Love Me Again

30 A culpa não é tua


Notas iniciais
Oi oi, aqui estou eu de novo, não é fácil pelo que ela está passando, mas todos tentam reconfortar, eu tentei expressar bem os sentimentos de cada um.. Boa leitura ♥

Damon●

Passaram-se horas e a Elena continuava a chorar e gritar e pelo som das coisas a cair no chão, diria que a partir o quarto todo… Mas quem a poderia culpar? Mesmo que também tenha acabado de perder o meu filho mais novo, deve ser horrível a sensação de perder um filho, sentir uma vida se esvair de dentro de ti, sabendo que não pudeste fazer nada para o salvar. E o pior de tudo isto é saber que a culpa é toda minha, eu sou o maior causador de todas as dores da Elena, é tudo culpa minha…

Ninguém mais saiu daqui de casa, o dia já ia bem quente lá fora, o Kai levou as crianças para casa dele, uma vez que eles precisavam dormir e também porque os gémeos estavam a ficar assustados com tudo o que está a acontecer.

A Bonnie sente-se culpada por a ter deixado sozinha, mas o Jeremy tem estado a tranquiliza-la no sofá à minha frente, eles sempre se deram como irmãos. A Miranda está à horas na porta do nosso quarto a tentar que a Elena lhe abra a porta, para poder consolar a filha. O Grayson está também sentado no sofá à minha frente, um pouco mais afastado, também só agora me sentei, pois tive lá em cima a tentar o que a minha sogra está a tentar, em vão.

Entretanto, falei com os meus irmãos, e como a Lexi é psicóloga pedi-lhe que ela viesse para Portugal, ela é umas das melhores que conheço, mas mesmo assim falarei com a Jo para saber se ela a aprova, só quero o melhor para a Elena.

Vou fazer alguma coisa para comermos e para ver se a Elena come também… — A minha sogra apareceu na sala. Cansaço estampado na sua cara, acredito que estava estampado na cara de todos nós.

Ela? – O meu sogro perguntou.

Parou um pouco quieta, mas continua acordada – Falou calmamente fazendo carinho no cabelo do marido.

Vou lá! – Falei levantando-me e a Miranda parou-me a meio do caminho negando

Ela acalmou-se, Damon. – Falou calma – Ela disse que não queria falar com ninguém, que hoje só queria ficar sozinha, mas concordou em comer, então vou fazer uma canja para todos comermos. – Todos concordaram. Olhei para o relógio no meu pulso e já passava do meio dia. Já estávamos à horas aqui, e só agora a Elena se acalmou…

●●

Como ela está? — Perguntou do outro lado da linha

Acalmou-se à pouco tempo, passou a manhã toda em choque — Suspirei

É tudo normal, Damon, sei que és o pai, mas perder um filho, não é nada fácil para a mãe, principalmente quando o bebe já estava mais que formado. É um processo muito delicado, por isso que aconselhei um psicólogo — Falou calma

Está a ser bem complicado até agora… — Suspirei – Sim, também por isso que te liguei. A minha irmã, Lexi Salvatore, ela é psicóloga, é uma das melhores que conheço, mas queria falar contigo, para que tu visses a ficha dela e aprovasses ou não. — Expliquei

Está bem, manda-me a ficha dela e depois eu dou-te uma resposta. — Assegurou – Damon, eu lamento imenso, também o perdeste.

Obrigado Jo! — Agradeci sorrindo fraco e desliguei. Mandei logo a ficha da Lexi, e a Miranda apareceu na sala avisando que a comida estava pronta, fomos todos para a cozinha para podermos colocar algo no nosso estomago, e não sei se era porque não comia desde ontem, mas esta canja estava dos céus, parecia a melhor canja do mundo!

