Love Me

26 Apenas amigos mais uma vez


Notas iniciais
Para Jujuca e Larissa, minha bbs *-*

–Acorda, Bela Adormecida!

Rolei pela cama e abri os olhos, piscando várias vezes para adaptá-los à claridade. Luke sorria alegremente para mim.

–Se lembra do que aconteceu ontem? – perguntei.

–Infelizmente, sim. Nunca mais vou beber, eu juro.

–Dormiu bem?

Ele esticou as costas.

–Em hotel chique, até chão é confortável.

Ri e sentei na cama. Ele sentou ao meu lado e virou para observar o nascer do Sol. Eu nunca tinha acordado tão cedo, portanto nunca tinha visto uma cena como aquela.

–Não é lindo? – ele perguntou, ainda com os olhos fixos no Sol que surgia lentamente.

Assenti.

–Eu nunca vi isso antes. – Admiti.

Ele desviou o olhar para mim. Eu esperava que Luke estivesse com olheiras e morrendo de ressaca, mas o Luke que sorria para mim agora estava mais vivo do que nunca.

–Eu sei disse. – Com um sorriso maior ainda, acrescentou: — Você é uma preguiçosa.

Tentei ficar séria, mas acabei me rendendo. Estar com Luke era tão libertador. Ele era tão simples, tão mais fácil de lidar. Eu me sentia ótima ao lado dele, era como se todos os meus problemas fossem deixados de lado.

Levantei da cama e estiquei as costas, bocejando.

–Ei, quer fazer algo legal hoje? – ele perguntou.

–Tipo o quê? Ler revistas em quadrinhos? – provoquei.

–Já superei essa fase. – Ele sorriu – Estou falando de uma coisa pela qual nós dos somos apaixonados.

Meia hora depois, estávamos parados em frente a uma rampa de skate. Era Sábado e o dia parecia radiar alegria. Era um desses dias quentes e lindos que fazem você querer levantar da cama e fazer alguma loucura. Eu vestia uma roupa simples e carregava meu skate debaixo do braço. Desde que eu fora para Vegas, não tinha andado de skate nenhuma vez. A saudade estava me matando. Luke amarrara a camisa (Selena encontrara a chave do quarto debaixo do tapete, na entrada do hotel) em volta do quadril e vestia uma bermuda jeans esfarrapada.

–Vamos lá – ele colocou as mãos nos meus ombros e me guiou, como quando costumávamos brincar de trenzinho.

Algumas pessoas andavam de skate perfeitamente, outras pareciam estar aprendendo. Nenhuma delas era mulher.

–Onde estão as garotas? – sussurrei.

–Onde deveriam estar, ora bolas. – Virei para ele, sem entender nada. – No meu quarto.

Bati nele com o skate.

–Estou falando sério, Luke.

Ele olhou ao redor e mordeu o lábio inferior.

–Droga. Sem garotas? Vamos voltar para o hotel e pular na piscina, onde muitas garotas estarão apreciando meu perfeito nado borboleta.

Sem perceber o que estava fazendo, entrelacei meus dedos nos de Luke e andei até a rampa. Um garoto loiro me olhou com o que parecia ser curiosidade.

–Vai encarar? – apontou para a rampa com o queixo.

Olhei para Luke, depois para o garoto de quem partira a pergunta.

–Mas é claro que sim! – respondi.

Posicionei-me. Podia sentir todos os olhares em cima de mim, podia senti-los pensando em meus ombros e me empurrando para baixo.

Levantei o queixo e encarei a rampa sem medo. Eu conseguiria fazer aquilo, já conseguira antes tantas vezes. Dei uma ultima checada nos rostos dos meus observadores. Um rosto, em especial, chamou minha atenção. Mesmo de longe, eu conseguia ver a familiaridade em seu rosto. Desviei o olhar rapidamente e...

Caí. De cara na madeira crua.

–Garota caída! – alguém gritou.

Meu estômago revirou ao sentir o cheiro de sangue. Geralmente, eu não tinha problema nenhum com sangue, desde que não fosse o meu sangue. Vi Luke correndo em minha direção. Ergui o olhar mais um pouco e pude ver Justin correndo também. Para falar a verdade, todos corriam em minha direção. Tentei levantar, mas só o que consegui fazer foi cair novamente.

–Você está bem? – Justin perguntou, pegando minha cabeça e apoiando em suas pernas.

Ele era o que estava mais longe, mas fora o que chegara mais rápido.

–Eu... Acho... Que... Sim. – Esforcei-me para pronunciar as palavras.

O mundo todo parecia girar em um espiral de cores desfocadas. A única coisa clara em minha mente era o rosto de Justin, enrugado de preocupação. Ele puxou um lenço do bolso e começou a enxugar o sangue que saia do meu nariz. Naquela altura, nem o sangue me incomodava mais. Eu estava ocupada demais, focada em Justin, em suas sobrancelhas arqueadas, seus olhos preocupados, seu nariz – que agora estava franzido –, o lábio inferior sendo mordido com tanta força que até eu podia sentir o gosto de sangue.

Não, o gosto de sangue não vinha da boca de Justin. Minha boca também sangrava. Justin moveu a mão para pegar outro lenço, mas meus dedos a alcançaram a meio caminho.

–Como... Como veio parar aqui? – perguntei.

Ele não respondeu. Apenas virou para Luke e falou algo. Observei enquanto eles mexiam as bocas e nenhum som saía. Demorei um pouco para perceber que todos ali estavam falando – era eu quem não9 escutava nada. Luke inclinou-se e deu um beijo em minha testa suada. Abri a boca para dizer que estava tudo bem, mas a voz não saiu. Então fechei os olhos.

Abri os olhos lentamente, como se toda preguiça do mundo tivesse escolhido simplesmente morar em mim.

