Love Story
3 Capítulo 3 - Sim
Notas iniciais
Rick se sentou no chão aos pés da garota e passou a observá-la. Já amanhecia, porém eles não queriam sair daquele lugar. Kate permanecia de olhos fechados, absorvendo cada sensação que o toque dos lábios do rapaz lhe causara. Alguns segundos se passaram até ela conseguir se recompor completamente.
"Isso foi...", ela começou, sem saber exatamente como descrever seus sentimentos.
"Maravilhoso", ele completou, quase em um sussurro, sustentando o olhar dela.
"Sim", Kate sentiu seu rosto queimar ao passo que deixava o pequeno cobertor cair de seus ombros. Ela se levantou, ainda com os olhos dele sobre si, para logo depois se sentar no chão ao lado dele.
Castle se virou para Beckett e levou a mão até o rosto dela, sorrindo ao perceber que ela ainda aprovava o contato. Kate inclinou o rosto de encontro à carícia, entreabrindo os lábios ao sentir o polegar de Rick alcançar seu queixo. Ela ergueu o próprio corpo apenas o suficiente para encontrar os lábios dele mais uma vez e ele correspondeu o contato de forma ávida.
Rick envolveu a cintura de Kate com um dos braços e a trouxe para seu colo, sentindo a seda da roupa dela deslizar por sua pele. As mãos masculinas se encaixaram nas curvas do corpo dela, causando sensações novas para ambos. Kate passou os braços ao redor do pescoço dele, aprofundando o beijo e deixando-se guiar por seu instinto.
Ele a apertou contra seu corpo, sentindo o peito dela subir e descer rapidamente, assim como o seu. Estavam ofegantes e desnorteados quando uma pequena distância surgiu entre eles. Rick tomou ar e beijou cada parte do rosto da moça e, vendo que ela sorria, focou seu olhar no dela.
“Você é tão perfeita”, ele murmurou quando ela desviou os olhos para as próprias mãos que agora descansavam nos ombros dele. “Inteligente, gentil e... bonita”.
Kate respirou fundo, sentindo o cheiro dele por toda parte. Ela o olhou mais uma vez, não sabia onde aquilo iria parar.
“Não deveríamos estar aqui sozinhos”, ela sussurrou, inclinando-se para ele mais uma vez, quase encostando seus lábios aos dele. A sociedade não ficaria nada feliz com aquilo, no entanto, a tentação superava qualquer regra ou costume.
Rick franziu o cenho pensativo, ela estava certa. Mesmo que sua vontade de permanecer ao lado dela naquele lugar superasse qualquer outra, ele precisava honrá-la. Não podia sujar o nome daquela família e, muito menos, daquela linda mulher.
“Pedirei sua mão ao seu pai esta tarde, Kate”, ele falou com convicção, beijando a palma da mão dela, fazendo surgir um sorriso no rosto da amada.
Ela o abraçou com força, sabia que ele estava sendo verdadeiro. Podia ver aquilo nos olhos azuis e no sorriso sincero.
Convenções não atrapalhariam a história de amor deles.
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“Senhor Castle, a que devo a honra de sua visita?”, Jim descia a escada principal da propriedade para receber o visitante inesperado. “Deixe que Javier leve o seu cavalo até o estábulo”.
Rick desceu do cavalo e entregou as rédeas do animal para o rapaz, voltando-se para o anfitrião. Jim possuía uma expressão tranquila e Richard podia imaginar que o homem já sabia de que se tratava a visita.
“Vim tratar de um assunto sério com o senhor”, Rick manteve a voz firme, tentando passar a melhor impressão possível, porém, por dentro, temia que Jim não lhe concedesse a mão de Kate.
“Vamos entrar então, meu rapaz.”, o pai de Katherine descansou a mão no ombro dele e o guiou casa adentro.
Ambos andaram lado a lado até estarem de frente para a lareira na sala de visitas. Com o cair da tarde, a madeira na lareira passara a ser consumida pelas chamas para aquecer a noite fria daquela primavera.
“Imagino que Katherine seja o tópico de nossa conversa, não?”, Jim se inclinou sobre um baú e o abriu, tirando de lá um embrulho de tamanho considerável. “Sabe, Rick, meu pai me deu isso quando eu tinha a sua idade e até hoje eu cuido desse objeto com muito zelo.”
Jim desembainhou a espada de aço e a girou na mão, deixando-a rente ao próprio rosto. Rick deu um passo para trás e engoliu em seco, sorrindo nervosamente.
“Eu imagino que a espada tenha um valor sentimental para o senhor”, o rapaz se mantinha de pé com as mãos nas costas, observando cada movimento do Beckett à sua frente.
“Oh, com certeza ela tem. Eu a usei em um duelo pela mão da minha falecida esposa.”, Jim riu com a lembrança e embainhou a lâmina. “Não se preocupe, Richard, não desafiarei você para um duelo”
Rick soltou a respiração presa em seu peito e abaixou o rosto pálido, notou as mãos tremendo e as colocou para trás novamente, desta vez as fechando em punho.
