Love Me Harder
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Notas iniciais
Davi vê Megan e o advogado parados no corredor, conversando em inglês. É óbvio que já está havendo uma cumplicidade ali. Ele sente o a pulsação agitada. Sem esperar mais, aproxima-se dos dois.
“Vocês saíram rápido da sala” Davi os faz virarem para notar sua chegada e, então, dirige-se ao rapaz. “Posso falar um minuto com a sua cliente? A sós” ele destaca bem as últimas palavras, para não deixar margem a dúvida.
“Claro” o jovem advogado sorri, o que irrita Davi ainda mais. Em seguida, o sujeito se vira para despedir-se de Megan. “Foi um prazer, Miss Marra. Nos encontramos mais tarde para tratar dos outros assuntos.”
“Of course” ela retribui o sorriso gentil e os dois trocam beijos no rosto.
Davi sente o estômago revirar. Megan observa o advogado se afastar e, só depois de alguns segundos, volta seus olhos para ele.
“Sorry, Davi, mas eu preciso ir andando. Tenho um compromisso e…”
“A senhorita não vai fugir de mim” ele a segura pelo braço, impedindo-a sequer de pensar em sair dali.
“No way!” ela puxa o braço de volta, encarando-o com um olhar feroz. “Não preciso fugir de ninguém, muito menos de você. O que quer? Fale rápido porque eu não tenho tempo.”
“Creio que não temos muito o que conversar. A menos que você queira discutir algo relacionado à situação da Marra, Mr. President” ela ironiza.
“Não me chame assim” ele chia entre os dentes.
“E você não é mais o Presidente da Marra?” ela arregala os olhos, fingindo surpresa.
“Você não precisa disso comigo, Megan. Ou quer que eu comece a te chamar de Miss Marra?”
“Você já me chamou assim lá dentro da sala de reuniões” ela ergue as sobrancelhas.
Davi retesa a mandíbula, impaciente. “Só fiz isso porque você começou com um tratamento impessoal.”
“Não é impessoal, é respeitoso. Não tenho culpa se aqui no Brazil as pessoas não prezam tanto as formalidades e a boa educação como nos…”
“Por favor, vamos parar com isso” Davi ergue uma das mãos, incomodado com o ar de superioridade dela. “Você não é assim.”
“Assim como?”
“Arrogante. Fria. Essa não é você, Megan.”
As palavras dele parecem ativar algo nela, o olhar de Megan adquirindo um brilho diferente.
“Esta sou eu, sim, Davi Reis. Você me conheceu bem pouco pra opinar.”
“Tem razão. Talvez eu não tenha conhecido todos os lados da Megan Marra. Esse seu novo lado eu não conhecia e nem gosto.”
“Pois eu não estou aqui para agradar nem a você nem a ninguém.”
Davi engole em seco. “Tem razão. Mas, de qualquer forma, você mudou, Megan. E… acho que não me acostumei a essa mudança. Nem quero.”
“Pois é bom ir se acostumando. As pessoas mudam, right, Davi? Faz parte da vida.”
Ele aperta os lábios, meneando a cabeça. Não pode dizer que ela não tem razão. “Confesso que me surpreendeu ver você aqui, tratando dos assuntos da Marra. Antes você não ligava muito pra isso. Quer dizer, se mantinha à distância desse tipo de coisa, reunião, negociações…”
“Não era você um dos que me dizia que eu precisava me interessar por alguma coisa? Minha mom também vivia dizendo que eu devia me interessar pelos negócios da família.”
“Que bom que o que a gente dizia influenciou de alguma forma positiva.”
“Well, a partir de agora eu vou estar à frente de todas as decisões importantes da Marra. Pelo menos por um tempo, é bom se acostumar com a minha presença por aqui. Não que eu lhe deva alguma satisfação…”
Outro soco no estômago de Davi. Mais forte desta vez. Ele precisa de alguns segundos para conseguir falar novamente.
“Você é a dona disso tudo. Realmente não me deve satisfações. Mas, pelo menos em outro aspecto, acho que eu tenho direito de perguntar… sobre o que aconteceu aquela outra noit-”
“Oh shit!” ela olha para o relógio de pulso, em seguida para ele. “I´m sorry, desculpe, mas eu preciso ir andando. Excuse me.”
E, com isso, Megan abre caminho, passando por ele e deixando-o para trás no corredor.
*
7 dias depois…
Aquela tentativa de conversa foi só o começo. Ainda ficaria mais difícil. Disso, ele não tinha ideia naquele dia. Mas, hoje, uma semana depois, está claro como a água.
O advogado gringo não só veio para ficar, mas agora anda bem próximo de Megan. E ela dele. Davi pôde observar de perto nesses últimos dias como os dois não se desgrudaram, como estão sempre juntos — nas reuniões, na cafeteria, nos corredores da Marra. Por onde ele passe, parece que o par se materializa no mesmo local.
Seria complicado suportar a arrogância do sujeito por si só, mas ter que vê-lo confabular com Megan e a loira concordar com ele sempre, chega a ser insuportável. Davi sente que está chegando ao limite.
