Notas iniciais
Antes de qualquer coisa: amei os comentários sobre os dois capítulos anteriores, especialmente o 15. Que bom que consegui mexer com vocês e deixar todo mundo ansioso para ler mais. E aqui está a continuação. Divirtam-se ;)

Sem conseguir — sem querer — evitar, Davi a traz junto de si, os braços envolvendo a cintura fina de Megan, as costas dela contra seu peito, que ele sente batendo forte como nunca antes. Seus olhos pesam, mas insiste em mantê-los entreabertos, assim como os lábios, por onde o ar escapa em arfadas mornas e constantes, ao mesmo ritmo de seus batimentos apressados.

Inclinando um pouco o rosto, de modo que sua boca quase toca a orelha esquerda de Megan, ele deixa a mão direita subir pela barriga plana da garota, que cede, amolecida ante a carícia.

Davi desliza o rosto contra as mechas loiras que caem pelo ombro dela, o nariz roçando a pele perto da orelha que seu hálito acaricia. E, então, seus lábios tocam o lóbulo quente, prendendo-o de leve, mordiscando suavemente em seguida.

Um gemido longo e arrastado sai da garganta de Megan, soando como música de incentivo aos ouvidos de Davi. Sua boca toma posse da orelha delicada, cobrindo-a quase toda, e ele escuta a sinfonia de novos gemidos de prazer emitidos por ela.

A mão esquerda de Davi, até então pousada sobre a cintura dela, se move um pouco, deslizando até o quadril arredondado, coberto pelo tecido fino e quente da calça social que ela veste.

“Davi…”

Ele escuta o próprio nome sussurrado na voz e no sotaque inconfundíveis que nunca saíram de sua mente nesses últimos meses. E sente a cabeça girar um instante, as sensações e emoções se misturando de maneira intensa demais.

Inspirando, Davi liberta a orelha de Megan, atrevendo-se a levar os lábios até o pescoço esguio, por onde eles descem, suaves e delicados, provando a textura e o calor da pele macia de que tanto sentiu falta. Ela reclina a cabeça mais para trás, concedendo-lhe melhor e mais amplo acesso, repousando-a contra seu ombro. Sua mão, que viaja lentamente pelo ventre dela, aventura-se mais alguns centímetros acima, aproximando-se perigosamente da base dos seios provocantes.

Davi arfa, engasgando brevemente com a própria respiração. Sente o braço de Megan erguer-se e contornar seu pescoço, a mão e os dedos se perdendo entre os cabelos em sua nuca. O corpo dela está completamente mole em seus braços, ele sente. A respiração dela é tão ou mais agitada que a sua, a barriga e o peito subindo e descendo num ritmo agitado o bastante para atestar isso.

Abrindo os olhos, ele vê os montes arredondados exibindo bicos nitidamente arrepiados por baixo do tecido fino da blusa branca. Tragando a saliva com força, Davi sente a fisgada característica em sua virilha. De repente, seu corpo parece confinado na velha calça.

Arriscando tudo, ele deixa a mão subir um pouco mais e tocar um dos seios firmes, confinado no bojo de renda que seus dedos identificam sem dificuldade, e, instintivamente, eles o apertam de leve, o gesto arrancando um novo gemido da garganta de Megan.

Repetindo o mesmo movimento com a outra mão, no outro seio, Davi sente o corpo inteiro tomado pela sensação elétrica que o percorre dos pés à cabeça. Por fim, suas mãos interrompem as carícias para virá-la de frente para si.

Os olhos de Megan se abrem lentamente, pesados, caindo sobre os seus em poucos segundos. E os dois sabem o que está prestes a acontecer… o que ambos desejam. Com o coração e o pulso vibrando forte em seus próprios ouvidos, é com certa dificuldade que ele a escuta murmurar alguma coisa que não entende de imediato. Piscando, umedece os lábios com a língua antes de recuperar a voz.

“O que disse?”

Ele vê os olhos de Megan caírem para sua boca, um pequeno choque percorre seu abdômen, antecipando o que tanto quer continuar a fazer com ela. Suas mãos a apertam pela cintura, sente o corpo dela mole e pronto a ceder. No entanto, o que ela hesita um instante em repetir torna-se a claro em seguida, derramando-se como um balde de água fria.

