Love Me Harder
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Notas iniciais
A vibração da música percorre seu corpo juntamente com o suor provocado pelo calor. A massa de pessoas se remexendo na pista de dança torna tudo ainda mais quente.
Ela sorri, seus olhos encontrando os do acompanhante, cujo corpo também se move ao ritmo frenético da música eletrônica.
Seria tão fácil se jogar nos braços dele agora. Quebrar um jejum de meses. Afinal de contas, Ricky é tudo que qualquer mulher saudável e de sangue quente correndo nas veias pode querer. Alto, bonito, corpo atlético, sorriso branco e perfeito, ótimo profissional e uma companhia agradável, divertido, e, ainda por cima, sabe dançar. Ele seria uma presa perfeita para uma noite de caçada.
Seria.
Por que as coisas mudaram tanto, Megan Lily? Ela se questiona, não pela primeira vez.
Balançando a cabeça para afastar os pensamentos inconvenientes, ela sorri para Ricky e balança o rabo de cavalo, girando a cabeça para um lado e para outro, erguendo os braços e deixando o ritmo que toca levá-la.
De repente, o DJ troca a música e ela sente Ricky aproximar-se mais, ficando atrás dela. Megan se mexe ao som da nova batida, deixando que o acompanhante envolva sua cintura com as mãos.
Ela sente um arrepio, muito mais de desconforto do que de desejo. Mas engole em seco, decidindo aproveitar o momento. Forçando um sorriso, vira o rosto para Ricky, que está quase de cara com ela, o olhar fixo em seus olhos e um sorriso charmoso nos lábios.
Megan, de repente, sente que não pode continuar dando espaço ou, do contrário, as coisas vão ser mal interpretadas em questão de segundos. Pegando as mãos dele que estão em sua cintura, ela pensa em afastá-las quando seus olhos são surpreendidos por um outro casal na pista. Megan sente o coração subir à garganta. Davi. A meio metro de distância.
Ele e Luene dançam — ou melhor, a morena dança enquanto Davi a enlaça numa espécie de abraço, afundando o rosto no pescoço da amiga. Os olhos, porém, bem abertos e atentos, parecem focados em Megan.
Sentindo uma espécie de raiva borbulhar por dentro, em vez de afastar as mãos de Ricky de sua cintura, Megan as aperta antes de rebolar o corpo de maneira sensual, mirando Davi.
*
Ele sente o sangue fervendo nas veias. Ela não tem o menor pudor! Se esfregando naquele gringuinho idiota feito uma…
Davi morde as bochechas ao vê-la empurrar Ricky e depois puxá-lo de encontro ao corpo novamente. O sujeitinho ri, dobrando-a pela cintura enquanto dançam. Desgraçado!
Megan se vira novamente e olha em sua direção, sorrindo, a safada. Ela está adorando isso, ele sabe. Ela o está provocando sem a menor piedade ou pudor.
Retesando a mandíbula, Davi puxa o corpo de Luene novamente para junto do seu.
“Ai!” a morena reclama quando se chocam. “Vai com calma.”
Davi nem se preocupa em se desculpar, seus olhos e sua atenção todos voltados para a loira mais adiante, cujo corpo ondula feito uma serpente tentadora no jardim do Éden.
Maldita patricinha! Ela faz isso de propósito.
De repente, os goles a mais e a música alta parecem deixar Davi ainda mais zonzo. Mas ele se recusa a se afastar da pista ou ir embora dali. Ela não vai vencê-lo assim tão facilmente.
Ele ergue o braço e puxa a mão de Luene, girando a garota como nos tradicionais passos que sempre viu nos filmes e na tv, ao que a morena se acaba de rir.
“Campeão, eu acho que é melhor parar que tá feio. Isso não é dança de salão, não!”
*
A situação seria trágica se não fosse cômica. Ele está tentando dançar, mas os passos são ridículos de tão desastrosos. Megan pode quase apostar que ele está bêbado. Afinal, nunca viu um Davi tão solto e tão atrapalhado. Com certeza ele bebeu. Ela só não sabe se sente pena ou ri.
