Love Me
24 Sempre te amei
Notas iniciais
POV GABRIELLA
Just close your eyes
The sun is going down
You’ll be all right
No one can hurt you now
Meu celular tocou. Coloquei o ponche na mesa e peguei o celular. Era Daniella quem ligava.
–Gaby? – sua voz saia entrecortada, trêmula.
–Qual o problema?
Ela soluçou e só então eu percebi que ela estava chorando. Saí da sala barulhenta, entrei no banheiro e fechei a porta.
–Eu... Eu estou grávida. – Ela falou de vez.
Eu não sabia se sorria ou chorava. Daniella não tinha condições de cuidar de um bebê, ela estudava pela manhã e trabalhava a tarde toda. Eu passava o dia fora e não tínhamos dinheiro para pagar a babá... Mesmo com tudo isso, eu me sentia imensamente feliz por ela.
–Que ótimo presente de Natal! – exclamei, sincera.
–Eu não estou brincando, Gabriella! – mesmo com os soluços, sua voz soava agressiva – Não sei o que vai ser da minha vida!
–Calma, calma! – sentei em cima da pia, tentando me acalmar também – Vai dar tudo certo. Você cuida de mim há três anos, certo?
–Cuidar de uma garota de 15 anos é diferente de cuidar de um bebê. – Ela chorava histericamente.
Eu não sabia o que falar. Daniella cuidara de mim desde meus 15 anos, mas, como ela dissera, era muito diferente. Nós não tínhamos condição de criar um bebê e não era muito difícil imaginar o que Daniella estava pensando naquela hora.
–Você não vai fazer isso – eu disse.
–O quê?
–Abortar! Dani, nem ouse pensar em aborto.
–Mas... Mas... Esse bebê vai estragar tudo!
–Pensasse nisso antes de fazê-lo.
E então uma pergunta brotou em minha mente na velocidade de um raio. Foi descuido meu não ter perguntar aquilo antes. É claro que Daniella não tinha feito sozinha aquele bebê.
–Quem é o pai? – perguntei, sem mais delongas.
–Isso não importa – ela pareceu se recompor.
Alguém abriu a porta e eu saí da pia em um pulo. Lindsay olhou para mim, rodando as chaves em volta do dedo indicador com um sorriso de canto. Era fácil imaginar como Lind conseguira a chave do banheiro, já que ela andara pegando o gerente do hotel. Ela andou até mim, calada, assentindo para que eu continuasse o que estava fazendo.
–Claro que importa. – Eu disse. – Quem é? Quero saber.
–É um cara aí. – Ela disse, como se não significasse nada – Eu não quero que ele saiba. Tudo o que eu quero dele é distância.
–Dani, ele é o pai do seu filho. – Vi Lindsay abrindo a boca, surpresa – Você não pode simplesmente ignorá-lo.
–Eu posso e irei ignorá-lo – ela disse, decidida. – E, mesmo se eu contasse para ele, não faria diferença. De todo jeito, ele não vai querer saber dessa criança – a decisão em sua voz saiu e cedeu lugar à melancolia. Fosse quem fosse, esse cara machucara muito minha irmã.
Dei de ombros, mesmo sabendo que ela não estava vendo meu gesto.
–E você vai criar essa criança sozinha?
–É a única saída.
–Eu vou te ajudar – eu disse, solidária.
–Você tem seus próprios problemas. Está gravando seu filme, brigando com o Bieber, fofocando com a Lindsay, piscando para o Caleb... Sei lá, você tem seus próprios problemas. Você tem sua vida.
Reprimi o riso.
–My world is your world/And my fight is your fight – cantei um trecho de One Time.
Ela riu.
–Você está andando muito com o Bieber.
Bufei.
–Chego aí em casa amanhã. – Mudei de assunto.
–O quê? E o filme? E a premiere? E a fama?
–Já terminei de gravar. Atores secundários não vão à premiere e não têm fama. Beijos, te vejo amanhã.
Desliguei o celular. Lindsay ainda me olhava boquiaberta.
–Você vai para Atlanta? – ela perguntou.
–Vou.
–E vai me deixar?
Soltei um risinho pelo nariz. Eu sentiria falta dela, mas Lindsay sempre seria minha amiga.
–Você sabe se cuidar.
–E vai deixar o Bieber? – ela reprimiu o riso.
