Love Me
22 We Own The Night
Notas iniciais
POV JUSTIN
Tudo o que eu queria era sair dali. Não aguentava mais todos aqueles olhares em cima de mim. Depois do que acontecera, sair e pensar um pouco eram a melhor solução.
Saí de lá, aliviado por finalmente estar livre dos olhares ameaçadores de Lindsay que me matavam de medo. Andei sem direção, parei em um beco escuro e sentei na calçada. Aquilo me lembrou o dia em que conheci Gabriella. Não sei por que, mas fiquei esperando que uma porta batesse em mim, tive a sensação de que Gabriella sairia daquele prédio e me pediria desculpas, não pelo ocorrido, mas pelo queixo quebrado. Talvez eu estivesse mesmo louco, afinal. Afundei a cabeça nas mãos e fechei os olhos.
-Se isso fizer você se sentir melhor, ela já catou as coisinhas do quarto.
Virei e dei de cara com Selena me observando.
-Isso não melhora nada.
Ela subiu no banco em frente à calçada e começou a balançar os braços. Talvez aquilo fosse ma dança, sempre tive minhas dúvidas. Começou a cantar Hit The Lights bem alto, para que todos ouvissem.
Hit the lights
Let the music move you
Lose yourself tonight
Come alive
Let the moment take you
Lose control tonight
-Para com isso! Selena, para!
It's a mad mad world, gotta make an escape
It's a perfect world, when you go all the way
Hit the lights, let the music move you
Lose yourself tonight
Levantei e andei até ela. Selena parou, me olhando nos olhos.
-Você está bêbada? — perguntei.
-Ainda não.
-O que você quer dizer com isso?
Ela segurou minha mão, desceu do banco e começou a rodopiar pela rua escura.
-Estamos em Vegas, Justin. Ninguém fica triste aqui.
(...)
Meia hora depois, estávamos jogando poker em um clube com pessoas que nunca vimos antes na vida, bebendo tequila e rindo descontroladamente. Era uma boate grande e luxuosa, cheia de espetáculos. Seu interior era repleto de preto e roxo e a fachada era linda, com um letreiro gigante e chamativo: We Own The Night.
-Isso não te lembra nada? — Selena perguntou quando entramos no clube.
Bebemos descontroladamente, perdemos muito dinheiro no poker, cantamos e dançamos no palco, bebemos descontroladamente e aproveitamos cada segundo.
-Eu amo essa música! — ela sussurrou em meu ouvido.
-Eu também – sussurrei.
Deixei o copo no balcão pela primeira vez na noite e puxei Selena para a pista de dança. Ela entrelaçou os dedos em volta do meu pescoço e eu a puxei contra meu corpo pela cintura. A conduzi pela pista ao som de My Heart Will Go On. Aquela música me trazia boas lembranças. Era a nossa música, trilha sonora do nosso filme, tocando na nossa noite. Ela pousou a cabeça no meu ombro e eu fechei os olhos, deixando o ritmo da musica levar meus passos. Abri os olhos. Selena mantinha o olhar fixo em mim e um meio sorriso no rosto. Eu estivera evitando aquilo à noite toda, mas já não conseguia mais.
Estávamos tão próximos que eu conseguia ouvir sua respiração, mesmo com a música alta e os gritos. Encostamos nossos lábios sem pressa, como fazíamos antes do término. Fechei os olhos e deixei que os lábios de Selena manobrassem os meus. Abri os olhos. Selena me olhava com os olhos arregalados e tampava a boca com a mão.
Ela se desvencilhou das minhas mãos e correu para o banheiro feminino, onde eu não podia entrar. Bati na porta.
-Selena! – gritei – Está tudo bem?
Ela não respondeu. Cinco minutos depois ela saiu ofegante e se jogou em meus braços.
-Acho que bebi um pouco demais – ela disse, afundando a cabeça em meu peito.
-Você deveria parar um pouco.
-Você deveria parar um pouco, pirralho! – ela bagunçou meu cabelo e correu para a pista de dança.
(...)
Abri os olhos. Demorou um pouco para que meus olhos se habituarem à iluminação. Olhei ao redor. Era um quarto simples, com uma cama enorme no meio e nada mais, além de uma janela de vidro. Selena entrou, segurando uma bandeja e vestindo apenas uma camisa azul tamanho-família.