E, para completar o quadro, ela não está facilitando em nada as coisas. Suas tentativas de aproximação, de iniciar finalmente uma conversa — uma de verdade! — ficam cada vez piores. Quase nunca conseguem se falar e, quando acontece, é sempre sobre questões de negócios. Pro inferno! Ele não quer falar de negócios com Megan. Quer falar sobre… sobre o que mesmo?
Sobre os dois e sobre como foi burro por perdê-la? Sobre como agora tem que engolir vê-la tão próxima de outro cara, de um que lhe dá azia?
Ora, Davi! Patético! Ele repete as palavras mentalmente enquanto passa o dedo na borda da xícara de café quase vazia. Sentado próximo à grande janela da cafeteria da Marra, olha para a paisagem lá fora. Nada parece muito atrativo ultimamente. Já não tem mais reparado nas coisas como antes. Até mesmo seu entusiasmo com a Brazuca arrefeceu.
Ele suspira, frustrado. O que está acontecendo? Como sua vida pode ter dado um giro tão grande em tão pouco tempo?
“Oh, I know it! It´s so great!”
Ele escuta a voz e a risada dela. Vira o rosto no mesmo instante, procurando por ela, só para encontrá-la — novidade! — com o gringo a tiracolo.
“Megan, the party girl” Ricky sorri, puxando a cadeira de uma das mesas do espaço e esperando ela se sentar.
“So sweet, thanks” Megan retribui o sorriso, tomando assento. “And I´m an ex party girl, my dear.”
“Really?” Ricky senta em frente a ela e estreita os olhos, como quem não está acreditando muito no que ela diz — que não é mais uma festeira.
O inglês de Davi não é de nível avançado, mas é o suficiente para se virar e especialmente para compreender o que eles estão dizendo. Não é a primeira vez. Por várias vezes já os surpreendeu assim, conversando animadamente no idioma materno. Talvez esse seja um dos fatores que os aproximam ainda mais. Dois estrangeiros se encontrando numa terra distante. Davi conhece bem a necessidade de se sentir identificado com algo ou alguém, especialmente quando se é diferente do bando. E isso é uma das coisas que mais o aborrece nessa amizade entre Megan e Ricky Jones. Por que raios eles tinham que ser tão parecidos? Está na cara que o sujeitinho é rico, de família tradicional, e adora aproveitar a vida. Exatamente como Megan. Ou, ao menos, como era a Megan que conheceu. A de agora tem se mostrado tão diferente que já nem sabe mais quem ela é.
“Yeah, really. I´ve changed a lot. I´m not the same anymore.”
Ela mudou. Não é mais a mesma. Davi não pode concordar mais com o que Megan acaba de dizer. Levando a xícara à boca e tomando o último gole — frio e amargo — do café, seus olhos não conseguem deixar a dupla sentada a duas mesas de distância. Estão tão entretidos um com o outro que nem se deram conta ainda da sua presença. A sensação amarga no fundo da garganta aperta. Seus olhos e seus ouvidos estão focados nos dois e na conversa. Ricky faz cara de triste, dizendo que ela acaba de frustrar o convite que ele estava prestes a fazer.
“Invitation?” Megan repete, olhando para Ricky com surpresa.
“Yep” o sujeito ri, mordendo o lábio antes de seguir falando sobre a inauguração de uma boate na zona sul da cidade.
Blackout. Davi se lembra de ter lido em algum site a respeito, além de ter uns panfletos e convites VIP na sua sala. Como presidente da Marra, recebeu as cortesias há alguns dias. Nem deu importância, como costuma fazer com todos esses convites de festas e inaugurações que têm recebido desde que assumiu o posto, mas ao ouvir Ricky dizer o nome do lugar, a associação vem à sua mente sem dificuldade.
“I don´t know, Ricky…” Megan hesita.
“Come on, it will be fun, Megs!”
Megs? Que merda de apelido e que merda de intimidade é essa? Davi sente a cabeça latejar de irritação.
Ricky ainda está tentando convencer Megan a aceitar o convite quando, de repente, ela se volta para onde Davi está. E o vê.
*
Oh God!
Ele.
Sentindo a mesma pontada de nervosismo que tem sentido na última semana cada vez que seus olhares se cruzam, ela trata de desviar, voltando a encarar Ricky. Não era seu plano original aceitar nenhum tipo de convite dele, mas…
“You´re right. I´m in!”
Sem querer, seus olhos procuram a reação de Davi duas mesas à frente. Ele a encara, imóvel. Mas a expressão no rosto dele lhe diz que ele não está tão indiferente assim. Em questão de segundos, Megan faz registro da mandíbula apertada, dos olhos estreitados e da linha fina que os lábios apertados formam. Um sorriso de satisfação faz cócegas no canto de sua boca.
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N/A: Para quem não saca muito de inglês, espero ter ficado claro o teor da conversa entre Ricky e Megan, apesar de não traduzir palavra por palavra, procurei deixar o sentido exposto no texto através do Davi ;)
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