Love Story
31 A última noite. ³
Notas iniciais
Jam! vamos lá ;*
Boa leitura
– Mãe?
– Oi filha, tudo bem? – Ela disse com uma voz sonolenta.
– Você estava dormindo?
– Não, só descansando. – Mentiu.
– Desculpa mãe, eu só liguei pra avisar que... Bem, amanhã eu volto pra casa.
– SÉRIO?
– Sim.
– OH MEU DEUS DO CÉU, AINDA BEM! ESTOU MORREDO DE SAUDADE DE VOCÊ, NÃO SEI COMO ESTÁ, SE TEM CHORADO DEMAIS, SE ESSE MENINO TE FEZ MAL OU NÃO SE...
– Mãe! – Eu interrompi. – Claro que ele não está me fazendo mal, de novo isso?... Pare de gritar! – Eu ri – Calma, assim que eu acordar aqui eu me arrumo e vou, ok?
– SIIIIIIM, ah filha! Ainda bem! Eu não quero que você se meta com essas coisas mais, tanta gente já veio aqui em casa perguntar por você, tem gente tentando tirar foto de mim, e pegar entrevista...
– Mãe, pelo amor de Deus, fica longe de repórteres!
– Mas você já viu o que eles falam de você na TV? Eu tenho que desmentir essa mentira toda! Deus me livre, Annie! Isso é uma injustiça...
– Mãe por favor, depois agente conversa, tá? Tenho que desligar, vou ver um filme.
– Por favor, vem logo.
– Tá mãe, te amo.
– Te amo, se cuida.
Voltei a discar outro número, o de Serena. Ela devia estar uma pilha de nervos, pois desliguei sem ela se despedir. Ela atendeu na metade do primeiro toque.
– Annie?
– Oi Serena, olha amg...
– Você é maluca, é Annie? Você quer mesmo me matar do coração!?
– Serena!
– Você tem noção de que, do nada disse que tinha que ir, e nem desligou o telefone! Eu fiquei berrando por horas, pensando que tinha desmaiado, que alguém tinha invadido essa casa, ou que sei lá, agora de muito ruim tinha acontecido! Você nem colocou o telefone no gancho, nem explicou nada e muito menos avisou o que estava acontecendo!
– Ah meu Deus, desculpa Serena. O Michael chegou naquela hora, não enxerguei mais nada, eu nem me lembro do que eu disse pra você, eu larguei o telefone no chão sem perceber e...
– É isso que se chama gratidão? Meu Deus do céu, Annie!
– Me desculpa!
Comecei a escutar passos ecoados, e logo vi Michael chegar á sala com uma bandeja de morangos, chocolate que parecia estar derretido e o suco. Ele me olhou, aquela carinha fofa que só ele sabia fazer e colocou a bandeja na mesinha de centro. Só agora percebi que em frente á mesa, tinha um grande tapete muito fofo por sinal, com várias almofadas espalhadas e uma pequena manta dobrada, ao lado.
Arregalei os olhos assim que me dei conta que sai de órbita, apenas olhando ele e os detalhes, e mal sabia o que Serena estava falando.
–... E nada, né? É assim agora? Tudo bem, Annie.
– Ai Serena, eu sou uma idiota. Eu sei que desculpas são poucas pelo o que eu to fazendo mas... Você pode me entender um pouquinho só amiga? Pode entender o quanto eu... – Hesitei – Amo ele? – Sussurrei baixo.
Levei meu olhar automaticamente pra ele, pra ver se ele tinha escutado. Eu já estava corada, é claro, mas ele estava apagando a luz, e parecia não ter percebido. Só me olhou curioso por eu estar o fitando corada.
– Isso é chantagem, você quer me derreter...
Suspirei.
– Ai tudo bem, funcionou.
Eu ri, a voz dela já estava bem Serena agora. Alegre, carinhosa.
– Deixe-me falar com ele.
– Hã?
– Deixe eu falar com Michael.
– Hm, Ok... Michael? – Tampei o telefone com a mão. – Serena, quer falar com você.
Ele caminhou até a mim com o rostinho fofo que só ele fazia balançando a cabeça positivamente. Se ajoelhou na minha frente e apoiou os braços em meu colo, pegando o telefone.
– Oi Serena, tudo bem? É Michael.
Fiz carinho em sua mão livre, e por fim comecei a brincar com o pano do pijama enquanto ele falava.
