Love Me
25 Pensando nele
Notas iniciais
Enlacei o braço de Luke em volta do meu pescoço. Luke nunca fora de beber demais, mas exagerara naquela noite. Ali, olhando o estado em que ele estava, lembrei porque eu não bebia. Eu simplesmente não queria ter que passar por aquilo.
Eu me sentia uma pontada de culpa. Luke só bebia quando queria esquecer algo, e eu sabia que eu era o que ele queria esquecer.
–Me ajuda — pedi.
Lindsay pegou o outro braço dele e passou por sobre o ombro. Levamos ele escada a cima, enquanto ele murmurava coisas inteligíveis. Soltei-o no chão.
–Aonde está a chave do seu quarto? — perguntei, apalpando seus bolsos.
–Em Atlanta. — Ele disse.
Bufei.
–E o que faremos agora? — Lindsay mexeu no cabelo, impaciente.
–Talvez, se você falar com o gerente...
–Não! — ela me interrompeu — Mesmo que eu passe o resto da vida sem falar com Carl, mesmo assim, não será o suficiente.
Decidi por não perguntar nada, porque envolveria uma longa história e eu não poderia deixar Luke daquele jeito, deitado no chão do corredor brincando com o trinco da porta de algum quarto.
–Então – comecei -, Luke dormirá no meu quarto.
Vi um sorriso malicioso nascer no rosto de Lindsay. Tirei a jaqueta que Caleb me dera e bati em Lindsay com ela. O sorriso malicioso se tornou uma gargalhada estridente.
–No seu quarto, é? Vão dividir a cama também?
–Não tem graça, Lind. Luke perdeu a chave do quarto e não tem onde dormir.
–Sei. – Ela ironizou.
Bati em Lindsay mais uma vez.
–Me ajuda com isso – pedi, carregando Luke de novo.
Arrastamos Luke até meu quarto. Joguei-o na cama, liguei a TV e fui até o banheiro. Lavei o rosto, grata pela noite finalmente ter acabado.
–Devido à neblina, todos os aeroportos de Las Vegas suspenderam os vôos. A situação só deve voltar ao normal daqui a dois dias.
Saí do banheiro e encarei o rosto de Tina Banks, que continuava falando sobre a neblina infernal. Lembrei de como aquela mulher tentara me comprar em troca de algum segredo sobre Justin. Desliguei a TV. Eu não ajudaria a aumentar a audiência dela. Ah, não.
–Hmmm – Luke gemeu – Gaby.
Virei. Luke estava sentado na cama, a cabeça tombada para trás. Sentei ao seu lado. Ele pegou minhas mãos e me puxou para mais perto.
–Fica comigo, Gaby. Pra sempre.
–Ah, Luke, você está bêbado.
–Não importa! – ele ergueu as mãos em protesto – Nada disso importa! Eu só preciso de você. Aqui. Comigo.
Desci da cama e puxei o lençol.
–Você precisa de um banho, só isso.
Ele fez uma careta que me fez lembrar dos velhos tempos, quando eu e Luke éramos crianças e não tínhamos nenhuma preocupação. Nenhum coração partido para tentar consertar, nenhuma lágrima para tentar esconder.
–Vá para o banheiro. – Peguei uma toalha e joguei nele. – Volto daqui a pouco com roupas limpas.
Ajudei-o a levantar e arrastei-o até o banheiro, enquanto ele falava sobre como seríamos felizes juntos. Abri a porta em um rompante e disparei para o corredor.
O encontrão foi tão rápido que mal consegui ver em quem esbarrei. Em um segundo eu estava de pé, no outro, estava caída no chão. Quando ergui a cabeça, alguém estendia a mão para mim.
Então nossos olhares se encontraram, e eu sabia quem era antes mesmo de ver o rosto. Seus olhos me fitavam como se pudessem ver minha alma. Como se pudessem ver toda a dor e sofrimento que me atingia. E como se pudessem entender tudo isso; como se sofressem do mesmo. Desviei o olhar de seus olhos cor de mel antes que fosse tarde demais.
Segurei sua mão e um tremor percorreu todo meu corpo. Ofeguei, em busca de ar para respirar. Ele segurou forte e colocou a mãos em minhas costas, me ajudando a levantar.
–O-obrigado – gaguejei.
Ele sorriu, e outro tremor me assolou. Tentei retribuir o sorriso, mas o que saiu foi uma careta mal feita. Quando levantei, ele continou segurando minha mão e me encarando, calado. Afrouxei minha mão, mas ela não a soltou.
–Hã, eu... Preciso ir. – Cortei o silêncio.
Ele olhou para nossas mãos, parecendo só ter percebido agora que ainda estavam juntas. Lentamente, e com um sorriso torto no rosto, soltou minha mão. Enfiou as mãos nos bolsos, envergonhado.
–Te vejo por aí? – ele perguntou, hesitante.
–Claro. – Respondi, com um sorriso forçado no rosto.
Sem olhar para trás, corri para o quarto de Edward. Um bolo se formava em minha garganta e eu já conseguia sentir a acidez das lágrimas que apareciam em meus olhos lentamente. Você é forte, Gabriella, disse a mim mesma, tentando me convencer de algo que eu sabia que era mentira. Antes de bater na porta, enxuguei as lágrimas com a costa da mão.
Toc, toc!
Edward atendeu a porta, sem ao menos perguntar quem estava batendo à uma hora dessas. Ele vestia uma roupa que me fazia questionar se ele estava mesmo se preparando para dormir. Dei de ombros, afastando todos os pensamentos.