“Katherine significa meu mundo, senhor Castle, e eu não posso perder o meu mundo.”, Jim estendeu a espada para que ele a segurasse. “Experimente”, Rick tirou a espada da proteção e passou a manipular a arma com certa facilidade. Jim sorriu e pegou a espada de volta. “Jack não deixou passar nada, ele foi esperto ao te ensinar a usar uma espada”.
O jovem sabia que seus pais se conheciam por causa dos negócios, mas não fazia ideia de que a relação entre eles ia além daquilo. Rick franziu o cenho, sabia que o homem estava tentando desviar sua mente para pegá-lo desprevenido.
“Senhor Beckett, desculpe interrompê-lo, mas eu estou aqui para falar de Katherine. Eu sei o quanto ela significa para o senhor, imagino que seja o mesmo que eu significo para minha querida mãe. Kate é uma bela jovem, carismática e inteligente”, ele fez uma pequena pausa e continuou. “Eu estou apaixonado por sua filha e vim até aqui para lhe pedir que me conceda a mão dela. Deixe-me namorar a sua filha, eu prometo não a machucar, de forma alguma. Eu seria incapaz de fazer qualquer coisa que pudesse magoá-la”.
Jim levantou o rosto para encontrar a face do rapaz e soltou o ar.
“Lanie, chame Katherine, por favor.”, ele falou para a moça parada na divisão da sala e caminhou até Rick, estendendo a mão para que o rapaz a apertasse. “Eu queria ouvir estas palavras, Richard.”
“Senhor?”, Castle piscou rápido, tentando entender o que se passava.
“Eu concedo a mão de minha filha, mas agora eu preciso saber se ela aceita essa situação. Não a forçarei a nada que ela não queira.”, Jim deu um passo para o lado e andou para a entrada da sala. “Katherine não é uma posse, rapaz. Ela tem sentimentos que devem ser respeitados.”
“Eu sei disso”, Rick sorriu.
Se a resposta dependia apenas de sua Kate, ele sabia que a felicidade dentro de seu coração estaria garantida.
Em alguns minutos, Katherine descia as escadas, tentando não parecer afobada e nervosa.
“Papai, o senhor pediu para falar comigo?”, Kate vestia um vestido azul simples e usava sapatilhas de algodão. Com certeza ela se vestia da maneira mais confortável possível.
“Sim, querida. Mas, na verdade, o senhor Castle que tem uma pergunta para você”, Jim deu espaço para que a filha entrasse na sala e visse o rapaz parado no extremo oposto do cômodo.
“Qual é a pergunta, Rick?”, Kate deu alguns passos até chegar perto do jovem. Não se importou com a presença do pai ao usar o apelido dele, a situação entre eles não comportava mais tanta formalidade.
“Kate”, ele sorriu e pegou a mão da amada, depositando um beijo casto na superfície de sua pele macia. Um arrepio longo e comprometedor percorreu o corpo da moça, que logo sentiu seu rosto queimar. “Eu vim até seu pai para pedir que ele deixasse você ser a minha namorada e eu prometi a ele nunca te machucar, agora eu prometo isso a você, Kate. Katherine Beckett, você me concederia a honra de amá-la como minha namorada?”
Kate desviou os olhos para o pai, o homem estava parado atrás do pequeno divã, observando a cena maravilhado e, ao notar o olhar da filha, levantou os braços em sinal de rendição, dando as costas para sair do cômodo.
“Você veio mesmo”, ela murmurou, passando a mão no rosto dele e acompanhando o sorriso que surgia ali.
“Eu não ouso quebrar minhas promessas, Kate.”, ele passou uma das mãos pelo pescoço dela, alcançando a nuca e a trazendo para mais perto. “Qual a sua resposta?”
A pergunta saiu como uma súplica, ao passo que seus lábios pairavam sobre os dela.
“Sim”.
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“Qual o motivo do seu sorriso, meu querido?”, Martha se sentou no sofá em frente ao filho, chamando a atenção do rapaz para si.
“Algo me diz que essa alegria tem nome e sobrenome”, Jack bateu no ombro do filho e soltou uma risada. “Katherine Beckett é o nome dela”
“Oh!”, Martha sorriu e se levantou para abraçá-lo. “Jim Beckett aceitou seu pedido?”
“Ela aceitou”, Rick murmurou e levantou a mãe do chão durante o abraço. “O senhor Beckett deixou a decisão nas mãos dela e ela aceitou.”
“Kiddo, que notícia ótima!”, Martha soltou o filho e segurou o rosto dele nas mãos. “Faça-a feliz, garoto.”
“Eu prometo que farei isso”, ele deu dois passos para trás, pronto para sair da sala a caminho do quarto.
“Richard, eu preciso falar com você, meu filho.”, Jack se pôs na frente dele.
“Sim, pai. De que se trata?”, pelo canto do olho, Rick pode ver Martha se retirar da sala. O assunto se tratava de negócios.
“Não vou acabar com sua alegria, rapaz. Acalme seu coração, filho.”, Jack bateu no ombro dele mais uma vez e o puxou para um abraço. “Primeiro, estou feliz por você e, assim como sua mãe disse, faça essa moça feliz.”
