Love and Blood

10 Capítulo Nove


Notas iniciais
"Ela chutou as cobertas e enfiou-se de baixo delas. Esperava realmente que essa discussão não tenha sido ouvida. Mas sabia que poderia contorna-la caso tivesse sido. O problema era que Rose tinha razão."

POV Dimitri

Rose havia tirado o final de semana para brincar de “tirar o Dimitri do sério”. O que apenas deixava claro sua imaturidade para certas coisas. Às vezes parecia uma adolescente de 17 anos, ao invés de uma mulher de quase vinte e dois. Fazia brincadeiras fora de hora, falava o que vinha à mente sem parar para pensar, era insolente, teimosa e vestia-se de maneira indecente como se não fosse uma adulta comprometida.

Tudo bem. Não éramos estritamente casados, mas tínhamos que parecer, certo? O que custava, então, tentar agir menos como garota e mais como mulher? E, por Deus, por que eu não conseguia tirá-la da minha cabeça mesmo assim? Qual era a magia que Rose tinha em mim que fazia impossível meu coração não acelerar com sua presença, seu cheiro, seu toque?

- Dimitri? – a voz de Viktor soou e levantei a cabeça para olha-lo à minha frente. Lembrei-me de que estávamos em meio a uma conversa.

- Ah sim, perdoe-me Viktor, minha mente voou. – sorri-lhe e olhei em volta. Estávamos almoçando na grande sala do iate. Rose estava ao meu lado, Vasilisa à sua frente. – Como eu ia dizendo, Rose e eu não tivemos nossa lua de mel, por conta do meu trabalho, então decidimos ir para a Itália mês que vem.

- Parece uma viagem excitante. – comentou, tomando um gole do vinho. – Eu tenho uma casa em Gênova.

- Jura? Que coincidência. – Sorri e segurei a mão de Rose que estava por cima da mesa. Ela olhou-me e vi um brilho em seu olhar que dizia que estávamos na mesma página.

- A casa que iremos alugar é em Gênova. – complementou ela com um sorriso. – Queríamos um contrato mais cedo, mas só estará disponível mês que vem.

- Uma pena. Eu irei para Gênova daqui a duas semanas, — essa era uma informação nova. Nosso último relatório mostrava que as passagens eram para daqui um mês também. — se vocês quiserem, serão muito bem vindos a ficar comigo até que a casa esteja pronta. E minha querida Lissa estava recusando ir comigo, pois alegou que ficaria muito sozinha, acho que ela também gostaria de ir, o que acha, querida?

- Seria maravilhoso! – exclamou, com os olhos cor de jade brilhando de emoção – Vocês vão?

- Bem... eu teria que ver lá na empresa, mas acho que não terá problema. Rose?

- Seria ótimo. A faculdade está trancada até o final do ano de qualquer maneira, seria bom ter alguma distração;

- Ótimo então! – Viktor ergueu sua taça em um brinde – Vocês irão amar o lugar. É estonteante, e paguei uma pechincha anos atrás. Claro que não tinham ideia do potencial da área.

- Vai a negócios ou decidiu tirar umas férias? – rondei como quem não quer nada.

- Sempre negócios, Belikov. – apesar das palavras, o tom de voz era de orgulho – Homens como eu não tem direito às folgas.

- Não sei se te invejo ou se sinto compaixão.

Viktor riu. Seus olhos brilharam e percebi então o que Rose queria dizer quando, certa noite, comentou que tinha medo dele. Viktor parecia um animal, os olhos sempre atentos, os ouvidos sempre em pé. Tudo o que fazia e dizia parecia milimetricamente calculado, como um grande predador.

- Sinta-se livre para sentir os dois. É, ao mesmo tempo, uma benção e uma maldição.

Voltamos a comer e o silêncio caiu novamente. Ao final do almoço, que estava delicioso, foram servidos café e um bolo doce de aparência leve e tão apetitosa quanto a comida que havíamos tido na refeição principal.

- Rose, você está na faculdade não é? – perguntou Vasilisa de repente. Ao meu lado, Rose assentiu. A jovem então se virou para mim. – E você é um dos diretores de uma empresa. Me digam, como se conheceram? Parecem dois mundos tão... distantes. Em parte, sei lá. Me contem, quero histórias.

A jovem Dragomir sorriu gentilmente, seu olhar caindo de Rose para mim, esperando. A mão dentro da minha intensificou o aperto e percebi que ela estava desconfortável com a situação imprevista. Quem visse de fora, entretanto, veria apenas uma jovem levemente tímida. Tomei o controle da situação.

- Rose foi fazer um estágio na empresa. – respondi esboçando um leve sorriso. – Ela e um grupo de outros universitários foram apresentados ao Conselho Diretor, e eu soube naquele momento que estava ferrado.

- Se apaixonou à primeira vista? – Vasilisa parecia vibrar com a possibilidade.

- A gente? Não, nunca. Mas soube de imediato que ela seria uma pessoa difícil.

