Love Me Again

29 Eu tinha esperança...


Notas iniciais
Olá meus coraçõezinhos! Bom, seguirei com a continuação do capítulo anterior, mas com a perspectiva da Elena, confesso que não foi nada fácil, pois é complicado descrever o que seja que ela realmente sinta, mas eu realmente me esforcei, tá? ♥ Espero que não me tenham abandonado♥ Boa leitura ♥

Elena●

Eu sabia que era inútil, mas mesmo assim eu tinha esperança de que se eu parasse, que se eu ficasse bem quieta, que eu conseguisse salvar o meu filho, mas eu não o sentia, ele passou horas a mexer-se tanto, que agora, ele estava tão quieto quanto eu.
Sabia que o Damon se martirizava internamente, mas a culpa era minha, de alguma forma, a culpa era minha, porque eu deixei que coisas acontecessem no nosso meio e agora eu estava a perder o meu bebe e não havia nada nem ninguém que conseguisse evitar isso….

Eu estava atónica, sem algum sinal de reação, porque eu sabia o que estava a sentir e sabia que não era bom, eu sentia a vida do meu filho a esvair-se por entre o sangue que escorria pelo meu ventre. Passava tudo em camera lenta, alguém apareceu de novo na sala, mas assim como apareceu, desapareceu logo, o Damon correu até mim e me desamarrou, fazendo com os meus braços caíssem, sem força, sobre o chão. Reparei que o Damon levantou a minha cabeça e por mais que eu quisesse pedir ajuda, eu não conseguia, eu estava chocada, eu estava atónica, eu estava com muitas dores, mas acima de tudo, eu estava a morrer, cada vez mais, por dentro…

O caminho até ao hospital parecia durar horas, mesmo eu não sabendo onde estava, eu só conseguia pensar no hospital e chegar lá o mais rápido possível, mas eu não conseguia pensar direito, não sabendo que o meu bebe estava a morrer, e a culpa era minha, se eu não tivesse continuado com aquela conversa, o meu filho não estaria a morrer neste momento. O Damon entrou comigo ao colo no hospital a chamar por ajuda e quando chegaram enfermeiros, colocaram-me numa maca e me levaram para o bloco operatório, todos falavam ao mesmo tempo e eu não entendia nada do que estava a acontecer, até aparecer a Jo e começar a falar comigo, mas tudo o que eu conseguia fazer era, chorar, por saber que não havia muito que fazer já…

Ficou tudo preto, não depois daquele terrível ardor no meu braço, mas ficou tudo preto, eu não sentia nada, não mexia nada, não sabia nada do que estava acontecer, até começar a ouvir vozes de fundo e depois disso, foi tudo ganhando cor e movimento e eu reparei que tinha estado sob o efeito de anestesia, sentia uma tremenda dor no meu ventre e barriga e reparei que estava uma cicatriz, e tinha a coxas com ligaduras no lugar do rasgão que havia sido feito pela navalha da loira. Olhei em volta e pude reparar que a Jo falava com alguns enfermeiros, pelos vistos eu tinha saído à pouco tempo de cirurgia.

Elena, já acordaste, vou chamar o Damon, para falarmos e poderão ir para casa – Assenti receosa e fiz força para me sentar e assim que o fiz, eu soube, eu simplesmente soube o que tinha acontecido. Rapidamente a minha cara ficou banhada em lágrimas e eu queria gritar, mas se o fizesse aqui, ficaria cá mais tempo e tudo o que eu queria fazer neste momento era, poder ir para casa, eu só queria ir para casa. Eles entraram no meu quarto e pude ver o alívio na cara do Damon, também queria ter aquele alívio e puder correr nos seus braços, mas eu só queria chorar

Ele está morto… — Disse num sussurro, mas foi alto o suficiente para eles os dois ouvirem, alto o suficiente para me perfurar os ouvidos e alto o suficiente para quebrar mais o meu coração. Claro que eu sabia, claro que eu sentia, eu já sabia que ele estava a morrer a partir do momento em que vi aquela navalha no meu ventre, mas só me dei conta do vazio que estava, assim que me sentei, a minha barriga continuava do mesmo tamanho, mas eu sentia que não tinha nada dentro, sentia a mãos dos enfermeiros a tocar no interior do meu ventre e a tirar o meu bebe de mim, sentia o meu bebe a ser puxado de dentro de mim, sentia o cordão umbilical ser cortado e eu a dormir… Tentei ao máximo controlar um ataque de pânico e a vontade imensa de gritar bem alto, tentei reprimir ao máximo todos os meus impulsos e vontades para que pudesse sair logo daqui. Eu só queria sair daqui!

