Notas iniciais
Olá, pessoal! Desculpem o sumiço, precisei ficar off por uns dias. Espero que gostem do capítulo! Enjoy

Seguindo meu planejamento e as solicitações da dona da festa, fotografei toda a decoração e os convidados que chegavam. A pequena aniversariante já corria solta e aproveitava sua festa. Percebi que os convidados sempre perguntavam por alguém ao cumprimentarem Helena. Seu marido já estava na mesa, sentado em uma das mesas conversando com outros familiares, então supus que perguntavam por outro membro da família. Pensei num irmão mais velho, mas entendi que era irmã mais velha, ao escutar alguém dizendo que a tal pessoa sumida já era bonita, não precisava gastar tanto tempo se embelezando. Tentei imaginar uma filha mais velha para Helena, alguém parecida com ela quando jovem, e uma versão maior da bela aniversariante. Imaginei uma garota bonita, vestida em roupas caras como eram as das pessoas que estavam nesta festa exageradamente arrumada, por toda a demora em aparecer. Não poderia ficar mais chocado do que fiquei quando descobri quem era a tão falada desaparecida.

Minha sorte nessa vida é algo bem questionável e isso é prova. A tal garota era Laura. A mesma Laura que ajudei a fugir dos chatos da escola em seu primeiro dia de aula e que decidiu ser minha amiga. Em uma amizade totalmente unilateral, que fique claro. Ao voltar para os fundos, onde estava a decoração central, me deparei com a própria saindo de dentro da casa e finalmente adentrando o espaço da comemoração. Ela estava deslumbrante. Não sou cego, né? E já havia reparado em sua beleza com roupas comuns de escola e cabelo enrolado num coque frouxo. Fora toda a gentileza, alegria e simpatia que ela sempre demonstra com seus novos colegas na escola e comigo, sempre que ela me encontra. Vê-la andando em minha direção daquele jeito com os olhos cheios de curiosidade e um sorriso divertindo formado em seus lábios pintados num rosa delicado, me fez querer registrá-la imediatamente. A primeira coisa consciente que fiz foi printar aquela imagem na minha mente e a segunda foi mirar minha lente pra ela e disparar. Uma fotografia totalmente espontânea e imprevista. Eram as mais bonitas. Ela gargalhou quando viu o que fiz e eu disparei mais uma vez, como um bobão hipnotizado por sua presença.

“Se continuar me fazendo de modelo desta forma, vou cobrar meus direitos de imagem, hein”. Disse ela risonha chegando perto de mim.

Eu estava todo desconcertado. Droga! Minha pose de durão estava completamente fora do meu alcance nesse momento.

“Desculpe, mas você está tão bonita que não pude não registrar. E a dona da festa ordenou que eu fotografasse a todos que entrassem na festa...” disse a ela morrendo de vergonha e tentando fazer graça da situação, tentando esconder meu nervosismo.

Ela não era boba, ficou muito claro que a chegada dela me afetou de uma forma que não deveria. Ela sabia que era bonita e vivia me dizendo que uma hora minha pose de durão cairia.

“Olha ele, acabou de me elogiar e ainda tentou fazer piada!” ela disse toda divertida. “Fico lisonjeada que a sua carranca tenha se movimentado e soltado um elogio.” Falou sorrindo como se estivesse me vendo do avesso.

Eu poderia dizer qualquer coisa e sair fora dali, mas simplesmente não consegui pensar muito sobre isso. Não era muito comum encontrar com alguém assim fora da escola. E normalmente ninguém tentava ser muito legal comigo, como ela vem tentando fazer desde que nos conhecemos. Vê-la e interagir com ela em outro cenário foi diferente pra mim. Só não tinha decidido ainda se era bom ou ruim.

“Ok, não precisa ser má, Laura”. Disse a ela tentando parecer tão divertido quanto ela. “Fora da escola eu consigo ser um pouquinho menos carrancudo e segurando essa belezura aqui, consigo até ser legal”. Disse sorrindo e mostrando minha câmera.

Gostaria de conversar mais um pouco com ela aqui, mas sabia que não era hora. Estava aqui trabalhando e precisava dar o meu melhor, como sempre.

“Foi bom te ver, Laura, mas preciso continuar o meu trabalho por aqui. Divirta-se!” Sorri para ela e fui andando em direção ao local onde as crianças estavam amontoadas fazendo brincadeiras com uma animadora de festa.

Logo avistei minhas garotinhas com o rosto pintado com borboletas, mãos sujas de tinta e fazendo desenhos em um grande cartaz junto com outras crianças. A pequena aniversariante também estava nessa e pareciam estar curtindo muito essa brincadeira. Fotografei de vários ângulos. Consegui pegar uma boa vista da cara de pânico da animadora quando todas aquelas mãozinhas cheias de tinta se viraram para ela num ataque de cócegas coloridas. Não pude conter uma gargalhada nesse momento. Os adultos que estavam por perto também não puderam segurar as risadas. Muitos outros momentos legais foram sendo fotografados e entre eles eu sempre dava olhada ao redor procurando por Laura. Disfarçadamente, claro.

