Love and Blood
11 Capítulo Dez
Notas iniciais
- Por que aparentemente isso é um segredo. concluiu Só nos resta descobrir o porquê.
O domingo passou rápido. Apesar de ainda estar irritada com Dimitri, foi bem divertido. No café da manhã, Viktor nos perguntou se estava tudo bem entre eu e Dimitri, provavelmente sentindo o ar a tensão entre nós. Dimitri sorriu de uma maneira estranha e disse que às vezes eu tinha mais fogo que ele conseguia conter, causando alguns desentendimentos pelo fato de ele ser muito discreto com sua vida sexual. Isso fez Viktor rir, mas só me deixou mais brava.
– Para quem é discreto, anda falando demais, camarada. – respondi friamente, me levantando da mesa e indo para a sala adjacente.
Os dois continuaram conversando, mas não consegui ouvir e nem fiz questão e entender o que falavam. Lissa juntou-se a mim logo a seguir e distraiu minha mente pelo resto da manhã.
Quando o tal almoço com seus vizinhos começou, já estávamos agindo normalmente – ou o mais próximo do normal para quem visse de fora –, mas eu sabia que quando chegássemos em casa, Dimitri iria querer ter uma conversinha comigo.
O almoço se estendeu pelo resto da tarde, com drinks elegantes e comidas sofisticadas e leves, de forma que mantivemo-nos comendo o tempo todo. Viktor nos apresentou empresários, advogados e gente de todo o tipo. Claro que, como Dimitri era o homem de negócios, a maior parte do tempo fiquei limitada às suas esposas e filhas. Não era de todo ruim, uma ou outra tinham uma boa conversa, mas a maioria era supérflua e alienada.
Quando finalmente todos os convidados se foram, Viktor parecia extremamente satisfeito e Dimitri tinha feitos diversos contatos e trocado diversos cartões. Nosso relacionamento com o Dashkov evoluía rápido, mas não o bastante. Claro que a maioria das amizades – ou relações profissionais – de Viktor não deveria saber de seus projetos paralelos. Dimitri e eu estávamos encaixados nesse grupo, mas gostaríamos de mais.
Após o jantar nos retiramos para o quarto. Iriamos acordar cedo na manhã seguinte, Viktor tinha um almoço de negócios, então nossa viagem fora antecipada algumas horas.
– O quê foi? – indaguei a Dimitri quando o peguei me olhando de soslaio.
– Sem provocações hoje?
Seu tom de voz era suave.
– Está esperando desculpas, camarada? – ele me lançou um olhar de aviso que me fez suspirar. Estávamos sempre com risco de sermos ouvidos – Desculpas por querer que meu marido me satisfaça?
Ele revirou os olhos e virou-se para mim.
– O problema não é esse, Rose. Você sabe. Eu não iria, e nem irei – aqui ele abaixou a voz teatralmente – não estou a fim de transar com a minha mulher e me arriscar que os donos da casa, donos da casa que conhecemos há pouco tempo, ouçam. E você sabe que eles ouviriam.
A forma com que Dimitri disse fez um arrepio subir minha espinha e apesar de nada daquilo ser verdade, me fez corar. Ele estava dizendo o que Viktor gostaria de ouvir. E estava me provocando também. Olho por olho...
– Então deveria pedir desculpa por...
– Você não me deve desculpas. – Dimitri se aproximou e me segurou gentilmente pelos ombros – Por que você não estava sozinha nessa, Rose. Como você bem lembrou ontem, uma pessoa não beija sozinha.
Dimitri era uma caixinha de surpresas. Não sabia se falava sério ou interpretava. Estava difícil lê-lo naquele momento, uma vez que voltara a usar a mascara, escondendo-se de mim.
Acordei no dia seguinte, com uma estranha sensação de vazio físico ao meu redor. Virei-me na cama e encontrei o colchão vazio ao meu lado e pude ouvir a agua caindo do chuveiro no banheiro. Cai novamente no travesseiro e fechei os olhos.
