Love Portal
10 Capítulo 10 - I'd love to get to know you
Notas iniciais
No you girls never know, oh no you girls will never know...
How you make a boy feel! ♫
É, vocês não sabem. -Q
É que eu estou numa maratona de Franz Ferdinand porque pretendo ir no show dele no domingo, se tudo der certo *-* Se alguém aí for de SP, vai ser no Parque da Independência, no Ipiranga. DE GRAÇA. Essa é a melhor parte -qs
Então, espero que gostem, e eu não demorei ok, faz só três dias que postei o último u_u Três dias é o prazo de CERTAS pessoas (que não cumprem, oi), então não posso estar tão ruim assim. Até porque, essa fic é mais difícil de escrever porque preciso jogar os testes bônus (que são bem mais difíceis) pra poder descrevê-los aqui.
Estou falando demais, leiam aí -q
Teste 14. A nova dificuldade dessa câmara era o que eu já imaginava: a falta de um cubo. É sempre esse o jeito mais fácil de GLaDOS complicar nossa vida, pois em quase todos os testes é necessário um cubo em um botão.
Mas, enquanto Frank ainda descobria o lugar, eu já entendera o que fazer. Ter estado lá foi bem útil, e o fato de sermos dois já resolvia a questão.
Cutuquei Frank e o guiei até um botão, onde ele parou e, com isso, abriu uma porta. Gesticulei para que ele ficasse ali e ele assentiu, um pouco confuso, mas totalmente confiante. Virei-me com um sorrisinho besta no rosto. Era bom saber que ele confiava em mim.
Passei pela porta aberta e continuei sem hesitar. Portal aqui, portal lá. Achei uma bola de energia e imediatamente a transferi para um lugar bem atrás de onde Frank estava; ele me viu aparecer pela porta novamente e jogar um portal longe dele, e a próxima coisa que aconteceu foi a plataforma para a saída começar a se mexer.
— Como você fez isso? — Frank perguntou quando eu me aproximei. — Ah, esquece, o que importa é que fez.
Ri baixinho. Ele olhou para mim com um sorriso curioso e eu corei, percebendo que, realmente, ele não disse nada de engraçado. Rir por nada é ridículo, qual o meu problema?
Entramos no elevador, esperançosos. A porta se fechou e a voz de GLaDOS chegou.
— Isso foi muito fácil. Vocês acham mesmo que merecem uma recompensa?
— Ah, qual é! — Frank exclamou, exasperado. — A culpa não é nossa se seus testes são fáceis.
Fechei os olhos, nervoso, mas Frank não pareceu perceber que a provocara. O que de certa forma era bom, porque assim que os testes ficassem mais perigosos ele não se sentiria culpado... mesmo que fosse.
— Estou trabalhando nisso — GLaDOS replicou, e então Frank arregalou um pouco os olhos, assustado. Felizmente, ela continuou a falar e não o deu tempo para pensar: — Ok, continuarei com sua história brevemente. A primeira coisa que me chamou a atenção entre vocês foi sua classe social. Gerard era considerado rico, enquanto Frank não passava de um garoto suburbano com um péssimo gosto para roupas.
— Ei! — Frank murmurou, mas não quis interromper.
— Aparentemente, por razões que não entendo, Gerard não estava satisfeito com sua vida endinheirada. Os históricos escolares e conversas com ex-professores indicam que ele era uma pessoa reclusa e indiferente ao próprio progresso acadêmico, mas que mostrava grande interesse em observar outros de sua espécie... desculpe, seus colegas. Passava o tempo todo em sala analisando as conversas e diversões alheias e escrevendo ou desenhando em seu caderno. Surpreende-me que você tenha concluído o curso.
É, para falar a verdade, também me surpreende... Eu me lembrei vagamente do que ela falava, um sentimento vazio que se estendia por anos, a sensação ao mesmo tempo boa e ruim de estar invisível no meio daquela selva de crianças e adolescentes.
— Frank, estudante de uma escola pública bem distante da de Gerard, era ligeiramente diferente — GLaDOS prosseguiu. — Dava alguma atenção às aulas, ao menos, mas passava mais tempo com os amigos. Um, especificamente. Será que você adivinha qual é?
— Ray — Frank respondeu, um pouco sufocado. Ele fitava o chão atentamente.
— Acertou! Vocês dois eram, por vezes, exatamente como Gerard, calados e parecendo estúpidos aos outros. Vejo que isso não mudou muito.
Frank bufou.
— Não dá pra pular as piadinhas?
GLaDOS ficou quieta por um segundo, e tanto eu quanto Frank entendemos isso como um “não”.
