Love Wins
7 Irlanda
Notas iniciais
Irlanda (2015)
Apesar das reuniões frequentes sobre acordos internacionais, o americano experimentava uma obscura solidão. Nos últimos dias, procuravam como falar com os demais, desistindo no derradeiro instante.
Barulho... Vozes unidas num só grito ressoando globalmente. Ruas marcadas por passeatas, protestos, reivindicações... Culpava o canadense pelo acontecido, principalmente em conceder aquela energia para sua nação lutar pela igualdade, questionando a liberdade e justiça para o amor.
Embora a prevalência do impedimento, quando Alfred relaxava em algum fast food no movimentado shopping center, percebia como o amor gritava através de distintas conformações. A música, o cinema... Não apenas em sua casa, conforme a frequente espionagem.
Apesar de não serem países, organismos atemporais que precisava se relacionar com semelhantes, os simplórios humanos talvez não se importassem tanto com...
A lembrança do canadense tentando lhe explicar aparecia quando cerrava os olhos... Por um segundo, suspeitou ter contraído a esquizofrenia inglesa. Tony nada comentava, limitando-se a acessar a internet e assentir quando interrogado.
Sintonizando na residência do inglês, permitiu escapar um pequeno riso diante a conversa entre este e o Japão sobre economia e futebol. Sem paciência, Arthur bronqueou imediatamente:
– Pode sair da linha, Alfred?
O japonês continuou em silêncio, aguardando sem compreender corretamente a situação, embora acompanhasse acerca dos casos de espionagem divulgados pela mídia.
– Então... – Alfred arriscou, atrapalhando-se sobre o que realmente queria falar. Na realidade, nada ansiava dizer apesar das coisas engasgadas na garganta. O silêncio... A conversa não fluía como desejava. Eram tantas palavras não ditas por tanto tempo.
–...
– Está com sorte no jogo, Arthur...
– Eu inventei o futebol, Alfred. – Revirou os olhos, gabando-se, ou pelo menos, foi o que o americano imaginou ao outro lado da linha.
– Ao contrário da Copa...
– Aquilo foi por causa da maldição... Mas poderia respeitar minha privacidade, idiota?
– Iggy... Desculpa por aquele dia...
– Que seja... – Desdenhou, conquanto raízes de felicidade germinassem timidamente diante a declaração...
– Eles foram irracionais...
–... – Não! Não existia como nenhuma planta enraizar numa mente tão asfaltada.
–... Soube que o irlandês aprovou. — Continuou Alfred, sendo evidente o escárnio. — Um bando de idiotas por apoiar tal abominação...
– Você que é o imbecil, Alfred! – Irritou-se, aumentando a voz ao telefone.
– Não! E o Kiku concorda comigo.
– Sim... Eu concordo com o América. – Concordou receoso impulsionado pela pressão repentina.
– Não! Tenha sua própria opinião, Kiku! – Indignou-se o inglês.
– Sim. Então eu concordo com o Arthur!
– Isto não é justo, Iggy!
– Eu só estou gravando o áudio, a pedido da Hungria. Podem continuar e ignorem minha presen...
– Alfred... – Arthur interpôs o japonês, vacilante sobre como prosseguir. — Por favor, você não faz ideia como machucou o Matt...
– Mas ele... Foi o culpado... – Não era realmente isto que queria dizer, mas...
– Quer saber, esqueça-me! – Interrompeu. — Você só tem atenção para guerra e espionar os outros. Francamente... Não imaginava que fosse tão infantil.
– Mas tenho que deter a guerra porque eu sou o her...
– Mentira. Você é o vilão da vida de muitas pessoas. – Aborrecido, finalizou a ligação, sem ao menos findar o assunto internacional tratado com o japonês atônito pela conversa.
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