– Rose? – o som do chuveiro tinha parado e quando abri os olhos vi Dimitri vestido com uma calça jeans e os cabelos molhados. Havia cochilado. – Acho melhor você ir se arrumar, iremos partir daqui uma hora.
Bocejei e me espreguicei na cama, o que causou um olhar estranho de Dimitri.
– O que foi? – indaguei me sentando no colchão.
– Não, nada. – disse desviando o olhar e voltando a se arrumar.
E ali estava a máscara instransponível que ele usava e me impedia de ler suas emoções e pensamentos. Embora não fosse segredo para nenhum de nós dois que tínhamos a mente em sincronia, Dimitri tentava me deixar de fora quase o tempo todo usando essa maldita barreira. Não sabia o porque, ou o que ele queria manter longe de mim, mas me irritava pra caramba.
– Vou tomar banho. – informei separando alguma roupa de uma das malas. Percebi que as coisas de Dimitri estavam todas organizadas. — Você vai levar as malas lá pra baixo já?
– Pretendo. Quer que eu deixe alguma aqui em cima caso você precise de algo?
– Só vou precisar da bolsa. – separei uma bolsa grande da minha mala e a pus em cima da cama.
– Okay.
Estávamos excepcionalmente quietos e gentis um com o outro. Era estranho. Parecia que tínhamos brigado feio antes, mas havia sido completamente o contrário. Mas relevei, poderia ser apenas porque havia acabado de acordar. Então fui tomar banho e me arrumar. Ansiava para estar de volta ao nosso apartamento, onde poderíamos agir normalmente.
Tomamos café sem Viktor, que passou o resto do tempo que ficamos em Hamptons no celular, só desligando quando a casa se afastava atrás do carro. Não queria conversa com ele, então fechei os olhos e fingi que cochilava. Dimitri puxou-me para seus ombros e aproveitei para esconder o rosto em seu pescoço. Suspeitei que ele soubesse da minha farsa, pois sua voz tinha um tom que eu conhecia como divertido enquanto falava com Viktor no caminho de volta para casa.
– Então, tem algo para mim? – perguntei sem preâmbulos.
Após Viktor e Lissa nos deixarem em casa, Dimitri e eu conferimos o apartamento para ter certeza de que estava tudo certo – precauções necessárias. Quando nada suspeito apareceu, fomos ao escritório e fiz uma conferência em vídeo com Eddie.
– Olá, Rose, como vai? Curtiu Hamptons? – encarei-o seriamente e ele largou a ironia, pigarreando e continuando – Eu fiz o que você pediu. Os documentos estão em jurisdição estadual, mas Hans conseguiu algumas coisas para mim. Não achei nada de suspeito no acidente de carro.
– Cheque de novo. Tem que ter alguma coisa.
– Eu chequei, Rose. Duas vezes. E o Mase também viu o laudo.
– Me diga o relatório. Quero ouvi-lo. – pedi.
– Tudo bem. – Eddie pigarreou, digitou alguma coisa e então se focou na tela do computador – O carro partia dos Hamptons para Nova Iorque às vinte horas e trinta minutos, havia chovido três horas antes, chuviscava e a pista estava molhada. A festa beneficente foi em prol às crianças sem família, arrecadaria fundos para uma das organizações que cuida dessas crianças. Não há indícios de que o acidente fora forjado. O carro teve perda completa de danos, mas os freios e o volante não estavam alterados. Eric Dragomir estava no volante e sóbrio. Não há registro de outros carros no local na hora do acidente. A perícia diz que o carro patinou e perdeu o controle, capotou na estrada e explodiu. O único sobrevivente, Andre Dragomir, foi arremessado para fora do carro por não usar cinto. O casal morreu na hora. A ambulância foi chamada as vinte e quarenta, pelo senhor Stuart que vinha na direção contrária. O resgate chegou às vinte e cinquenta.
Fechei os olhos enquanto ouvia. Alguma coisa me dizia que tinha o dedo de Viktor ai. Mas o relatório estava limpo. Viktor não poderia fazer chover e nem provocar o acidente.
