Love Of Boarding!
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa Leitura!
O sol nascia no horizonte montanhoso, a nevoa matinal ia baixando lentamente, todos dormiam calmamente em suas camas e alojamentos, todos menos um garoto, que estava de joelho em sua cama ao fundo do alojamento olhando pela janela. Os passarinhos das arvores próximas começavam a despertar em seus ninhos, então o menino assoviou baixo uma melodia parecida com o canto deles, e logo atraiu a atenção deles, que inçaram vôo e pousaram logo depois suavemente no parapeito da janela, aquele garoto transmitia algo, que passava aos animais uma sensação de segurança, permitindo se aproximarem, mas as crianças daquele internato não achavam aquilo uma coisa normal. Então de repente a porta foi escancarada, e o garoto pulou para trás de susto e os pássaros saíram voando, era a inspetora, uma mulher que aparentava ter uns sessenta anos, era magra, de cabelos longos bem escuros de tanta tintura, usava óculos quadrados e um vestido velho bem justo, a mulher então soltou um berro:
– Levantem seus delinqüentes, hora de acordar – ela tocou uma corneta – sem anarquia formem uma fila única e vão já para o refeitório.
E então saiu batendo a porta atrás de si, os garotos se levantaram resmungando e tirando o pijama rapidamente e colocando o uniforme, que parecia mais de presidiários do que de um orfanato e formaram a fila. O garoto que estava perto da janela tentou se juntar a fila, mas foi empurrado para trás por outro menino de cabelo bem escuro espetados.
– Por ultimo, aberração – disse ele.
– Isso mesmo, Stanley ninguém quer você aqui perto some lá para trás – disse outro menino cujos cabelos eram curtos de um tom escuro também, dando outro empurrão no garoto que o jogou contra o chão.
Todos saíram e Stanley continuou ali jogado esperando todos saírem para então se levantar e seguir o caminho do refeitório.
*REFEITÓRIO*
O lugar era enorme, havia quatro grandes mesas postas uma do lado da outra, onde eram dívidas entre os meninos e meninas, Stanley pegou uma bandeja e pegou um pão e o copo de leite, e caminhou até o final da primeira mesa, sentou-se e começou a comer encolhido, todos os garotos e garotas o olhavam como se fosse um inseto a ser esmagado, os dois garotos de mais cedo, se entre olharam e deram um sorrisinho malicioso. O de cabelos espetados molhou um pedaço de pão, colocou na colher da sopa e usou como catapulta laçando o pão contra o rosto de Stanley, que olhou friamente para o garoto, mas logo sua face mudou para pânico, pois todos os outros garotos estavam com as colheres carregadas, foi uma mutilação de pão com cauda de sopa, até que a inspetora correu para afugentar os arruaceiros do refeitório:
– Saiam já daqui seus desnaturados, tanta gente passando fome fora desses portões e vocês aqui desperdiçando, sumam! – berrou ela.
Todos correram, e Stan limpou o pão do rosto com a manga da camisa que usava, e olhou para a inspetora, esperava ouvir alguma palavra gentil ou coisa do tipo, mas foi bem ao contrario:
– Sempre o culpado de todos os problemas, Sr. Cole comece a se comportar ou terei que por você com os outros “casos” difíceis?
– Mas Sra. Miller, eu não fiz nada eles que fizeram como objetivo de vida tornar minha vida um inferno – defendeu-se o garoto.
– Não quero saber, esse é o primeiro aviso, no terceiro você estará confinado no quartinho – disse ela dando as costas para o garoto.
Stanley caminhou até o banheiro para terminar de se limpar antes da primeira aula. Chegou à sala e caminhou rapidamente para o fundo da sala e se encolheu em silencio. A aula passou normalmente, e o garoto ficou aliviado que aqueles tormentos o haviam deixado em paz por um tempo. Na segunda aula, a sala ficou um pouco mais cheia, as meninas chegaram e ocuparam os lugares vazios, o professor chegou e começou a falar:
– Bem pessoal, teremos mudanças nesse semestre, como o festival beneficente está chegando, iremos juntar as meninas com os meninos e trabalhar numa apresentação.
O garoto de cabelos curtos ergueu a mão.
– Sim Viktor?
– Que tipo de apresentação?
– Dança – disse o professor animado.
As meninas ficaram eufóricas, e os meninos encararam o professor com uma cara de espanto e repulsa. O professor escreveu alguns nomes de musicas na lousa e pediu para votarem, deu empate entre “Umbrella – Rihanna” e “Teenage Dream – Kate Perry”, e só sobrou o voto de um aluno na sala.
