Love You, Miss You, Mean It
7 S2E7: First
O tempo passou como uma ventania, levando consigo a rotina que um dia foi compartilhada entre Ethan e Hannah. O fim do relacionamento não veio com brigas ou palavras duras, mas com o peso de agendas lotadas, ligações não atendidas e uma distância que, pouco a pouco, tornou-se intransponível. Quando perceberam, os dias sem contato haviam se transformado em semanas, depois meses, até que um silêncio definitivo tomou conta. Não houve despedidas formais, apenas um entendimento silencioso de que a vida havia seguido seu curso.
Para Ethan, a rotina do futebol nunca parou. Mas sua performance oscilava de forma imprevisível. Algumas vezes, jogava como nunca, canalizando toda a sua frustração e energia para o campo, e outras, errava passes simples, perdia jogadas fáceis, como se sua cabeça estivesse sempre em outro lugar. Os colegas de time notaram a diferença. O treinador notou. E Ethan sabia a razão.
Fora dos campos, tentou seguir em frente. Saiu algumas vezes, conheceu novas pessoas, mas nada parecia certo. Em um bar, numa noite qualquer, conheceu uma garota simpática. Loira, olhos castanhos, sorriso fácil, riu das suas piadas, e por um momento, ele quase se permitiu esquecer. Saíram algumas vezes, e, em uma noite, ele a levou para um passeio em sua caminhonete, percorrendo as mesmas estradas onde costumava levar Hannah. Mas então uma música começou a tocar—uma das que Hannah costumava cantar sem se preocupar com a afinação. Seu peito apertou, e ele percebeu que não estava ali de verdade. A conversa se tornou um ruído distante, o contato entre os dois se tornou um abismo e a noite terminou sem promessas de um novo encontro.
Outra vez, seus amigos insistiram que ele precisava seguir em frente. "Ela seguiu, cara. Você devia fazer o mesmo", um deles disse. Ethan sabia que eles tinham razão. E então, numa festa universitária, tentou mais uma vez. Dançou com uma garota de cabelos escuros, seu sorriso era encantador e ela parecia genuinamente interessada nele. Mas no momento em que ela segurou sua mão e entrelaçou os dedos nos dele, Ethan sentiu uma ausência tão forte que quase pediu desculpas. Saiu da festa sem olhar para trás.
Hannah, por outro lado, vivia em um mundo completamente novo, mas sentia-se como uma estrangeira dentro dele, enfrentando sozinha seu próprio vazio. Nova York a encantava e a sufocava ao mesmo tempo, as ruas eram estranhas e os rostos desconhecidos. O estágio exigia cada vez mais dela, e ela se jogava no trabalho com a esperança de preencher o vazio, tentando encontrar sentido no ritmo acelerado do ambiente profissional. Mas, nos momentos de silêncio, nas madrugadas longas de edição ou ao passar por casais apaixonados nas ruas iluminadas, ela se via voltando a Tennessee em pensamentos.
Seus colegas a incentivavam a sair, a conhecer novas pessoas, e um dia ela cedeu. Aceitou um convite para um encontro, um jantar em um restaurante elegante. Seu acompanhante (e colega de trabalho) era educado, interessante, gentil e atencioso, mas enquanto ele falava sobre seus planos para o futuro, Hannah se pegava comparando tudo a Ethan. A forma como ele segurava os talheres, o jeito que inclinava a cabeça ao escutar… nada era como antes. Ao longo da noite, percebeu-se forçando risadas, procurando algo em seu olhar que não estava ali. Quando ele a acompanhou até a porta de seu apartamento e se inclinou para um beijo, ela hesitou. Despediu-se com um sorriso tímido e entrou rápido, sem olhar para trás. E sozinha no escuro do apartamento, no fundo, ela sabia que estava apenas tentando preencher um espaço que não queria ser preenchido. Pelo menos não ainda.
Depois daquela noite, ainda aceitou mais alguns encontros. Conversas em cafés, passeios no parque, até uma viagem curta para uma galeria de arte. Mas sempre havia algo faltando. Em uma noite particularmente chuvosa, ela estava em um táxi voltando para casa quando percebeu que estava prestes a chorar. Não pela companhia que tivera, mas pela ausência da que realmente queria ter. Nunca disse a ninguém, mas naquela noite, pela primeira vez, aceitou que nunca tinha deixado Ethan para trás.
(...)
O tempo avançou e, sem que percebessem, a vida os levou para direções opostas. Ethan estava prestes a jogar o maior jogo de sua carreira universitária—o que poderia garantir sua contratação para um time profissional. A cidade estava em alvoroço, e os olheiros estariam atentos a cada movimento em campo.
Em uma noite particularmente fria, Ethan saiu do vestiário após mais um treino. Os treinos se tornaram extensos, extenuantes, ou melhor, ainda mais do que já eram. O time da cidade vinha de anos de péssimos resultados e, pela primeira vez em muito tempo, parecia que poderiam vencer algo.
Enquanto andava pelo estacionamento, seu olhar se fixou em um outdoor anunciando uma exposição de fotografia prestigiada na cidade vizinha, a grande rival do próximo jogo. O nome de Hannah brilhava entre os fotógrafos em destaque. Seu coração acelerou por um instante.
Ele parou no meio do caminho, sentiu um nó no estômago e passou a mão pelos cabelos. O vento gelado bateu em seu rosto, mas tudo o que conseguia pensar era no quanto Hannah tinha progredido. Como ela devia estar agora? Será que ainda pensava nele? Pegou o celular e ficou olhando para a tela, o polegar pairando sobre o nome dela em seus contatos. Quantas vezes havia pensado em mandar uma mensagem? Quantas vezes havia ensaiado palavras que nunca foram ditas? Suspirando, ele guardou o telefone no bolso e entrou na caminhonete.
(...)
Hannah, hospedada na cidade vizinha, organizava seus equipamentos para a exposição. Depois de meses de trabalho, ela finalmente conquistara um espaço para mostrar sua arte, um marco em sua carreira. Ao descer e andar pelas ruas, procurando um lugar para jantar, Hannah parou em frente a uma loja com uma televisão que anunciava um grande jogo, marcado para a mesma data de sua exposição. Seu coração pareceu parar. Era o rosto de Ethan estampando a manchete do noticiário universitário. Não apenas era o rosto dele, mas uma das fotos que ela mesma havia tirado alguns anos atrás.
O coração dela voltou a bater e parece que bateu mais forte. Ele estava ali. Perto. Ela sabia, é claro, mas não parecia um fato palpável até ver o noticiário e, de repente, os meses de silêncio, as noites solitárias, as tentativas frustradas de seguir em frente, tudo pareceu se condensar em uma única questão: O que deveria fazer?
(...)
Na noite do jogo, enquanto Ethan se preparava no vestiário, respirando fundo para afastar qualquer distração, Hannah estava a poucos quilômetros dali, no meio de sua exposição. As luzes iluminavam suas fotografias, os convidados elogiavam seu trabalho, mas sua mente vagava. Enquanto isso, Ethan ajustava as luvas, respirava fundo e repetia para si mesmo: "Concentre-se. Hoje é o dia."
E, sem saber, ambos estavam vivendo os momentos mais importantes de suas vidas até então, separados por uma estrada e, cada um ao seu modo, por multidões de admiradores e torcedores.
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