Mostrei a língua para ela. O que eu mais queria era sair de Las Vegas, para não ter mais que olhá-lo com Selena. Toda vez que eles estavam juntos me dava vontade de vomitar e eu sabia que a qualquer hora acabaria vomitando em alguém.
–Vou te visitar sempre. – Ela prometeu.
–Vou te ligar sempre.
Saímos do banheiro. Justin estava sentado no enorme divã de veludo vermelho e Selena estava ao seu lado mexendo em seu cabelo. Por um segundo, pensei ter visto seus olhos brilharem quando me viu. Claro que eu estava errada. Ele desviou o olhar assim que nossos olhos se encontraram e voltou a conversar com Selena. Suspirei.
–Ei, Gaby! – Caleb gritou, acenando.
Andei até o sofá onde Caleb estava sentado e sentei ao lado dele. Ele colocou o braço sobre meu ombro e sorriu.
–Diz aí: Cody Simpson ou Justin Bieber? – ele perguntou, com um sorriso malicioso no rosto.
Dei uma cotovelada na barriga dele, arrancando risos de todos os outros.
–Cody Simpson, claro. – Respondi.
–Sabe quem é esse? – ele sussurrou em meu ouvido.
–Não faço a mínima ideia.
Caleb sorriu e bagunçou o meu cabelo. Lindsay olhou para Justin, que nos fuzilava com os olhos. Automaticamente, cheguei mais perto de Caleb e pousei minha cabeça em seu ombro, em parte porque Caleb era um gato, em parte porque eu queria provocar Justin. Ele sorriu, mostrando seus lindos dentes brancos, tirou a jaqueta e me entregou. Eu não sabia como ele percebera que eu estava com frio, mas vesti a jaqueta de couro preto sem reclamar.
Luke sentou ao meu lado direito, meio desconfortável com aquilo.
–Justin vai matar Caleb – ele sussurrou.
Eu não percebi, mas um sorriso malicioso se formava em meu rosto. Dei de ombros.
–Ele está com Selena agora. A fila dele andou. A minha também. – Menti. Minha fila ainda estava parada em Justin e parecia que nunca mais andaria novamente.
–Só não a minha – ele sussurrou.
Luke levantou e saiu do sofá. Olhei para Caleb. Ele assentiu, como se lesse meus pensamentos, e eu segui meu amigo. Luke estava do lado de fora do hotel com os braços cruzados, provavelmente por causa do frio. Andei até ele e coloquei meu braço em seu ombro. Ele virou, suspirando em seguida.
–O que houve? – perguntei. Minha voz saiu fraca demais, cheia de preocupação.
–Você não consegue ver?
Suspirei. Eu não queria ver. Dentro de mim, eu sabia por que Luke estava daquele jeito. E eu sabia de quem era a culpa.
–Ah, Luke...
–Você não entende! Não sabe o quanto dói te ver por aí com o Bieber, com o Caleb... Com todos, menos comigo! – ele me puxou pela cintura – Eu te amo, Gaby! Eu sempre te amei!
Arregalei os olhos. Infelizmente, eu sabia que esse momento chegaria, mas não fazia a mínima ideia de como seria. Eu não sabia o que dizer para ele; e nem precisei dizer nada. Ele me tascou um beijo. Foi diferente dos beijos técnicos, diferente do beijo que eu lhe dei quando estava fora de mim. Pela primeira vez, Luke estava soltando tudo. O beijo foi tão intenso quanto os outros, mas cheio de... Paixão.
Coloquei as mãos em seus ombros e o afastei, ofegante.
–Luke... – era tudo que eu conseguia falar.
–Eu sei que você não sente o mesmo por mim, mas eu precisava fazer isso. – Ele sorriu, o velho Luke voltando aos poucos. Sorri e dei um soco em seu ombro. – Foi bom.
–Sério?
Ele colocou a mão na minha cintura, me puxando de volta para o hotel.
–Foi muito bom. – Ele hesitou um pouco antes de entrar. Virou para mim e pegou minhas mãos. –Eu não quero que nada estrague nossa amizade. Nem... Nem isso, sabe?
Assenti.
–Nada vai estragar nossa amizade, foguetinho!
Ele soltou minhas mãos e sorriu.
–Shhhhhh! Não quero que ninguém saiba dessa fase da minha vida.
Ri.
–O que foi? Qual o problema com seu antigo apelido?
–Você ainda pergunta?
Ele colocou o braço sobre meus ombros e entramos juntos no salão, ainda rindo.
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