Love Song
11 Parte X
Notas iniciais
Os dias parecem não ter horas o suficiente quando se tem coisas demais pra fazer, e eu tinha essa sensação. Agora eu sempre dava um jeito de passar mais tempo ainda fora de casa com as garotas e durante a noite, enquanto elas dormiam e meus pais não estavam à vista, eu revirava a casa em busca daqueles papeis. Ainda não encontrei nada demais, mas em uma das minhas buscas, encontrei as identidades e a certidão de casamento dos meus pais. Considerei isso um progresso e guardei na pasta de documentos que eu mantinha escondida no meu quarto.
Como de costume, cheguei na escola e fui direto para a biblioteca. Agora virou uma rotina que Laura me encontre aqui e vamos juntos pra aula. Às vezes ficamos por aqui mesmo estudando juntos ou lendo alguma coisa.
Faltam 5 minutos para o sinal da primeira aula tocar e ela ainda não chegou, o que é estranho, pois ela nunca se atrasa. Penso se devo mandar alguma mensagem ou não. Envio, mas não recebo nenhuma resposta de imediato. Decido ficar na biblioteca mesmo e ignorar o sinal que acaba de tocar.
Estou completamente imerso em uma leitura quando alguém puxa o livro das minhas mãos e sorri grande quando eu olho para cima.
“Que bom que você está aqui, cheguei tarde demais para entrar na aula, vou ter que esperar o próximo tempo.” Disse Laura, enquanto puxava a cadeira para sentar ao meu lado.
“Pensei que não fosse vir hoje você nunca atrasa.”
“Acabei perdendo o horário. Acordei tão atrasada que mal deu tempo de me arrumar direito.” Ela disse olhando o próprio reflexo pela tela do celular.
“Não se preocupe, está bonita como sempre.” Deixei escapar sem querer. E me arrependi imediatamente, meu rosto esquentando e minhas orelhas pegando fogo.
“Bom saber que você repara...” Ela disse isso com a maior tranquilidade, como se não fosse nada demais. Mas eu percebi o olhar cheio de intenções e o sorrisinho mal contido. Essa garota vai acabar comigo.
“Você sabe exatamente o que está fazendo, não é?” Perguntei já sabendo a resposta.
“Sei.” Ela respondeu sorrindo.
“E você está se divertindo com o meu embaraço.” Afirmei semicerrando os olhos para ela e esticando o braço para pegar o livro que ela jogou no meio da mesa.
“Não estou me divertindo, estou aproveitando suas brechas.” Ela disse simplesmente, dando de ombros.
Eu só queria entender como ela consegue ser tão direta nas coisas. Como ela pode dizer algo assim como se fosse tão simples? Essa pequena afirmação já foi suficiente para explodir minha mente. Essa nossa amizade... acho que nunca foi só isso. Mas como poderia ser algo mais quando eu sou tão estragado? Nunca poderia me deixar envolver assim, seria péssimo para nós dois.
“Não faça isso...” praticamente sussurrei, já me sentindo desanimado e confuso com o tanto de coisas que eu sinto e penso ao mesmo tempo.
“Dom, você sabe que eu gosto de você. Por que você não pode só aceitar isso e se deixar levar um pouco? Você não gosta nem um pouquinho de mim?
Ela sendo tão clara e objetiva, não me deixou opção nenhuma além de ser sincero também. Nesse momento eu já estava tão rendido que mais um pouco eu seria capaz de ceder e fazer o que ela quisesse.
“Eu gosto de você garota, muito. Mais do que você pensa. Mas essa amizade estranha é tudo que eu sou capaz de oferecer agora.”
“Um dia você vai confiar em mim o suficiente para contar porque foge tanto de se relacionar com as pessoas?”
“Talvez. Não sei. É tudo muito complicado... eu gosto do que temos exatamente do jeito que é.”
“Tudo bem. Mas você realmente pode confiar em mim, ok? Nunca vi você com mais ninguém aqui na escola e você também nunca falou de outras pessoas além das suas irmãs, então eu acho que sou sua melhor amiga. Confie em mim e peça ajuda se precisar. Não fuja de mim.”
Eu sei que ela não ficou totalmente satisfeita com a conversa, mas eu senti o quanto ela foi sincera no que disse. Ela realmente gosta de mim, mas eu não sei como e nem posso retribuir. Antes de responder qualquer coisa, o sinal da troca de aula tocou. Ela só levantou pegando suas coisas, deixou um beijo no meu rosto e foi pra aula.
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