Love, Sweet Love
4 Razão
Notas iniciais
A ida a escola havia se tornado uma tarefa surpreendentemente difícil para Adrien. E não era por causa dos estudos, mas sim, por causa de Marinette.
Era difícil ficar longe da garota que amava, mas ele precisava fazer isso pelo bem da sua identidade secreta. E embora ainda achasse que os dois tinham se metido em uma situação bizarra, também achava que os dois já tinha ido longe demais para parar agora. Então, sua solução era evitar Marinette o máximo possível, o que era muito complicado.
Na hora do intervalo, ele correu da sala, com a desculpa que precisava atender uma ligação do pai. Mas na verdade, ele ficaria escondido no vestiário até o intervalo acabar. Era uma atitude covarde e talvez até babaca da parte dele, porém, Adrien era tomado por um imenso terror só de pensar que Marinette podia descobrir a sua identidade e isso a colocar em perigo.
— Ela nunca desconfiou que você é o Chat Noir, por que acha que ela vai desconfiar agora? – disse Plagg, tranquilizando seu portador, enquanto devorava um pedaço de queijo.
— É diferente. Agora nós meio que namoramos… E nos beijamos. Marinette pode me reconhecer a qualquer momento.
— Acredite, ela não vai. – se ao menos o garoto soubesse quantas vezes os dois tinham se beijado, ou chegado perto disso, e nem sequer reconhecerem um ao outro. Plagg deu de ombros. – É mágica.
— Mas e se eu falar algo que não deveria?
— Você corre esse risco o tempo todo tendo uma identidade secreta. – mais uma vez, o kwami estava certo, o que era muito esquisito.
Adrien encarou a foto de Marinette em seu celular. Queria muito poder usá-la de papel de parede, mas seria muito estranho considerando o fato que em sua identidade civil, os dois eram só amigos. Que situação mais chata. Pela primeira vez ele estava de saco cheio de ser um super-herói.
— Você tem razão, Plagg.
— Eu tenho? Quero dizer, é claro que eu tenho!
— E também, eu não posso fazer com que ela se apaixone novamente por mim como Adrien se ficar aqui escondido. – determinado, ele levantou do chão e saiu do esconderijo. O único problema, é que para o seu azar, o sinal tocou indicando o fim do intervalo. – Acho que vou ter que esperar mais um pouco. – murmurou para si e voltou para a sala de aula.
— Tudo bem, cara? – Nino perguntou assim que Adrien sentou ao seu lado. Seu semblante era preocupado, afinal, o melhor amigo sempre sabe quando alguma coisa está errada. Sem contar que ficar o intervalo inteiro sumido, era um bom indicativo também.
— Tudo. Eu só… Estava resolvendo umas coisas. – não poder dizer a verdade para Nino era uma droga. Resumidamente, a única pessoa com que Adrien podia conversar sobre garotas agora, era Plagg. E o kwami não era o mais indicado para procurar em caso de precisar pedir conselhos amorosos. – Agora está tudo certo.
— Se você diz… – Nino sorriu e pousou a mão no ombro do amigo – Mas qualquer coisa, eu tô aqui.
— Eu sei. Valeu.
***
— Ele disse que tá tudo bem. Mas não sei, não. – Nino balançou a cabeça e apoiou o peso do corpo contra a estante de livros que Alya vasculhava – Acho que tem algo rolando.
— Você sabe se é algo com o pai dele? – perguntou Marinette, preocupada. Adrien estava estranho durante e semana e parecia até que estava evitando os amigos, mas a garota achava que era coisa da sua cabeça. Só que agora, Nino disse que estava preocupado também.
— Não sei, ele não me falou nada disso. – Gabriel Agreste era uma pessoa difícil, o mais provável que tivesse a ver com o pai. A questão é que se fosse o caso, Adrien provavelmente contaria para os amigos, como das outras vezes. Era algo diferente dessa vez.
— Marinette, você já tentou falar com a Kagami? De repente ela pode saber de algo. – Alya sugeriu e puxou um livro com a capa antiga – Achei! Poemas do século XVII.
— Não tinha pensado nisso. Você se importa de eu ligar para ela rapidinho, antes de começarmos a pesquisa?
