Love Me Harder
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Notas iniciais
“É uma festa para comemorarmos e oficializarmos o fechamento dessa parceria que é muito importante nesta fase de reerguimento da Marra” Pamela comenta, o ânimo visível em sua voz e sua expressão.
Megan sorri para a mãe, incapaz de ficar imune ao contentamento dela.
“Eu sei, mom. E fiquei feliz quando soube desse negócio com esse investidor internacional.”
“Você já sabia?” Pamela surpreende-se. “Mas, como?”
Megan lança um olhar para a avó, sentada ao seu lado no sofá. Berenice meneia a cabeça de modo cúmplice e a neta se volta novamente para a mãe.
“No último mês eu venho mantendo contato com um dos acionistas da Marra Brasil, mom. Isso, claro, através de um dos advogados da grandma.”
“Oh” Pamela olha de Megan para Berenice, realmente surpresa com a revelação. “Eu não fazia ideia, Sweetie. Você nunca comentou nada…”
“Eu não achei que era necessário. Pelo menos até agora” Megan apoia uma das mãos sobre o joelho, assumindo a postura segura que adquiriu nos últimos meses. “Eu queria alguém que me mantivesse informada sobre o andamento da empresa, afinal, ela um dia vai ser minha por direito, right?”
“Of course. É claro” Pamela meneia a cabeça afirmativamente.
“So, eu pedi a ajuda da grandma nisso, e ela gentilmente me indicou um dos seus advogados que tem me assessorado. Ele vem mantendo contato com esse acionista da Marra desde então, cujo nome eu prefiro não revelar. Foi através dele que eu soube desse novo negócio. E também da saída de Manuela e de Davi assumindo a presidência.”
Pamela fica visivelmente sem graça. Ela nunca comentou nenhum dos assuntos com a filha.
“Megan, Sweetie, eu não lhe falei nada a respeito dessas coisas porque você nunca se importou com os negócios. E sobre Manuela e Davi, bem, você saiu daqui super chateada comigo e com ele por termos pedido a ajuda dela…”
“Não precisa me dar explicações, mom” Megan a interrompe. “Eu sei que teve os seus motivos pra me manter à margem dessas informações.”
“Mesmo assim, Megan, Sweetie… eu quero que saiba que me arrependi de recorrer à Manuela. Você estava certa desde o início sobre ela, mas eu estava desesperada… sem saída… mas depois que Manu se mostrou uma inconveniência total para a Marra, não me restou outra alternativa a não ser pedir a ajuda de Davi.”
“Tudo bem, mom. No final, você fez a escolha a certa. A que devia ter feito logo desde o começo. Mas a sua teimosia e a do Davi impediram que as coisas fossem resolvidas como deviam ser logo de cara.”
Pamela engole em seco. “Sorry, baby girl. Você perdoa a sua mom teimosa?”
Megan se levanta do sofá e se ajoelha sobre o carpete, bem diante mãe que está sentada numa das confortáveis poltronas da sala do que um dia foi o lar da família Marra.
“Mom, eu não estou aqui para acusar você de nada.”
“Mas eu assumo o meu erro. Confiei numa pessoa que se mostrou de índole duvidosa para estar a frente de um cargo tão importante.”
“Shhh” Megan leva um dedo aos lábios da mãe. “Não vamos falar mais disso. O que passou, passou. Okay?”
“Okay” Pamela sorri, apertando com carinho a mão da filha entre as suas.
As duas se beijam e Berenice, de espectadora, sorri.
“Que cena mais bela! Mãe e filha voltando a se entender.”
“É, não é?” Megan sorri para a avó, ainda abraçada à mãe.
Pamela seca uma lágrima furtiva de emoção. “Ah, Berenice… Megan é o que eu tenho de mais precioso. Estar aqui com ela, sabendo que ela já me perdoou, é a melhor das recompensas.”
“Eu imagino, chérie” Berenice alisa a longa saia de seda, ainda sorrindo.
“E Megan está me surpreendendo, hã?” Pamela volta a encarar a filha. “Toda interessada pelos negócios da família.”
“Já era tempo, não, mom?” a garota a aperta nos braços.
“E está me saindo melhor que a comanda” Pamela acaricia o rosto da filha.
“Encomenda, mom” Megan a corrige carinhosamente, beijando a mão que ela corre por seu rosto e levantando-se em seguida, pondo-se de pé.
Ajeitando o calor de pérolas, Berenice se dirige à Pamela. “Me fale mais sobre essa festa de amanhã, mon cher…”
“Oh, como eu estava dizendo, é uma festa para formalizar o fechamento do novo negócio. Não vai ser tão grande porque é apenas para poucos e seletos convidados, na sua maioria empresários do ramo de tecnologia que mantêm negócios ou boas relações com a Marra. Vamos ter a presença também de alguns convidados da imprensa especializada, claro.”
“Soa interessante” Berenice comenta. “Vai trazer visibilidade para a Marra e para o novo investidor. Isso deve repercutir muito positivamente no mercado.”
“É justamente o que esperamos, Berenice.”
Enquanto as duas mulheres conversam sobre o assunto, os pensamentos de Megan voam para longe. Ela se aproxima da grande parede envidraçada que dá vista para o jardim de inverno. Não consegue deixar de rememorar o reencontro inesperado com Davi há pouco mais de uma hora atrás.
Já sabia que iria reencontrá-lo em algum momento. Que teria de encará-lo, mais cedo ou mais tarde. E até o momento em que tornou a vê-lo, achava realmente estivesse pronta para isso. Mas não. Mero engano. Ao esbarrar com ele na sala de reuniões da Marra, ao vê-lo diante de seus olhos, essa certeza se esvaiu como fumaça.
