Love You, Miss You, Mean It
17 S2E17: Still Love You, Miss You, Mean It
Nos dois dias que antecederam a exposição, Hannah e Ethan se encontraram algumas vezes, trocando mensagens e dividindo pequenos momentos sem grande alarde. A rotina dos dois já parecia entrelaçada de maneira sutil, sem necessidade de grandes explicações. Mas foi na véspera do evento que Ethan se envolveu de verdade.
Hannah estava atolada com os últimos detalhes. Havia arquivos para revisar, uma sequência final de fotos para confirmar e a logística do evento, que parecia ganhar novas complicações a cada hora. Foi no meio desse caos que Ethan apareceu, casualmente, com um café na mão e uma oferta despretensiosa:
— Precisa de ajuda?
Hannah olhou para ele, exausta, mas com um sorriso agradecido.
— Sabe alguma coisa sobre impressão e montagem de fotos?
— Absolutamente nada. Mas posso carregar caixas e fazer cara de entendido se precisar.
Ela riu, balançando a cabeça, e então suspirou.
— Na verdade, preciso pegar algumas impressões que ficaram prontas. E ainda preciso decidir se incluo uma última foto ou não.
— Eu posso buscar — Ethan ofereceu, dando de ombros. — Me manda o endereço.
Pouco depois, ele estava atravessando a cidade, pegando o pacote de impressões em uma galeria parceira e voltando para encontrá-la no espaço de montagem da exposição. Quando chegou, Hannah estava sentada no chão, encarando uma foto apoiada contra a parede.
Ele se aproximou, colocando o pacote ao lado dela e cruzando os braços.
— Essa é a tal dúvida?
— Nunca tive certeza se deveria expor. É pessoal demais.
Ethan ficou em silêncio por um momento, observando os detalhes. Depois, falou com simplicidade:
— Acho que essa diz muito sobre você. Sobre como você vê o mundo. Eu colocaria.
Hannah mordeu o lábio, ponderando.
— E se ninguém entender?
— E se alguém entender exatamente o que você quis capturar? — ele devolveu, dando um pequeno sorriso. — Não é esse o ponto?
Ela soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Você sempre teve essa facilidade de virar o jogo, né?
— Bom, é meu trabalho.
Hannah olhou para a foto mais uma vez e, depois de um longo instante, suspirou e se levantou.
— Tudo bem. Ela entra na exposição.
Ethan sorriu, satisfeito, sem precisar dizer mais nada.
(...)
Ethan chegou ao Bellagio poucos minutos antes do horário marcado, ajustando as mangas do blazer azul-marinho sobre a camisa branca. Era uma escolha mais arrumada do que ele costumava fazer, mas algo no evento – e na pessoa que o convidara – pedia um esforço maior. Os sapatos de couro preto faziam um som abafado contra o mármore polido, e ele sentiu alguns olhares se voltarem para ele assim que cruzou o hall de entrada.
Os poucos fãs que o reconheceram se aproximaram educadamente. Ele assinou um ou outro autógrafo, sorriu para selfies rápidas e logo se dirigiu para o salão da exposição. Não estava acostumado a esse tipo de evento, mas a curiosidade o impulsionava. E então ele a viu.
Hannah estava ao lado de um dos curadores, conversando enquanto segurava uma taça de vinho branco. O vestido preto longo tinha um corte elegante e fluido, justo no torso e com um decote discreto nas costas. O cabelo, preso em um coque baixo e solto, deixava algumas mechas caírem ao redor do rosto. A maquiagem era leve, mas ressaltava seus olhos. Ela estava deslumbrante.
Ethan parou por um instante, absorvendo a cena antes que ela o notasse e sorrisse de canto, levantando levemente a taça em um cumprimento silencioso. Ele retribuiu com um aceno antes de caminhar até ela.
— Você veio mesmo — ela disse, terminando o gole de vinho antes de colocar a taça sobre uma mesa ao lado.
— Eu disse que viria — Ethan respondeu, com um meio sorriso. — E também disse que não entendo nada de arte, então você vai ter que me guiar.
Hannah riu, passando o braço pelo dele num gesto natural.
— Então venha, vou te dar um tour pelos últimos cinco anos da minha vida.
Hannah guiou Ethan pelos corredores da galeria, passando pelas molduras iluminadas que exibiam os últimos cinco anos de sua vida. Ele acompanhava cada explicação com atenção, absorvendo as imagens e o significado por trás delas.
A primeira que ela apontou era uma paisagem da Escócia: colinas verdes se estendendo até onde os olhos alcançavam, um céu nublado cortado por um fiapo de luz dourada. No centro, uma árvore solitária, seus galhos retorcidos como se resistissem ao tempo.
— Esse foi um dos dias mais bonitos que vivi — Hannah comentou, cruzando os braços. — Eu estava no meio do nada, congelando porque o vento era absurdo, mas não conseguia parar de olhar essa árvore. Parecia que ela queria contar uma história.
Ethan inclinou a cabeça, observando a imagem com mais atenção.
— Parece que ela já viu muita coisa.
Hannah sorriu.
— Acho que sim.
Eles seguiram adiante. Em outra foto, uma estrada vazia serpenteava por um deserto sob um céu tingido de roxo e laranja, como se a noite estivesse engolindo o dia.
— Arizona — Hannah disse antes que ele perguntasse. — Peguei essa estrada porque queria chegar em um ponto específico antes do pôr do sol. Mas me perdi.