— Claro que não. Vai lá
Marinette pegou o celular na mão e se afastou dos amigos. Assim que desbloqueou a tela, a foto de Chat Noir que usava como papel de parede, a fez parar de caminhar. O herói tinha mesmo uma beleza hipnotizante. Ela mal podia acreditar que aquele era o seu namorado. Ou o que quer que fossem, porque não tinham definido nada ainda.
A garota voltou a caminhar enquanto discava o número de Kagami.
— Espero que não seja nada demais e que o Adrien esteja bem. – Marinette cochichou para Tikki, que permanecia atenta dentro da bolsinha cor-de-rosa. As duas foram até o banheiro feminino, queria privacidade para conversar com a amiga.
Depois de algumas chamadas, Marinette percebeu que Kagami não atenderia. Provavelmente ela estava ocupada e então ligaria quando pudesse. O que deixava Marinette ansiosa, então ela mandou uma mensagem explicando tudo, assim já adiantava o assunto.
— Se for um problema muito sério, tenho certeza que o Adrien vai buscar ajuda. Seja da família ou dos amigos. – Tikki disse na tentativa de tranquilizar Marinette.
— Você tem razão, Tikki. – a garota passou uma água no rosto e olhou-se no espelho enquanto se secava com papéis toalha. – Eu só fico preocupada. Principalmente depois que ajudei o Adrien com a história de não precisar mais ser modelo. Tenho medo de ter arrumado mais problemas para ele.
— Ele te agradeceu por isso. Acho que ele não teria ficado tão feliz se você tivesse causado problemas.
— É, pode ser. – ela permaneceu encarando o próprio reflexo no espelho. Havia algo a mais no semblante preocupado e Marinette sabia exatamente o que era, embora não quisesse admitir.
Aquele sentimento ainda estava lá. Ela sabia disso, mesmo depois de ter começado a amar Chat Noir. E apesar de amar o herói de verdade agora, tudo tinha começado pelo desejo de fugir da paixão por Adrien. A mesma paixão que a fez perder todos os Miraculous. E agora, além dessa paixão, tinha a paixão por Chat Noir, que quase a fez ser akumatizada.
— Ai, Tikki! O que eu estou fazendo? – Marinette se escorou na pia, de costas para o espelho e colocou as mãos sobre o rosto. Era muito frustrante se deparar com a sua realidade. – Eu não deveria ter forçado o Chat Noir a ficar comigo.
— Você não o forçou a nada. Ele está com você por vontade própria.
— Sim, mas eu insisti. Praticamente forcei.
— Marinette, vocês dois tomaram essa decisão. E aliás, você não estava preocupada com o Adrien? O que te fez pensar no seu namoro com o Chat Noir agora?
— É que… Você sabe, eu não esqueci o Adrien. E eu fico pensando, que nesses últimos dias ele tentou se aproximar e eu o evitei. Será que não magoei ele?
— Ele provavelmente falaria sobre isso com o Nino.
— Verdade. Mas então eu penso no Chat Noir e em como o nosso “namoro” nos afeta... – ela não sabia explicar muito bem, mas estava tudo relacionado. Marinette ainda amava Adrien, mesmo amando Chat Noir e mesmo quando amava Luka. E ela queria se aproximar dele nesse momento e oferecer seu ombro amigo, porque provavelmente a causa da estranheza de Adrien não era ela, só que não podia. Marinette temia que sua paixão reprimida voltasse com tanta força, que fizesse ela perder o controle e se afogar dentro dela. Já tinha vivido essa experiência ao perder os Miraculous e não era algo que quisesse viver de novo.
— Eu acho que você está pensando demais. Se o Adrien precisar de ajuda, vai procurar os amigos. E se o Chat Noir não estiver feliz com a relação que tem com você, ele vai falar.
— Você está certa. – admitiu depois de dar um suspiro e ficar de pé.
— Mas não se esqueça, Marinette, isso vale para você também. Se precisar de ajuda, procure seus amigos. E se não estiver feliz com a relação que tem com o Chat Noir, precisa conversar com ele. – Marinette retribuiu o sorriso da kwami. As duas eram boas em cuidar uma da outra, mas a garota achava que a kwami era ainda melhor nisso.
— Mais uma vez, você tem razão, Tikki.
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