Notas iniciais
Surpresinha!

Eu sentia como se estivesse correndo contra o tempo a cada minuto do meu dia. Dormia cada vez menos, estava constantemente tenso e preocupado. Até as pequenas perceberam que eu não estava legal e olha que sempre tento estar o melhor possível para elas. Mas estava cada dia mais difícil. Parecia que eu explodiria a qualquer momento.

Já faz 4 dias que meus pais estão sumidos. Eles sempre voltam piores depois desses sumiços. Eu tinha medo do que viria. Mas também estava empenhado em encontrar uma solução definitiva. Falta pouco pro meu aniversário de 18 anos. Falta pouco para começarem a sair os resultados das faculdades. E agora falta pouco para que eu consiga sair desse inferno.

Laura realmente tem sido minha melhor amiga. Os momentos que tenho com ela durante o turno escolar são o alívio da minha mente. Tivemos mais 2 encontros fora da escola, levando as meninas para brincarem juntas na praça que fica perto da casa dela. Foram momentos em que eu pude não pensar nas merdas e aproveitar o dia.

Eu tenho compartilhado com ela o quanto estou ansioso e estressado e ela tem me ajudado a lidar um pouco, mesmo não sabendo os motivos. Eu a percebo se controlando para não perguntar e não brigar comigo por não procurar ajudar real para o que preciso. Ela só tenta me entender e me ajudar e cada dia eu gosto mais da presença dela.

Também tenho me esforçado mais nos freelas de fotógrafo. Toda grana está sendo extremante importante. Se vamos embora dessa casa, preciso ter algum dinheiro para alugar um outro lugar e sustentar as garotas até ter um emprego de verdade. Só preciso primeiro saber se passei ou não em alguma faculdade para começar a organizar melhor o que fazer.

Ainda é madrugada. Olho a hora e percebo que o tempo tem passado extremamente devagar quando não durmo. Hoje é um dos meus frequentes dias insone. As meninas estão dormindo profundamente e eu não consigo fazer nada além de remoer os pensamentos na minha cabeça.

Decidido a tentar me ocupar para ver se a hora anda, desci para fazer mais uma busca pela casa, agora no único cômodo que ainda não revirei totalmente: o quarto dos meus pais.

Está uma completa zona. Algumas peças de roupa e calçados extremamente velhos e gastos espalhados, a cama bagunçada e com os lençóis sujos. Parece um local abandoado e praticamente é mesmo. Encontro algumas embalagens de comida vazias jogadas no chão mesmo, sacolas velhas, restos de cigarros e garrafas de bebidas. O pior de tudo é o cheiro. Uma mistura nauseante de comida estragada, fumaça de cigarro, álcool e sujeira. Minha mente interpreta como o cheiro da degradação

Estou extremamente enjoado, mas me forço a continuar revirando tudo na esperança de encontrar algo útil. Nada nas gavetas, nada no guarda-roupas caindo aos pedaços. Nada interessante no chão ou atras dos móveis. Meu pote de ouro estava me esperando em um lugar muito inusitado.

Ao arrastar a cama do lugar, encontrei um pequeno baú velho que eu brincava na infância e fazia muito tempo que não via. Ele era pequeno, de madeira e tinha uma fechadura que eu guardava a chave até hoje. Era a chave minúscula que eu carregava no pescoço, uma lembrança do que foi minha infância.

Estava bem intrigado com o baú, mas sem expectativas. Eu gostava de guardar fotografias Polaroid nele e era o que eu esperava encontrar. Fechei novamente o quarto dos meus pais e subi de volta pro meu.

Sentado no chão e tentando fazer o mínimo de barulho para não acordar as garotas, tirei o colar do meu pescoço e abri o baú. Diferente do que eu pensava, não era minha coleção velha de polaroides ali dentro. Olhando cada papel ali dentro com calma e atenção, minha cabeça já latejando e meus olhos enchendo d’agua. Ali dentro, dobradinhos como se uma criança tivesse feito, estavam documentos. Documentos importantes, do tipo que poderiam mudar minha vida. Exatamente o tipo de documento que eu precisava.

Notas finais
Ei, você aí! Está acompanhando? Me conta o que está achando?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.