Love You, Miss You, Mean It
10 S2E10: Don’t Wanna Dance
O barulho ensurdecedor da torcida ainda ecoava nos ouvidos de Ethan quando ele finalmente entrou no vestiário. A derrota daquela noite foi amarga. Não porque tivesse sido um jogo desastroso – ele já vivera piores –, mas porque mais uma vez sentia a frustração se acumulando, escorrendo por seus músculos tensionados.
Sentado no banco de madeira, Ethan passou as mãos pelos cabelos úmidos de suor e exalou pesadamente. O jogo havia sido um reflexo perfeito da sua trajetória nos últimos tempos: lampejos de brilho entrelaçados com momentos de erro, decisões precipitadas, passes que deveriam ter sido perfeitos, mas que saíram um pouco curtos ou longos demais. E, no final, ficava sempre a mesma pergunta: ele ainda tinha o que era preciso?
Os jornalistas estavam lá fora, esperando suas respostas padronizadas. Ele já sabia o que deveria dizer. Que o time se esforçou, que há sempre algo para melhorar, que vão seguir em frente. Mas, no fundo, tudo isso parecia cada vez mais vazio. Ele já nem sabia se acreditava nas palavras que dizia.
A viagem de volta para casa foi silenciosa. Ethan dirigia pelas ruas frias da cidade, com os dedos apertados contra o volante, enquanto a neblina se acumulava nos postes de luz. Ele se perguntava, mais uma vez, se aquilo tudo valia a pena.
No primeiro ano, Ashley esteve ao seu lado. Ela foi sua distração, sua companhia constante. Mesmo quando Ethan se fechava, ela insistia, aparecia, o puxava para sair, para respirar. Mas ele nunca conseguiu retribuir de verdade. Havia sempre uma parte dele que não se entregava completamente. Hannah ainda pairava em sua mente, não como um pensamento constante, mas como um fantasma que surgia nos momentos mais inesperados. Ashley percebeu e, por mais que odiasse admitir, sabia que ele nunca a amaria do jeito que deveria. No fim, as viagens, os treinos exaustivos, a ausência emocional, tudo isso criou um abismo entre eles. Até que Ashley, apesar de toda sua persistência, percebeu que ele nunca estaria totalmente ali.
(...)
A casa parecia grande demais quando ele entrou. O silêncio pesava. Ele largou a bolsa no chão e foi direto até a cozinha, pegando uma cerveja na geladeira. O barulho do metal se abrindo ressoou alto no ambiente vazio. Ele se apoiou contra a bancada, tomando um gole longo. O álcool era um companheiro cada vez mais presente, embora ele evitasse encarar isso de frente.
O telefone vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem do técnico. Reunião cedo na manhã seguinte. Mais uma sessão de análises, de vídeos, de estratégias para evitar erros futuros. Mais um dia para vestir a máscara de sempre.
A noite em que assinou o contrato com os Raiders parecia cada vez mais distante, e sua vida agora era uma sucessão de festas, jogos e esperas. As viagens, as fãs, a emoção das vitórias… Nada disso parecia mais o suficiente. Especialmente quando ele estava sozinho, depois das luzes se apagarem, quando os gritos da torcida se dissipavam e ele se via refletido na solidão do seu quarto de hotel ou no sofá de sua casa, com alguma bebida da mão.
Ele suspirou, finalizou a cerveja e seguiu para o quarto. O colchão afundou sob seu peso quando ele se deitou, encarando o teto. O barulho distante da cidade lá fora era a única coisa que quebrava o silêncio. E então, como acontecia com frequência, sua mente o traiu, trazendo flashes de um tempo em que ele não se sentia tão perdido.
O sorriso de Hannah sob a luz quente de uma fogueira. O som da risada dela enquanto fotografava algo aleatório. O jeito que ela o olhava, como se enxergasse além da bagunça que ele tentava esconder.
Ele fechou os olhos, querendo afastar a lembrança. Mas, como sempre, ela nunca ia embora completamente.
Suas memórias o arrastaram em seguida para uma noite qualquer, de meses atrás. Uma noite em que seus amigos o chamaram para sair e que o confronto com seus sentimentos se fez inevitável. Já faziam três meses desde o fim de seu relacionamento com Ashley, e os amigos insistiram que era hora de "seguir em frente". Eles o arrastaram para um bar, rindo e tentando animá-lo, mas cada bebida que ele tomava parecia torná-lo ainda mais distante.
"Vamos, cara, se divertir um pouco. Nada de pensar nela hoje", disse um dos amigos, tentando arrancar Ethan de sua cabeça.
Mas a verdade é que toda a diversão ao seu redor não fazia sentido. Ele se forçava a sorrir, tentando se misturar ao ambiente, mas tudo parecia vazio. As risadas, a música, o movimento das pessoas… Tudo isso apenas o lembrava de uma coisa. Não era de Ashley, apesar do que os rapazes pensavam e, de fato, havia muito carinho guardado por tudo que ela fez por ele. Mas quem o assombrava ainda era Hannah.
Naquela noite, enquanto tentava se afastar das lembranças, a música começou a tocar, uma canção que parecia falada diretamente para ele. Um toque familiar, que o fazia lembrar dela, de como ela dançava com ele, de como tudo parecia ser perfeito antes de tudo desmoronar.
Cada gole de bebida, cada conversa que tentava manter, só fazia aumentar a saudade. "O que estou fazendo aqui?", pensou, enquanto observava a dança frenética ao seu redor, sentindo o peso da saudade tomando conta dele. “Eu não quero dançar com ninguém, a não ser com ela…”
Ethan se afastou do grupo, saindo do bar para dar uma volta. O vento frio da noite pareceu o despertar de sua mente turva. Ele sabia que deveria seguir em frente, mas como? Como esquecer alguém que havia sido parte dele? Mesmo agora, com a dor do passado ainda em seu peito, ele não conseguia apagar as memórias. O cheiro dela, os toques que eles compartilhavam, os risos no silêncio da madrugada, as promessas não ditas.
E foi nessa solidão que ele refletiu sobre o quão distante estava de tudo o que desejava. Na verdade, ele não sabia o que queria. Apenas sabia que não queria o vazio que sentia.
Mas, enquanto vagava pela cidade, ele se lembrou de algo que Hannah havia lhe dito uma vez: "Às vezes, Ethan, você tem que deixar ir o que te machuca, mesmo que isso seja difícil. Porque se você não fizer isso, o peso vai te esmagar."
Fazia sentido, mas o problema era que o peso vinha da pessoa que havia o aconselhado.
Era exaustivo. Ele tentava seguir em frente, mas qualquer tentativa parecia artificial. O telefone estava cheio de contatos de garotas que ele mal lembrava de ter conhecido. Ele poderia sair com qualquer uma delas, mas sabia que nada preencheria o vazio.
Ethan ainda jogava. Ainda tentava. Mas, por dentro, ele sabia que algo estava faltando.
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