Rick confirmou freneticamente e deu espaço para que o pai completasse.
“Segundo, daqui a duas estações precisarei que você me acompanhe em uma viagem longa, filho. No momento não tenho ninguém em quem eu confie mais do que em você. Precisarei da ajuda do meu companheiro de negócios para cumprir alguns serviços.”
“Pai, será uma honra acompanha-lo.”, Richard estendeu o braço em direção ao homem mais velho e ambos trocaram um aperto de mão forte. “Darei tudo de mim para deixá-lo orgulhoso.”
Jack sorriu e abraçou o filho mais uma vez, deixando um beijo no rosto dele. Seu garotinho estava crescendo para impressionar o mundo.
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Cinco meses depois...
A campina ganhava um tom amarelado conforme o início do Outono se aproximava, e o local não poderia ser mais perfeito para um casal apaixonado compartilhar momentos únicos.
“Rick, leia um de seus textos para mim”, Kate gritou enquanto girava com os braços abertos olhando para o céu sem nuvens.
Ele desencostou da árvore, deixando a sombra refrescante para trás, e se juntou à amada, no entanto, ao invés de começar a girar como ela, ele a segurou pela cintura e a ergueu do chão, girando com ela em seus braços. Ao parar, ele a viu piscar e sorrir, tentando recuperar o equilíbrio.
Rick a beijou, levando-a de volta para a sombra da grande árvore. Kate se encostou ao tronco e sentou-se na grama.
“Eu ainda quero que você leia para mim”, ela murmurou, fazendo uma voz manhosa.
“Tudo bem, meu amor”, ele sentou ao lado dela e tirou o caderno com capa de couro da sacola de pano que levava sempre consigo.
“Deite com a cabeça no meu colo”, ela disse assim que o viu se ajeitar ao seu lado, longe demais.
“Tem certeza?”, ele perguntou com certo receio. Desde a noite no chalé, há algum tempo, os dois evitavam certos contatos para não irem além do que sabiam ser permitido em um namoro.
“Rick, está tudo bem, você pode deitar em meu colo”, ela sorriu e ele se ajeitou próximo à namorada. “Leia”, ela se inclinou para alcançar os lábios dele e as pontas de seus cabelos ondulados acariciaram o rosto dele.
As palavras sobre uma terra desconhecida por ela e sobre o amor de um rapaz por uma moça a fizeram viajar. Todas as vezes que a voz suave dele passava por seus ouvidos narrando uma história, a aventura era garantida. Ela amava imaginar cada situação narrada por ele e ainda mais beijá-lo quando ele terminava de ler para ela.
“É uma ótima história, amor.”, ela sussurrou, acariciando a face dele.
“Eu me imagino como o rapaz e você como a moça”, ele olhou naqueles olhos verdes e ergueu-se, virando para ela.
“Por quê?”, ela riu, passando os braços ao redor do pescoço dele.
“Porque, assim como o rapaz, eu precisarei fazer uma longa viagem e terei que deixar a mulher da minha vida sozinha.”
O sorriso radiante desapareceu, sendo substituído por grossas lágrimas de desespero e medo.
“P-por quanto tempo?”, ela perguntou, encolhendo-se contra o peito dele.
“Dezoito meses”, ele falou tão baixo que ela quase não acreditou que ele respondera de verdade.
“R-Rick”, ela não conseguia evitar as lágrimas e o nó na garganta, faltava-lhe o ar e a vontade de viver.
“Kate, eu voltarei, meu destino não será igual ao do rapaz do conto. Eu não morrerei, eu voltarei para você, meu amor. Eu voltarei.”, ele não podia abandoná-la, não conseguiria.
“Eu te amo, Richard”, ela deixou as palavras escaparem de sua boca sem cuidado algum.
Pela primeira vez ele a escutara dizer tais palavras, e aquilo só fez aumentar sua vontade de ir logo para aquela viagem para, então, poder voltar rápido e casar-se com Kate.
“Eu te amo, Katherine. Eu te amo como nunca pensei que amaria alguém.”, ele murmurou no ouvido dela, trazendo-a para seu colo e aconchegando o corpo dela ao seu. Sentiu o riso dela em seu pescoço e, involuntariamente, abraçou-a mais forte. “Eu te prometo, meu amor, eu voltarei e, assim que eu puser os pés nessas terras, iremos matar cada parte da saudade que estará nos corroendo. Nós casaremos, Kate”
Ela levantou a cabeça na direção do rosto dele e o beijou, o sabor salgado das lágrimas tomando conta de seus lábios. Os olhos dela brilhavam com admiração por aquele homem.
“Nós casaremos?”, ela sorriu enquanto segurava o rosto dele.
“Se assim você quiser, Milady.”
Ela balançou a cabeça, enxugando as lágrimas do próprio rosto. O beijo que eles compartilharam naquele momento transmitiu exatamente o que eles sentiam um pelo outro: o amor eterno que ultrapassaria até mesmo a barreira do tempo e da vida.
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