– Ótimo! Melhor impossível. Demais, demais. Eu sei... Ela é assim... Sim... Eu entendo sua preocupação... Oh não, por favor, não escute o que eles dizem. Muito menos dê audiência. É lixo, lixo... Sim, você vê como eles distorcem as coisas? É! Não, é melhor pra ela... Sim, ninguém merece uma coisa dessas, sim, é melhor. Tudo bem... Eu também... Muito... – Ele sussurrou a ultima palavra, e afagou minha bochecha com carinho.
Fechei os olhos instantaneamente.
– Obrigado Serena! Até mais, fico feliz por isso, muito! Até mais, Tchau, boa noite.
Michael levantou, colocou o telefone no gancho e me puxou com ele. Ele me sentou em meio ás almofadas fazendo um biquinho pequeno. Foi até a TV, colocou o filme. Ele olhou as janelas e foi até uma. Abriu a cortina, mas fechou a janela.
– O tempo está muito fechado... Vai vir uma frente fria por ai já já.
– Sério? Eu nem percebi... – Ele se sentou nas almofadas e eu o abracei. – Bem que está mais friozinho mesmo, não é? – Aqueci minha mão uma na outra.
Ele me fitou mordendo o lábio inferior e gesticulou, me chamando.
– Hm? – Juntei as sobrancelhas.
Ele fez um gesto, batendo a mão no tapete fofo, entre suas pernas.
Logo entendi, e ele subiu um pouco mais o tronco pra se sentar, se escorando nas almofadas grandes e eu me sentei entre suas pernas, aquilo me aqueceu de imediato. Ele passou as mãos á minha volta, soltei um suspiro, escorando minhas costas em seu peito. O filme já estava começando nessa altura. Ele se esticou de lado, e pegou a manta e me cobriu, junto á ele. Eu sorri, mesmo sem ele ver e comecei a ver o filme.
– Ainda com frio? – Ele disse risonho.
– Tsc, tsc, Absolutamente não.
Ele me apertou, uma forma de carinho, e eu segurei seus braços nos meus.
– Que filme é esse?
– Não reconhece? A noviça rebelde... Gosta?
– Ah, eu amo! Nossa, estou tão distraída que mal percebi...
– Distraída com o que, hã? – Ele fez cócegas na minha barriga, e eu ri um pouquinho, parando-o.
– Por nada, Michael!
– Ah Annie, você vai me esconder outra coisa...
– Não, por favor... – Hesitei. Virei minha cabeça para vê-lo – Então, essa distração faz parte daquilo que eu não te falei lá no jardim... Eu vou te contar!
– Me conte, Annie!
– E o filme? – Eu tentei disfarçar, e olhei para a tela da TV.
– Annie... – Ele me repreendeu, sorrindo.
– Ah, tudo bem! Deixa eu só... – Corei automaticamente, me virando pra esconder o rosto entre as mãos.
Não teria jeito. Eu tenho que ter um modo de dizer uma loucura dessas. Mas, agora, como?!
– Annie?
– Ah, oh, Michael. Hã, então...
Ele riu.
– Está com vergonha do que vai dizer? Então, ah, estou ficando mais curioso!
Mordi o lábio pra não gemer de nervoso.
– Tudo bem... Vamos ver o filme, quando você quiser me dizer você me diz, tá? Não quero te deixar constrangida.
Ele me abraçou de novo, e eu respirei, olhando finalmente o filme.
Vimos o filme durante um bom tempo, ele me dava morangos na boca com o chocolate, e eu fazia o mesmo. O gosto do chocolate e o morango, era muito bom, até que o beijei assim. Nós rimos demais, ele gostou e repetiu a dose. O frio aumentava a cada instante, e isso fazia com que nos encolhêssemos mais um no outro. Marquei o seu sorriso, na minha memória como nunca antes. Nada é igual quando se vê ao vivo, não por revistas. E quando se sabe, que ele está sorrindo só pra você. Captei o sorriso, o gosto do beijo, dos lábios, o cheiro do cabelo e de seu corpo, da pele, e acabei em seus braços, adormecendo sem perceber muito tarde da noite.
Fiquei pensando no quão eu havia vacilado de ter feito aquilo e agora não conseguia dizer, pois soaria muito pervertido. Mas, e se ele não pensa assim? E se ele acha que o amor provoca essas coisas, assim como eu penso?
Uma onda de sono me invadiu, me fazendo fechar os olhos sem perceber, só me lembro disso. Podia brevemente escutar um barulho de chuva lá fora, mas não tinha certeza. Fui ficando mais sonolenta a cada instante, até realmente, adormecer.
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