Love Story

2 Capítulo 2 - Encontro


Notas iniciais
E olha eu aqui de novo! Obrigada pelo feedback, pessoal. Agradeço pelos comentários e pelos favoritos! Vocês são demais! Maí, obrigada pelo apoio, acho que eu teria jogado tudo para o alto se não fosse por você mais uma vez. Bem, aproveite! Esse está bem grandinho. Beta: Maí ♥ Enjoy! :3

Nos dias seguintes ao baile, Kate decidira passar seu tempo no jardim ao lado da construção principal na tentativa de evitar os visitantes indesejados de seu pai. A maioria dos velhos daquele reino achava que podia cortejá-la da noite para o dia, mas, se tinha algo que seus pais haviam a ensinado desde pequena, foi a apenas se envolver romanticamente com aquela pessoa que a faria feliz. Jim Beckett nunca forçaria a filha a se casar com alguém que ela não amava.

Kate sentou em um dos balanços de madeira, observando o espaço vago ao seu lado. As lembranças eram claras: Jim a empurrava o mais alto possível, enquanto Johanna ria e implorava para que o marido fosse um pouco mais devagar. Eles eram felizes, os dois não casaram por interesse econômico ou territorial. Eles se casaram por amor. As lembranças de dias ensolarados foram substituídas por trevas e doenças. Sua mãe fora levada de si durante um dos grandes surtos de Cólera e Peste Negra. Algumas lágrimas molharam seu rosto devido à mistura de tristeza e alegria que pairava em sua mente.

Um rapazinho apareceu no lado norte do jardim, acenando para Kate, ela não hesitou em responder animadamente. O garoto levantou o braço, mostrando um pequeno cartão em sua mão.

“Venha até aqui, Nick”, ela falou alto o suficiente para que ele escutasse. “O que você tem para mim, enfant?”

“Não me chame assim, Kat”, ele entregou o pequeno bilhete e sentou-se no monte de terra aos pés da moça. “Eu posso ter apenas sete anos, mas sou adulto.”

“Oh, claro. Desculpe-me, Nicholas Javier Ryan. Não acontecerá novamente, meu senhor.”, Kate inclinou a cabeça e soltou uma risadinha. Nicholas riu e levantou do chão, e Beckett logo soube o que ele queria. “Pode sentar no meu colo para ler o bilhete comigo”.

No minuto seguinte, o garoto estava encostado contra o peito dela, olhando atentamente para o papel ainda dobrado.

“Pronto?”, ela sentiu quando ele mexeu a cabeça embaixo de seu queixo. “Tudo bem”, aos poucos, ela desdobrou o papel, revelando a mensagem.

“Alguém tem um namorado”, Nick murmurou e soltou uma risadinha, pulando do colo da princesa. “Milady tem um namorado”, a criança começou a cantarolar um pouco mais alto, repetindo a frase.

“Não, eu não tenho um namorado. Eu conheci esse rapaz no último baile, nada de mais. Ele perguntou se poderíamos nos ver novamente e isso é tudo”, ela enfiou o bilhete no bolso de algodão da saia e agarrou a mão do menino, pegando-o no colo. “Não deixe isso chegar ao meu pai antes que eu fale com ele”

Nicholas balançou a cabeça e abriu a mãozinha como se pedisse algo.

“Não tenho balas de gengibre comigo, Nick, mas podemos passar na cozinha e roubar algumas”, Kate deu um beijo na bochecha dele e o colocou no chão.

“A maior do pote?”, a criança abriu os braços e sorriu.

“A maior do pote”, ela piscou um dos olhos para o menino e o tomou pela mão mais uma vez, guiando-o para fora do jardim.

##

Jim bateu à porta do quarto da filha e esperou alguns segundos até a moça abri-la. Um sorriso doce e contagiante tomava o rosto da moça e aquele detalhe não passou despercebido por seu pai.