Posso ir contigo? – Perguntou a Bonnie assim que viu a minha sogrinha com a bandeja da comida da Elena. Ela pareceu pensar um pouco e assentiu. A Bonnie estava destroçada, talvez por ser mãe recente e sentir na pele o que a amiga poderá estar a passar, ela olhou para mim como se pedisse autorização e sorri a encorajando a subir atrás da Miranda, ela sorriu fraco e caminhou até às escadas, deixando os homens na cozinha. Não pude evitar que algumas lágrimas escorressem pelo meu rosto, quando tudo ficou mais calmo. Estava assustado, culpado e doía muito ver a Elena a passar por tudo aquilo. Limpei algumas lágrimas de modo a que o Jeremy e o Grayson não vissem, mas foi inevitável eles terem reparado quando as lágrimas se tornaram regulares e no lugar de uma já estava outra. O meu sogro passou a mão nas minhas costas, como se transmitisse força e segurança. Soltei um soluço batendo com o punho na mesa, de forma a extrair toda a raiva que senti de mim, da Caroline, de tudo neste momento. Eles no fundo, também eram a minha família, independentemente de tudo o que já aconteceu, eles continuam a ser a minha família e neste momento estavam a apoiar-me, enquanto a minha sogra e a Bonnie tentavam convencer a Elena a comer. Não estava a ser nada fácil…

●●

O dia passou lento, e mesmo depois de a Elena já se ter acalmado e ter comido, mesmo que pouco, adormeceu. Mas assim que acordou teve outro esgotamento nervoso e começou a chorar e gritar de novo, fazendo com que todos acordássemos ressaltados, uma vez que aproveitamos para descansar quando ela adormeceu e adormecemos todos nos sofás da sala. A Miranda correu lá para cima, para acudir a filha, mas ela havia trancado a porta de novo. Ela estava a isolar-se, ela estava magoada e a isolar-se. Isso não era nada bom, nada bom mesmo…

Por volta da hora do jantar recebi uma mensagem da Jo a confirmar que podia ser a minha irmã a psicóloga da Elena, e foi a boa noticia que houve em alguns dias.

Boa tarde mano! — Falou com carinho

Então doida — Sorri fraco, lembrando da minha irmã – Olha tive a falar com a médica de família e mostrei-lhe a tua ficha e ela aprovou — Contei

Claro que aprovou, sou eu! — Falou com ar convencida e já a estava a imaginar a jogar o cabelo para os lados e sorri com aquilo. Tinha muitas saudades da minha família, mesmo que o pai fosse um trabalhoólico, eu amava-o, e bem, ele era tudo o que eu tinha de progenitores, uma vez que a minha mãe morreu de cancro. – Quando queres que vá para aí? — Perguntou ainda rindo

O mais rápido possível ajudaria bastante… — Falei ao lembrar do esgotamento da Elena de mais cedo, que estava a durar até agora, mas ela já não gritava, apenas chorava a batia com a cabeça nas paredes, tenho a certeza que era a cabeça dela, e chutava alguma coisa que havia lá no quarto, eu tenho medo quando for entrar naquele quarto…

Ela não se acalmou ainda? — Perguntou sentida

Acalmou à hora do almoço e eventualmente adormeceu, mas acordou à algumas horas com um esgotamento nervoso e ainda não se acalmou, quer dizer, parou de gritar, mas acredito que talvez seja porque ficou sem voz… — Suspirei passando as mãos na cara, tentando afastar o cansaço.

É normal, Damon, já lidei com alguns casos desses e nunca é fácil, a diferença também varia de pessoa para pessoa, mas normalmente todas as mães têm inúmeros esgotamentos, não a deixem perto da medicação, ela pode querer acalmar a dor e fazer um disparate. — Aconselhou

Sim, não, a medicação está cá em baixo connosco, só lhe levamos o necessário. — Comentei vendo que as caixas de medicamentos estavam na cozinha e a Miranda ia lhe levando os comprimidos ao quarto com um copo de água

Está bom, então. Vou aqui arranjar as minhas coisas, tratar de algumas coisas e depois informo-te qual voo apanho! — Falou carinhosa

Está bem, Lex. Vou arranjar o quarto de hóspedes.

