Love Me
23 Infeliz Natal!
Notas iniciais
POV JUSTIN
Natal: a época mais maravilhosa do ano. Certo ou errado? Errado. Aquele Natal foi, com certeza, o pior da minha vida. Todos pareciam felizes e empolgados, exceto eu e Gabriella. Ela conversava com Luke e Lindsay, suspirando tristemente a cada cinco minutos. Eu estava sentado do outro lado do salão envolto em pensamentos enquanto Selena tagarelava em meu ouvido. Depois daquela noite, fotos nossas apareceram na internet como coelhos reproduzindo. Não tive outra escolha, senão “namorar” com ela.
–Você está ouvindo, Jus? – ela perguntou.
Pensei em dizer não, mas isso só provocaria outra briga. Nada é pior do que Selena zangada.
–Estou. – menti.
– E o que acha?
Eu já tinha uma resposta para aquilo. Ela perguntava minha opinião centenas de vezes ao dia e se eu não concordasse com ela, Selena simplesmente surtava. A última coisa que eu queria era que ela tivesse mais um de seus ataques na frente de todos.
–Maravilhoso.
Ela sorriu, me deu um beijo na bochecha e voltou a tagarelar sobre o vestido que usaria na premiere do filme. Ouvi a gargalhada de Gabriella. Virei instintivamente, a tempo de vê-la sorrindo descontroladamente. Lindsay apertava a barriga, como se não aguentasse mais rir tanto. Cara, como eu queria estar ali. Selena virou meu rosto para ela. Eu já não suportava mais ter que ver a expressão carrancuda dela todo dia. Ela andava muito mal-humorada.
–O que você estava olhando, Justin Drew Bieber?
–A piada deve ter sido boa – comentei.
–Você acha? Então vá com eles e me deixe aqui sozinha! – ela levantou, alterada.
Eu já estava cansado de ter que controlar Selena. Na verdade, eu estava cansado de tudo em Selena. Seus ataques, seu descontrole, suas mudanças de humor... Tudo! Suspirei e a fiz sentar novamente.
–Por que não podemos conversar civilizadamente?
–Porque você não presta atenção em mim! – ela retrucou. Sim, aquela era uma boa resposta. E o pior: era a verdade.
–Vamos mudar de assunto, então.
Ela bufou e fuzilou Gabriella com os olhos.
–Sobre o que quer falar?
–Qualquer coisa, menos vestidos.
Ela soltou um risinho.
–Quer um pouco de ponche?
Assenti. Selena pegou meu copo vazio e levantou do sofá, andando até a mesa de ponche. Assim que me viu sozinho, Lindsay foi até mim. Ela sentou onde Selena estava e ficou observando minha insuportável namorada com a testa franzida.
–Como está indo seu Natal? – ela perguntou, ainda olhando Selena
–Uma porcaria – admiti.
–O de Gabriella também. – ela virou o olhar para mim.
–Rindo daquele jeito? Imagino.
Ela deu de ombros.
–Luke é um comediante. Impossível ficar triste ao lado dele.
–Impossível ficar feliz ao lado dela – apontei para Selena com o queixo.
Olhei para Gabriella. Por um breve segundo nossos olhares se encontraram e eu pude ver que ela estava tão entediada quanto eu. Ela desviou o olhar imediatamente e voltou a conversar com Luke. Caleb andava na direção dela. Senti meu sangue ferver.
–Talvez se um certo garoto tomasse uma iniciativa...
–Não! – a interrompi. – Não vou voltar atrás.
Ela bufou.
–Vocês são dois orgulhosos! – ela protestou.
Dei de ombros.
–Gabriella sente sua falta. – ela continuou.
–Mentira.
–Não acredita em mim?
Olhei para ela e, pela minha expressão, imaginei que não era difícil descobrir a resposta.
–Sua princesa do Natal está vindo. – ela disse, olhando para Selena e levantando da cadeira – Depois não diga que não tentei ajudar. Algum dia você vai se dar conta de que não dá para ficar nesse joguinho de criança pra sempre.