— Em outros momentos, vocês importunavam alguns dos colegas e recebiam detenções diversas. Não demoraram muito para começarem a tocar aquele instrumento barulhento.
— Guitarra — Frank afirmou, naturalmente, e só então ficou um pouco surpreso por ter se lembrado.
— Guitarras, vocês dois. Gerard demorou mais para começar a cantar.
Abri a boca. Cantar?
— Ele cantava? — Frank questionou, tão surpreso quanto eu.
— Sim, ele era o vocalista de sua banda — GLaDOS parecia estar se divertindo, como sempre. — E é ele quem não consegue falar agora. A ironia não é bela?
Não respondemos. Frank lançou-me um olhar de pena, e mais do que nunca eu senti vontade de gritar. Meu Deus, eu usava a voz para me libertar, e era exatamente o que me faltava agora! Não consegui engolir a injustiça dessa “bela” ironia.
O elevador começou a subir.
— Espera — Frank falou, voltando a olhar para cima, como se GLaDOS estivesse lá. — Você só vai falar isso?
— O teste foi fácil. Continuarei depois do próximo.
Era de se esperar. Recostei-me na parede e Frank olhou para mim de novo. Dei um sorriso que devia indicar que eu estava bem, mas acho que não foi convincente, pois ele se aproximou e me abraçou.
— Pode chorar se quiser, ok? — ele murmurou em meu ouvido; meus braços apertavam suas costas, e os seus estavam envoltos em meus pescoço. — Sei que deve ser difícil lembrar de tudo, mas não precisa segurar nada por minha causa, tá?
Assenti e não permiti que as lágrimas descessem, apesar do que ele falava. Eu sabia que não havia problema em me abrir com ele, mas queria que ele se sentisse seguro. Eu não podia simplesmente desabar e deixar que ele carregasse o peso sozinho; afinal, ele não estava fazendo isso. Estava em pé, comigo, erguendo a minha cabeça enquanto eu erguia a dele. Será que ele chegava a entender como isso era importante para mim?
O elevador parou e a porta se abriu. Respiramos fundo, nos olhamos por alguns segundos e saímos.
Se GLaDOS queria provar que seus testes não eram fáceis, conseguiu. Eu me lembrei dessa câmara e sabia que era enorme, mas agora ela também estava modificada, para piorar. Percebi logo que as mudanças não foram feitas estritamente para que a resolução fosse em dupla, e sim só para se tornar mais complicado. Primeiro, voar por portais para passar por cima de uma parede de vidro; fiz Frank ir primeiro e fui logo em seguida. Assim que caímos do outro lado, Frank parou e olhou para a própria arma.
— Eu não estou usando isso. E não vou mais usar, né? Nesses testes eu já deveria ter a arma de dois portais. Você não vai mais fabricar os portais laranjas que se interligam com os meus, vai?
Eu sabia que ele perguntava à GLaDOS, e nós dois já sabíamos a resposta.
— Não. Pode se livrar disso.
Frank suspirou e jogou sua arma para trás. Fiquei um pouco apreensivo, mas se GLaDOS não fizesse mais portais laranjas, e não existia motivo algum para ela fazer, os portais de Frank realmente não serviam para nada. Estávamos completamente nas minhas mãos agora.
Quer dizer, nas da minha arma. Frank poderia usá-la, e eu sabia que ele queria. Sei como é se sentir inútil e não quero que ele passe por isso.
Por enquanto, prosseguimos na câmara e nos encontramos com mais uma bola de energia pronta para ser depositada no lugar certo, com alguma — leia-se: muita — dificuldade. Parei, olhando para o lugar, mas Frank falou primeiro.
— Lá, lá, lá e lá — ele disse apontando para os lugares, e eu fiz o que ele sugeriu rapidamente. Portais em todos os locais em que ele apontara e conseguimos continuar.
Ainda não acabara; precisaríamos voar por portais mais uma vez para passar por mais uma parede de vidro... mas então eu percebi que não. Poderíamos nos apoiar novamente, como fizemos algumas vezes antes.
Coloquei minha arma no chão e fechei as mãos para Frank subir. Ele entendeu e riu, incrédulo, sem acreditar, como eu, que sempre nos esquecêssemos que isso era possível.
— Isso não é muito justo, sabe — GLaDOS falou, em tom desagradável.
— Cala a boca — Frank retrucou, ajudando-me a passar para o outro lado.
Tivemos mais alguns problemas com outra bola de energia e, então, uma plataforma que se movia na direção contrária à que queríamos ir. Por vários minutos, analisamos e tentamos, e Frank acabou pedindo para jogar os portais por mim, pelo menos uma vez. Era meio estranho estar ali, impotente, só o observando agir, mas eu confiava plenamente nele... mais do que seria saudável.