Sem conseguir se decidir, acaba oferecendo um sorriso amarelo para Ricky antes de dizer perto da orelha do acompanhante, “Eu vou ao toalete me refrescar um pouco, right?”
“Okay, espero por você no bar” Ricky sorri, parando de dançar junto com ela.
“Great!” Megan meneia a cabeça e os dois vão saindo da pista de dança.
Os olhos dela se atrevem a espiar uma última vez antes de deixar a multidão de corpos sacolejantes para trás, e encontram os olhos de Davi justamente sobre si. Megan tenta ignorar a vibração agitada em seu peito. Olhando para frente, dá um último sorriso a Ricky antes de se separarem, ele, seguindo para o bar, ela, para a área dos toaletes.
Ela suspira assim que entra no banheiro feminino, abrindo a torneira da pia e enchendo as mãos com uma quantidade generosa de água que joga sobre o rosto suado. Em seguida, estica o braço para alcançar um papel toalha.
Ao abrir os olhos, dá de cara com uma sorridente e igualmente suada Luene.
“Nossa, mas isto aqui é tudo, hein, Mega miga!” a morena ri, passando a mão pelos cabelos.
Megan tenta sorrir, mas, enquanto termina de secar as mãos, consegue apenas sentir uma pontada de inveja da amiga.
“Meus parabéns, Luene.”
“Mas nem é meu aniversário” a garota balança a cabeça, ainda rindo.
Embora lhe custe dizer, Megan tenta parecer uma boa perdedora. “Por ter conseguido fisgar o Davi. Vocês formam um casal nice.”
“O quê?” os olhos de Luene se arregalam antes que ela volte a rir. “Não! Qual o quê? Eu e o Davi? Nada a ver. Não mais.”
Megan franze as sobrancelhas, confusa. “Vocês não estão juntos?”
“Claro, a gente veio junto. Eu vim de companhia pro campeão” Luene diz, aproximando-se do espelho e pegando um papel toalha para secar o rosto suado. “Mas a gente é só amigos mesmo, nem rola mais aquele lance de se pegar de vez em quando, não. Já deu, sabe? Aliás, eu já tô é de olho nuns bofe responsa que vi ali na pista, amiga. Nem te conto!”
Megan fica surpresa com o mix de informações. “Eu achei que… well, deixa pra lá!”
De repente, Luene se vira para encará-la, encostando o quadril na bancada da pia.
“Quer saber de uma, Brit? O Davi ainda é paradão na tua. Essa que é a verdade.”
Balançando a cabeça, Megan solta uma pequena risada sem humor, retirando o batom da bolsa a tiracolo e aproximando-se do espelho.
“Duvido muito! O negócio dele sempre foi banana podre. Davi gosta e sempre gostou da nerdestina.”
“Eu não sei se tu sabe, Meguinha…” Luene assume um ar de seriedade, “O Davi nunca ficou com a Manuela depois que vocês dois terminaram.”
Isso faz Megan interromper os movimentos, o batom ficando no ar, a meio caminho da boca. Ela pisca, olhando para Luene pelo reflexo do espelho agora que a morena se virou para a frente. Diante de seu silêncio, a funkeira prossegue.
“Ele sofreu pra caramba por tua causa. Ele nunca falou, mas a gente que conhece ele desde sempre viu a mudança. Ele murchou, sabe? Aquele Davi alegre morreu quando tu se mandou daqui.”
Com essa revelação, Megan fica balançada. Sempre pensou que depois da sua partida Davi tivesse ficado com Manuela de novo, ainda que por um curto período. O que Luene acaba de dizer faz cair por terra um dos seus motivos para manter sua decisão de indiferença e afastamento. Mas, por que, afinal, Davi não reatou com a nerdestina? Quando terminou com ele, quando saiu do Brazil deixando o caminho livre, por que ele não fez o que ela previa que ele fizesse?
Recuperando o fôlego, Megan apoia as mãos na bancada de mármore e dá uma última olhada no espelho.
“Luene, eu já vou voltar lá pra fora.”
“Eu ainda vou ficar porque tô precisando dar uma aliviada, sabe?” a morena leva a mão à bexiga, apertando as pernas e andando na direção de um dos cubículos do banheiro.