“Posso saber o que trouxe de volta o sorriso da minha princesa?”, Jim manteve-se de pé à porta, esperando que a moça lhe desse algum tipo de consentimento para que ele entrasse em seu quarto. Ela balançou a cabeça, indicando para que ele entrasse e fechasse a porta. Ele o fez. “Então?”

Adotando um tom de brincadeira ela começou, “Eu conto, mas precisa prometer não contar para o meu pai”, ele ergueu as sobrancelhas e ela riu. “Papai, prometa que irá me escutar”, o olhar apreensivo da garota fez com que ele se juntasse a ela na cama, sentando-se ao seu lado.

“Katie, você pode me contar tudo, não irei te julgar”, ele se inclinou na direção de seu rosto e deixou um pequeno beijo em sua testa.

“Tudo bem”, Kate respirou profundamente e olhou bem no fundo de seus olhos. “Richard Edgar Castle me enviou um bilhete esta manhã”.

Jim tentou fingir uma expressão de surpresa, mas, diante dos olhos da filha, aquilo parecia quase impossível.

“O que dizia o bilhete, exatamente, querida?”, ele sorriu e levantou da cama, estendendo uma das mãos para ajudá-la a se levantar.

“Tornando as palavras dele as minhas: Senhorita Beckett, daria-me a honra de vê-la mais uma vez na tarde do vigésimo primeiro dia da primavera? Com respeito, R.E.C.”, ela caminhou até a penteadeira e abriu a gaveta do alto à direita.

“Quantas vezes você leu esse papel?”, Jim riu baixinho e tomou o bilhete entre os dedos.

“Algumas vezes”, ela torcia as mãos e mordia os lábios, claros sinais de nervosismo.

“Ele parece ser um bom rapaz e, pelo que eu soube, é dedicado à família e bem sucedido nos negócios familiares. Com apenas 19 anos.”, ele viu a filha abaixar o olhar para os próprios pés. “Mas conte-me, querida, algum interesse em vê-lo na tarde de amanhã? Eu não serei contra se disser que sim, Katie.”

Ela balançou a cabeça e sorriu, olhando profundamente nos olhos do pai.

“Eu ficaria muito feliz se o senhor permitisse que o senhor Edgar viesse me visitar”, mais uma vez o sorriso verdadeiro estava ali.

“Então, assim será, minha princesa”, Jim se curvou com o antebraço na frente do estômago e, antes que pudesse perceber os movimentos de sua menina, ela estava abraçada a ele.

“Obrigada, papai”

“Não agradeça, Katie. Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para vê-la completamente realizada e feliz.”

Sim, ele faria. Seu tesouro maior não era aquele feito de ouro, mas, sim, aquele que possuía seu sangue correndo pelas veias. Sua filha, sua dama, sua princesa e rainha.

##

Naquela mesma tarde, durante a aula de montaria, Richard recebeu o mensageiro no estábulo. Ele trazia um pequeno envelope selado com a insígnia da família Beckett desenhada em cera vermelha, a fita dourada presa ao selo provavelmente era uma das delicadezas da princesa.

“Família Beckett? Está tratando de algum negócio com o maior tecelão da França sem me contar, Richard?”, Jack parou atrás do filho ao ver o símbolo agora solto na palma da mão de Rick.

“Não se tratam de negócio, meu pai.”, Rick sorriu ao ver a letra quase desenhada com tinta dourada. “Não do tipo que estás acostumado, senhor.”

Jack pigarreou e roubou o papel das mãos do filho e soltou o ar ao perceber de que se tratava.

“Quando a vi no baile há alguns dias, não pude me conter, preciso conhecê-la. Eu sei que a senhorita Beckett é uma moça respeitável e de família, mas sei que existem qualidades além dessas, eu consigo sentir”.

“Você dançou com a filha do anfitrião e apaixonou-se”, o homem mais velho devolveu o papel e lhe deu as costas. “Ao que me parece, isso está virando tradição na família Castle”, Jack sacudiu as mãos no ar, ainda de costas, agora caminhando para fora do estábulo.

“Eu sei muito bem como você e a mamãe se conheceram, não precisa recontar essa história”, Richard colocou a carta no bolso da calça e pôs a mão no focinho de seu cavalo, o pelo negro e macio sob sua palma.

