Love You, Miss You, Mean It

6 S2E6: Love You, Miss You, Mean It (pt. 2)


O outono chegou trazendo consigo uma nova fase para Hannah. Depois de meses dedicados ao jornalismo fotográfico da faculdade, ela finalmente recebeu uma notícia que poderia definir seu futuro: uma oferta de estágio em uma renomada agência de fotografia em Nova York. Era a chance de aprender com profissionais de prestígio, expandir sua rede de contatos e dar um passo significativo para transformar sua paixão em carreira. Mas também significava partir.

Quando contou a Ethan, ele a abraçou com força, sentindo um misto de orgulho e apreensão.

— Isso é incrível, pequena. Eu sempre soube que você chegaria longe.

— Mas e nós? — Hannah perguntou, a voz suave, mas carregada de incerteza.

Ethan segurou seu rosto entre as mãos, forçando-a a olhar para ele.

— A gente vai dar um jeito. Só vão ser alguns meses, certo?

Ela assentiu, mas no fundo sabia que não seria tão simples.

(...)

A mudança de Hannah para Nova York foi marcada por uma mistura de empolgação e incerteza. O estágio na revista era uma oportunidade única, e Ethan sabia o quanto isso significava para ela. A noite antes da partida, os dois passaram horas sentados na caçamba da caminhonete dele, sob um céu salpicado de estrelas, segurando as mãos como se quisessem impedir o tempo de avançar, mais uma vez. O vento soprava leve, balançando os cabelos de Hannah, e o brilho dos vaga-lumes criava um contraste quase mágico contra a escuridão do campo ao redor.

— Vai ser só um tempo — ela disse, tentando convencê-lo e a si mesma. — A gente vai dar um jeito.

Ethan passou os dedos pelo rosto dela, gravando cada detalhe em sua memória.

— Eu sei — respondeu, mas sua voz carregava uma hesitação que ele não conseguia disfarçar.

(...)

Os primeiros dias foram repletos de ligações longas e mensagens constantes. Hannah compartilhava com entusiasmo cada detalhe da sua nova rotina — o estúdio espaçoso, os projetos inovadores, as exposições que visitava. Ethan ouvia tudo, imaginando-a brilhando naquele ambiente, mas sentindo um aperto no peito ao perceber como seu mundo agora parecia distante do dele. Apesar disso, tentava também mantê-la a par de sua rotina, enviava vídeos dos treinos, contando sobre as estratégias do time e as provocações do irmão mais novo. As chamadas de vídeo duravam horas, mesmo quando ambos estavam cansados, apenas para estarem juntos de alguma forma.

Mas conforme as semanas passaram, as rotinas começaram a pesar. O estágio exigia cada vez mais tempo de Hannah, com prazos apertados e eventos noturnos para cobrir. Ethan também tinha sua própria rotina intensa, dividida entre treinos, jogos e estudos. Uma noite, depois de um dia exaustivo, Hannah tentou ligar para Ethan, que estava em um dos grandes jogos da temporada. O celular chamou até cair na caixa postal. Ele tentou retornar do vestiário, de novo e de novo, com o mesmo resultado. Suspirando, deixou uma mensagem curta:

— Ei, pequena. Sei que deve estar ocupada. Só queria ouvir sua voz, fomos bem hoje... Tenho tanta coisa pra contar! Me liga quando puder, tudo bem?

Dias assim se tornaram frequentes. Quando Hannah finalmente encontrava um momento livre, era Ethan quem não podia atender. As mensagens demoravam mais para serem respondidas, e as conversas que antes eram cheias de entusiasmo agora pareciam atravessadas pelo cansaço.

Num sábado de manhã, Ethan acordou com o celular na mão, percebendo que havia adormecido esperando uma resposta que nunca veio. Passou a mão no rosto, frustrado, mas tentou afastar o incômodo. Sabia que Hannah estava vivendo algo importante, e não queria ser um peso para ela.