“Eu tenho que ir…”

*

Ela tenta resistir. Semicerra os olhos, mas as pernas amolecem sem piedade.

“Eu… eu preciso ir” balbucia as palavras, os olhos agora fixos nos lábios de Davi.

Megan mal acredita na força que consegue reunir para dizer isso. Mas sente que se não escapar agora, não vai ser capaz de fugir do que ainda sente por ele. Só que a cada segundo que passa se torna mais difícil. Especialmente ao ver os olhos dele pousarem sobre seus lábios.

“Você precisa ir mesmo?” o sussurro dele roça a pele de seu rosto, arrepiando-a.

Sente a mão de Davi deslizar por sua face, afastando uma porção das mechas loiras, os dedos fazendo uma carícia lenta e provocante, fazendo-a fechar os olhos diante da sensação. Megan vira a cabeça ligeiramente, roçando-a contra a palma quente dele.

O interior de Megan se aquece por inteiro. E é como reacender uma velha chama, porém, com um toque novo, um ardor distinto. Ela quer muito senti-lo outra vez… ainda que seja a última. Diante desse pensamento, abre os olhos e encontra os dele fixos em sua expressão.

*

Davi não se conforma. Segundos atrás ela estava gemendo com seus carinhos, agora mesmo ela está fraca em seus braços, como pode vir com essa de ir embora? Não. Ele não vai deixá-la ir.

Balançando a cabeça com determinação, as mãos que mantém em torno dela apertam mais a carne macia.

“Você não vai. Eu não vou deixar.”

Ela pisca, os lábios tremem de leve, hesitantes, mas, por fim, conseguem formar as palavras. “Tenho que pegar um voo amanhã cedo.”

“O quê?” os olhos de Davi se estreitam. “Mas já?”

Sorry, Davi” ela sussurra, evitando o olhar dele. “Eu já tinha programado…”

Ele sente uma fisgada aguda e dolorida no meio do estômago. Desconfiava de que ela já estivesse com passagem comprada, mas nunca imaginaria que ela fosse deixar o país tão cedo. Lutando contra a onda quente que se apossa de sua garganta e seus olhos, Davi sente os dedos se enterraram na pele da cintura delicada, amassando o tecido da roupa cara. Não. Ele não pode deixá-la partir assim, não pode terminar desse jeito o último encontro dos dois.

*

Megan vê os olhos dele brilhando sob a iluminação suave do recinto. E vê perfeitamente neles, e nas feições de Davi, um carinho diferente. E desejo também, claro. Uma mistura tão perfeita e complexa quanto perigosa.

Ela, no entanto, deixa-se arrastar pela onda forte e convidativa. Assim que a outra mão de Davi toca seu rosto, ela as cobre com as suas — não para afastá-las, mas para mantê-las ali — enquanto inclina o rosto em direção ao dele, fechando a distância…

*

Sem pensar, e sem dar chance nem espaço para que ela pense duas vezes e escape, o rosto de Davi avança sobre o dela e sua boca toma posse dos lábios de Megan num beijo. Ela não esboça a menor resistência, ao contrário, cede prontamente ao toque, permitindo a invasão, a língua doce e quente recebendo a sua.

Davi sente a cabeça rodar depressa em poucos segundos. O efeito de tê-la nos braços e beijá-la outra vez tirando-o do prumo. Assim que se recupera, porém, ele a está envolvendo com firmeza pelas costas com um dos braços, o outro se enroscando feito uma serpente na pequena cintura, prendendo-a junto ao seu corpo.

E eles estão se beijando de novo. Com volúpia. Com saudade e intensidade. Suas respirações se misturando, ecoando no ambiente assim como o som molhado de suas línguas se buscando e se reencontrando.

*

Seus lábios se tocam de comum acordo, assim como suas respirações se misturam. É como cair em água quente, num banho delicioso e perfeito, as dúvidas, os medos e os ressentimentos sendo lavados. São apenas ele e ela, a saudade e as sensações… vivas e aguçadas enquanto se beijam numa espécie de dança lenta.

Logo Megan percebe uma das mãos de Davi migrar para seu pescoço, descendo num carinho suave até o ombro, e então deslizando pelas costas até alcançar a cintura, onde os dedos buscam suporte novamente, enterrando-se na pele por baixo do tecido fino da blusa que ela veste.