–Gaby! – um misto de vozes gritou.

Levei as mãos aos ouvidos, que ainda latejavam. Reconheci Justin sentado de um lado da cama, segurando um buquê de peônias, minhas flores favoritas. Luke do outro lado, segurando meu skate – que antes se partira no meio – intacto. E Lindsay à minha frente, segurando uma bolsa de maquiagem.

–Daniella ligou descontroladamente. Eu disse para ela ficar calma. – Lindsay me lançou um sorriso.

–Eu trouxe seu skate. Nada que o “batom para fofoqueiros” não resolva. – Ri, sabendo que Luke falava sobre cola instantânea. Ele apoiou o skate na cama.

–E eu – uma pausa – trouxe peônias. – Justin me entregou as flores.

Então percebi que uma outra cadeira estava ao lado dele. Uma cadeira que abrigava um corpo magro e que parecia se sentir desconfortável ali, remexendo-se freneticamente. Selena. Ela segurava uma caixinha de veludo vermelho.

–E eu trouxe um dos dentes que você deixou cair. – Tapei a boca com as duas mãos, em pânico. – Estou brincando.

Selena realmente conseguira arrancar de mim um sorriso, o que era estranho, já que tudo que ela normalmente conseguia arrancar de mim era mais ódio. Colocou a caixinha na mesa ao meu lado. Selena estava impecável como sempre, e Lindsay não ficava nenhum pouco atrás. Justin arrastou sua cadeira para mais perto da minha cama.

–Como você está? – sussurrou.

–Fraca. – Admiti, com a voz rouca.

Luke sentou ao meu lado, na cama.

–O que deu em você, Gaby? Nunca, em toda a minha vida, vi você cair de um skate.

Eu não podia dizer a verdade para Luke. Nem na frente de Selena. Não podia dizer que meu coração acelerou quando vi o rosto de Justin e que perdi o controle do skate.

–Cãibra. – Menti.

Selena remexeu-se na cadeira.

–É melhor deixarmos Gabriella descansar. – Ela disse, levantando.

Lindsay assentiu.

–Volto depois, Gaby, — Prometeu ela.

Luke beijou minha bochecha e levantou da cama.

–Se cuida.

Justin era o único que continuava sentado.

–Vem, Jus! – Selena o chamou.

–Eu vou depois.

–Vamos almoçar juntos, lembra? Já reservamos a mesa.

Ele abanou a mão, impaciente.

–Deixa pra outro dia.

Ela se aproximou dele e tascou-lhe um beijo. Desviei o olhar, procurando focar-me em qualquer outra coisa e o que o meu olhar encontrou foi... Luke. Ele tentou sorrir, mas acabou fazendo uma careta.

Selena e Lindsay saíram primeiro. Para minha surpresa, Selena parecia estar convidando Lind para um almoço. Luke olhou para Justin, depois para mim. Saiu sem dizer nada.

Fitei a porta por um bom tempo antes de virar para Justin. Ele tinha penteado o cabelo em topete, o que o deixava ainda mais fofo.

–Fiquei sabendo que Luke dormiu no seu quarto ontem. – Justin foi tão direto que chegou a me assustar.

Tentei organizar as palavras na minha cebça, de modo a não deixar que Justin tivesse uma impressão errada. Depois de organizá-las, as ignorei totalmente.

–Ah, sim.

Ele fixou o olhar para os meus pés descalços.

–Vocês estão namorando?

–Não.

Ele riu, não sei de quê.

–Você não é do tipo de garota que fica com o cara só uma noite e...

–Não houve nada, Justin.

Então ele olhou em meus olhos tempo suficiente para eu ter que desviar o olhar.

–Como estão as coisas? Digo, você e Selena.

–Firmes. Estamos muito bem.

Revirei os olhos involuntariamente.

–O que você estava fazendo na pista de skate?

–Você disse que nos veríamos por aí e... E isso não aconteceu. Então fui atrás de você.

–E o que tem para me falar de tão importante?

Ele suspirou.

–Não aguento mais! Mesmo que eu esteja com Selena e você... Com Luke e Caleb, sei lá... Mesmo assim, Gabriella, não consigo mais ficar longe de você. Ontem, eu estava te procurando pelo hotel e, meio que esbarrei em você de propósito. Eu sinto sua falta. Não poderíamos ser amigos?

Assenti, mesmo que aquela ideia parecesse absurda. Eu ouvia cada palavra do discurso de Justin com empolgação, até aquela pergunta.

–Eu vou voltar para Atlanta, assim que os aeroportos voltarem a funcionar. – Não sei por que, eu tinha que contar isso para ele.

Ele levantou e passou a mão nos cabelos, despenteando tudo.

–Não pode esperar mais um pouco?

–Esperar pra quê, Justin? Para que possamos jantar juntos, evitando contato físico e repetindo sempre “somos só amigos”? Para que eu, você e Selena possamos sair juntos e fingir que está tudo bem? Não está tudo bem. Eu deixei tudo para lhe acompanhar nessa viagem e aqui estamos nós, apenas amigos mais uma vez.

Ele ficou em silêncio pelo que pareceu uma eternidade.

–Eu sei que as coisas não saíram como o planejado, mas...

–Deu tudo errado, Justin!

Ele chutou a cadeira, que deslizou até bater na parede.

–Você se arrepende de ter vindo para cá comigo?

Suspirei.

–Sim.

Ele pegou a cadeira e colocou no lugar onde estava antes do chute. Andou até a porta e a abriu, mas antes virou para mim.

–Boa viagem.

Então Justin foi embora.


Notas finais
Eu sei que todos devem estar bravos com minha demora, menos a Luiza que tá no Canadá, mas aqui está mais um cap!