Love Song
1 Parte I
Notas iniciais
Mais um dia, menos um dia! Esse é o mantra que repito na cabeça enquanto caminho em direção a escola. Ainda estamos na metade do ano letivo, mas estou contando os dias pra finalmente me formar e sair daqui.
Assim que entro na área do estacionamento, vejo os caras da atlética incomodando uma garota. Eles estão sempre fazendo isso e geralmente as garotas daqui não se importam mais. Diferente da que vejo agora... ela parece estar completamente perdida e com certeza é nova por aqui.
Eu poderia só seguir meu caminho como faço todos os dias, mas quando ela grita pedindo pra deixarem ela em paz, acabo desviando meu caminho até eles.
“Vocês não têm outra coisa pra fazer além de incomodarem os outros?”
“Ah, olha só! O esquisitão fala, gente! Por que não vai cuidar da sua própria vida hein? Estamos só conhecendo a novata...”
“Claro. Vejo que ela está adorando conhecer vocês. Caso já tenham terminado as apresentações, a coordenadora pediu pra eu mostrar onde ficam as salas pra ela antes das aulas começarem. Vamos, novata! Até mais, otários”
E antes que eles pudessem dizer ou fazer alguma coisa, puxei a garota pelo braço e saímos andando apressados em direção ao corredor principal da escola.
A menina ainda estava com cara de assustada, mal olhava pra mim enquanto eu a puxava e parecia que ia desmaiar a qualquer momento. Passei direto pelas salas e a levei até a biblioteca. Ficava sempre vazia pela manhã e era meu esconderijo nesse horário.
“Se acalma, garota.” Falei enquanto pegava sua mochila e puxava uma cadeira pra ela sentar. “Você está meio pálida, está bem?”
Não pude esconder o susto quando ela despertou do choque e desatou a chorar e a falar histericamente:
“Bem? Como eu estaria bem? É meu primeiro dia nesse lugar e eu já quero ir embora! Quem eram aqueles caras? Eles não têm cara de estudantes do ensino médio, tem certeza que são alunos daqui? E quem é você? Por que deixaram você passar tão fácil? É amigo deles?”
“Uou! Respira! Não sabia que alguém conseguia falar tantas palavras em tão pouco tempo assim!” Fiquei surpreso com seu estado. Minha experiência com meninas se resume a cuidar de 2 garotinhas, não faço ideia de como ajudar uma jovem assustada. Então fiz o que eu achei que poderia funcionar, tirei um pacote de biscoitos da mochila e a ofereci:
“Quer comer biscoitos ou tomar um copo d’água? Ajuda a acalmar...”. Me senti idiota imediatamente após fazer essa oferta.
“Jura? Você está tentando me acalmar com biscoitos?” E riu de uma maneira tão gostosa que nem parecia estar chorando há um segundo atrás.
“Funciona com as minhas irmãs e pelo jeito funcionou com você também” afirmei segurando a vontade de rir com ela.
“Eu sou Laura. Tenho 17 anos e acabei de mudar de cidade. Meus pais foram transferidos no trabalho e viemos pra cá. Não sou medrosa, mas aqueles caras me assustaram. É estranho estar num lugar onde não conheço ninguém. Obrigada pela ajuda.”
Percebi que tagarelar fazia parte dela. Ela continuou contando coisas sobre sua vida antes daqui, do que gosta e de como não vê a hora de se formar e ir pra universidade de seus sonhos. De como tem cada etapa de sua vida planejada e sobre sua família.
Confesso que senti um pouco de inveja dela, além de espanto por notar que estava ouvindo alguém, que não é Alice nem Aurora, falando sem parar. Isso é uma novidade pra mim. Fiz o que achei que deveria naquele momento, cortando seu falatório:
“Eu sou Dom, também não vejo a hora de terminar a escola e ir embora dessa cidade. Eu te dei uma mãozinha, mas isso não significa que somos amigos ou algo assim. Eu ando sozinho e prefiro assim. Se cuida, Laura.” E fui andando. Antes de fechar a porta da biblioteca, ainda a escutei dizer “vamos ser amigos sim, Dom, você vai ver.”
Notas finais
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