Love You, Miss You, Mean It

11 S2E11: Half Of My Hometown


O impacto do capacete de Ethan contra o gramado ecoou pelo campo de treino. O golpe foi resultado de um sack violento que ele não conseguiu evitar. Ele se levantou rapidamente, mas não sem antes dar um soco no chão em frustração, bufando enquanto tentava recuperar o fôlego. Mais uma jogada fácil errada. Mais um erro que não deveria ter cometido.

O técnico apitou, interrompendo o treino. "Carter!" O grito do treinador fez todos olharem. "Se você quer jogar como um novato, me avisa agora que eu coloco outro no seu lugar!"

Ethan apertou os punhos, controlando a raiva. Ele sabia que merecia aquela bronca. Sabia que sua mente não estava ali, seu corpo estava constantemente cansado pelas noites mal dormidas e cada vez mais aquele sentimento de letargia o dominava. Mas ouvir aquilo, em meio a olhares dos companheiros de equipe, fez o sangue ferver. "Eu tô fazendo o meu melhor", resmungou, mas o técnico já estava de costas, recomeçando a jogada com o quarterback reserva.

Ele ficou ali no meio do campo, parado por um momento, antes de arrancar o capacete e sair. Precisava de ar. Precisava se afastar antes de explodir na frente de todo mundo e, talvez, perder seu emprego.

(...)

O copo girava lentamente entre os dedos de Ethan, a espuma da cerveja já começando a sumir enquanto ele olhava para o fundo âmbar do líquido. O bar estava meio vazio naquele fim de tarde, com poucos clientes espalhados pelas mesas e um jogo de basquete de alguma divisão menor passando em uma TV presa à parede. O bartender, um sujeito de barba rala e olhar curioso, secava um copo quando resolveu puxar conversa. "Então, o que te traz aqui?"

Ethan ergueu os olhos, confuso. "Aqui? Tipo, nesse bar?"

"Sim, cara. Um jogador da NFL sentado sozinho no balcão, bebendo como se estivesse resolvendo os problemas do mundo. Parece que tem uma história aí."

Ethan soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. "Bom, se é uma história que você quer..." E então começou. Meio sem pensar, sem perceber que estava contando mais do que pretendia. Talvez fosse o álcool afrouxando sua língua ou apenas o fato de que fazia tempo que não desabafava com alguém que não esperava nada dele além de uma boa conversa.

"Cresci no Tennessee, numa cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. Meu velho trabalhava como mecânico e minha mãe era professora do ensino médio. Eu passava os verões correndo perto do rio, jogando futebol americano no quintal com os amigos, sonhando em jogar no Neyland Stadium algum dia. Tinha um braço forte desde moleque, e meu pai vivia dizendo que eu ia ser grande, que um dia eu colocaria nossa cidade no mapa."

Depois de um gole pequeno, apenas para manter o gosto da bebida nos lábios, continuou:

“Meu pai jogou futebol americano no ensino médio. Não passou disso, mas até hoje fala daquele touchdown contra a Maryville High como se fosse o maior feito da história do esporte. A cidade inteira lembrava daquele jogo. Acho que cresci sabendo que um dia eu também teria minha história para contar.”

Ele sorriu de lado antes de prosseguir. “Metade das pessoas da minha cidade nunca saiu de lá. Ainda passam as sextas-feiras no mesmo campo de futebol, torcendo pelos mesmos Bobcats, relembrando as mesmas glórias. A outra metade pegou a estrada, foi atrás de algo maior. Eu fui um deles. Joguei pelos Volunteers, sonhei grande.”

O bartender cruzou os braços, interessado. "E depois?"

Ethan soltou um suspiro. "Depois veio o draft, a NFL, os Raiders. Assinei um contrato que, se você dissesse pro moleque que jogava no quintal de casa, ele teria surtado de alegria. Só que ninguém te prepara pra parte que vem depois: a cobrança, as críticas, os jogos ruins que te fazem questionar se você ainda tem o que é preciso. A solidão. O peso de cada erro." Ele deu uma risada sem humor e apoiou o cotovelo no balcão.

"No começo, as coisas eram mais fáceis. Conheci uma garota, Ashley. Ela tentou, de verdade. Era boa pra mim, paciente. Mas eu... eu nunca estive totalmente ali. Sempre tinha algo me puxando pra outro lugar. Ou melhor, pra outra pessoa."

O bartender arqueou a sobrancelha. "Ah, então é uma história de amor?"

"Não sei se amor é a palavra certa." Ethan olhou para o rótulo da garrafa, coçando a linha do maxilar. "Hannah. Ela apareceu na minha vida quando eu menos esperava, e quando percebi, já estava completamente envolvido. Mas a vida acontece, sabe? As coisas deram errado, a gente seguiu caminhos diferentes. Só que, por mais que eu tente, ela nunca realmente foi embora da minha cabeça. E o pior é que eu nem sei se ela pensa em mim."

Ele girou o copo mais uma vez, a bebida quase no fim. "Então, aqui estou eu. Poderia estar em qualquer lugar do país, treinando, tentando melhorar meu jogo, tentando dormir pra mais um dia de trabalho. Mas, em vez disso, estou sentado nesse bar, sentindo saudades da minha velha F150 e contando minha vida pra um cara que só queria saber por que diabos eu estava bebendo sozinho."

O bartender soltou uma risada sincera. "Bom, tenho que admitir que não esperava uma biografia completa. Mas vou te dizer uma coisa, cara... às vezes, a gente só precisa falar as coisas em voz alta pra entender melhor."

Ethan balançou a cabeça com um sorriso cansado. "Talvez. Ou talvez eu só precise de uma cerveja."

O bartender pegou outra garrafa, abriu e colocou à sua frente. "Essa é por minha conta. Mas, se quer um conselho de um estranho, talvez seja hora de largar essas drogas de carros Ford e investir em um Chevy."

"Acho que já passou da hora pra isso." Disse Ethan, antes de exibir um sorriso cansado. “E agora? Agora eu estou aqui. Tentando lembrar porque tudo isso importava tanto. Tentando entender porque, depois de tudo, ainda me sinto metade de lá.”

O bartender abriu a boca para responder, mas uma voz familiar soou. “É difícil deixar a cidade natal para trás.”

O coração de Carter falhou. Ele se virou devagar e ergueu os olhos. A mulher à sua frente vestia jeans escuros e um blazer leve sobre uma camiseta branca, sandálias delicadas, mas profissionais. O cabelo loiro um pouco mais curto, preso em um coque frouxo. Os olhos verdes como esmeraldas o fitando com a mesma intensidade que ele se lembrava. O sorrisinho de canto que ela exibia fez o mundo de Ethan parar por um instante. Definitivamente era ela.

Hannah estava ali.