Observei enquanto ela saía e ia de encontro a Gabriella, que conversava sem animação nenhuma com Caleb. Bom, pelo menos ela conseguia conversar com alguém. Era impossível conversar com Selena por três minutos sem que nossa conversa se transformasse em briga, e ela não me deixava conversar com mais ninguém. Tratava-me como se eu fosse um animalzinho de estimação que ela pode domar.
–O que Lindsay lhe falou? – ela me entregou o copo de ponche e retomou seu lugar.
–Ela me contou a piada de Luke. Nem é tão engraçada assim. – dei de ombros.
–Alegre-se, Bieber! Estamos em uma festa e não em um funeral – Luke disse.
Olhei para ele e minha expressão fez seu sorriso morrer. Até um funeral seria melhor do que aquilo. Ele franziu o cenho para mim e saiu sem dizer mais nada. Ótimo, agora eu estava tão carrancudo quanto Selena.
Gabriella levantou da cadeira. Ela usava uma blusa vermelha e uma calça preta, era a única que não estava de vestido. Ela odiava vestidos. Senti saudade. Saudade do tempo em que ela era minha, de quando éramos felizes juntos. Ali, olhando-a andar até a mesa de ponche, uma vontade perturbadora de beijá-la me assolou. Eu estava prestes a levantar e andar até ela quando Selena puxou meu braço, me trazendo de volta à realidade.
–Você ainda nem tocou no seu ponche – ela disse, apontando para o copo intacto.
–Eu... Eu não estou me sentindo muito bem. Acho que vou voltar para o quarto, tirar um cochilo e...
–E me deixar aqui? Sozinha? – ela me interrompeu.
–É isso mesmo – dei de ombros.
–As pessoas vão falar, Justin – ela agora estava sussurrando.
–Dane-se. Eu não ligo para o que as pessoas dizem.
–Mas eu ligo. E você deveria me apoiar e não ficar contra mim.
–Não estou contra você. Eu quero dormir, só isso.
–Tenho certeza de que se estivesse com ela você não estaria tão sonolento.
Controlei-me para não mandar Selena para o inferno, e foi mais difícil do que eu pensava. Selena estava me deixando esgotado. Eu já não tinha mais forças para lutar contra ela, estava tão cheio de tudo que preferia ceder a ter que suportar mais um escândalo.
–Talvez – eu disse.
Ela semicerrou os olhos e me olhou como se pudesse soltar lasers dos olhos. Claro, eu sabia que era isso que ela queria naquele momento. Então, subitamente, sua expressão mudou. Seus olhos relaxaram, suas feições antes furiosas demonstravam tristeza.
–Por que você me odeia tanto? – ela perguntou.
Aquilo era típico de Selena. Ela conhecia meus pontos fracos, sempre apelava. Mesmo sabendo que aquilo era fingimento, não pude deixar de me sentir culpado.
–Eu... Eu não te odeio – disse, enrolando meus braços em volta dela. Droga de coração fraco.
Ela abaixou a cabeça e, quando ergueu, havia lágrimas em seus olhos. Selena sabia que eu não suportaria aquilo.
–Claro que me odeia – ela disse com uma voz manhosa e incrivelmente irritante.
–Tá bom, eu fico aqui por mais um tempo – cedi, mesmo sabendo que seria insuportável ficar ali olhando Gabriella conversar com Caleb e ouvir as bobagens de Selena.
–Sério? – as lágrimas pararam de cair. Que boa atriz você é.
–Eu não podia estar falando mais sério.
Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos e exibiu um largo sorriso.
–Ótimo. Tome o ponche – sua voz assumiu o tom natural novamente. Imperativo.
–Não estou com sede.
Ela deu de ombros.
–Então voltemos a conversar.
Forcei um sorriso. Deus, por quanto tempo eu ainda teria que suportar aquilo?
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