“Era a primeira noite de verão quando a família Rodgers resolveu dar um baile para celebrar a chegada da estação…”, Jack se voltou para o lado do filho, batendo no ombro dele e guiando-o para se sentar em um monte de palha no canto do celeiro. Rick enterrou o rosto entre as mãos e parou para escutar aquela história pela milésima vez. “Sua mãe era a dama mais linda naquela noite, a luz amarela…”.

“Dava à pele dela um tom de oliva e o vento balançava seu cabelo cor de fogo e o vestido de cetim azul.”, ele interrompeu o pai, usando as palavras exatas que ouvira tantas vezes.

“Tudo bem, acho que já contei essa história”, Jack riu e caminhou para o portão de madeira. “Encontre-se com essa moça e a faça feliz, Richard.”, foram as últimas palavras do homem antes de sair do estábulo.

Ele levantou do chão e voltou para junto do cavalo. Tornando a acariciar o pelo macio do animal, ele murmurou duas palavras verdadeiras, “eu irei”.

##

Katherine Beckett não sabia dizer se o que sentia era nervosismo ou se não passava apenas de ansiedade. Faltavam algumas horas até o horário marcado com o rapaz, mas ela não conseguia manter-se quieta, tentara ler um livro, mas nem mesmo as palavras das páginas que ela tanto amava conseguiram distraí-la, tentou caminhar pelo jardim, mas até o vento, um pouco mais forte devido à época do ano, a incomodava. Restava-lhe apenas uma opção: Lanie Parish, a sua melhor amiga.

Kate abriu a porta da pequena casa de serviços e logo encontrou a morena sentada à beira da lareira, provavelmente limpando as cinzas da madeira queimada na noite anterior.

“Podemos conversar um pouco?”, ela sentou ao chão e cruzou as pernas livres da crinolina. Lanie pulou do chão assustada com a chegada repentina da moça.

“Milady, por favor, eu tenho o coração fraco”, o sarcasmo ficara evidente na voz da mulher. “O que aconteceu, KB?”, Lanie não se dera ao trabalho de olhar para Kate, sabia que ela estaria mordendo os lábios e piscando os olhos sem parar.

“Richard Castle pediu para me encontrar mais uma vez hoje à tarde, ele mandou um bilhete ontem pela manhã e eu o respondi confirmando. E agora eu estou nervosa ou ansiosa, não sei dizer.”

“Você deveria respirar fundo e começar a se arrumar. Há muito tempo não escuto essa animação em sua voz, Kate, por isso lhe digo: não se preocupe com o que ele irá achar da senhorita, tenho certeza que ele será um cavalheiro e respeitará seu espaço pessoal”, Lanie manteve seu olhar sobre a melhor amiga.

“Há quanto tempo sabe sobre a visita?”, Beckett estreitou os olhos e a encarou.

“Talvez o Nick tenha passado por aqui ontem à noite antes do toque de recolher”, a morena riu, largando a pequena escova de pelos grossos e voltando-se para a moça. “Kate, eu quero que seja feliz e você, claramente, está apaixonada por esse rapaz.”

“Mas eu o vi uma única vez”, ela franziu o cenho e pegou as mãos sujas de cinzas da amiga. “E se algo der errado? E se eu estiver enganada? E se ele não gostar de mim?”

“Princesa, pare de pensar nas possibilidades e torne os seus sonhos realidade. Faça-o gostar de ti, faça-o se apaixonar, faça-o ficar. Cative-o.”

Beckett respirou fundo e levantou do chão de madeira, estendendo a mão para a outra moça.

“Pode me ajudar a escolher um vestido?”

##

“Senhor Beckett”, Kevin Ryan, o braço direito de Jim, apareceu na porta da sala indicando a entrada da casa com o braço. Ele balançou a cabeça e Ryan fez um sinal para que, quem quer que fosse, entrasse. “Richard Edgar Castle, senhor.”