Próximo ao final da festa, quando algumas pessoas já estavam indo embora, estava por perto quando ouvi o pai das meninas perguntando à menor se ela havia gostado da festa. A resposta foi a mais maluca e hilária que já vi. A garotinha começou a pular e gritar eletricamente sobre o quanto se divertiu e brincou e tudo o mais que fez naquele dia. Ela pulava, ria e gritava ao mesmo tempo, com os olhinhos fechados e a boca aberta, mostrando suas janelinhas recém adquiridas. Era fofa. Não perdi esse momento e registrei mais uma série de fotografias.

Ainda flagrei uma criança suada e com a roupa em estado lamentável, esparramada no chão, cansada após tantas brincadeiras e comilanças de doces. Registrado, óbvio!

Meu último registro foi de Laura sozinha, se balançando no ritmo da música infantil que ainda tocada, totalmente distraída, enquanto saboreava algum doce que não consegui identificar direito.

“Sr.ª Helena, a festa foi ótima! Gostaria de mais algum registro antes de eu finalizar?” Perguntei caminhando em sua direção.

“Obrigada, querido. Pode finalizar sim, estamos satisfeitos de fotos por hoje!” respondeu ela rindo, mas demonstrando o cansaço pelo dia agitado.

“Nos falamos durante a semana enquanto eu preparo as fotos para que a senhora possa escolher. Preciso ir, ainda tenho outro compromisso.”

“Obrigada por hoje, Dominic, tenho certeza que a fotos ficarão ótimas!”

Arrumei minhas coisas na mochila e fui buscar as meninas, que eram as únicas crianças ainda no local, além da própria aniversariante. Elas brincavam juntas de catar os confetes do chão e jogar pra cima novamente. Ri vendo a cena. Pareciam muito concentradas nessa tarefa, mas eu realmente precisava ir ou me atrasaria para o próximo evento.

“Precisamos ir, meninas. Deem tchau para sua nova amiga e agradeçam a Sr.ª Thomas e a Laura por nos receberem.” Mal terminei de falar e recebi de volta seus olhares de filhotinho pidão. Queriam brincar mais, é claro.

“Poxa, Dom, precisamos mesmo ir? Aqui está tão legal e lá vai ser chato” disse Alice fazendo bico.

“É mesmo, Dom, lá vai ser chato... é chato ficar te esperando no cantinho” falou Aurora toda resmungona, colocando as mãos na cintura como se crescida.

Primeiro eu ri, elas eram demais e bravinhas assim eram muito engraçadas. Depois, as lembrei de que eu precisava trabalhar e não podia deixa-las ali.

“Na verdade, acho que pode sim, Dom. Tenho certeza que mamãe não se importa e a Bel amou brincar com elas.” Disse Laura, certamente comovida pela carinha de filhotinho das minhas irmãs.”

“Obrigada, Laura, mas meu próximo compromisso vai terminar tarde, não posso deixar que elas fiquem aqui assim. Acabaria incomodando na hora de vir busca-las.”

“Ah, fala sério, Dominic! A gente nem dorme cedo e não há problema algum em você passar aqui tarde para buscá-las. Deixa elas, vai. Elas vão brincar e provavelmente jantar alguma coisa mais tarde, nada demais.”

“Não sei não... fico preocupado. Tudo bem, elas podem ficar!” Mesmo relutante, acabei aceitado. Eu precisava ir e aquelas 4 garotas me olhando, decididas a receberem uma resposta positiva, me intimidou um pouco. Precisei dizer sim, né...

Vi as 3 menininhas comemorando e Laura sorrindo, achando a maior graça ter mais duas crianças em casa.

“Aurora e Alice, sejam comportadas, volto daqui a pouco.” Recomendei às duas e me fui na direção da salvadora das crianças, que já estava indo em direção ao portão.

“Laura, muito obrigado por ficar com elas. Eu preciso ir, mas volto correndo assim que eu for dispensado.” Disse sério e apertei sua mão, totalmente quadrado e sem jeito para cumprimenta-la adequadamente.

“Imagina, aposto que elas não vão dar nenhum trabalho. Estaremos aqui esperando você voltar.” Sorriu dando uma piscadela e apertou minha mão de volta.

Saí dali sem saber o que pensar. Me senti muito maluco. Deixei minhas irmãs na casa de uma “amiga”, que eu passei a tarde admirando – discretamente, claro – e depois ainda vou voltar aqui e vê-la de novo. Bom, a família parece ser legal, então fico mais tranquilo de ter deixado as pequenas lá. Realmente, ficarem sentadas me esperando trabalhar seria bem chato e elas mereciam um pouco de diversão. Por sorte, não estava muito longe do restaurante, bastou uma viagem de 20 minutos de ônibus e cheguei. Estava lá, pronto para começar a trabalhar, mas com a cabeça nas minhas irmãs e em Laura. Porquê ela havia feito aquilo? Insistir para que as meninas ficassem lá como se não fosse nada demais... ela cuidaria delas? Eu deveria retribuir de alguma forma? Ela esperava algo de mim, por isso?

Notas finais
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