E, segundos depois, a mesma mão retorna a seu pescoço, segurando firme sua nuca, mantendo-a refém daquele beijo faminto enquanto os dedos dele se enroscam em seu cabelo.

*

Davi a sente completamente entregue, o corpo delicado agarrado ao seu. De repente a sensação incômoda de aperto entre as penas o faz consciente do quanto estão perto um do outro, uma inegável ereção surgindo e tocando o ventre dela.

Ofegando, seus lábios se separam por uma fração de segundos e os milímetros suficientes para mudar de posição, puxando Megan na direção do sofá. Quando suas pernas tocam o móvel, Davi para, segurando o rosto dela entre as mãos. Abrindo os olhos, ele a vê completamente imersa em desejo, os lábios inchados, entreabertos, respirando com a mesma dificuldade que ele sente.

Um sorriso se abre no rosto de Davi sem que possa evitar, o coração acelerado fazendo-o crer que a qualquer momento pode romper seu peito. Com carinho e reverência, toca com os lábios a pele macia do rosto de Megan, beijando suavemente. E sente a respiração quente dela em seu pescoço.

*

Os lábios dele descem até o pescoço dela, deslizando até a região do ombro. As mãos de Megan se espalmam nas costas dele, os dedos crispando, as unhas puxando o tecido da camisa. É o que basta para que a resistência dele também comece a se romper e Davi puxa sua blusa fina para cima, fazendo-a erguer os braços em colaboração, jogando a peça em qualquer canto.

Megan o vê tomar alguns segundos para registrar a imagem de sua pele exposta, adornada pelo sutiã de renda. Ela sente o coração agitado dentro do peito, antecipando o que está por vir. Mesmo que quisesse, agora é tarde demais para voltar atrás. Os olhos de Davi sobre seu corpo, as mãos buscando sua pele e os lábios deslizando por seu pescoço numa carícia lenta e molhada provam isso.

Ela se sente viva, quente, nua. Não é o fato de ainda estar vestida que impede isso. Davi Reis tem o incrível poder de despi-la de seus medos, de suas resistências. E quando está assim com ele, lado a lado, corpo a corpo, tudo desaparece. Espaço. Tempo. Amarras.

Sua mão abandona os cabelos dele para descer pela nuca, arranhando de leve a pele no caminho, fazendo-o grunhir. Sorrindo, avança os lábios, sugando o pescoço dele com prazer, os dedos puxando o blazer dele. Davi colabora, puxando a peça e atirando-a no chão, voltando a envolvê-la pela cintura num abraço.

Os dois se olham, a luz da rua entrando pelos vidros das janelas que ficam no alto do portão e da parede unindo-se à da pequena luminária acesa, concedendo uma aura dourada ao ambiente. Megan desliza a mão pelo rosto de Davi com carinho, os dedos roçando a barba que ela tanto adora. Ele ofega, se inclina, tentando beijá-la, mas ela o provoca, recuando a cada vez que ele avança.

Ela sorri quando o escuta grunhir de novo, desta vez de frustração. Então, puxando-o pelos cabelos, o traz para junto de sua boca em um novo beijo. Enquanto suas línguas saboreiam o gosto um do outro, Megan leva uma das mãos ao zíper da calça, o barulho despertando a atenção de Davi, que de imediato toma a frente da tarefa, cobrindo sua mão com a dele.

Quando o tecido fino escorrega por suas pernas, atingindo o chão, Megan retira os pés, um de cada vez, dos saltos, arrastando a calça para o lado. Davi rompe o beijo para apreciar o momento. Ela sorri para ele, enroscando, manhosa, o rosto entre o ombro e o pescoço dele enquanto suas mãos desabotoam a camisa que ele ainda veste.

Puxando o tecido do corpo de Davi, ela deixa-se saborear com os dedos a textura e o calor da pele morena que vai sendo exposta, roçando e arrepiando-a no processo. Quando ele se vê livre da peça, jogando-a no chão, a empurra gentilmente contra o sofá. Sem resistência, Megan deixa o corpo cair sobre a superfície macia.