“Bom vê-lo novamente, senhor Castle.”, Jim ergueu-se do divã e estendeu a mão para o rapaz.

“É uma honra ser recebido pelo senhor.”, Richard inclinou a cabeça para frente, fazendo uma pequena reverência.

“Por favor, sente-se, acredito que Katherine não irá demorar”, Jim indicou uma das cadeiras de madeira dourada e Rick seguiu a indicação do homem. “O que farão hoje à tarde, meu rapaz?”

Castle fechou as mãos em cima das pernas na tentativa de parar a tremedeira que tomava seu corpo. Estava suando e com a garganta seca. Então foi daquele jeito que Jack se sentira ao conversar com o pai de sua mãe?!

“Bem, senhor, eu pensei que poderíamos andar um pouco pela propriedade, conversar sobre assuntos que interessem a senhorita Beckett”, Rick mordeu a língua, deveria ter chamado Kate de princesa?

“Acho que ela não se oporá a isso e, por falar na minha querida menina”, Jim levantou mais uma vez do divã e foi até a escada no outro extremo da sala. “Como está bela, Katie.”

“Obrigada, papai”, Rick permanecia calado, não ousou se mexer para olhar a bela moça, apenas permanecia escutando sua doce voz. “Senhor Castle”, e ali estava ela, em pé, ao seu lado.

Rapidamente, ele se levantou, olhando da ponta da barra do vestido lilás aos fios de cabelo que escapavam do penteado, cobrindo parte de sua bochecha direita. Ela era espetacular.

“Princesa”, Rick inclinou-se para frente, estendendo a mão para segurar a da moça e levá-la aos lábios. “É um prazer vê-la esta tarde.”, Kate sentiu as bochechas queimarem e desviou seu olhar do dele, ainda mantendo o contato de suas peles.

“Eu preciso ir até a vila central para resolver alguns assuntos, não se incomodem com a minha ausência, sigam com o que o senhor planejou.”, Jim se aproximou dos dois e bateu no ombro do rapaz antes de beijar o rosto de sua filha. “Volto logo, querida.”

“Vá em paz, Jim Beckett”, ela sorriu ao notar que o pai acenava de costas para ela.

O silêncio se fez presente por cinco segundos, no entanto, ao colocarem seus olhos um sobre o outro novamente, risadas mínimas invadiram o cômodo.

“Como está, Kate?”, Rick sorriu, oferecendo o braço para que ela se aproximasse mais dele.

“Estou bem, Rick.”, ele admirou o verde dos olhos dela e levou a mão até o rosto da moça.

“Com sua licença, princesa”, a maciez da pele de seu rosto sob seus dedos um tanto ásperos lhe causou um arrepio maravilhoso por todo o corpo. Em um movimento simples e delicado, ele pôs os cabelos soltos atrás da orelha dela. “Se a senhorita me permite dizer isso: você é muito bonita.”

Kate sentiu as bochechas queimarem enquanto ele a guiava para o lado de fora da casa grande.

“Onde estamos indo?”, ela murmurou, aproximando-se mais dele.

“Eu pensei que poderíamos passear pela propriedade, não acho que sair daqui sem estarmos comprometidos faria bem a sua reputação”.

“Eu não me importo com a minha reputação”, ela suspirou soltando o braço dele e parando, deixou que os braços caíssem rente ao corpo curvilíneo.

“Mas com certeza se importa com a do seu pai, Milady.”, Rick se virou para ela, segurando sua mão e levando-a, uma vez mais, aos lábios, beijando cada articulação de seus dedos.

“Jim Beckett é a única pessoa que me resta nesse mundo de guerras e pragas, senhor Castle. Eu faria qualquer coisa por meu pai.”, abruptamente, ela puxou a mão, descansando-a sobre o cetim lilás do vestido.

“Sinto muito se a ofendi”, ele abaixou o olhar para as botas de couro avermelhado e suspirou. “Não quis ofendê-la, princesa.”