Esfregando os braços, Megan suspira, lembrando-se de como seu coração disparou naquela hora. De como ver os olhos escuros dele outra vez quase a fez voltar ao passado e perder-se de novo. Mas foi justamente a lembrança das dores desse passado o que a fez recompor-se depressa o bastante para não cair na velha armadilha. Ela quer esquecer o que ficou para trás. Saiu desse país decidida a isso, precisou lembrar-se naquele instante de que está voltando com a mesma decisão.
Mesmo assim… mesmo sabendo que fez o certo ao ignorar Davi e tentar manter-se imune a ele, ela não pode negar para si mesma que revê-lo causou uma espécie de abalo em sua nova estrutura. Por isso fugiu do olhar dele a todo tempo naquela sala, especialmente depois que ele tocou seu braço… foi uma sensação instantânea de choque. Arrepio por todo seu corpo. Por sorte, sua força interior foi maior e ela conseguiu manter a fachada firme. Não daria a ele o gosto de saber que ainda mexe com ela. Não mais.
“Champanhe para quem tem sede!”
Ao ouvir a voz e os saltos de Dorothy entrando pela sala, Megan se repreende por estar sequer pensando em quem deve esquecer. Afastando-se da parede envidraçada, ela sorri e vai ao encontro das três mulheres que estão se reunindo em torno da bandeja de prata com o balde de gelo.
*
Quase 24 horas depois...
Davi tenta a todo custo se concentrar nos últimos detalhes do relatório da Brazuca em que Ernesto pediu sua revisão. No entanto, seus pensamentos — não só agora, como ao longo de todo o dia — estão ocupados em grande parte por ela.
Megan.
Exatamente como na noite passada. Sua insônia depois de revê-la foi inevitável. Mesmo não querendo, seus pensamentos insistiam em voltar para a sala de reuniões da Marra, revivendo cada minuto daquele reencontro. Sentindo a distância do olhar dela. Por alguns minutos ele a teve tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe…
Davi tinha sonhado por diversas vezes com o dia em que a veria de novo. Nenhum desses sonhos passou nem perto da realidade. Pelo menos em todos eles tinha a chance de falar com ela. Falar de verdade. Uma conversa franca e sincera.
Pena que isso não foi possível logo de cara. Mas Davi tem certeza de que esse momento de acerto vai chegar. E, enquanto espera, sua mente parece não querer desviar dela…
“Megan, Megan…” ele se pega murmurando sozinho, no meio de sua sala na Marra.
“Boss, está tudo pronto e os representantes do nosso investidor já chegaram” a voz de Murphy o arranca do seu mundo interior.
“Ah, certo. Eu já vou encontrar com eles.”
“Mrs. Marra, digo, Miss Parker também já chegou. Ela está com os representantes no salão de festas há alguns minutos.”
Davi olha para o relógio. “Droga! Acabei perdendo a hora” ele deixar escapar um suspiro de frustração. Faz quinze minutos pelo menos que devia ter deixado sua sala e ido para o andar da festa.
“Percebi, Boss. Por isso mesmo vim chamá-lo.”
“Eu já vou me encontrar com eles. Não queria que a Pamela tivesse que recepcionar os caras sozinha.”
“Ainda está em tempo, Boss. Vamos.”
Sempre solícito, o assistente segura a porta para que Davi passe. Agradecendo com um meneio de cabeça, o presidente da Marra toma a dianteira do caminho rumo ao elevador.
O espaço reservado na sede da Marra Brasil para as grandes recepções e festas fica exatamente no último andar. Durante o caminho, Murphy vai repassando alguns pequenos detalhes sobre os investidores para Davi. Coisas básicas como os primeiros nomes de cada um deles e se têm filhos ou não, de modo que ele possa travar uma conversa tendo um norte, o que também demonstra o mínimo de consideração pelos novos parceiros de negócios.
Quando o elevador se abre no andar de destino, Davi ajeita o colarinho da camisa social por baixo do blazer escuro. Ele nunca se sente muito à vontade com roupas tão sérias, mas, atualmente, não tem escolha. Precisa passar uma imagem perante o mercado e a mídia — detalhes que o incomodam, sim, mas tem tentado se adaptar à nova e necessária situação.
“Certo, Murphy. Valeu por repassar as informações pessoais dos sujeitos comigo” ele agradece, batendo no ombro do assistente antes de sair do elevador.
“Estou aqui pra isso, Boss” o indiano responde com um sorriso de orgulho.
Davi retribui, sorrindo também. Mas o gesto é fugaz… congela e se desfaz em questão de segundos, assim que seus olhos caem sobre uma figura longilínea e elegante, num vestido prateado moldado ao corpo como uma segunda pele. Uma cascata de cachos dourados caindo pelas costas nuas, expostas por um profundo e insinuante decote.
Ele tem dificuldade em tragar a saliva. A alguns metros de distância, ela não o vê. Com uma taça de champanhe na mão, conversa animadamente com um sujeito alto e moreno, que não para de sorrir um só minuto.
Davi sente o calor correr por seu sangue. Incapaz de desviar os olhos da cena, é somente quando Murphy toca em seu ombro que ele sai do transe.
“Boss, vamos em frente? Miss Parker e os representantes estão logo ali do outro lado.”
Piscando, Davi se esforça para trazer o foco de volta ao trabalho e olha para o assistente com um breve meneio, muito mais por necessidade do que por convicção.
“Vamos.”
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