comida e ainda ter que escovar os dentes depois.
Dimitri ficaria orgulhoso de mim, pois terminei de me arrumar às oito e vinte e cinto.
Depois de comer e escovar os dentes, havia passado creme hidratante na pele e duas gotinhas do meu perfume preferido que Mia me dera quando viajou com o pai e a madrasta para a França. Achei que seria apropriado.
Não sabia exatamente como seria a festa de inauguração, então optei pelo coringa. Apliquei sombra marrom nos cantos externos da pálpebra e delineei os olhos. Era agraciada por uma pele lisa e sem manchas, mas não dispensei um leve corretivo embaixo dos olhos e base. Nos lábios, usei um batom rosa queimado que deveria ser caríssimo e se não tivesse sido o financiador da missão, eu nunca o compraria. Escovei os cabelos e deixei-os soltos, usando uma presilha dourada para prender algumas mechas do lado oposto para onde tinha puxado a franja.
O vestido que usaria era maravilhoso. O armário que nos fora dado era uma dádiva, mas assim que pus os olhos sobre aquele vestido, sabia que deveria ser usado para uma ocasião como aquela. Era vermelho e justo até a cintura, caindo uma saia solta até os joelhos. As costas eram nuas, dispensando o uso de sutiã, e a parte da frente eram duas tiras com uma forma meio triangular: mais grossa na base, presa à cintura, e afinando até as pontas, onde eram amarradas atrás do pescoço, resultando em um insinuante decote. Não era um vestido vulgar, mas certamente era um vestido que faria os homens me olharem e as mulheres me odiarem por favorecer meu corpo.
Não usei anéis, já que usava junto à aliança um outro com uma bela pedra azul que era suficiente. Pus um brinco pequeno, mas não encontrei nenhum colar que me satisfizesse ou que combinasse com o vestido. Ninguém sentiria falta de um colar, então me desisti de procurar e sai do quarto.
Dimitri esperava-me em pé, de costas para mim e em frente ao balcão da cozinha onde falava com alguém no interfone do apartamento.
- Obrigada por avisar, descemos em breve.
Pigarreei para anunciar minha presença assim que ele pôs o fone no lugar e sua expressão ao me ver, me fez sorrir antes que pudesse me parar.
- Então, como estou?
Sua boca se abriu mais nenhum som saiu e suas sobrancelhas se ergueram, os olhos iluminados. Meu coração se acelerou com sua reação.
- Uau, Rose. – disse por fim, recompondo-se rapidamente – Você está linda.
- Obrigada – respondi subitamente sem graça. –, você também está ótimo.
Na verdade, Dimitri estava absurdamente lindo. O cabelo estava penteado e solto e ele usava uma blusa branca de gola v por baixo do blazer preto sem botão. Dessa vez ele não usava aquele casacão preto que já o vira usar e que parecia gostar tanto e nem as botas, mas usava um jeans preto e uma espécie de sapatênis. Estava lindo e elegante. De tirar o fôlego trajado à esporte fino.
- A limu já está lá embaixo. – avisou após uns segundos nos encarando sem dizer nada – Mas antes de irmos gostaria de lhe dar alho.
Ergui a sobrancelha – não tão bem quando Dimitri fazia, mas estava treinando -, me dar algo?
Ele segurou minha mão e me levou até a porta, me deixando de frente a um espelho que ficava na entrada no apartamento.
- Dimitri, não estou entendendo.
- Eu saí um pouco enquanto você se arrumava. – ele estava de costas para mim pegando algo do casacão pendurado — Quando voltei vi algo numa vitrine que achei que você gostaria.
Ele se virou para mim e não pude ver o que tinha em suas mãos; nossos olhares se cruzaram no espelho e então Dimitri passou os braços a minha frente e senti algo gelado em minha pele. Olhei-me pelo espelho e vi um colar delicado com um pingente de uma rosa bem em cima do meu esterno.
- Dimitri, é lindo! – toquei o pingente com a ponta dos dedos maravilhada. – deve ter sido caro.
Ele deu nos ombros.
- Usei um dos cartões que nos deram. E achei que seria adequado.
Adequado à missão, ele quis dizer. Mas não me importei. Virei-me para ele e o abracei.
- Eu amei. Obrigada.
Relutante, ele me abraço levemente de volta antes de se afastar.
- Okay, agora vamos. Não queremos nos atrasar, a festa começa às nove.
Ele pegou um outro casaco preto comprido que parecia novo e pendurou no braço. Não precisava perguntar para saber que foi isso que ele foi fazer quando saiu de casa. Entramos no elevador em silêncio e bem próximos um do outro. O melhor momento foi quando um cara entrou no conosco, dois andares depois, e Dimitri envolveu minha cintura de maneira quase possessiva.
Ao alcançar o térreo, descobri que talvez a noite seria mais fria do que eu esperava. Antes de pedir a Dimitri que esperasse para eu voltar ao nosso apartamento para buscar uma blusa, ele tirou seu casaco do braço e o abriu, pondo em seguida sobre meus ombros sem dizer uma palavra.
O motorista da limusine usava uniforme a um cape e ainda abriu a porta para que nós entrássemos. Dimitri indicou que eu fosse primeiro e me deu a mão para ajudar. Quando ficamos a sós no interior do comprido carro, Dimitri me olhou com determinação.
- Pronta?
- Pronta.
Notas finais
Beijocas!
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