Seus olhos, porém, não perdem um segundo dos movimentos de Davi, assistindo-o desfazer-se da calça comprida. Assim que ele fica apenas em sua boxer preta, ela se inclina, puxando-o pelo pescoço para baixo. Ele cai por cima de seu corpo, cobrindo-a em puro calor ao som de um gemido abafado.

Buscando os lábios dele com os seus, Megan torna a beijá-lo. De alguma maneira, seus corpos se enroscam e se acomodam no espaço pequeno do sofá, o que parece importar bem pouco diante da ânsia de se sentirem mutuamente outra vez.

Os dedos dele puxam uma das alças de seu sutiã para baixo e ela mexe o ombro, ajudando-o na tarefa. Impaciente, porém, Davi leva a boca até o fino pedaço de renda, abaixando-o com os dentes, e ela os sente raspar a pele de seu ombro, os lábios se fechando em seguida sobre a pele, deslizando mais para baixo.

Quando a boca quente de Davi envolve seu seio, ela fecha os olhos com força, jogando a cabeça para trás, deleitando-se na sensação. Suas mãos o apertam pelas costas, deixando marcas que provavelmente ainda estarão lá amanhã e depois. Mas ela não se importa. Tudo o que importa agora é senti-lo.

Davi afunda o rosto no vão entre seus seios, pressionando um em cada mão, fazendo-a arquear as costas e gemer em loucura. Suas mãos descem, tomando posse do traseiro firme, puxando em seguida a cueca boxer com certa ansiedade. Davi geme, a boca cobrindo seu seio direito inesperadamente, fazendo-a soluçar em surpresa. A sensação da boca macia e quente, abrigando a ponta arrepiada e sensível a deixa ainda mais molhada e ansiosa, arfante…

Oh...

Megan não consegue conter a ansiedade do próprio corpo, afunda uma das mãos nos cabelos de Davi, a outra termina de se livrar da boxer. Ele, então, ergue o corpo de cima dela, soltando-lhe o seio e arrancando um gemido de protesto de sua garganta. Livrando-se rapidamente do empecilho, ele torna a deitar o corpo em cima dela, fazendo-a delirar ante a sensação de calor e da pele nua de que tanto sentiu falta tocando a sua.

Ele fecha os lábios em torno de seu pescoço, pegando-a de surpresa. Megan retribui a provocação levando a mão às nádegas expostas de Davi, apertando com volúpia. O gesto o faz gemer abafado em seu pescoço, os dentes mordiscando a pele delicada logo em seguida.

Suas respirações, agitadas, tomam conta do ambiente, e ela já sente um filete de suor descer por suas costas. A mão que tem entre os cabelos de Davi puxam os fios com um pouco mais de força, provocando-o a afastar o rosto para encará-la. E ela vê o olhar faminto nos olhos dele, a boca entreaberta tomando fôlego brevemente antes de levar a mão até a renda de sua calcinha.

O abdômen de Megan se encolhe ante o choque ao sentir os dedos dele puxando o elástico da peça íntima, deslizando-a por seu quadril, suas coxas… onde para um segundo para raspar as unhas, arrepiando-a por inteiro.

“Ah!”

Ela geme, se contorce sinuosamente, a mão deixando os cabelos de Davi e arranhando a nuca e o pescoço. Quando ele finalmente afasta a derradeira barreira entre seus corpos, os pés dela empurram a diminuta peça de renda, jogando-a ao chão ao lado do sofá, a boca tomando posse do pescoço dele, sugando com desejo e expectativa.

A voz de Davi escapa, estrangulada, num gemido alto e Megan o puxa pelo quadril de encontro ao seu, fazendo ambos ofegarem. O contato de suas peles nuas é bem vindo e avassalador, e, de repente, é como se estivessem de volta no tempo, meses atrás.

Megan cerra os olhos diante das sensações. E torna a abri-los ao sentir a palma quente de Davi em sua face. Seus olhos se encontram e, por um instante, um nó se instala em sua garganta. Lutando contra a onda inesperada de emoção, inspira e toma os lábios dele num novo beijo.

Davi corresponde de pronto, imprimindo a mesma intensidade à carícia. Ela pode sentir à perfeição a ereção rígida dele contra seu ventre, instigando ainda mais seu desejo por ele.