Eu queria dar os meus pêsames e dizer o quanto lamento, mas sim… Não conseguimos fazer nada para salvar o Filipe, quando cá chegaram a Elena já havia perdido muito sangue, sem falar que a placenta foi rasgada e o bebe acabou por morrer asfixiado… — Senti o meu mundo cair, fechei os olhos para assimilar tudo o que aconteceu nas últimas horas, nenhuma palavra foi proferida, nem por mim, nem pelo Damon. Abri os olhos e limpei as lágrimas que haviam escorrido, sentindo o olhar do Damon e da Jo em cima de mim.

Eu quero ir para casa… — Voltei a sussurrar, porque eu sabia, sabia que se falasse mais alto, eu ia gritar, e não era pouco, eu iria gritar tudo o que tenho preso cá dentro, desde que senti pela primeira vez que o meu filho estava um passo mais perto da morte e, que não havia nada que eu pudesse fazer…

Sim, vocês podem ir… — Autorizou e reparei que os seus olhos lacrimejavam – Mas, Elena, vou-te passar uns analgésicos, está bem? – Assenti e ela começou a escrever. Levantei-me de vez daquela cama e caminhei até ao Damon que me beijou a testa e me abraçou forte.

Desculpa, Elena… — Sussurrou no meu ouvido, a meio do abraço

Só não me deixes! – Pedi fungando e ele negou afastando-se e limpando algumas lágrimas que escorreram

Elena, como tua médica, devo avisar que durante esta semana que passará, irás sentir muitas dores, é normal, considerando, mas por isso te aconselho estes analgésicos, deves tomá-los sempre com comida e pelo menos com 4h de intervalo. Devo também avisar que essas dores que sentirás, serão como contrações, por isso é normal que queiras tomar logo dois, mas não o faças, pois essas dores serão originadas pela placenta a descolar do teu útero e o mesmo a excluí-la do teu corpo. Recomendo ainda que tenhas sessões com um psicólogo, se não agora, mais tarde… — Ia para contestar, mas fui interrompida – Eu sei que não queres, e que achas que não precisas, mas tu tens dois filhos que precisam de ti, e teres sessões com um psicólogo, não significa que estejas louca, mas sim que queres ficar bem para os teus filhos – Assenti para que as instruções acabassem logo, eu só queria ir para casa, só queria afastar toda esta loucura de mim. E eu não iria ver um psicólogo! Logo pudemos ir para casa, assim que entrei no carro, pude reparar que parte do banco estava manchado de sangue, e por muito que não me importasse, acabei por me encolher no banco, com a cabeça encostada na janela, e neste momento, parecia a posição mais confortável do mundo. Involuntariamente levei a mão ao meu ventre e logo comecei a chorar, mesmo que silenciosamente, por me lembrar que perdi o meu bebe, só porque não consegui fechar a boca, só porque eu era a Elena Gilbert…

Parámos na farmácia para o Damon levantar os analgésicos, olhei de relance para o relógio do carro e indicava 5:30h da manhã, e quando reparei que o Damon estava a voltar, limpei as lágrimas que ateimavam cair e voltei a olhar para a janela, venho alguns raios de sol misturarem-se com a escuridão da noite. Sei que o Damon não tinha culpa, e eu realmente senti quando lhe pedi para não ir embora, mas eu só queria cinco minutos, cinco minutos em que eu pudesse estar sozinha, no meu mundo, cinco minutos em que eu pudesse gritar e por cá para fora tudo o que estava preso cá dentro, cinco minutos onde eu pudesse sepultar o meu filho.

Assim que chegamos a casa, e o Damon abriu a porta, passei por toda a gente acumulada na minha casa e tranquei-me no meu quarto, onde, finalmente, eu tinha paz, onde, finalmente, eu poderia gritar e chorar e não teria ninguém a dizer “desculpa”, “sei que dói, mas vai passar”, “vai ficar tudo bem”, eu não precisava disso, eu só precisava de gritar…

E foi isso que eu fiz.

Notas finais
Eu falei que a situação era complicada, eu tentei ao máximo descrever os sentimentos dela, mas não é nada fácil... Isso tinha que acontecer para que muita outras coisas acontecessem, essa história ainda é muuuuito longa, acreditem kkk Não me matem, se não, nunca saberão o que mais vai acontecer, eu chorei de anticipação ahah Beijo e até ♥