Suspirei derrotada e abri os olhos, encarando Eddie ansioso.
– Okay, obrigada. E quanto ao irmão dela?
Ele sorriu e me ajeitei na cadeira. Dimitri que estava de pé atrás de mim deu um passo a frente.
– Bem, Andre passou por maus bocados. Teve escoriações e hemorragias internas. Quebrou uma perna e o baço rompeu. Mas principalmente, teve uma fratura no crânio. Seu cérebro inchou e ele foi induzido ao coma pelos médicos para o tratamento. E ai que a coisa fica boa, ou melhor, ruim: dois dias depois da cirurgia ele acordou, confuso e tonto, mas parecia bem. Até que, algumas horas depois, houve alguma complicação e após uma segunda cirurgia ele entrou em coma sozinho, não acordou mais desde então. Os médicos disseram que acontece de alguns pacientes não voltarem da anestesia, que a lesão deveria ter sido mais profunda e que o cérebro humano ainda é um mistério a ser desvendado e etc. Ele respira com a ajuda de máquinas, é alimentado por sondas e a sua irmã paga para enfermeiros cuidarem dela.
– Lissa disse que Viktor apoia a ideia de desligarem as maquinas e deixarem ele morrer.
Eddie fez uma careta e encolheu os ombros, incerto se deveria opinar sobre isso.
– Bem... Andre era o primogênito do Dragomir. E como ele está legalmente inválido, Lissa não tem que dividir nada com ninguém.
– Está insinuando que Viktor quer se livrar 100% dele? – indagou Dimitri. Olhei para cima e o observei de cenho franzido – Andre Dragomir não é uma ameaça a ninguém em seu estado atual. As chances de ele voltar são mínimas.
– Mas há chances. – retrucou Eddie com simplicidade – E vai saber o que ele trará consigo quando acordar?
– O que você quer dizer? – eu perguntei dessa vez.
– Que o acidente pode não ter sido um acidente. Que Andre não deveria ter sobrevivido.
– Você acha que tudo isso foi um plano de Viktor? Se livrar dos pais, do irmão e ficar com Lissa? – eu quase ri – Isso é insano! Forjar um acidente de carro e tudo o mais. Ele poderia simular algum assalto ou qualquer outra coisa!
– A oportunidade faz o ladrão. No caso, o assassino. Não estou afirmando que Viktor causou a morte deles, mas que acho que pode ter sim algum dedo dele atrás disso. Estava revisando alguns testemunhos... – ele saiu de foco e ouvi barulho de folhas sendo manuseadas. Eddie voltou com uma pasta parta nas mãos – Aqui, no dia do acidente os policiais recolheram alguns depoimentos, questão de rotina e, bem, vai que né? Dai essa mulher disse, uma das moças que estavam servindo na festa, que ouvi uma discussão antes dos Dragomir partirem, entre Eric e um homem que ela não soube dizer quem, mas que usava uma bengala com uma pedra vermelha no topo. Na época os policias encarregados acharam que fosse alguma discussão de negócios e que Eric e sua família haviam se retirado a seguir por causa disso. O homem em questão, descobriram depois, era Viktor.
– Eles discutiram na noite de suas mortes. Suspeito, claro, mas não há provas.
– Aparentemente, não.
– Castile, por via das dúvidas, gostaria que você contatasse a mulher que deu o depoimento. – pediu Dimitri se inclinando por trás de mim. – Pergunte a ela se ela se lembra da briga e do que eles falavam. Qualquer coisa que possa ter acontecido naquela noite, não apenas envolvendo os Dragomir, mas também Viktor. Tudo pode não passar de uma infeliz coincidência, mas a briga pode ser importante na nossa investigação de alguma forma.
– Sim, senhor. – respondeu prontamente – Mais alguma coisa?
– Por hora é só, Castile, obrigado.
Antes que Eddie desligasse, eu o chamei com uma dúvida.