–O que foi? – ele perguntou, rude como sempre.
–Eu... Preciso de roupas.
Edward reprimiu o riso.
–Então vá à loja, ué.
–Edward, é sério.
–Estou falando sério.
–Se não parar com isso, juro que enfio o dedo no seu olho. – Ameacei.
Meteu as mãos nos bolsos, chegou mais perto e arregalou os olhos.
–Manda ver!
Sem hesitar, nem pensar no que estava fazendo, enfiei o dedo no olho direito de Edward. Não com força suficiente para furar, é claro, mas aquilo com certeza faria algum estrago. Ele tapou o olho atingido com uma mão e usou a outra para apontar o dedo indicador para mim, acusando-me. Observei enquanto ele gritava coisas inteligíveis. Se eu falasse aquela língua, provavelmente ficaria ofendida.
–Filha da...
–Olha o palavreado, Ed! – dei um tapa no seu dedo, forçando Edward a abaixá-lo.
–Por que você fez isso? – gritou, completamente fora de si.
Tentei procurar alguma explicação. A verdade era que não tinha explicação nenhuma, eu fizera aquilo e ponto final. Agira sem pensar, não pela primeira nem pela última vez.
–Você... Você me desafiou. – Gaguejei.
–Eu estava brincando!
Ele andou de lá para cá como um louco, enquanto eu o seguia pedindo um milhão de desculpas. Algum tempo depois, ele parou.
–O que você quer mesmo? – perguntou, ainda com a mão tapando os olhos.
–Algumas roupas suas. Você sabe, emprestadas.
Eu realmente não esperava por aquilo. Eu realmente não precisava ver aquilo. Ali, na minha frente, Edward tirou a camisa branca, o cinto preto e a calça jeans sofisticada, ficando apenas de cueca na minha frente. Esforcei-me para não ficar boquiaberta enquanto observava seu peitoral definido e seu sorriso malicioso.
Entregou-me as roupas, ainda sorrindo.
–Não sei o que fará com isso e nem quero saber, só espero que não seja magia negra.
–É... Fica tranquilo.
Plantei-lhe um beijo na bochecha – o que foi bem desconfortável, já que meus ombros nus se chocaram contra os seus e um tremor percorreu nossos corpos simultaneamente.
Corri de volta à suíte. Luke estava parado no meio do quarto, enrolado na toalha cintura a baixo. Que droga, quantos peitorais incrivelmente atraentes eu teria que ver?
–Pensei que não viria mais.
Dei um de meus melhores sorrisos.
–Mas eu vim. Com roupas. – Ergui as roupas e balancei-as no ar.
Cheguei mais perto dele e o ajudei a se vestir. Eu nunca tivera uma mente muito poluída, mas não tive problema nenhum em ver Luke ali, nu. Na verdade, não foi nenhum sacrifício vê-lo nu.
–Quem lhe deu essas roupas? – ele perguntou, parecendo tão à vontade quanto eu.
–Edward.
Ele fez uma careta e puxou o cinto da minha mão.
–Não gosto dele.
Puxei o cinto e enrolei-o em volta do seu quadril.
–Problema seu.
Ele riu.
–Onde vou dormir?
–No chão.
Outra careta se formou em seu rosto.
–Ah. Não! – protestou.
–Sim.
Empurrei-o até o chão, inclinando-me de um jeito que nunca consegui antes. Um segundo depois, ele estava roncando. Peguei minha toalha, fui até o banheiro e fiz minha higiene.
Estalei os dedos duas vezes na frente de Luke para ter certeza de que ele dormia antes se trocar. Coloquei um pijama qualquer e deitei na cama.
Como sempre acontecia, um milhão coisas passaram pela minha mente. Por alguma estranha razão, lembrei de como Lindsay insistira na ideia de me ajudar a comprar um vestido para a festa de Natal, na ideia de me arrumar para a festa e na louca ideia de usar um vestido igual ao meu, porém com cores diferentes. Ao final de tudo, ela ganhou pelo cansaço.
Eu prometi a mim mesma que nunca mais deixaria que Lindsay me maquiasse, escolhesse minha roupa ou chegasse perto de mim na véspera de uma festa. Ela escolhera um vestido que eu normalmente nunca escolheria, encheu-me de brilho e me enfeitou como se eu fosse uma árvore de Natal.
–Estou parecendo uma árvore de Natal, Lind. – Eu disse para ela, enquanto ela me arrumava.
–É uma festa de Natal, Gaby, ser uma árvore de Natal significa que você é atração principal. O símbolo dessa festa.
Agora, repensando tudo aquilo, eu conseguia ver o quanto tudo parecia ridículo e sem sentido. Lembrei de como as pessoas olhavam para nós duas, vestidas com vestidos praticamente iguais. Lembrei de como Lindsay estivera especialmente deslumbrante naquela noite. E então, involuntariamente, lembrei de Justin. Do modo como ele me olhara na festa, e como fora fofo no corredor. Eu simplesmente não tinha mais forças para lutar contra ele. Normalmente, eu teria balançando a cabeça e pensado em outra coisa, mas naquela noite eu não segui o roteiro. Ao invés disso, deixei que as lembranças de Justin me atingissem. Elas vieram como um ciclone e encheram minha mente de imagens de Justin.
Assim, embalada pelas lembranças, dormi pensando nele.
Notas finais
OBS: LARISSA, MULHER, ONDE CÊ TÁ? Beijos u_u
Fale com o autor