Rose riu e eu a olhei, esperando que ela me olhasse de volta. Quando encarei seus olhos castanhos, uma sensação boa passou por mim e tive uma revelação. Nunca havia reparado que minha vida não era completa. Tinha um emprego que gostava, estabilidade financeira e uma família que me amava e apoiava. Mas faltava algo. Faltava Rose. Onde ela estivesse, era onde eu tinha que estar. Era meu lar, meu porto seguro. E isso era extremamente errado e não profissional.

- Um esforço que valeria a pena. – seus olhos brilharam e seu sorriso tremeu – Porque Rose é a pessoa mais fantástica que já conheci. Determinada e trabalhadora, corajosa até demais. E linda, não apenas por fora, mas por dentro também.

Rose umedeceu seus lábios, sem desviar o olhar. Ela não sabia o quão sexy isso era? Queria beijá-la. Deus, queria tomá-la nos braços e sair dali o mais rápido possível e nos trancar em um quarto sem o resto do mundo para nos atrapalhar.

- Você que era um pé no saco Dimitri. – retrucou ela, a voz fraca e um sorriso oscilante.

- Quer dizer que agora não sou mais um “pé no saco”?

- Não, você é. Mas é o meu pé no saco.

O certo seria que eu a beijasse. Depois desse momento romântico, deveria beijá-la. Mas não sabia se seria capaz de me manter profissional depois disso. Porque as cosias estavam mudando entre nós, e mudando rapidamente.

Ao invés de beijá-la, levei sua mão que estava na minha aos lábios. Um gesto cavalheiro e igualmente romântico, além de demonstrar respeito aos outros presentes. Poderíamos ser um casal reservado.

- Vocês formam um casal lindo. – suspirou a jovem com um sorriso encantado. – Desejo toda a felicidade do mundo pra vocês dois.

E eu apenas desejava chegar ao fim dessa missão com o corpo e coração intactos.

Após o almoço, Viktor foi se exibir um pouco. Nos afastamos da praia e margeamos a costa até o final da tarde. Aperitivos foram servidos e parecia ter bebida aos litros no iate. Jogamos cartas e descansamos nas espreguiçadeiras. Era uma boa vida, devo admitir.

Observamos o sol se pondo do convés e antes que a luz se esvaísse completamente, voltamos ao barco a motor que nos levou para a praia. Apesar de ter sido um passeio relaxante, estava exausto. Talvez seja o movimento do barco, nosso corpo se adaptando à instabilidade do chão, não saberia dizer, mas me sentia cansado. Rose ao meu lado tinha os olhos bem apertos e aparentava estar bem, mas podia vê-la sufocar um bocejo e estava mais lenta também.

- Foi uma tarde ótima. Muito obrigada por terem nos convidado. – agradeceu Rose após o jantar.

Estávamos na sala de estar. A lareira estava acessa e proporcionava uma luz amena ao ambiente. Rose estava sentada ao meu lado, a cabeça deitada em meu ombro. Gostava de quando ela se aconchegava em meu corpo.

- O prazer é nosso. – Respondeu Viktor, que também parecia cansado, porém satisfeito. – Quando lhes conheci no Topázio, gostei de vocês. Achei um casal interessante. E, minha querida Lissa sabe, quando vejo potencial em algo ou alguém, não deixo fugir.

O jeito que ele disse, parecia que éramos um de seus negócios. Vasilisa apenas sorriu.

- O dia foi ótimo, mas acho que devemos ir pra cama. Rose está quase dormindo aqui.

Ela ergueu a cabeça imediatamente.

- Não estou não. – mas seu argumento foi invalidado pelo bocejo que deu a seguir – Mas se você está com sono tudo bem, eu te acompanho.

Viktor riu em deleite e ergue-se da poltrona seguido por Vasilisa.

- Vamos todos pra cama, amanhã será um dia cheio. Gostaria de mostra-los à propriedade e apresentar a alguns vizinhos em um almoço amanhã, aqui em casa.

Demos boa noite e cada um seguiu para seu aposento. Rose e eu permanecemos em silêncio após fecharmos a porta do quarto que dividiríamos, esperando ouvir os passos dos donos da casa se afastarem.

- Almoço com os vizinhos? – murmurou Rose incrédula – Wow.

Levei o indicador à boca, pedindo por silêncio. Não sabia se alguém poderia nos ouvir ou se Viktor pretendia ficar de olho em nós implantando algum ponto no quarto. Ele era um homem de negócios, como havia dito. Negócios escusos e não gostaria de se arriscar com estranhos. Não duvidava que fosse capaz disso.

- Eu acho que ele gostou mesmo de nós. – comentei, lançando um olhar de advertência enquanto pegava o celular no bolso – Que bom, parecem ser boas pessoas.

- É.

Rose concordou franzindo o cenho sem entender. Digitei rapidamente nas notas e lhe mostrei.

Sem conversas suspeitas. Podem estar nos ouvindo.

Ela assentiu e pegou o celular da minha mão, digitando enquanto falava.

- Posso me acostumar a essa vida, camarada.

Pedi Castile investigar acidente e coma irmão Lissa. Estranho.