Chegamos ao final da câmara e passamos mais uns bons dez minutos ali, correndo contra o tempo para jogar os portais nos lugares certos. Pareceu-me que GLaDOS não queria deixar o teste restrito à duas pessoas, mas que estava querendo deixar mais complicado a saída de nós dois. Tínhamos sempre de dar um jeito diferente para que nós dois chegássemos ao elevador, e ela provavelmente estava sempre esperando que um de nós abandonasse o outro, porque era o mais fácil a se fazer. Não aprendeu ainda, não é?
Finalmente, então, chegamos. Frank cruzou os braços, talvez incomodado por não estar mais carregando nada, e esperou que ela falasse.
— Prosseguindo — GLaDOS disse, sem nenhum comentário sobre o teste. — O destino de vocês se cruzou quando Gerard se envolveu em uma briga com a família. Seu comportamento estava aborrecendo seus pais há tempos, e a tolerância se rompeu quando Gerard afirmou que sentia atração por pessoas do mesmo sexo.
Olhei para a porta fechada do elevador, sentindo uma pontada de dor de cabeça. Sim, eu também me lembrava disso... um sentimento embolado de ódio e decepção, gritos, lágrimas... minhas roupas sendo jogadas desesperadamente em uma mala, meu irmão me observando atônito...
— Gerard abandonou sua família, como seus pais queriam que fizesse — GLaDOS parou por um momento. — Acho que é isso o que humanos fazem.
Não consegui olhar para Frank, apesar de saber que ele me encarava. Minha cabeça ainda doía e meu peito explodia com as lembranças espaçadas do que eu ouvia.
— Alguns dias depois, para alegria ou desespero de todos — ela continuou. —, Michael saiu de casa e foi atrás do irmão. Os pais perderam o contato com os dois e os filhos tiveram que viver em ruas e abrigos. Em algum ponto nesse espaço de tempo, vocês se conheceram.
— … A área 07 — Frank murmurou, o que finalmente captou minha atenção. Ele me olhou cautelosamente. — Você se lembra? Perto da minha casa, tinha um lugar chamado área 07, onde um pessoal se juntava pra usar drogas e transar. Eu passava lá em frente todo dia e conhecia alguns deles, e você...
Assenti, também me lembrando. O nome não me parecia estranho, e eu conseguia ver Mikey e eu em algum lugar daquele tipo. Estávamos jogados, perdidos. Lembrei-me especialmente da culpa por trazer meu irmão para aquela vida... eram sempre os sentimentos que ativavam melhor a minha memória. E por semanas, sei que tive uma sensação estranha de ir e voltar da realidade, o que, suponho, tenha sido efeito das drogas.
— Vocês se conheceram lá — GLaDOS falou, e o elevador começou a subir. — Encontraram algum interesse um no outro e Frank e Raymond salvaram, aos poucos, os irmãos abandonados.
— Você era diferente — Frank disse, fitando-me, ignorando a robô completamente. — Eu via você lá, você e Mikey, e você não era violento como os outros, nem completamente avoado... você fazia alguma coisa que... ah! Lembrei, você desenhava! Ou escrevia, não tenho certeza, mas você usava pedaços de tijolo para marcar a parede e o chão, e o seu lugar na área 07 era sempre cercado de traços laranjas!
Eu sorri fracamente, não me lembrando muito bem disso, mas alegre por vê-lo tão animado.
— E eu achei isso tão legal, e fiquei pensando se aquilo era só efeito das drogas ou se valia a pena te conhecer, e...
Ele parou, subitamente envergonhado, na mesma hora que o elevador também parou. Eu abri mais o sorriso; queria dizer que tudo bem, ele podia continuar, mas acho que ele mudou definitivamente de ideia. Calou-se antes que falasse algo do que se arrependesse.
Virou-se para sair, mas segurei seu braço. Quando ele me olhou, murmurei, devagar, para que ele conseguisse ler meus lábios: “Você me salvou. Obrigado.”
Ele abaixou o olhar e murmurou um “de nada” quase inaudível, virando-se novamente e indo à minha frente. Eu o segui, sentindo-me de repente mais leve, mas a sensação não durou muito; aquele era o teste 16. Eu me lembrava bem desse, que foi aonde eu descobri que o “bolo era uma mentira”.
Também era o teste onde uma porção de andróides adoráveis tentaram me decepar.
Notas finais
NO YOU BOYS NEVER CARE, oh no you boys will never care, no you boys never care... how a girl feels ♥
Por isso eu não devo ouvir música enquanto escrevo, entendem.
SO, o que acharam? Estão gostando da descoberta lerda do passado deles? ;)
Fale com o autor