Love You, Miss You, Mean It
15 S2E15: Bad Lovers
— Passei — confirmou.
Ethan dirigia sem rumo pelas ruas iluminadas de Vegas, a cidade refletida no para-brisa em um caleidoscópio de neon e nostalgia. A estrada se estendia à frente, mas nenhum dos dois parecia ter pressa para chegar a lugar algum.
O silêncio se prolongou por alguns segundos, preenchido pelo ronco suave do motor e pelo eco distante da cidade que ficava para trás.
— E agora? — Hannah perguntou, cruzando as pernas e se ajeitando no banco, como se já soubesse a resposta.
— Agora? — Ele olhou para ela, o brilho da cidade refletido em seus olhos. — Agora a gente vê onde essa estrada leva.
O vento quente da noite entrou pela janela entreaberta, bagunçando os fios soltos do cabelo dela. Hannah não protestou. Gostava daquela sensação, era nostálgica, de uma época em que suas preocupações eram tirar fotos durante o dia e sair com o garoto que amava a noite. Gostava do jeito como Ethan dirigia sem pressa, como se estivesse mais interessado no momento do que no destino. Era familiar e, ao mesmo tempo, assustador.
— Você sempre fazia isso — comentou, a voz levemente abafada pelo vento.
— Isso o quê?
— Me levar para longe. Esticar a noite só um pouco mais. — Ela sorriu, quase nostálgica. — Como se nunca quiséssemos chegar.
Ethan soltou um suspiro discreto e relaxou um pouco os dedos no volante.
— Talvez porque nunca quiséssemos mesmo — disse, por fim. — A gente sempre foi bom em se perder um no outro. O problema foi quando tentamos nos encontrar, crescer...
Hannah desviou o olhar para a estrada, absorvendo o peso das palavras dele. Era verdade. Entre eles, nunca faltou intensidade. Mas intensidade demais, sem direção, às vezes acabava em colisão.
— A gente foi muita coisa — ela admitiu, depois de um tempo. — Mas nunca fomos ruins nisso.
Ethan soltou um riso baixo e balançou a cabeça.
— Não, isso nunca — concordou.
O carro seguiu em frente, saindo da cidade e adentrando o deserto aberto. As luzes de Vegas já começavam a se distanciar no espelho retrovisor, mas a tensão entre eles permanecia, pairando no ar como uma promessa não dita.
— Ali — Hannah apontou um ponto do acostamento onde tinham os últimos postes de luz, começando a ter uma vista do canyon — Encosta ali.
Sem discussões ou comentários o rapaz seguiu as instruções, estacionando naquele ponto que parecia dividir a cidade do deserto.
— Não tem plantações e não tem calor — Continuou a garota, abrindo a porta — Mas vai servir.
— No que está pensando? — Questionou o garoto, soltando o cinto de segurança e abrindo a porta também.
Ethan saiu do carro e sentiu o vento frio do deserto envolver sua pele. O silêncio ali era diferente, quase absoluto, como se a cidade brilhante ao longe não passasse de um sonho distante. Hannah caminhou alguns passos à frente, esticando os braços como se absorvesse a sensação do momento.
— Acho que prefiro as plantações — ela comentou, olhando ao redor. — Mas isso tem seu charme.
Ethan encostou na caminhonete, observando-a sob os faróis da caminhonete, um meio sorriso se formando em seu rosto.
— Você não sentiu falta disso? — ele perguntou, inclinando a cabeça levemente.
Hannah virou para ele, sem responder de imediato. Em vez disso, cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.
— Disso o quê? — desafiou.
Ele soltou um riso nasalado, balançando a cabeça antes de responder:
— De dirigir sem rumo. De sair da cidade e só... estar.
Ela inclinou a cabeça, analisando a pergunta. O vento jogou alguns fios de cabelo sobre seu rosto, e ela os afastou com um gesto distraído.
— Você quer saber se eu senti falta de fugir? — questionou, cruzando os braços.
Ethan a observou por um momento, depois desviou o olhar para o horizonte.
— Talvez — admitiu. — Mas acho que no fim, a gente nunca fugia de verdade. A gente só queria mais tempo.
Hannah ficou em silêncio por um instante, como se ponderasse aquilo. Então, deu um passo mais perto dele, seu olhar preso no dele.
— Então, por que passou do meu hotel? — perguntou, um sorriso brincando em seus lábios.
Ethan sustentou o olhar dela, percebendo o tom provocativo. Mas havia algo mais ali, algo que ia além da brincadeira.
— Porque não queria que a noite acabasse. — Sua voz saiu mais baixa, mas firme.
Hannah estudou seu rosto por um instante, como se tentasse decidir se acreditava ou não na resposta. Então, soltou um suspiro leve e desviou o olhar para o céu escuro acima deles.
— Você nunca soube dizer adeus direito — murmurou.
Ele franziu o cenho levemente, mas não discutiu. Porque era verdade. Ele nunca soube.
— E você? — perguntou. — Aprendeu?
Ela sorriu, mas não era um sorriso feliz. Apenas um que reconhecia a ironia da situação.
— Acho que aprendi a fingir — admitiu.
O silêncio que se seguiu foi carregado. Eles estavam ali, entre o passado e o presente, entre o que já tinham sido e o que poderiam ser. O vento do deserto soprava ao redor deles, e a cidade brilhava ao longe, mas nada parecia tão forte quanto a presença um do outro.
Hannah respirou fundo e deu um passo para trás, como se precisasse de espaço.
— A gente sempre soube começar — disse, cruzando os braços. — Mas e terminar? Alguma vez conseguimos?
Ethan não respondeu de imediato. Em vez disso, puxou as chaves da caminhonete do bolso e girou entre os dedos.
— A gente realmente quer terminar? — perguntou, sem desviar o olhar dela.
Hannah apertou os lábios, e por um momento, Ethan achou que ela fosse dar uma resposta rápida e afiada, como sempre fazia. Mas ela apenas ficou ali, olhando para ele, como se não tivesse certeza. Como se estivesse tão perdida quanto ele.
E então, ela sorriu, mas era aquele sorriso que o deixava sem chão.
— Você tem razão. A gente nunca quis chegar.
(...)
Ethan girou a chave na ignição, o motor roncando sob seus pés. Eles deram mais uma volta pelo deserto antes de ele finalmente pegar o caminho de volta à cidade. Quando estacionou diante do hotel, Hannah hesitou por um instante antes de abrir a porta.
— Boa noite, Ethan — disse, se inclinando levemente.
Ele segurou o volante com mais firmeza, observando-a.
— Boa noite, Hannah.
Ela sorriu antes de sair. Ele esperou, olhando pelo retrovisor até que ela desaparecesse pelas portas do hotel. Só então soltou um suspiro profundo e acelerou, deixando a noite para trás.
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