Ela tinha bons instintos. Se Rose achava que era estranho, acreditava nela. Já havíamos visto o laudo do acidente, mas nada nos chamara a atenção. Parecia genuíno.

- É para se acostumar. Você merece isso e muito mais.

Agir como casal em tempo integral. Relaxar em nosso apartamento. Cuidado.

Ela me olhou com diversão. As próximas vinte e quatro horas seriam interessantes e perigosas de diversas maneiras.

Rose dirigiu até sua mala enquanto eu puxava a colcha da cama. Não fazia sentido dormir no chão – embora fosse preferível. Se alguém entrasse ali qual seria nossa desculpa?

- Gosto daqui. – jogou seu pijama na cama: uma camisola de algodão que sabia que ficaria bem nela – Poderíamos comprar um terreno aqui, afinal de contas.

- Amanhã pergunto a Viktor se ele tem conhecimento de alguma casa vendendo por aqui ou o contato de uma boa imobiliária.

Antes que pudesse me preparar, Rose puxou a blusa que vestia para cima e a jogou sobre uma cadeira, tirando o jeans em seguida. Desviei meus pensamentos. Já havia visto seu corpo seminu ainda hoje. Era esbelto e belíssimo. Deveria me acostumar a isso. Mas era complicado não olhar.

- Faça isso. Quem sabe não viramos vizinhos.

Ela pegou a camisola e virou-se de costas para mim, tirando o sutiã. Precisei fechar os olhos, contar até dez e respirar fundo para não ralhar com ela. Rose estava saindo dos limites, estava me provocando como sempre fazia.

Ocupei-me em procurar a roupa de dormir na mala e antes que pudesse ver sua expressão, tranquei-me no banheiro. Quando sai, vestindo moletom e regata, Rose estava sentada na cama sobre os lençóis e sorriu a me ver.

- Dormindo com tanta roupa? – indagou divertida – Tímido, Dimitri?

Não perguntei como ela sabia que aquelas não eram as minhas roupas normais de dormir. O simples fato de Rose já ter me visto dormindo era estranhamente excitante. O que ela fora fazer no meu quarto?

Dei nos ombros e guardei as roupas que tirei na mala. Podia sentir seus olhos em minhas costas.

- O que vamos fazer agora?

Sentei-me do meu lado da cama e a encarei.

- Dormir.

Rose arrastou-se para mais próximo de mim. Seu perfume era intoxicante e ela estava absurdamente linda preparada para dormir.

- Só dormir?

Rose olhou-me e parecia um cachorrinho pidão. Era uma expressão ao mesmo tempo engraçada e irresistível. Sua mão ergueu-se para minha blusa, brincando com a barra.

- Rose... – meu olhar endureceu no seu e eu segurei suas mãos – Seja razoável.

Ela riu. Não estava falando sério. Não poderia estar. Estava me provocando novamente. Primeiro ficando quase nua na minha frente e agora insinuando sexo.

Rose me encarou com seriedade e retribui o olhar. E o que antes era uma brincadeira, ficou sério. Estava ansiando por seus lábios há tanto tempo que não recuei quando ela se inclinou e me beijou de leve. Não somente deixei que me beijasse como retribui e antes que percebesse, minha língua invadia sua boca e minhas mãos puxavam seu corpo para mim.

Ela gemeu em surpresa e prazer e a derrubei na cama. Seus lábios eram como me lembrava, quentes e saborosos e sua pele exposta convidativa.

Mas devíamos parar.

- Rose! – exclamei baixinho, afastando meu rosto – Não. Não faça isso.

Minha voz era dura e autoritária.

- Dimitri, não seja...

A interrompi antes que suas palavras me convencessem de algo que me arrependeria depois.

- Não. – me levantei de cima dela e Rose sentou-se irritada. – Não me beije assim. Nunca mais faça isso.

- Então não me beije de volta. – retrucou. Já a vira irritada uma vez. – Porque uma pessoa não beija sozinha.

Ela chutou as cobertas e enfiou-se de baixo delas. Esperava realmente que essa discussão não tenha sido ouvida. Mas sabia que poderia contorná-la caso tivesse sido. O problema era que Rose tinha razão.

Notas finais
Olá lindezas minhas!!!!!!!!

Sentiram a minha falta? Gente, desculpem o sumiço, mas ta foda aqui. haha Enfim, eu reli meu planejamento e dividi o capitulo nove em duas partes para não ficar grande e acabou que deu certinho! Sorte minha que essa primeira parte foi tranquila de escrever.

Como disse, as coisas vão ficar quentes em vários sentidos. E Romitri promete nos próximos capítulos, fiquem aguardando. Só digo uma coisa pra vocês ficarem curiosos: roupas vão sumir. Por hora, fiquem com esse beijinho e pensamentos do Dimka. ;P

Já viram que estou escrevendo uma fic com a Anita? Chama-se What if e vocês podem ler aqui: http://fanfiction.com.br/historia/357650/What_If/
Se passa em SK, se o Dimitri não tivesse sido transformado!