Naquela noite, depois de um jogo intenso, Ethan sentou-se no vestiário com o celular na mão. Digitou e apagou uma mensagem várias vezes antes de finalmente enviar:

— Eu te amo, sinto sua falta, é sério. Como foi seu dia?

Ele ficou ali por um tempo, observando a tela, esperando aqueles três pontinhos aparecerem, sinalizando que ela estava digitando. Mas nada aconteceu.

Finalmente, guardou o celular no bolso e soltou um suspiro longo. A saudade, antes suportável, agora pesava como um vazio entre eles.

(...)

As semanas passaram como um borrão. O tempo que antes era preenchido por ligações noturnas e mensagens trocadas ao longo do dia agora se resumia a poucos contatos espaçados. Ethan e Hannah ainda tentavam manter a rotina de falar sempre que podiam, mas "poder" se tornava um conceito cada vez mais elástico. Ela estava sempre envolvida em algum projeto, ele mergulhado nos treinos e estudos. Os dias viravam noites sem que percebessem, e, quando um tentava entrar em contato, o outro já estava indisponível.

Ethan se pegou checando o celular com mais frequência do que gostaria de admitir. As mensagens trocadas entre eles agora eram curtas, informativas, como se falassem apenas para garantir que o outro ainda estava ali, mas sem realmente dizer nada. "Bom jogo hoje?". "Como foi seu dia?". "Saudades, pequena". Mas as respostas demoravam cada vez mais para chegar, e o espaço entre uma conversa e outra parecia crescer a cada semana.

Uma noite, depois de um jogo particularmente desgastante, ele entrou no vestiário e viu uma notificação de chamada perdida de Hannah. Seu coração acelerou enquanto ligava de volta, esperando ansioso. Mas a chamada foi direto para a caixa postal. Ele franziu o cenho, mas não se surpreendeu. Já estava acostumado a esse desencontro. Suspirou, deixando uma mensagem curta:

"Ei, pequena. Vi que me ligou. Espero que esteja tudo bem. Me conta quando puder. Te amo."

Em outro ponto da cidade, Hannah estava sentada em um café, o celular sobre a mesa, iluminado pela tela bloqueada. Viu a chamada perdida de Ethan e o recado dele, mas não respondeu de imediato. Na sua frente, seu supervisor deslizava um documento para ela assinar.

— Então, Hannah, o que me diz? Podemos contar com você por mais seis meses?

Ela olhou para a folha, lá estava: extensão do estágio. Mais seis meses na cidade. Mais seis meses afastada de casa, da faculdade, de Ethan.

— Eu… eu não sei.

— Sei que é uma decisão grande, mas você tem feito um trabalho incrível. Seria um desperdício não continuar crescendo aqui.

Ela sorriu, lisonjeada, mas seu peito pesava. Sabia que Ethan ficaria feliz por ela. Mas também sabia o que isso significaria.

Enquanto isso, no campus, Ethan recebia uma notícia inesperada. Seu treinador o chamou ao escritório após o treino e o encarou com um sorriso satisfeito.

— Carter, parabéns. O treinador da equipe principal tem te observado, e você está oficialmente na lista de titulares para a próxima temporada.

Ethan piscou, tentando absorver a informação.

— Espera, sério?

— Sério. Mas isso significa que os próximos meses vão ser mais intensos do que nunca. Quero você focado. A gente vai trabalhar duro para que você esteja pronto.

Ele sentiu um misto de euforia e responsabilidade. Essa era a oportunidade que sempre quisera. Mas, em vez de correr para contar a Hannah, ele hesitou. Quando foi a última vez que tiveram uma conversa de verdade? Quando foi a última vez que sentiu que ela estava ali, com ele, mesmo que distante?

Naquela noite, Hannah olhava para o contrato sem saber se assinava. Ethan olhava para o celular sem saber se ligava.

A distância entre os dois nunca pareceu tão grande.