Não, Damon. Eu normalmente nunca fico a viver com os meus pacientes, é estranho… — Falou rapidamente

Pois, mas acontece que a Elena é tua cunhada que por acaso precisa dos cuidados da cunhada e para não falar que, és minha irmã e eu estou a precisar da minha irmã neste momento… — Falei suspirando encolhendo os ombros

Está bem! Eu fico aí em casa, mas só porque eu estou morta por conhecer os meus sobrinhos! — Falou entusiasmada do outro lado da linha me fazendo sorrir e revirar os olhos

Obrigada pela parte que me toca! — Fingi mágoa e ouvi um estalinho do outro lado. Ela sempre fazia isso, era uma mania que tem desde pequena. É irritante!

De nada, querido irmão! — Brincou – Boa sorte e manda beijinhos para a família que não conheço e daqui a nada estou aí para vos dar apoio e ajudar! — A Lexi era uma menina muito meiga, sempre preocupada com os outros, sempre a querer ajudar os outros, por isso se tornou psicóloga, ela dizia que sentia que estava a ajudar a tornar o mundo melhor, ajudando as pessoas a superar os seus medos e com os seus problemas. Eu admirava muito a minha irmã, ela faz muito lembrar a minha mãe, sempre de coração cheio, alegre e pronta para ajudar quem seja.

Obrigada, por tudo! — Agradeci de coração cheio

Ah, não tens de quê! Amo-te muito mano! — Despediu-se

Também te amo, loirinha! — Sorri fraco e desliguei, recebendo um olhar desconfiado da Bonnie que acabara de entrar na cozinha – Lexi! – Expliquei como se fosse óbvio e ela fez cara de entendimento

Como ela está? – Perguntou bocejando

Está bem, ela vem para cá, ela vai ser a psicóloga da Elena, achei que sendo que ela é da família, que a Elena se sentirá melhor – Encolhi os ombros

Fizeste bem. A Lexi é boa pessoa, tenho a certeza que ajudará muito a Elena. – Sorriu fraco e concordei

A Elena? – Perguntei preocupado, isto tudo estava a assustar-me…

Continua lá, com a porta trancada, diz para a deixarmos em paz – Suspirou triste

A culpa não é tua, sabes disso não sabes? – Assegurei e ela encolheu os ombros com os olhos marejados e abracei-a. A noite não tardou a chegar e o Jeremy foi levar a Bonnie a casa, uma vez que ela precisava dormir e que os meus sogros iriam dormir no quarto de hóspedes e pedi que os gémeos dormissem lá esta noite, só para ver como corria por aqui – Porque não vão dormir? Eu fico aqui, caso alguma coisa aconteça, aviso logo! – Assegurei e a Miranda me olhou insegura – Eu cuido dela por ti, sogrinha – Sorri fraco – Aproveitem que têm uma cama, eu vou ficar aqui à espera que ela abra a porta – Disse enquanto me sentava no chão encostado à porta e eles assentiram enquanto seguiam para o quarto de hóspedes. Encostei-me à porta e pude ouvir a respiração descompensada da Elena, que também estava encostada à porta, talvez a chorar – Elena? Sou eu amor, eu amo-te muito, sim? Eu não queria que nada disto acontecesse, eu sinto-me muito mal por tudo que te tenho feito passar, mas eu não vou sair daqui, eu vou estar do teu lado, sempre, eu quero estar do teu lado. Não te quero pressionar a nada, só quero que saibas que não estás sozinha amor e que assim que te sentires melhor, abres a porta… — Falei sabendo que ela estava a ouvir – Apesar de que eu gostava muito de dormir contigo na nossa cama – Sorri fraco, suspirando de seguida – Eu amo-te tá? – Assegurei sentando-me mais confortável e eventualmente adormeci pois acordei com a porta a ser aberta atrás de mim.

Notas finais
Ele não vai desistir dela, não é mesmo?! Digam alguma coisa, vou ficar à espera ♥ Até!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.