Megan simplesmente meneia e cabeça e sorri antes de sair porta afora. Procurando na multidão, avista Ricky sentado no bar, bebendo. Começa a andar naquela direção, porém, no caminho, algo desvia seu olhar…
Na área do lounge, avista Davi sozinho, sentado num dos sofás. Apertando a bolsinha a tiracolo na mão, respira fundo e desvia os passos.
*
Sentado no lounge da boate, Davi segura o copo quase vazio de Cuba Libre, olhando, desinteressado, o movimento das pessoas para lá e para cá. Ninguém interessante. Depois que perdeu Megan de vista e Luene o deixou para trás com a desculpa de ir ao banheiro, não lhe restou muita opção além de procurar um canto mais reservado onde pudesse ficar esperando.
Deixando o copo no chão, ao lado do pequeno sofá, ele pensa que talvez Megan e o acompanhante já tenham ido embora. E o que menos quer é ficar ali por mais tempo. Só ele sabe o quanto está sendo torturante suportar aquele barulho e o calor. Detesta esse tipo de lugar, de evento. Só veio mesmo por ela. E nem sabe direito o porquê.
Para impedi-la de ficar com o gringuinho? Para ser uma pedra no sapato de grife da loira? A quem estava querendo enganar? Já se foi o tempo em que exercia algum poder sobre Megan, em que podia ter certeza de que ainda causava efeito sobre ela.
Se bem que, na noite do beijo no estacionamento da Marra… não, não pode se apegar àquilo se, logo depois, ela o ignorou como fez e agora não faz outra coisa além de ficar de cima para baixo com o Rickynho.
“Grande merda!” Davi esbraveja, sentindo o que resta de seu humor ir embora.
“Podemos conversar?”
A voz familiar, então, faz seu coração saltar dentro do peito.
Ele ergue os olhos para vê-la diante de si, exuberante e inteira. E agora, olhando para ela de baixo, do sofá onde está sentado, nunca se sentiu tão pequeno. Coisas que antes não pareciam fazer realmente diferença se fazem notar agora com clareza. Os dois pertencem a mundos completamente distintos, e, por mais que hoje esteja de alguma forma inserido no meio social dela, sabe que não é o mesmo que pertencer a esse mundinho seleto. Essa tampouco foi sua ambição algum dia.
Agora ela parece tão distante que cada pequena diferença torna isso mais real. Mais nítido.
*
Megan ainda espera uma resposta, que não vem de imediato. Davi fica parado no sofá por mais algum tempo, olhando para ela como se nunca a tivesse visto. Chega a ser incômodo. Ela sente uma onda de desconforto.
“Davi?”
Chama por ele, tentando quebrar o transe em que ele parece estar. Davi pisca algumas vezes antes de se levantar. Ao erguer-se, ela é quem tem a impressão de estar a vê-lo pela primeira vez.
“Conversar?” Davi estreita os olhos antes de soltar uma breve risada. “Conversar, Megan? Eu não sabia que se vinha num lugar desses pra conversar.”
Pelo tom levemente agressivo e pelo jeito meio desequilibrado como o corpo dele pende para um lado, ela agora tem absoluta certeza de que ele bebeu.
“Você está bêbado, Davi.”
“Ah, estou?” ele arregala os olhos como se ela estivesse lhe dizendo alguma novidade. “Não me diga! Você tem experiência nisso, não é mesmo? É por isso que sabe identificar um bêbado quando vê um?!”
“Você está sendo muito desagradável” ela diz, arrependendo-se de tê-lo procurado.
“Estou, não estou? Right?” ele a imita com uma voz ridícula, depois abre um sorriso jocoso.
“Extremely!” Megan atira a palavra com desdém. “Extremamente desagradável.”
“Estamos quites, então. Porque, desde que a senhorita voltou, não tem feito outra coisa comigo além de ser desagradável.”
Megan se surpreende com a súbita acusação.
“Não tente virar a mesa, Davi” ela ergue o dedo em riste para ele, mas, ao se dar conta de que é inútil discutir com ele nesse estado, abaixa o braço e desiste. “You know what? Quer saber? Eu nem devia ter vindo.”