Afastando os lábios o suficiente para tomar fôlego, ela sussurra, “I want you…

A respiração de Davi se torna ainda mais inconstante. Ele mira seus olhos por uma fração de segundos antes de murmurar, “Já volto.”

Ela o observa levantar-se do sofá, deixando seu corpo nu arrepiado com a sensação repentina de frio. Davi remexe numa das gavetas de uma pequena mesinha ao lado do sofá e ela sabe de imediato o que ele está procurando. É a mesma gaveta onde guardava os preservativos quando estavam juntos. Em pouco tempo ele encontra o que procura e, colocando a proteção, volta para o sofá, deitando-se sobre ela outra vez.

“Megan…” ele ofega, como querendo dizer alguma coisa nesse momento.

Porém, ela leva a mão aos lábios dele, interrompendo-o com um sussurro.

Shhh!

Em vez de falar, ele se inclina para beijá-la uma vez mais. Megan recebe a boca quente de Davi na sua, fechando os olhos e sentindo o mundo girar mais depressa.

*

Ele não se cansa de senti-la, de prová-la. É como se nunca tivesse o bastante de Megan. Desde a separação dos dois, nunca teve a noção exata do quanto tinha sentido a falta dela, fisicamente falando, até agora.

É certo, eles tinham se beijado antes, mais de uma vez. No estacionamento da Marra naquela festa, na inauguração daquela boate. Mas em nenhuma dessas ocasiões tinham ido tão longe como agora. E ele sente a mente rodar e o desejo enforcá-lo sem trégua. Mas ele não precisa — nem quer — pensar ou resistir.

Rompendo o contato de seus lábios, deposita pequenos beijos nela, começando pelo queixo, descendo pelo pescoço, alcançando o ombro. Suas mãos envolvem a cintura dela, na intenção de se posicionar melhor, mas antes que possa encaixar seus corpos, ela espalma as mãos em seu peito, empurrando-o. Davi pisca, confuso, o peito arfante.

Megan morde o lábio, movimentando-se rapidamente de modo a inverter as posições. Então é ela quem está por cima, no controle da situação. E ele não se incomoda nem um pouco, um sorriso coçando o canto da boca.

Como uma gata, ela engatinha sobre ele, apoiando as mãos em seu peito. E numa manobra lenta e sinuosa, se abaixa sobre seu sexo rígido, sentando e encaixando suas anatomias. Não há tempo para pensar, apenas sentir… e reagir… gemendo, os dedos apertando as nádegas dela, Davi saboreia o contato familiar e deliciosamente perfeito.

Antes mesmo que ela comece a se mover, Davi sente seus corpos suados, a pele quente e macia dela escorregando contra a sua. Avançando o rosto, envolve a orelha de Megan entre os lábios, a ponta da língua contornando o lóbulo, fazendo-a gritar e ondular sobre ele. O movimento o tira do prumo e, incapaz de continuar parado, seu quadril arremete contra o dela.

Megan arfa, joga a cabeça de lado, os cabelos loiros se derramando feito cascata em seu ombro e ela geme. Alto, longamente. Davi se põe a observá-la — a admirá-la — o corpo e os movimentos, as pequenas mudanças nas feições bonitas causadas pela fricção entre suas intimidades. E é tudo tão bom, tão certo e tão poderoso que ele não consegue imaginar se houve mesmo um tempo em que ela não tenha sido importante em sua vida, que o calor dela não lhe tenha feito falta.

De repente, Megan empina o corpo de maneira a quase retirar Davi do interior quente dela, porém, cerrando os olhos e mordendo o lábio inferior, torna a deslizar sobre seu membro excitado, arrancando um grunhido rouco de sua garganta. E seus olhos também se fecham, seu corpo e sua mente entregando-se ao prazer único de estar novamente dentro dela.

*

Megan se deixa levar, guiada pura e simplesmente pela paixão e pelo desejo. Ela e Davi fizeram amor outras vezes, mas esta é especial. É a primeira depois de muito tempo. E é a primeira em que ela o sente tão entregue quanto ela própria. Não que Davi não tivesse sido perfeito antes, mas agora é diferente. Tudo tem um gosto, um sentimento distinto. E, embora ela saiba que não vai passar de apenas uma noite, não importa. O que de fato importa é viver o momento. E é o que está fazendo. Entregando-se, sem medos e sem remorsos. Pela última vez.

