Notas iniciais
Olá amigos fanfiqueiros! Voltei. Espero que ainda tenha alguém por aqui e continuem acompanhando.

Como é possível uma única pessoa ocupar tanto os pensamentos de alguém? Desde que aceitei ser amigo de Laura, tudo que faço é pensar nela. Estamos cada vez mais próximos, nunca pensei que ter uma amizade pudesse ser tão bom, mas também sei que só é assim porque é ela. Na escola, passamos cada minuto possível juntos, conversando sobre vários assuntos aleatórios, estudando juntos ou só em silencio mesmo, aproveitando a presença um do outro.

Eu percebo o quanto ela tem se esforçado para não entrar em assuntos que possam ser desconfortáveis para mim. Ela nunca mais perguntou sobre a minha família ou os motivos de eu ser o principal responsável pelas gêmeas e isso é ótimo, porque não preciso mentir sobre nada, posso apenas fingir que sou um jovem como qualquer outro e pronto.

Por outro lado, as coisas em casa têm ficado cada dia mais complicadas. Meus pais têm ficado agitados demais, desorientados demais e muito difíceis de controlar. É difícil vê-los assim: magros, abatidos, sem noção de suas próprias identidades, totalmente acabados pelo abuso de drogas. Meu peito dói todos os dias, quando chego em casa a tarde com as crianças e preciso recolher os dois no quarto para que as meninas não vejam seu estado.

Cada dia que passa eu tenho mais vontade de tentar pedir ajuda e quem sabe conseguir internar os dois em alguma reabilitação. Mas eu ainda sou menor de idade e o medo de Alice e Aurora serem separadas de mim é muito maior. Elas são o que me mantém lúcido no meio dessa loucura e o motivo de todo esforço para sair daqui. Eu nunca me perdoaria se deixasse que elas fossem levadas pra longe. Eram muitas as histórias sobre abrigos e orfanatos e eu jamais queria tentar a sorte com elas nesses lugares.

Já é madrugada e eu ainda não consegui dormir. Aurora e Alice estão num sono agitado, por causa do barulho. Nossos pais estão revirando tudo de novo. Eles têm feito muito isso nos últimos dias. Arrastam móveis, abrem todas as portas dos armários, tiram tudo de dentro das gavetas. Eles não têm mais nenhum dinheiro ou objetos de valor, tudo já foi perdido. Não consigo imaginar o que eles tanto procuram. Cansado de tentar dormir e não conseguir, decido ir ver o que eles estão fazendo e talvez descobrir o que estão procurando. Que arrependimento. Assim que coloquei os pés na cozinha minha mãe puxou meus braços e começou a gritar:

“Onde está? Foi você que escondeu! Eu sei que você sabe onde está! Por que não me devolve?”

“Do que você está falando? O que vocês querem?” Perguntei sendo bem objetivo, talvez assim eles conseguissem me entender e responder.

“Você sabe muito bem! Foi você que escondeu, eu sei que foi! Devolve pra mim garoto!” Disse ela agitada. Continuou não fazendo sentido para mim.

“Eu não sei do que você está falando, mas está na hora de vocês irem descansar, o que acham?”

Quando eu disse isso, minha mãe em sua desorientação apenas continuou perguntando onde estava e andando de um lado para o outro. Meu pai, que estava concentrado em olhar cada cantinho do armário da cozinha e nem tinha prestado atenção em mim, virou bruscamente na minha direção. Ele ficou muito bravo com o que eu disse.

“Quem você pensa que é moleque? Ninguém nessa casa manda em mim!”

Seu tom me preocupou. Eu sabia que ele não me reconhecia direito. Para eles, eu era alguém que morava nessa casa e só. Meu pai costumava ser o mais lúcido dos dois, mas isso já havia se perdido. Ele ficava em estado de briga a todo momento, sempre achando que alguém ia atacá-lo e já vinha demonstrando há alguns dias que não gostava da minha presença na casa.

“Desculpe, mas já é tarde, vocês deveriam estar dormindo. Tem 2 crianças em casa.” Disse cauteloso, esperando que ele pudesse entender.

“Não quero saber. Essa casa é minha. Eu faço o que quiser.” Ele disse chegando perto de mim.

“Tudo bem, me desculpe.” Eu estava preocupado, com medo de verdade. Meu pai parecia pronto para me atacar a qualquer momento e eu não daria conta de me defender sozinho.

“Some da minha frente, moleque! E acho bom você achar os papéis, eu quero eles. Se não me der os papéis, você e as duas insetinhas que você esconde lá em cima vão ter que procurar outro lugar. Já estou de saco cheio de vocês.

Só afirmei com a cabeça e subi correndo pro quarto. Meu coração estava acelerado e a cabeça também. Eles já tinham perdido completamente a noção de quem eu e minhas irmãs éramos. Eles não sabiam de nada mais. Não eram mais meus pais ali, eram só a casca que a droga deixou.

Sentando aos pés da cama, chorei. Eu pensava que conseguiria controlá-los mais um pouco, o tempo suficiente para sair de casa com as crianças. Mas as coisas estavam piorando em uma velocidade que eu não conseguia acompanhar.

Eu tinha medo o tempo todo, do que poderia acontecer, e cada dia ficava mais difícil de lidar. Cansado, deitei na cama e deixei a exaustão me apagar.

Mal dormi e a noite já havia acabado. Acordei com o barulho da TV, as meninas ligaram enquanto esperavam eu acordar. Minha cabeça doía, meus olhos demoraram a focar quando abri. Eu me sentia exausto, fisicamente e mentalmente.

Enquanto eu não conseguisse planejar realmente nossa saída dessa casa, o medo seria uma constante na minha cabeça. E agora eu também tinha outra preocupação, que era descobrir que papeis eram aqueles que meus pais tanto procuravam. Para que eles estivessem tão agitados buscando, só poderia ser alguma coisa importante. E eles também poderiam querer mexer aqui em cima, o que é péssimo, preciso encontrar isso antes deles.

Enquanto ajeitava o café da manhã das pequenas, pensava em tudo que precisava resolver com urgência e em como eu gostaria de contar tudo para Laura e quem sabe ela teria boas ideias de como eu poderia sair dessa situação de merda.

Notas finais
Me deixe saber o que você achou do capítulo! ;)