“Não me ofendeu, mas está a me irritar ao chamar-me destas maneiras tão formais.”, Kate revirou os olhos e deu um passo para frente, alcançando o rosto do rapaz. “Falamos disto no baile, Rick. Você pode falar meu primeiro nome ou meu apelido quando estivermos a sós.”

“Tudo bem, Katherine.”, ele sorriu, e o sorriso subiu até seus olhos quando Kate acariciou sua face.

“Venha comigo”, ela murmurou já segurando a mão dele, guiando-o jardim adentro.

“Está na minha vez de perguntar: onde estamos indo?”, ele riu, deixando que o vento levasse o som até os ouvidos da moça. Ela permaneceu calada, mas, no momento em que adentraram uma pequena área mais esverdeada, Kate começou a correr.

Rick pode notar que ela não usava sapatos altos como as outras moças, eram sapatos de algodão que a possibilitavam andar com mais facilidade e até mesmo correr. Perdido em seus pensamentos, notando cada detalhe espetacular da Beckett a sua frente, ele não notou para onde ela o levava, porém, logo ela parou. Um espaço amplo em meio às árvores altas, a grama era alta o suficiente para cobrir seus calcanhares e havia flores misturadas ao verde. Lírios do campo.

A luz do sol invadia o lugar através das frestas entre as copas das árvores, tocando a pele da moça ao seu lado.

“Eu nunca mostrei esse lugar a ninguém”, ela suspirou e deu dois passos para frente, entrando na ampla clareira. “Mas acho que posso confiar isso a você.”

“O que te faz ter tanta confiança em mim, Kate?”, ele a acompanhou, sentando em meio aos lírios roxos e brancos. “Você não me conhece muito bem. O que te faz pensar que sou a pessoa a quem pode confiar esse seu lugar especial?”

Ela ajoelhou-se diante dele e segurou sua mão, levando-a até seu próprio rosto, respondendo à pergunta dele enquanto deixava os dedos dele deslizarem por sua face, percorrendo seu queixo e contornando seus lábios. “Eu apenas sei que você é essa pessoa, Richard.”

##

Kate andava de um lado para o outro do quarto, não conseguia dormir de jeito nenhum. O frio em sua barriga ainda era evidente o suficiente para incomodá-la. O encontro com Richard a deixara inquieta, sabia o que vinha a seguir. Ele logo pediria ao seu pai para namorá-la. Ela estava nervosa, não conseguia afastar a sensação do toque dos dedos dele em sua face. Pele contra pele, a proximidade e as borboletas no estômago. Ela não conseguia definir tudo aquilo.

Em um impulso, Kate pegou um pequeno cobertor e calçou as sapatilhas, não podia ficar trancada dentro daquele quarto. Com um candelabro em mãos, ela acendeu as três velas e desceu a escada, caminhando em direção à porta da frente. Ao abri-la, notou que o vento não estava tão forte, portanto, não apagaria suas velas. Andou alguns passos até parar de frente para a fonte de água no meio da estrada de pedras soltas.

“Se for fazer um desejo, vai precisar de uma moeda, Katie”, Jim falou sentado em um banco de madeira no alto da escada que dava para o lado norte da propriedade. Beckett se assustou e deixou cair o candelabro na água. “O que faz aqui fora, querida?”, ele se adiantou para iluminar o caminho da filha.

“Não consigo dormir”, ela murmurou e permitiu que o pai a envolvesse em um abraço.

“Quer ouvir uma história?”, ele riu quando ela bufou. “Tudo bem, Katie. Sei que não é mais uma garotinha que precisa que eu olhe debaixo da cama para espantar os monstros, mas eu preciso saber o que te incomoda a ponto de afastar Morfeu.”

“Não é nada de mais, papai. Acho que foi porque desviei um pouco a minha rotina hoje”, ela sorriu para ele.

“A visita do senhor Castle a deixou inquieta.”, ao ouvir o nome do rapaz, os olhos da menina brilharam. “É, sei que foi isso, filha.”, ele beijou o topo de sua cabeça. “Não deixe que a lua fique muito alta no céu para ir deitar-se, está bem?”