— Parece uma foto de álbum de rock — Ethan comentou, inclinando-se para ver melhor. — Se tivesse um carro no meio da estrada, seria uma capa de disco dos anos 70.
Hannah riu.
— Pensei a mesma coisa quando revelei.
Mais adiante, fotos de rostos conhecidos surgiam entre as paisagens. Hannah parou em uma delas, um retrato espontâneo de duas mulheres sentadas em um café, rindo, completamente alheias à câmera.
— Lauren e Maddison — ela disse, e Ethan reconheceu os nomes das amigas dela.
— Elas parecem estar se divertindo muito.
— Estavam. Foi no meio de uma conversa sobre algo completamente sem sentido, mas achei o momento tão autêntico que precisei registrar.
— E elas gostaram?
Hannah sorriu.
— Depois que pararam de me xingar por tirar a foto sem avisar, sim.
Ethan riu.
Eles passaram por mais algumas imagens — vielas estreitas em Nova Orleans, um festival de música no Texas, um parque coberto de neve em Chicago — até que chegaram à última foto, aquela que havia gerado dúvida na seleção de Hannah.
Ethan parou, sentindo um frio inesperado na espinha ao vê-la emoldurada ali.
Era uma imagem tirada nos tempos da faculdade, mas ele nunca a tinha visto antes.
Hannah capturou um momento que parecia banal, mas tinha um peso imensurável. A cena mostrava um vestiário vazio, iluminado apenas por um filete de luz vindo de uma porta entreaberta. No banco, uma camiseta dobrada com o número 84 estava ao lado de um capacete gasto.
— E essa foto é da nossa universidade — Ethan disse baixinho, mais uma constatação do que uma pergunta.
Hannah assentiu.
— Tirei no dia seguinte à um jogo. Eu estava passando pelo vestiário e vi isso. Algo me fez parar e registrar. Nunca mostrei para ninguém, porque sempre achei pessoal demais.
Ethan não conseguiu desviar os olhos. A imagem era melancólica e, ao mesmo tempo, carregada de algo que ele não conseguia explicar.
— Parece um final.
Hannah respirou fundo.
— E talvez fosse. Mas também pode ser um começo.
Ele olhou para ela.
— E o que você acha agora?
Ela segurou o olhar dele por um instante antes de responder:
— Que talvez nunca tenha sido um final de verdade.
(...)
A exposição foi um sucesso. Conforme a noite avançava, Hannah se viu cercada por elogios, apertos de mãos e taças de champanhe erguidas em sua homenagem. Ethan observava de longe enquanto ela navegava por tudo aquilo com naturalidade, um brilho satisfeito nos olhos. Ela pertencia àquele ambiente, e ele não conseguia deixar de admirá-la.
Depois que a maior parte dos convidados se dispersou, Ethan e Hannah saíram juntos para um breve passeio antes de ele levá-la de volta ao hotel. A tensão que por vezes os envolvia parecia mais leve agora, dissolvida no êxito da exposição. No caminho, riram de alguns comentários exagerados que Hannah recebeu sobre seu "olhar artístico" e relembraram histórias dos tempos de faculdade. O clima era bom, fácil, quase natural demais para dois, que estavam pisando novamente em território desconhecido.
No carro, quando já estavam perto do hotel, Ethan bateu os dedos no volante antes de falar, como se estivesse escolhendo bem as palavras.
— Tenho um jogo daqui a três dias. Contra os Chargers. Você deveria vir assistir, sabe... Será aqui mesmo e acho que agora você me deve um jogo, certo? — Sorrindo acrescentou, para não parecer presunçoso — Para equilibrarmos os eventos que perdemos antes.
Hannah olhou para ele, surpresa, mas um sorriso se formou nos lábios.
— Você quer que eu vá?
— Quero. — Ele respondeu sem rodeios. — Não é tanto tempo a mais antes de voltar para o Tennessee. E pode ser divertido.
Ela ponderou por um instante, depois assentiu devagar.
— Tá certo. Vou ver se consigo me organizar.
Quando chegaram ao hotel, Ethan estacionou, e por um momento, nenhum dos dois fez menção de sair. O silêncio entre eles era confortável, carregado por algo que ambos sentiam, mas que ainda não diziam em voz alta.
— Boa noite, Carter. — Hannah disse, abrindo a porta do carro.
Ele sorriu de lado.
— Boa noite, Lawson.
Hannah subiu para o quarto, e Ethan ficou ali, parado no carro, observando as luzes do hotel. Apoiou a cabeça no banco e soltou um longo suspiro. Pegou o telefone e o girou entre os dedos, até sentir a vibração de uma nova mensagem.
"Eu ainda te amo, sinto sua falta, é sério."
Por um segundo, ele apenas encarou a tela, o peito subitamente mais apertado. Não respondeu. Apenas abriu a porta do carro, atravessou o saguão do hotel e pegou o elevador sem nem pensar duas vezes, agradecendo por já ter enviado um fast-food para Hannah dias antes, tendo o número do quarto.
A mensagem mal havia sido enviada, quando Hannah se sobressaltou ao ouvir a batida firme na porta. O coração batendo cada vez mais forte até o momento que ela abriu uma fresta e o viu ali, parado.
— Ethan...
— Eu também.
Hannah ficou imóvel por um instante, o coração disparado. Ethan sustentava o olhar, os olhos intensos, a respiração pesada como se tivesse corrido até ali. Ela abriu a porta por completo, mas não disse nada. Não precisava.
Ele entrou sem hesitar, fechando a porta atrás deles.
Fale com o autor