Antes que Megan consiga terminar de dar as costas a ele, sente as mãos poderosas de Davi impedindo seus movimentos, segurando seus braços. Ela sente um arrepio varrer seu corpo.
“Pra que conversar? Se eu posso fazer uma coisa que você gosta mais…” ele murmura contra sua orelha esquerda, fazendo suas pernas falharem um instante e a mão dele viaja rapidamente de um de seus braços para sua cintura, contendo-a ainda mais perto dele “... me aproveitar de você.”
Nenhum golpe poderia tê-la feito se sentir tão ferida como essas palavras. O arrepio, o desejo reprimido de segundos atrás, arrefecem como gelo ao fogo e ela sente uma onda de raiva invadi-la, subindo por seu sangue.
O corpo de Megan se vira, ficando de frente para Davi, e sua mão desfere um tapa contra o rosto dele que poderia ter sido ouvido à perfeição não fosse o barulho da boate. A sorte de ambos é que só há um casal ali no lounge ocupado demais em se agarrar para prestar atenção ao entorno.
Ela não espera a reação de Davi, vai andando para longe, mas, antes que possa dar três passos completos, sente o corpo ser puxado com força para trás novamente. Ofega, os olhos piscam e seu coração vem à boca quando se vê a encará-lo, frente a frente, seus rostos perto demais para ser seguro, o ponto onde desferiu o tapa já visivelmente vermelho na face esquerda de Davi.
Antes que Megan possa processar os pensamentos e reagir, é arrastada para um canto, e, em questão de segundos, sente a boca de Davi reivindicando a sua.
*
Ele não sabe o que lhe deu. Como teve coragem de dizer aquelas coisas a ela ou de onde vieram as palavras de segundos atrás, mas, depois do tapa, sentiu como se tivesse sido arrancado de um transe. E, a última coisa de que se apercebe, é que a está beijando na boca.
Beijando Megan. Outra vez.
Diferente do beijo no estacionamento da Marra, este é muito mais urgente. Intenso numa medida que chega a assustá-lo. Com a força da raiva e da paixão adormecida por meses.
Como se não fosse preciso respirar, como se não houvesse mais nada nem ninguém no entorno, sua boca simplesmente devora a dela, sugando, sorvendo o gosto e o calor tão familiares e que lhe fizeram tanta falta.
*
Megan corresponde, mesmo sem querer. Mesmo sabendo que é uma loucura!
Ela se deixa envolver pelo beijo inesperado, que devia ter evitado. Mas seu corpo simplesmente derrete como lava quente, todos os seus sentidos entrando em erupção.
O calor que ele a provoca com as mãos deslizando por sua cintura, subindo por suas costas e tornando a descer, é torturante. Deliciosamente torturante.
Suas pernas cedem quando sente a língua molhada de Davi fazendo acrobacias dentro de sua boca, numa indecente exploração. Quando pensa que vai finalmente cair ao chão, as pernas bambas, uma das mãos dele puxa sua perna direita, erguendo-a sobre o quadril masculino.
Megan sente o mundo girar mais depressa, a pulsação característica entre suas pernas lhe dizendo que, ainda que quisesse (e não quer!) seria impossível resistir. Ele a tem literalmente nas mãos.
Seu calor, seu desejo, seu instinto, todos estão sob as ordens e o comando das mãos, da boca e do corpo de Davi, que agora empurra de encontro ao seu. Ela pode sentir perfeitamente a ereção firme pressionando contra sua virilha, atiçando ainda mais sua fome por ele. E ela sente-se derreter em puro calor, suor e desejo molhando-a dos pés a cabeça.
Ofegando, Megan morde o lábio inferior de Davi num rápido movimento em busca de ar, mas negando-se terminantemente a romper o beijo.
A mão dele desliza por sua perna que está em torno dele e sobe pela coxa, atingindo a barra do vestido e subindo por baixo dela sem qualquer cerimônia.
A cabeça de Megan gira, um redemoinho de cores rodando por trás de seus olhos fechados. Suas mãos apertam as costas dele, as unhas puxando o tecido molhado de suor da camisa. Ele grunhe alguma coisa no fundo da garganta, a língua quente tomando posse de cada recanto de sua boca, deixando-a ainda mais agitada e excitada.
