Notas iniciais
A novela/tortura acabou *o* mas a fic continua porque ninguém merece aquela final de m*! Vambora que pelo menos pra Megavi a coisa aqui tem solução. Aí, Globo: modéstia a parte, já pode me contratar ;)

Ela sente o calor inevitável percorrer seu ventre. O arrepio subir pela espinha. E a velha e conhecida sensação de não ser dona dos próprios sentidos.

Ele continua a encará-la, ofegante. “Você parece que tá fugindo de mim.”

“Fugindo? No…” sua voz não é mais que um sussurro débil.

“E o seu acompanhante? Vocês não se desgrudaram a noite toda.”

Ela detecta uma nota de ciúme na voz dele? O sorriso de satisfação no canto de seus lábios é inevitável.

“O que isso importa? Eu não sou mais sua nam-”

Ela não tem tempo de terminar a frase. No sua, a mão dele em torno de seu pulso aperta um pouco mais.


*


Ela não é mais sua. Davi sabe disso, e é o que mais dói. Saber que a perdeu. E por sua própria culpa. Mesmo assim, o orgulho fala mais alto.

“Foi você quem terminou comigo, Megan” sua voz sai completamente rouca, carregada de mágoa.

“Eu só lhe poupei o trabalho” ela rebate.

Sua cabeça roda. Nunca imaginou que quando finalmente conseguissem conversar de novo, esse seria o tom. Orgulho. Mágoa.

“Você nem me deu chance de tentar me explicar… simplesmente fugiu. Foi embora.”

“Eu não tinha mais o que fazer aqui” ela tenta puxar o pulso de sua mão, mas Davi não deixa.

Seus dedos seguram mais firme a pele quente e suada, sentindo a veia fina pulsando forte abaixo deles.

“Você fugiu, sim, Megan. Como está tentando fugir de novo agora.”

Sim, ele a enfrenta. Com os olhos, com a proximidade que não permite ser rompida. Suas respirações roçam o rosto um do outro e ele sente, para além da crescente raiva e da ansiedade, uma vontade incontrolável de beijá-la.

Sem pensar, ele se deixa levar…


*


Suas mãos ainda estão no peito dele, bem perto da parte molhada de champanhe do tecido. Seus olhos, presos aos dele.

A respiração acelerada de Megan parece simplesmente parar quando o rosto de Davi se aproxima perigosamente… seria o momento perfeito para empurrá-lo e se afastar. Mas, em vez disso, a força estranha do passado a domina por inteiro e não há volta.

Ela se rende quando os lábios dele tomam posse dos seus, bruscamente, a princípio. Como se ele temesse que ela pudesse mesmo escapar. Mas ela não tem a menor chance assim que o hálito quente dele invade sua boca, pedindo passagem. Sua única saída é permitir a entrada e unir-se à exploração.

Quente. Suave. Os lábios de Davi continuam exatamente os mesmos. Mas agora muito mais exigentes. Ele parece querer tragá-la, ela sente a mão dele em sua nuca, os dedos afundando entre seus cabelos, fazendo-a inclinar o pescoço de modo a permitir melhor acesso à língua faminta.

Megan geme baixinho, sua cabeça girando e girando… champanhe misturado à essência de laranja… deliciosamente perigosa.

Como ela nunca fugiu do perigo, suas mãos apertam o tecido da camisa dele entre os dedos, a língua unindo-se à dele na coreografia molhada e delirante.

São segundos, ou minutos — ela perde a noção — de desespero e prazer. Ela sente o golpe atingi-la mais rápido do que esperava, a sensação úmida e quente, inconfundível, abrindo espaço entre suas pernas.

Jogando sua cabeça de lado, ele geme e morde seu lábio inferior.


*


Com uma fome quase primitiva… assim ele a devora num beijo que resume meses de conflito, desespero e vontade.

Davi nunca se sentiu assim antes. Tão descontrolado, faminto, insano. Não é apenas tensão sexual acumulada, mas também a vontade louca de expurgar seus demônios de culpa e covardia.

