Love Wins

6 Inglaterra, Escócia, Luxemburgo, País de Gales e Finlândia


Inglaterra (2014)

O tempo cinza não mudava, apesar do relógio transcorrer. O barulho da água em alta velocidade revestindo o chão transmitia imensa frieza. Embora acostumado aos dias chuvosos, naquela noite, o inglês se sentia horrível. As coisas ocorriam bem na economia, mas... A dor de cabeça imperava junto outras estranhas sensações. Sentia falta da casa animada, as crianças e, certamente, aquele chá que o francês lhe traria, perguntando sobre o seu dia. E como esquecer a lareira... Sorriu perdido nos próprios devaneios.

Ano passado, uma discussão durante o jantar resultou numa rápida desintegração da acolhedora residência. Discussões, constantes brigas, em pouco tempo, tornou-se insuportável continuar ali...

O francês foi embora e o canadense fugiu chorando durante a madrugada, deixando para trás uma carta, argumentando não precisar de ajuda. Arremessando-se na poltrona, fechou os olhos implorando mentalmente para que tudo fosse um sonho ou, pelo menos, submergisse em alguma ilusão.

O telefone tocou. Não importando quem fosse, ignorou. Não sentia disposição para conversar. Outra vez. Mais uma vez. Ultimamente, o negro aparelho vibrava o gancho minuciosamente esculpido sempre no mesmo horário, cinco minutos antes do badalar do relógio indicando dez da noite. Aparentava um ritual e ficava cada vez mais insuportável aguentar. Retiraria a conexão se soubesse, mas pouco entendia acerca tecnologias. Talvez, um gole de uísque...

Levantando, espionou alguns casais pela janela. Qual o problema daquelas demonstrações públicas de afeto? Aquilo lhe provocava náuseas. Selecionando um bom uísque, ingeriu uma pequena dose, logo terminando a garrafa. Sentia-se um pouco mais feliz... Contudo, aquele vazio... Quando tudo ficou tão escuro? Pegando outra garrafa, o longínquo som de um rock antigo piorava as recordações. Recolhendo o gancho do telefone, girou o disco analógico, meio receoso.

– Monsieur Arthur? – A voz aparentava feliz, mas o silêncio imperou por segundos. — Que surpresa! Sentiu minha falta?

– Não! – Reclamou meio irritado, entrecortando a ligação para soluçar.

– Matt está aqui. Seria legal se...

– Silêncio, sapo...! Os documentos... Só quero saber... Onde ficou...? – Cansado, afogou-se na poltrona próximo a esculpida cômoda que abrigava valiosas peças, conquistadas durante o tempo de pirataria.

– Então está pronto para legalizar.

– Você ficou louco? – Forçou um rápido riso de modo desdenhoso.

– Pense... – O francês suspirou pesadamente, tendo receio sobre quais palavras usar e tentando manter um ar divertido. — Eu sinto sua falta.

– Eu não me importo.

– Poderíamos nos casar. –

Finalmente, o inglês riu em ironia. Após alguma reflexão, continuou:

–... Só se for com meu cadáver.

– No fim, o aspecto seria o mesmo. – Brincou, rindo de forma elegante ao outro lado da linha. Sendo franco, evidente pela mudança em sua voz, continuou. — Mas eu o amaria da mesma forma.

– Desgraçado.

...

Naquela noite, inglês assinou. Assim como seus irmãos Escócia, Luxemburgo e o País de Gales. O finlandês foi surpreendido por um estranho pedido de natal feito pelos irmãos. Como poderia negar? Vencido, em 2014, abraçou aqueles que sempre lhe apoiava, seguindo para rubricar.