Seu corpo ondula sobre o dele, seu interior o prende, solta e repete tudo outra vez, intensificando o prazer. E eles fazem amor, como nos velhos tempos, como se nunca tivessem existido aqueles dois torturantes meses de separação. E tudo se encaixa e se completa novamente.

Quando pensa que não vai mais conseguir suportar, Davi a surpreende retirando-se de seu interior. Ao abrir os olhos para se queixar, porém, ele vira o jogo, colocando-se por cima novamente. Ela não se importa. Pelo contrário. Sempre gostou de estar no controle das situações, inclusive no sexo, mas com Davi tudo muda. Com ele seu lado mais frágil sempre vem à tona, e sua necessidade de ser cuidada, amada e desejada também.

Ficar abaixo dele sempre lhe conferiu uma sensação de proteção, de que também pode ser querida. E é sempre uma das ocasiões em que não precisa se preocupar em dar prazer, mas em receber.

Enquanto ele segura seus pulsos ao lado de sua cabeça, os olhos a penetram de forma perturbadora, deixando-a ainda mais trêmula e sensível. Ela o vê ofegar, os lábios entreabertos enquanto tenta equilibrar o ritmo da respiração. E, de repente, ela o sente retirar-se quase todo de seu centro, voltando a se enterrar rápido e com força. Seus olhos se fecham, incapazes de permanecerem abertos enquanto a sensação poderosa de prazer a comove, da cabeça aos pés.

Davi consegue tocar terminações nervosas em seu interior que nem mesmo sabia que existiam. E quando ela pensa ser capaz de entrar em combustão espontânea, ele abaixa o rosto, beijando seu rosto e pescoço num gesto de carinho que contrasta e complementa perfeitamente o ritmo avassalador que ele imprime dentro dela. Por trás das pálpebras cerradas de Megan, um mundo de cores explode enquanto seu corpo inteiro tensiona e, em seguida, estremece, perdendo completamente as amarras.

*

Ele a vê — e a sente — entregar-se ao orgasmo como nunca antes, tão plena, tão frágil, que arranca uma fisgada inesperada de emoção em seu peito. E a beija suavemente no rosto. Quando as paredes internas de Megan se apertam, porém, Davi inspira, procurando se conter enquanto a espera terminar de desfrutar da onda de prazer. Mas é em vão. Assim que as mãos dela se espalmam por suas costas, descendo por seu traseiro, subindo novamente até seus braços, o mundo parece se resumir ao ponto de conexão de seus corpos e ele sente a sensação apertada antes de explodir por completo, a cabeça pendendo para trás e um som estrangulado escapando da garganta.

E é algo tão forte, tão poderoso, que Davi, por uma fração de segundos, sente medo de cair e nunca mais voltar. Porém, esse medo logo dá lugar a sensação indescritível de prazer e libertação. Sua mente se torna leve, solta de toda e qualquer amarra e apenas uma coisa a ocupa por inteiro: Megan.

Os segundos perfeitos, porém, chegam ao fim. Seu corpo trêmulo começa a retomar os sentidos, sua cabeça aterrissa de volta ao entorno. E ele abre os olhos para vê-la — linda, sexy e perfeita, suada abaixo de seu corpo. É impossível conter um sorriso.

Exausto, ele se retira de dentro dela, não sem um gemido de protesto, e se livra da camisinha usada, voltando para puxar o velho colchão que joga na frente do sofá e a vê esticar-se com um suspiro.

Davi se deita ao lado dela, jogando o edredom por cima dos dois. Ele a vê aconchegar-se, sonolenta, a uma das almofadas. Sorrindo, a envolve com os braços, trazendo-a para junto de seu corpo. Megan aceita o conforto, lânguida, soltando um longo suspiro e cerrando os olhos.

Feliz, ele faz o mesmo, deixando o cansaço tomar conta de seu corpo satisfeito. Em poucos minutos, consegue ouvir o som constante da respiração de Megan. Seu braço a aperta um pouco mais perto, um sussurro escapando de seus lábios…


“Eu te amo.”