Love Portal
9 Capítulo 9 - There is research to be done
Notas iniciais
Devo ter algo pra dizer aqui, mas não lembro :)
Então, boa leitura.
Reconheci aquela câmara rapidamente; era a que GLaDOS tentou me fazer acreditar que demoraria muito para ser cumprida. Não era tão difícil, realmente; pelo menos não até agora.
— Gostou da nova decoração? — GLaDOS perguntou, pretensiosa.
Aquele líquido mortal cobria todo o chão do lugar, coisa que não existia antes, e agora não tínhamos nenhum cubo, apesar de existirem dois botões. É, pois é: para abrir a porta eram necessários dois botões. O que significava que tanto eu quanto Frank teríamos de ficar sobre eles, e se errássemos, cairíamos no chão e morreríamos. Muito legal.
Frank rapidamente deu um jeito de jogar um portal sobre um dos botões, para que caíssemos ali. Ele olhou para mim, procurando confirmação, e eu assenti. Troquei o portal que ele havia jogado pelo meu, para podermos fazer a ligação com outro, e ele atravessou primeiro. Afastou-se ligeiramente para que eu caísse ao seu lado, e então passamos a analisar o que fazer.
— Acho bom não encostarmos ali, certo? — Frank murmurou, claramente retórico, olhando para a coisa verde/marrom abaixo de nós.
Só havia uma dificuldade, da qual eu me livrei rapidamente. Uma bola de energia estava voando bem no lugar onde estava o outro botão; fiz com que ela atravessasse portais e parasse em um lugar que a fez ativar uma plataforma, mas não precisaríamos disso. Eu só quis, mesmo, me livrar da bola.
Joguei mais um portal sobre o outro botão e estava pronto para ir até ele, quando senti a mão de Frank em meu braço.
— Não, eu vou. A porta vai abrir e você precisa estar aqui pra conseguir atirar um portal do outro lado dela.
Observei a porta e vi que ele tinha razão; o outro botão para abri-la era um pouco mais baixo e, de lá, eu não conseguiria ver o interior da câmara de saída. Suspirei e concordei, não gostando de vê-lo passar pelo perigo de escorregar e morrer de novo.
Mas ele foi perfeito. A porta se abriu e eu fiz o esperado, joguei um portal lá dentro, quando percebi que, de onde Frank estava, não existia nenhuma parede muito próxima para que ele pudesse sair de lá. Só havia uma, um pouco afastada.
— É único jeito — ele falou, com ar de quem pede desculpas. — Eu vou pular.
Fechei os olhos por um momento. Eu realmente não gostava de vê-lo em perigo. Mais uma vez, se ele errasse só um pouquinho, poderia ser seu fim. Meu coração acelerava com esses pensamentos em minha mente, e eu decidi que era bom fazer o que tinha que fazer logo. Ficar prolongando a ansiedade é estúpido.
Joguei um portal na parede meio afastada, e Frank respirou fundo e pulou de uma vez. Sorri assim que vi seu pé sumindo pela parede e, trocando o portal para perto de mim, fui também para a saída, onde ele me aguardava sorridente. Parecia que, nessas horas, esquecíamos de toda aquela situação; éramos só dois amigos brincando com uma arma engraçada.
GLaDOS não falou nada até entrarmos no elevador. Por um momento, eu tinha me esquecido de sua promessa, e sua voz me sobressaltou.
— Espero que controlem seu núcleo emocional dessa vez — ela disse friamente, provavelmente aborrecida por ainda estarmos vivos. —, enquanto prosseguimos com a leitura de suas fichas completas. Como já sabem, vocês e os outros dois humanos tinham pretensões de alcançar sucesso com seu grupo musical, e com isso acabaram aqui. Como parte do protocolo, a Aperture Science avaliou suas personalidades, princípios, gostos pessoais e relacionamentos antes de separá-los, exceto nos testes em que era necessário trabalho conjunto.
— Existe isso? — Frank questionou, surpreso.
— É claro.
— E nós dois já trabalhamos juntos antes?
GLaDOS ficou quieta por um segundo, e eu poderia pagar para ver sua expressão — se ela tivesse uma, claro.
— Não. Relacionamentos fortes demais atrapalham a resolução dos testes.
Eu senti meu rosto esquentar e não precisei olhar para Frank para saber que ele também corava. Eu queria poder perguntar que tipo de relacionamento era aquele, mas acho que não faria isso, de qualquer jeito. Ficaria tão quieto quanto Frank.
— Entre os outros dois — GLaDOS prosseguiu. —, existia mais racionalidade do que em vocês. Eles conseguiam pensar mais calculadamente, focados no objetivo, especialmente Michael Way. Vocês dois, por outro lado, foram mais incômodos. Frank Iero tem “irritante e facilmente perturbável” em sua ficha, seguido de uma narrativa rica em xingamentos de algum momento em que você bateu no coordenador dos testes. Wow. Acho que devo te dar parabéns por isso. Eles eram mesmo idiotas.
Frank riu baixinho e eu o acompanhei, mas quando GLaDOS continuou, nosso sorriso desapareceu.
— Foi por isso que os matei.
Ficamos em silêncio por alguns pesados instantes, até que Frank quebrou o gelo.
— E como você fez isso?
— Neurotoxina. Eles respiraram veneno até a morte.
O gelo voltou a se instaurar, e então GLaDOS retomou a conversa como se não tivesse dito nada demais.
— Gerard Way, infelizmente, não atacou ninguém durante sua estadia consciente. Mas estava, por outro lado, perguntando insistentemente sobre os amigos, querendo saber se estavam conseguindo e quando os reencontraria novamente. Com tudo isso, formou-se uma ideia de suas personalidades, e foi decidido que vocês seriam úteis no futuro. Todos foram muito bem nos testes e, com a promessa de mais dinheiro, vocês repetiram o processo, em câmaras diferentes, com maiores dificuldades e sem nunca se reencontrar. A felicidade que sentiriam ao verem uns aos outros atrapalharia os testes, que precisavam do mínimo de emoções possíveis para serem resolvidos.
— Em outras palavras — Frank a cortou, nervoso. —, vocês separaram a gente e nos testaram tantas vezes que ficamos loucos?
— Exatamente. E depois vocês foram colocados em sono criogênico, junto com muitos outros, para testes futuros. Claro que não esperavam que eu estaria comandando esse lugar quando fizeram isso, mas acreditem, por mais que não se lembrem, os meus testes são muito mais divertidos do que os de antigamente.
— Claro que são — Frank murmurou, fitando o chão.
— Mas vocês não testaram só com portais — ela continuou. — A Aperture Science tinha outros segmentos nos quais era preciso algumas cobaias, e vocês, mais uma vez, serviram. Como parte do protocolo, tiveram que pesquisar o seu passado antes de pisarem aqui, antes mesmo de formarem sua banda.
O elevador subitamente começou a subir.
— E é agora que a história fica interessante — GLaDOS falou, animada. — Vocês passaram por bastante coisa antes de se refugiarem na música. E eu tenho certeza que será muito interessante para meu núcleo de curiosidade avaliar suas reações enquanto descobrem tudo que vocês fizeram.. e que fizeram com vocês.
O elevador parou e aporta se abriu.
— Agora, por favor, podem prosseguir.
Notas finais
É, ela pegou meu fígado. Pra vocês verem o que eu passo pelo simples prazer de escrever. Tsc, tsc.
Beijo -q
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