Love, Sweet Love
5 Questão
Notas iniciais
Kagami demorou, mas respondeu a mensagem de Marinette dizendo que não sabia de nada, mas poderia investigar. Isso deveria deixá-la mais aliviada, mas não deixou.
— Toc, toc. É seguro olhar? – Chat Noir estava pendurado na janela, com a mão livre cobrindo os olhos. Marinette sorriu e o guiou para dentro do quarto. – Olá, bonito pijama.
— Obrigada. – os dois trocaram um beijo de cumprimento e permaneceram olhando nos olhos um do outro. – O que quer fazer hoje?
— Você não disse que estava trabalhando em um projeto? – Marinette assentiu. Tinha comentado com ele que estava criando uma linha de roupas para postar nas redes sociais. Algo simples, vindo de uma estudante do ensino médio e aspirante à estilista, mas era significativo para ela – Que tal você trabalhar e eu observar?
— Não vai ficar entediado?
— De maneira alguma. Ainda mais porque pretendo oferecer meus comentários críticos. Acredite, sou bem exigente quando se trata de moda. – os dois riram. Ver Marinette concentrada trabalhando era uma atividade que trazia paz para Adrien. Só de ficar ali, em silêncio ou conversando com ela, sentia-se nas nuvens.
— Ah! Eu imaginei. – Marinette deu um peteleco no guizo do traje, fazendo o herói estreitar os olhos para encará-la – Sabe que posso até usar você como inspiração. Mas por favor, não se gabe muito por isso.
— Até parece que você não me conhece. – Marinette sentou-se à escrivaninha para começar a trabalhar, no entanto, parou no mesmo instante – O que foi?
— Se vou trabalhar no meu projeto, não posso usar a venda.
— Você não precisa.
— Tem certeza que não quer fazer outra coisa? Assim você pode… Ficar mais confortável.
— Eu estou confortável. – Marinette o encarou, como se para ter certeza que ele falava a verdade. O herói sorriu para ela, a convencendo. – Está tudo bem. Agora eu quero que me conte sobre o seu projeto.
Marinette fez menção de começar a falar, mas parou. Sua expressão se tornou taciturna, como se tivesse lembrado de algo triste.
— Na verdade, tem uma coisa que eu quero falar com você. É sobre um amigo. – o garoto virou a cabeça para o lado, tentando entender onde aquela conversa os levaria. A frase de Marinette, também tinha despertado uma pontada de ciúmes, ele não poderia negar – Eu acho que ele não está bem. E ao mesmo tempo que eu sinto que ele precisa da minha ajuda, eu não faço ideia de como ajudar. – um alívio percorreu o corpo de herói, mas foi embora tão rápido quanto chegou.
Chat Noir desconfiava de quem Marinette se referia e não sabia se gostava muito da ideia de falar sobre a sua identidade civil com ela.
— Está pedindo minha ajuda?
— Não. Só precisava conversar sobre isso. – ela deixou as costuras de lado e sentou ao lado do loiro, em sua cama – Sinto que não tenho feito o suficiente por ele.
— Você fez mais do que o suficiente! – rebateu ele, indignado por Marinette pensar tão pouco sobre o impacto que causou em sua vida. No entanto, logo depois ele se recompôs, percebendo que não poderia agir como se já soubesse de tudo – Quero dizer, se tem uma coisa que eu sei sobre você, é que você é uma amiga incrível! E você pensar que precisa ajuda-lo, só mostra o quanto você se importa. Acho... Acho que, nem sempre dá pra ajudar todo mundo. Ou talvez, ele não queira ser ajudado.
— Obrigada por isso, Chat. – ela não falou mais nada, então o herói a puxou para um abraço e Marinette ficou ali aconchegada em seus braços. Não era perfeito, porque Adrien gostaria de sentir a pele dela sobre a sua, o que era impossível com o traje.
Os dois ficaram em silêncio, embora a garota quisesse poder dizer mais a Chat Noir, mas fazer isso revelaria que sua paixão por Adrien Agreste não tinha sido completamente superada. Enquanto isso, o loiro se martirizava pelo fato de Marinette estar tão exposta em relação a ele. Era terrível ter que interpretar dois papeis quando estava com ela – Adrien Agreste e Chat Noir.
Seria tudo muito mais fácil para ambos, se simplesmente pudessem dizer a verdade um ao outro.
— Bem, acho que vou voltar a costurar. – ela passou a mão no olho, limpando discretamente uma lágrima que escapou. Porém, não foi tão discretamente, pois o Chat percebeu. E antes que ele pudesse dizer algo, Marinette já estava de volta a escrivaninha, pronta para continuar o trabalho – Onde estávamos? Ah, sim! O projeto. Estou desenvolvendo uma linha de roupas. Mas é claro, nada muito...
— Plagg, claws in! – Marinette paralisou e não ousou sequer olhar para o lado. Então ouviu Chat Noir alimentar Plagg e sentiu ele se aproximando em seguida.
— O que está fazendo?
Os braços dele a envolveram por trás e ela fechou os olhos antes que pudesse olhar para as mãos dele. Há essa altura, Marinette estava praticamente convencida de que o conhecia por trás da máscara e não queria arriscar uma espiadinha sequer, com medo de reconhece-lo.
— Assim está melhor.
— Está sim. – concordou ela com um sorriso. Adrien parou ao lado dela e se abaixou, para ficar próximo a altura dela e Marinette aproveitou para retribuir o abraço. Era um saco ter que ficar com os olhos fechados, mas era tão bom poder sentir a pele quente e macia do herói.
De repente um sentimento de paz tomou conta de Marinette. Tudo que ela queria era ficar ali, nos braços de Chat Noir pela eternidade. Um pouco dramático, sim. Mas Marinette sempre teve uma inclinação para o drama.
— Está se sentindo melhor?
— Sim, estou. Obrigada. Mais uma vez. – Adrien segurou o queixo dela e olhou para o rosto perfeito da garota que amava. Queria tanto que os seus lindos olhos azuis como flores o olhassem de volta.
— Não diga nada. – proferiu as palavras próximo aos lábios dela. Estava prestes a pedir permissão para beijá-la, quando Marinette tomou a iniciativa e colou seus lábios aos dele, em um beijo cheio de ternura e sentimento.
Era verdade que Marinette não tinha superado a sua queda por Adrien Agreste, mas ela sabia – e seu coração acelerado, também – que o que sentia por Chat Noir, era amor na sua forma mais pura e bruta. Eles sabiam que era valioso e único, mas, como um diamante, uma pedra preciosa, precisava ser lapidada. E os dois não sabiam até onde poderiam intensificar esse amor, porque algumas camadas poderiam ser profundas demais e uma vez que chegassem lá, jamais poderiam voltar atrás.
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