– Stanley, qual o seu voto? – perguntou o professor.
O garoto encarou a lousa e sussurrou:
– Teenage Dream.
O professor consentiu com a cabeça, e voltou à atenção para o restante da sala:
– Bom já temos a musica – o sinal bate – tudo bem pessoal, vamos começar os ensaios na quarta-feira não faltem.
Na hora do almoço, Stanley passou reto pela porta do refeitório e foi direto para o pátio, um lugar com algumas arvores e bancos, e então se acomodou perto de uma arvore e deixou que a leve brisa o aliviasse de seus temores.
– Hey Viktor, o anormal está sonhando – Stanley ouviu aquilo e estalou seus belos olhos azuis.
– Me deixem em paz – disse ele querendo se levantar, mas suas pernas não o obedeciam.
– Nos de um bom motivo? – pediu Viktor com um sorriso debochado.
–...
– Não ouço nenhum – falou ele – pendurem ele de cabeça para baixo.
Stanley se contorceu tentando se libertar dos braços dos garotos, e acabou acertando a cara do moreno.
– Como ousa seu verme – disse ele virando um soco na boca do estomago de Stanley – com isso você deve aprender.
– Muito bem Jason – falou o outro garoto que o ajudava a erguer Stanley.
– Jason! – berrou histérica uma menina de longos cabelos castanho vindo de dentro do orfanato – como pode bater em alguém indefeso assim?
– Mikaela não se meta nos meus assuntos – falou Jason rispidamente.
– Seus covardes, três contra um – disse uma garota de cabelos loiros ao lado de Mikaela – eu deveria socá-los agora por causa disso.
– Ótimo, as defensoras dos animais chegaram – debochou Viktor.
– Viktor?
O garoto olhou para trás e levou um tapa no meio da cara.
– Phoebe! Por que fez isso? Pirou?
– Para você aprender a parar de atormentar os outros – disse ela, e logo depois foi ajudar Stanley a se levantar, com a ajuda de Mikaela e Sasha, e tiraram o garoto dali.
– Você está bem? – perguntou Phoebe assim que se distanciaram daqueles trogloditas.
– Ah claro, ele acabou de apanhar e deve estar super bem, faça-me o favor Phoebs – disse Sasha, e a outra a fuzilou com o olhar.
– Sim... Obrigado – falou o garoto.
– Bem, não deve ter mais do que alguns hematomas, então deve melhorar daqui algumas horas – falou Mikaela examinando-o.
– Você ficara bem – disse Sasha – temos que ir, a Educação Física nos espera.
– Okay, obrigado novamente – disse o garoto, então elas se foram.
Stanley ajeitou suas vestes e começou a caminhar e quando virou à direita foi surpreendido por Jason e Viktor novamente.
– Se safou dessa vez aberração, mas não terá tanta sorte da próxima vez – disseram os dois empurrando-o contra a parede, e indo embora.
O garoto se sentou ali mesmo, e abraçou os joelhos e tentando resistir ao máximo para não chorar. Minutos se passaram, e o professor da aula anterior, então se aproximou dele e colocou a mão sobre seu ombro.
– Tudo bem Stanley?
Ele balançou negativamente a cabeça.
– Ok venha comigo – disse o rapaz ajudando-o a se levantar e levando-o para dentro.
Chegando à sala de aula, o garoto se sentou em uma cadeira, e o professor apoiou-se na mesa, vendo que o garoto não iria dizer nada começou a falar.
– O que está acontecendo Stanley?
– Nada.
– Se não fosse nada, você não estaria nesse estado.
– Só estou cansado de ser tratado como um intruso nesse maldito lugar – disse rispidamente cuspindo as palavras.
– Mas quem aqui te trata como intruso?
– Todos, desde as crianças até os que mandam nessa espelunca.
– Eu não acho você um intruso – disse o professor.
– Ótimo só você mesmo, professor Norton, mas isso não muda o fato que sou um verme, que nem meus pais me quiseram – falou o garoto ficando com a voz fraca.
– Stanley, não é só porque você está aqui, que você é um verme – disse Norton – você tem que ser a diferença que gostaria de ver no mundo.
– Não creio que eu possa mudar alguma coisa – disse o garoto – estou indo, está na hora de voltar pro alojamento.
Mais tarde naquele mesmo dia, Stanley estava novamente ajoelhado próximo a janela olhando para o céu, viu uma estrela cadente rasgar o céu e fechou os olhos e fazendo um pedido, com lagrimas escorrendo pelos olhos. Então se ajeitou na cama e adormeceu.
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