Ela concordou com a cabeça, mas, quando ele se virou para voltar para dentro de casa, ela o parou.

“Ei, mocinho, como o senhor veio parar aqui fora? A porta da frente estava trancada e com a tranca de ferro.”, Jim riu e voltou-se para a filha, fazendo uma mesura dramática e se retirando para a escada que levava para o lado sul da casa.

Kate parou por alguns segundos, agora segurando o candelabro que o pai a entregou, pensou um pouco e logo soube como ele fizera aquilo.

“As passagens secretas da propriedade”, ela murmurou para si mesma, começando a correr para o lado norte, estava empolgada. Poderia procurar por passagens até que Morfeu a visitasse naquela noite.

Em pouco tempo, já estava um pouco afastada da casa, caminhando pelo amplo gramado iluminado pela luz da lua cheia. Em um espaço diante de si, havia uma pequena construção de pedra, coberta pelo gramado extremamente alto. Ela se perguntava como nunca vira aquilo em seus dezessete anos. Colocando o candelabro e o cobertor sobre uma pedra, ela passou a analisar a pequena entrada. Deveria entrar ou esquecer que achara aquilo?

Seus instintos diziam para seguir em frente e, assim, ela o fez.

##

O vento batia forte em seu rosto ao passo que o cavalo negro cavalgava com velocidade pela propriedade.

“Ei, Storm, vá com calma. Acho que podemos parar um pouco para descansar.”, Rick desceu do cavalo e bateu levemente em suas costas. “Respire, garoto. Você terá tempo para descansar, ficarei um pouco por aqui.”, ele murmurou com o rosto encostado no focinho do animal.

Era tarde da noite e Richard não conseguira pregar o olho, a imagem de Kate estava muito clara em sua mente, nunca em toda a sua vida ele se sentira daquela forma quando ela segurou sua mão e a levou até seu rosto aquecido. Ele notou que a respiração dela ficou irregular, ele tinha nela o mesmo efeito que ela tinha nele.

O nervosismo e o medo dominavam a mente dele, e se Jim Beckett não aceitasse que ele namorasse Katherine? Não, ele não suportaria ficar longe dela. Rick tirou a bolsa de couro do ombro e deixou que a mesma caísse no chão, ele sentou na grama e se encostou a uma pedra. Tirou de dentro da bolsa um caderno e uma pena, o potinho de tinta vermelha brilhava com a luz da lua.

Era aquilo que ele fazia quando não conseguia tirar algo de sua mente: escrever. Adorava colocar as palavras em um papel, elas viviam voando em sua mente, gostava de sentir a textura da pena banhada de tinta entre seus dedos. Ele faria aquilo a vida inteira, mas não podia, não era algo digno, segundo as pessoas ao seu redor.

Assim que molhou a pena, as palavras para descrever Katherine pousaram no papel amarelado do caderno com capa de couro. A sinceridade e o amor que ele sentia eram óbvios naquelas juras e rimas. Ele poderia passar anos descrevendo aquela mulher extraordinária, mas a lua já começara a ficar alta, precisava voltar antes que os criados notassem a porta principal destrancada.

Levantou-se do gramado e guardou os utensílios na bolsa, apoiou o pé na pedra para ajeitar a bota, no entanto, ao fazer isso, percebeu o alçapão embaixo da mesma. No mesmo instante, ele se lembrou de um momento de sua infância, ele já havia estado ali com o seu pai, mas era tão pequeno que não lembrava o porquê de nunca ter voltado.

Com certo esforço, ele conseguiu remover a pedra, puxando a argola de ferro para erguer a estrutura de madeira.

“Tudo bem, acho que essa é uma das passagens das quais Jack me falava quando eu era menor”, ele murmurou para si mesmo e olhou para o cavalo de pelos negros. “Hey, Storm. Você conhece o caminho de volta, não é?”, o animal relinchou e bateu uma das patas na terra marrom. “Bem, acho que isso é um sim.”, Rick bateu nas costas do cavalo, dando o comando de voz para que ele começasse a correr.

