Love You, Miss You, Mean It

9 S2E9: Back and Forths


A manhã chegou preguiçosa, trazendo consigo uma luz pálida que atravessava as cortinas do apartamento de Ethan. O gosto amargo na boca e a dor surda nas costelas foram as primeiras coisas que ele percebeu ao acordar. Sua cabeça latejava no ritmo de um tambor distante, e conforme os flashes da noite anterior retornavam, ele se perguntou quantas cervejas tinha realmente tomado.

Ele piscou algumas vezes, tentando afastar a névoa da mente, mas flashes da noite anterior vieram sem aviso.

O bar estava lotado, uma energia pulsante pairava no ar. Jogadores do time riam alto, brindes sendo erguidos entre goles de cerveja e tequila. A música ecoava em algum lugar distante da consciência de Ethan enquanto ele se apoiava no balcão, sentindo os músculos protestarem.

Ashley apareceu ao seu lado, com um sorriso travesso que parecia fazer tudo à sua volta desacelerar por um momento. Ela estava linda, como sempre, mas algo na maneira como ela estava hoje a fazia brilhar ainda mais. O casaco de couro marrom escuro envolvia suas curvas com perfeição, o contraste com o jeans justo e as botas pretas de salto alto que soavam delicadamente a cada passo. Seus cabelos loiros estavam soltos, as ondas caindo suavemente ao redor de seu rosto, enquanto seus olhos azuis estavam intensos, fixos nele. A combinação de tudo aquilo parecia quase intencional, um jogo silencioso que ela sabia jogar muito bem.

"Então, Carter... Como é ser o herói da noite?" A voz de Ashley cortou o ruído ao seu redor. Ela girava um copo de uísque entre os dedos, um sorriso astuto nos lábios. O brilho das luzes de neon refletia em seus olhos azuis.

Ele riu, exalando pelo nariz. "Se ser herói significa acordar destruído amanhã, então... Acho que estou vivendo o sonho."

Ashley inclinou a cabeça, divertida. "Bem, se vai se ferrar amanhã de qualquer jeito, por que não faz valer a pena?"

Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque insistente do celular na mesa de centro. Ele pegou o aparelho e viu o nome do técnico piscando na tela.

“Carter,” a voz rouca do outro lado soou firme. “Preciso que venha até o campo. Tem algo para você aqui.”

Ethan murmurou um “tô indo” antes de encerrar a ligação.

Arrastando-se até a cozinha, encontrou um bilhete rabiscado em um guardanapo sobre o balcão:

"Sobreviveu? Me liga. – A."

Ethan bufou, balançando a cabeça. A noite com Ashley não tinha sido ruim. Ela era provocativa, direta e sabia como preencher o silêncio com algo que não fosse sua própria confusão. Mas havia algo dentro dele que não se encaixava.

Por fim, o rapaz pegou uma camisa limpa e um boné qualquer antes de sair, sem fazer muito barulho. O ar frio da manhã ajudou a clarear um pouco sua mente enquanto ele dirigia para o estádio.

Mais um flashback tomou sua mente.

A pista de dança do bar estava cheia, mas eles haviam encontrado um canto mais tranquilo. Ashley se inclinou, os dedos desenhando um círculo sobre a mesa pegajosa. "Então, você já decidiu? Vai assinar?"

Ethan olhou para o copo em sua mão. "Acho que não tem muito o que decidir. É meu sonho."

"E então por que parece que você não quer comemorar?" Ela o desafiou com o olhar.

Ele abriu a boca para responder, mas hesitou. Ele mesmo não tinha certeza da resposta.

Ashley riu e pegou seu copo, levando-o aos lábios com um movimento fluido e sensual. “Não me diga que está começando a ficar sentimental, Ethan. Você me quebra, sabia disso?” Ela inclinou a cabeça, observando-o atentamente, quase como se estivesse testando-o.

Ele riu baixo, mas sua expressão parecia mais fechada. "Eu não sou de fazer isso. Mas talvez você me faça repensar."

“Hum... não acredito, mas vou aceitar o crédito.” Ela deu um gole, seus olhos nunca saindo do rosto dele. Quando colocou o copo de volta na mesa, ela se aproximou mais, os joelhos tocando os dele, fazendo Ethan sentir a quentura do corpo dela em contraste com a frieza do ambiente.

O som da música parecia se intensificar enquanto a conexão entre eles se fortalecia, criando uma sensação de distorção no tempo. As conversas ao redor começaram a desaparecer em um borrão. As mãos de Ashley se estenderam lentamente até o braço de Ethan, deslizando até a manga da sua camisa com um toque suave, mas ao mesmo tempo direto. A textura da sua pele quente contra a dele fez seu estômago dar um nó.

Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, os lábios de Ashley encontraram os dele, quentes e decididos. A princípio, ele ficou paralisado, mas logo a sensação de suavidade, a pressão crescente de seus corpos, o atraiu. Seus braços se envolveram em torno dela, puxando-a mais para perto enquanto a intensidade da troca aumentava. O beijo era como uma tempestade de sensações, mas não havia o peso do amor, apenas o fogo do momento.

Quando finalmente se afastaram, ele estava sem fôlego, a testa encostada na dela. O calor de seu corpo ainda estava gravado nele, e ele sentia que sua mente girava em torno daquelas decisões que nem sequer tentava fazer.

"Agora você não vai mais pensar nela, vai?" Ashley murmurou, e Ethan olhou para ela, com os olhos carregados de incerteza.

"Eu... não sei," ele respondeu, a voz baixa, o coração ainda batendo rápido. "Mas talvez eu esteja começando a entender que talvez... talvez eu precise parar de procurar em outras pessoas o que ela me deixou."

"Bom, então, talvez você esteja mais pronto para essa noite do que pensava." Ela se afastou um pouco, ajustando o casaco e o olhar de Ethan seguiu cada movimento dela. A energia entre eles ainda estava lá, pulsando.

De volta ao presente, já no vestiário, sobre um banco de madeira, estava o envelope. O nome “Ethan Carter” impresso na frente, o logotipo dos Raiders no topo. O contrato.

Ele sentou-se, encarando o papel por alguns segundos. Desde garoto, sonhara com esse momento. Quantas vezes visualizou essa cena? Mas agora que estava ali, tudo parecia distante, como se ele estivesse observando de fora.

O técnico se aproximou e bateu em seu ombro de leve. “Esse é o começo de algo grande, Carter. Você merece.”

Ethan pegou a caneta. Por um instante, hesitou. Mas então, sem permitir que as dúvidas o dominassem, assinou.

Exalando, ele se recostou e encarou o teto. Era real.

Apesar dos mil pensamentos em sua mente, ao sair do vestiário sua atenção foi capturada por um som característico: uma buzina. Ashley estava encostada contra seu carro, os óculos escuros protegendo os olhos da luz dourada.

"Não sei como você consegue estar de pé depois de ontem."

Ethan soltou uma risada cansada. "Acredite, eu também não sei."

Ashley cruzou os braços, avaliando-o. "Eu disse pra me ligar, mas como havia um grande compromisso, senhor jogador dos Raiders, irei te perdoar. Então... Vai continuar se matando ou vai aceitar meu convite pra uma cerveja? Sem comemoração exagerada dessa vez."

Ele olhou para ela por um instante, ponderando. Ela não era Hannah. E talvez fosse exatamente isso que ele precisava agora.

"Uma cerveja parece uma boa ideia."

(...)

A semana seguiu um novo ritmo. Ethan voltou aos treinos, mesmo com as dores persistentes. Seus companheiros de equipe ainda estavam na onda da última vitória, mas para ele, a temporada já parecia um capítulo fechado. Agora, sua mente começava a se preparar para o que vinha depois.

Ashley começou a aparecer com mais frequência. Às vezes, esperando por ele no estacionamento após os treinos, outras mandando mensagens sugerindo algo para fazer à noite. E Ethan não se incomodava. Na verdade, achava agradável a forma leve como tudo estava acontecendo entre eles.

Certa noite, estavam sentados no capô da caminhonete dele, observando o céu escuro salpicado de estrelas. Ashley segurava uma cerveja na mão e brincava com a borda da garrafa enquanto falava.

“Então, o senhor jogador profissional já decidiu pra onde vai se mudar?”

Ethan deu de ombros. “Ainda não. Acho que preciso começar a pensar nisso.”

Ela sorriu de lado. “Aposto que vai ser estranho sair daqui. Você gosta dessa cidade, né?”

Ele não respondeu de imediato. Gostava, sim. Mas talvez o que ele mais gostasse era da vida que tinha construído ali, das pessoas, das memórias. Algumas que ele ainda não tinha certeza se estava pronto para deixar para trás, mas que talvez fosse justamente o que precisava fazer.

“Vai ser diferente,” ele admitiu. “Mas faz parte.”

Ashley o observou por um momento antes de deslizar para mais perto, apoiando a cabeça no ombro dele. “Bom... se precisar de companhia enquanto decide, sabe onde me encontrar.”

Ethan sorriu, aceitando a proximidade sem resistência. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentia que não precisava lutar contra tudo o que acontecia ao seu redor. Ele só precisava seguir em frente.