-Bom dia, Bela Adormecida!
-Onde eu estou? – perguntei.
Ela sentou ao meu lado na cama.
-Você não lembra?
-Não. O que nós fizemos?
-O que fazíamos antes dela.
Levantei, deixando o lençol cair. Selena riu e jogou a roupa em cima de mim. Enquanto me vestia, Selena me contava onde estávamos e como fomos parar ali. Saímos do quarto. Um homem grande e barrigudo estava sentado no sofá e, segundo o que Selena sussurrara em meu ouvido, aquele era Roy. O dono da casa e nosso novo amigo.
-Valeu por tudo, Roy – eu disse, antes de sair da casa. Ele assentiu e fez sinal de paz.
Abri a porta do carro para Selena, entrei e dei a partida.
-Você não lembra nada? – ela perguntou.
-Talvez seja melhor você esquecer tudo. Aí nenhum de nós lembrará.
-Isso não foi nada para você? Não teve nenhuma importância?
-Eu estava bêbado, eu não lembro nada.
-Eu também estava bêbada, mas mesmo assim foi a melhor noite da minha vida!
Ela pisou no freio. O carro parou bruscamente, me impulsionando para frente.
-É melhor com ela?
Não respondi.
-É melhor com ela? – Selena repetiu a pergunta, dessa vez gritando.
-Sim, é melhor com ela! – gritei, já sem paciência – Ela não me embebeda e não se aproveita disso! Ela não se oferece assim, ela não é como você.
-Então porque você não está com ela? Porque não volta correndo para sua vaca? Está com medo de bancar o corno de novo?
Livrei-me do cinto de segurança e saí do carro.
-Justin! Justin! – ela gritou.
-Pode ir com meu carro. Eu pego um táxi.
-Ah, Justin, me desculpa!
POV GABRIELLA
Eu não via Justin desde a noite passada, quando eu fora uma completa idiota e estragara tudo.
-Selena também não está no quarto. – Luke disse.
-Que coincidência – Lindsay ironizou.
Ela andou até mim e me puxou pelo braço para um lugar mais reservado, me prensando contra a parede.
-Você tem que fazer algo quanto a isso! – ela disse, me largando finalmente.
-Eu não vou fazer nada. Nada.
-Como pode ser tão impassível?
-Lindsay, você me conhece. Não vou sair por aí esbanjando lágrimas, não vou me humilhar para o Bieber. Tenho orgulho, tenho amor próprio.
-E é por causa desse maldito orgulho que você vai deixar o amor da sua vida ir embora? Mais do que amor próprio, Gaby, você tem amor ao Justin. Você não pode ficar de braços cruzados esperando que algo aconteça.
-O que você quer que eu faça? Quer que eu corra atrás dele como uma cadela no cio? Eu não vou fazer isso.
-O que eu quero? Eu quero ver você feliz. Com o Justin.
-Você vai me ver feliz, eu juro. Talvez não com ele, mas isso vai acontecer.
-Seja franca comigo: Você o ama?
Para responder aquela pergunta eu nem precisava pensar.
-Claro que sim. Eu o amo muito.
-Então como você consegue ser tão inabalável?
-Inabalável? Eu? – não consegui segurar o riso – Lindsay, eu sou a pessoa mais insegura, boba e frágil deste mundo, mas você nunca vai perceber isso porque não é o que eu demonstro. Você pode pensar que eu sou uma garota forte e decidida, mas eu choro por qualquer motivo e demoro horas para tomar uma decisão. Porém, ninguém nunca vai conhecer esse meu lado. Eu sou do tipo de pessoa que guarda tudo para si até não conseguir mais. Sou o tipo de pessoa que não deixa transparecer o que sente e esconde isso até o momento de explodir. Mas dessa vez eu não vou explodir. Fora você, ninguém vai saber o que eu realmente estou sentindo e o quanto estou sofrendo com tudo isso.
Ela permaneceu calada, me fitando.
-Quando crescer, quero ser como você – ela disse, arrancando um riso meu.
-Nunca diga isso.
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