O rapaz voltou para a entrada do alçapão, com a bolsa no ombro, e pulou dentro do lugar. O espaço era estreito, parecia ser um túnel que dava em algum lugar desconhecido. Rick rasgou a manga da camisa de algodão e pegou dois pedaços de madeira, esfregando-os para queimar o tecido, mas não antes de prendê-lo em outro pedaço de madeira. Após algumas tentativas, ele conseguiu acender e pode seguir em frente.

O vento era fraco, no entanto, era congelante, e ele sentiu falta da manga de sua camisa. Richard caminhou pelo que pareceram horas até chegar a uma pequena escada de pedra que levava a uma porta e, assim como no alçapão, ele precisou fazer um pouco de força para abri-la. Assim que o fez, um sorriso surgiu em seu rosto.

Uma pequena, porém confortável, casa estava diante de seus olhos. Ele observou por uma pequena janela e percebeu que ainda era noite e que aquele chalé ficava localizado em um lugar alto entre as árvores. Por isso o túnel era cheio de irregularidades, ele precisou subir e descer muitas pedras para poder chegar até ali.

Vindo de outro canto da casa, ele pode ouvir um barulho. Rick seguiu até lá e percebeu que se tratava de outra porta, alguém estava tentando entrar, assim como ele. E se fosse o dono da propriedade? Bem, ele só saberia se ajudasse aquela pessoa a entrar. O rapaz apoiou a tocha improvisada em um vaso de flores empoeirado e deu um puxão na argola da porta, abrindo-a com facilidade.

A garota diante dele soltou um grito de susto, jogando um pano em seu rosto.

“Rick?”, a voz dela era esganiçada, o oposto da que ele ouvira naquela tarde.

“Kate?”, ele tirou o pano de seu rosto e se aproximou dela. “O que faz aqui?”, Rick a guiou até um pequeno banco de frente para uma lareira e deixou que ela se acalmasse.

“Por que você está aqui, senhor Castle?”, Kate cobriu-se com o cobertor e virou o rosto para que ele não visse suas bochechas ficarem vermelhas.

“Então voltamos aos tratamentos formais, Milady?”, ele se ajoelhou diante dela e terminou de cobri-la. “Desculpe-me, eu não tinha a intenção de vê-la assim, Kate.”

Pela primeira vez em algumas horas, Kate se importou de estar vestida apenas em sua roupa de dormir. Ela desejou ter vestido algo apropriado para um dia ensolarado antes de sair.

“Está tudo bem, mas agora me diga: como veio parar aqui? Como encontrou esse lugar?”, ela se inclinou para frente e tocou o rosto dele, um pedido claro de desculpas.

“Estava tentando relaxar um pouco depois de hoje à tarde, não conseguia dormir por ter você em minha mente o tempo inteiro. Peço desculpas por isso, mas, continuando, eu estava cavalgando pela propriedade quando encontrei uma passagem no meio do campo, eu fiquei muito curioso e acabei seguindo o túnel.”, ele contou a história de forma resumida, olhando para ela o tempo inteiro. “E a senhorita? Como encontrou esse lugar?”

“Podemos dizer que pelo mesmo motivo e do mesmo jeito, tirando a parte do cavalo”, ela murmurou, cobrindo o rosto com a ponta do cobertor.

“Kate”, Castle murmurou, tocando suas mãos para tirá-las de sua face. “Acho que tínhamos algo em comum esta noite.”

“Sim”, ela deixou que seus olhares se encontrassem e sorriu quando ele se ergueu para tocar seu rosto.

Assim como fizera na clareira, ele seguiu a linha de seu queixo e contornou seus lábios, no entanto, desta vez, ele se aproximou mais.

“Espero que não se ofenda com esse meu sentimento, princesa.”, ele murmurou antes de pressionar seus lábios aos dela.

Ela não estava ofendida, muito pelo contrário, estava honrada de poder ser amada por aquele rapaz. E, então, correspondeu àquele toque tão delicado dos lábios dele.

Notas finais
E então?