Sem perceber, Megan geme dentro do beijo, sugando a língua ousada dele e sentindo a umidade em seu sexo pulsante, desejando como nunca senti-lo dentro de si uma vez mais…
Quando a mão exploradora de Davi encontra o elástico de sua calcinha de renda por baixo do vestido, Megan sente um frio no estômago, seus lábios rompendo contato com os dele para deixar escapar um suspiro ansioso. E, abrindo os olhos, o mundo volta ao seu estado normal, fazendo-a recobrar o senso.
Com as mãos trêmulas, ela o empurra. Sua respiração entrecortada a impede de dizer qualquer coisa, o que, ela sabe, mesmo que pudesse não faria. Não teria palavras para se expressar depois de ter sucumbido — mais uma vez! — nos braços dele.
Então, Megan faz a única coisa que consegue fazer, recolhe o último fio de dignidade e o deixa para trás.
Correndo para longe do lounge, ainda ofegante, ela encontra Ricky sentado no bar.
“Ricky, eu sinto muito muito , mas não vou ficar mais.”
“Que pena” o rapaz se levanta do banco. “Mas, se já quer ir, eu levo você pra casa. Faço questão.”
Ela aperta os lábios, sem conseguir forçar um sorriso. “Thank you.”
Ricky faz sinal para que ela vá saindo na frente. Megan anda com passos apressados, querendo deixar do lugar o quanto antes. Ao passar pelo hall cheio de espelhos que leva à saída, ela vê sua imagem refletida e estaca, em choque. Seu rosto é a verdadeira máscara da vergonha que a denuncia. Completamente sem batom, as faces vermelhas, algumas mechas escapando do penteado, deixando do rabo de cavalo quase desmantelado. Dear God! Como Ricky não disse nada ao vê-la assim? Como sequer desconfiou?
Ela se atreve a olhar para o acompanhante que, muito gentilmente, também interrompe os passos e para ao seu lado.
“Tudo bem, Megan?”
Ela simplesmente balança a cabeça numa afirmação que não podia estar mais longe da verdade. É óbvio que ele percebeu. Mas, como um verdadeiro gentleman, não teceu qualquer comentário nem a interrogou sobre o que fez nos vários minutos em que o deixou sozinho no bar.
Completamente sem graça, Megan passa a mão pelo cabelo e respira fundo.
“Vamos?”
Ricky meneia a cabeça, pousando gentilmente a mão em suas costas para guiá-la até a saída.
*
A noite não podia estar terminando de maneira pior para Davi. Depois de se arrastar para fora da boate, ainda está sendo praticamente carregado por Luene até o quarto.
“Cê vai ficar bem, campeão?” ela pergunta assim que consegue jogá-lo no sofá.
“Eu já tô bem… bem mal” murmura, suspirando e sentindo a cabeça rodar mais depressa.
“Tu vai ficar legal aqui sozinho?”
“Vou sobreviver” ele diz antes de voltar os olhos para a amiga. “Valeu, Luene.”
A garota esboça um rápido sorriso antes de rumar para a porta. Porém, antes de sair, ela se vira para ele novamente.
“Na boa, Davi… tu ainda ama a Megan. Fala com ela. Tenta se acertar.”
Os olhos de Davi ardem ante a menção da loira. As imagens do espetáculo que protagonizou esta noite vêm à memória e ele tem certeza de que, se ainda havia alguma chance de acertar as coisas com ela, foram pelo ralo de vez.
“Ela não gosta mais de mim, Luene” Davi se pega dizendo, o olhar perdido em um ponto qualquer do quarto, incapaz de encarar a amiga. “Ela já partiu pra outra. Esse bonde eu perdi.”
“Só perdeu se tu quiser e se não for homem pra lutar por quem tu ama de verdade.”
Com isso, Luene o deixa para trás, e a afirmação dela o pega de surpresa. Ele pisca, olhando para a porta que ela acaba de fechar ao sair.
Sozinho agora, no silêncio do quarto, de repente, Davi se dá conta.
Ele ama Megan.
Como pôde ser tão cego? E por tanto tempo?
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