Agora que ele a tem novamente nos braços, o desejo de mantê-la assim é maior e mais forte do que a razão. E imaginar que há poucos minutos atrás ela estava nos braços de outro… isso o enfurece e ele imprime tal fúria no beijo mordendo o lábio inferior dela.

Megan grunhe, mas não o repele. Pelo contrário, ela se agita ainda mais, as unhas cravando em sua pele abaixo da camisa, os lábios sugando os seus com voracidade.

Quando se dá conta, suas mãos estão deslizando das costas nuas até o contorno do traseiro feminino… Davi a aperta junto ao corpo, o seu respondendo mais rápido do que teria imaginado. Aperto. Constrição. Desejo.

O som de passos ecoa no piso de concreto do estacionamento, rompendo a bolha que envolvia apenas os dois num momento perfeito.


*


Megan ofega, empurrando Davi e tratando de recuperar o que lhe resta de dignidade. Olhando para os lados, ela vê ao longe um casal passar em busca de seu carro. Reconhece a mulher como uma das acionistas da Marra.

Recuando alguns passos para evitar ser vista, ela sem querer acaba tropeçando na taça caída no chão. Davi se apressa em segurá-la, mas Megan consegue recuperar o equilíbrio antes que ele volte a tocá-la, mantendo uma prudente distância entre os dois.

Passando a mão de qualquer jeito pelos cabelos, ela se recompõe, já batendo em retirada. Porém, a mão de Davi, mais uma vez, é mais rápida e a segura.

“Aonde vai?”

Sem encará-lo, ela dá uma resposta rápida a atropelada, incapaz de libertar a mão que ele segura na dele. “Vou pegar a bolsa, as chaves, o meu carro…”

“Você vai sair de carro? Você bebeu!”

“O que isso importa pra você?”

Você me importa, Megan!”

Seus olhos finalmente se atrevem a encontrar o rosto de Davi outra vez. E Megan engole em seco. A palpitação que sente no peito ela credita ao fato de que seus batimentos ainda não voltaram ao normal depois do beijo, e não por se sentir tocada pela sinceridade do olhar e das palavras dele.

Sem ação, ela se rende, mais uma vez, ao poder que ele ainda exerce sobre ela… a mão ficando quente e mole na dele.

“Eu também bebi e não vim de carro. Vou chamar o motorista da Marra pra te levar pra casa.”

No, não é precis-”

“Por favor, Megan.”

Assim ele já está pedindo demais do seu auto-controle…


*


Ele a acompanha até o carro, o motorista segurando a porta aberta. Antes que Megan entre, Davi se aproxima para se despedir.

“Ele vai te levar em segurança. Boa noite.”

Novamente sem pensar, ele avança e deixa um beijo suave no canto da boca macia e inchada. E sente a pequena arfada que ela libera diate do carinho inesperado. Ele vê os seios dela se arrepiarem sob o tecido do vestido.

Com um sorriso no rosto, Davi se afasta para deixá-la entrar no carro. O motorista fecha a porta e corre para tomar assento no banco do motorista, colocando o veículo em movimento.


*


Nenhum dos dois falou nada sobre o beijo trocado minutos antes. Seria como se nunca houvesse existido se ela ainda não sentisse a vibração em sua pele causada pela contato recente, os lábios inchados, o corpo super aquecido.

Olhando pela janela, ela o vê parado no meio do estacionamento, as mãos nos bolsos da calça, o olhar fixo nela enquanto o carro vai saindo. Ao se afastarem mais, seus olhos buscam pela imagem dele no retrovisor, por onde o vê ficar cada vez menor, até desaparecer de vista.

Então, o que ela encara são os próprios olhos refletidos no espelho. Vivos. Brilhantes de desejo. Uma juba loira descomposta e uma boca vermelha, denunciando o que acabou de fazer. Caiu novamente na armadilha em que havia jurado nunca mais se deixar prender.