– Qual foi o álibi de Viktor para a noite do acidente?
– Deixe-me ver. – ele folheou as páginas dentro da pasta e então encontrou algo. – Ele estava na companhia feminina. E quando digo que estavam juntos, digo juntos. Os policiais o abordaram em um dos quartos da casa.
– E diz ai o nome?
– Sim. Era Natasha Ozera.
Tasha Ozera estava com Viktor na noite do acidente. Tasha Ozera era agora sua mais nova aposta para ganhar dinheiro. Ela também era tia do cara que Lissa tinha desentendimentos do tipo eu-gosto-de-você-mas-não-devia. Não podia ser coincidência. Ela teve um envolvimento romântico com Viktor – ou ainda tem. Ela poderia ter algum contato com seus negócios.
– No que você está pensando?
Decidimos sair para almoçar num daqueles restaurantes bacanas perto do nosso apartamento. Havia permanecido em silêncio boa parte do tempo, o que não incomodava a nenhum dos dois em situação normal, mas meu silêncio não era normal.
– No que ouvimos hoje. – respondi tomando um gole de refrigerante. Olhei para os lados e me inclinei para ele na pequena mesa redonda que dividíamos – Será que ela tem algum negócio com ele também?
– É uma possibilidade. Tiveram um caso e agora um negócio juntos. Ou ela pode ser apenas um laranja ou vítima de alguma forma.
Franzi o nariz. Tasha era uma pessoa legal, parecia. Lissa havia me dito que ela criada Christian como seu próprio filho depois que seus pais morreram e que ela ensinava pintura de graça para uma instituição.
Então um click se fez em minha mente quando me lembrei do que mais Lissa me contara.
– Dimitri... quando conhecemos Lissa e Tasha na galeria, elas deixaram a entender que Viktor descobriu Tasha há alguns meses.
– Sim.
– Lissa me disse no final de semana que foi por intermédio dela que Viktor a encontrou, por causa de Christian. Mas nós sabemos que ela estava com ele na noite do acidente. Por que ninguém mais parece saber disso?
Seus olhos escureceram e Dimitri ergueu uma de suas sobrancelhas daquela maneira legal.
– Por que aparentemente isso é um segredo. – concluiu – Só nos resta descobrir o porquê.
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, ficou meio curtinho, mas cheio de informações! Eu disse que as coisas ficariam mais sérias, não disse? Acho que começarei a escrever mais assim, senti que ficou mais explicadinho e denso, sem muitas passagens desnecessárias. O que acham?
O que acharam de Tasha e Viktor nesse capítulo? Vocês acham que Tasha é culpada de alguma coisa ou apenas uma vítima da situação? E a briga com Eric e o acidente, será que tem mesmo o dedo de Viktor ai? Me contem suas conclusões e suspeitas e suas expectativas para a fic. ;)
Em breve eles estarão indo para a Itália, mas já aviso que a vida de Rose não será muito fácil.... Além de ter que lidar com Viktor e sua relação estranha com Dimitri, mais um fator importante vai aparecer na vida dela muito em breve!!
Enquanto o próximo capítulo não vem, que tal um spoiler legal? Esse trecho é de algum momento lá na frente - um capítulo que já está pronto há um bom tempo.
"Dimitri, agora, estava tão molhado quando eu, e me olhava com descrença. Mas embora ambos gritássemos, no fundo de seus olhos via uma preocupação evidente que me desarmou."
Curiosos? ;P
Beijocas!!
PS: Aaah, se vocês tiverem dúvidas ou sugestões ou sei lá, quiserem entrar em contato, podem ir lá no twitter que meu user é @soufflebowtie ou através do meu tumblr: yeradhampir.tumblr.com ;)
PS²: Esse capítulo não passou para a betagem. Como meu tempo anda curto e já estou enrolando pra postar, não quero demorar mais e te deixarem agoniados. Eu estou lendo duas três vezes em busca de erros, mais se alguma coisa aparecer, por favor, avisem que eu corrijo! :D Obrigada!
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