Love Me
4 Somos amigos, só isso.
Notas iniciais
Parei o carro e saí. Quando vi, Gabriella também já estava fora.
-Eu ia abrir a porta para você.
-Por quê? Eu tenho dois braços.
-É, eu percebi isso. — ri — Seria romântico.
-Romance? Eca.
-Qual o seu problema? — perguntei, rindo.
-Não sei. Odeio romance e, a partir de hoje, não acredito mais no amor — ela disse, decidida.
Peguei a mão dela e a rodopiei.
-E se eu fizer você voltar a acreditar?
-Me responda: Você tem poderes mágicos?
Fiquei um pouco confuso, mas respondi:
-Não que eu saiba.
-Então isso nunca acontecerá.
Ela me deixou para trás e saiu. Notei que ela hesitou um pouco na entrada do restaurante, deixando que eu a acompanhasse.
-Não podemos comer no McDonalds? — ela perguntou.
-Tarde demais, já fiz a reserva.
Segurei na sua mão e entramos no restaurante juntos. A recepcionista nos levou até a nossa mesa e nos entregou o cardápio. Gabriella nem precisou olhá-lo para fazer o pedido.
-Você já veio aqui antes? — perguntei, curioso.
-A ultima vez foi três anos atrás. Eu, Daniella, mamãe e papai jantávamos aqui todo Domingo.
-E pararam por quê?
-A empresa do meu pai faliu e esse é um restaurante muito caro.
-Ah.
O garçom chegou com os nossos pedidos e piscou para Gabriella. Não pude deixar de sentir ciúmes, tive vontade de socar a cara dele quando vi um sorriso no rosto dela.
-Obrigado. Pode ir — disse, seco.
Ela olhou para mim e riu, provavelmente percebendo minha crise de ciúmes.
-Zac me ligou — ela disse, para me provocar ainda mais.
-E o quê esse otário disse?
-Ele pediu que eu o perdoasse.
Virei para ela abruptamente.
-E você perdoou?
Pude ver todas as outras pessoas virando para nós, assustados com meu ataque histérico de ciúmes.
-Você acha mesmo que eu perdoaria esse traidor?
-Quando se trata de você, não duvido nada.
Ela riu.
-Posso fazer uma pergunta?
-Pode sim — respondi.
-Por quê você e Selena terminaram? Eu estava olhando algumas fotos e vocês pareciam tão bem juntos.
-Ela disse que eu sou um pirralho mimado e imaturo.
-Por quê nossos ex-namorados são tão idiotas?
Ri.
-Não sei. Você não me acha imaturo?
-Às vezes eu acho. Nem sempre — ela riu, provavelmente do que iria falar a seguir — Mas eu gosto.
Pisquei para ela e ela corou. Gabriella de nada me lembrava a garota que eu conhecera ontem, antipática e grosseira. Eu estava conhecendo o lado delicado e feminino dela. E estava gostando.
-Qual foi a pior coisa que você já fez? — ela perguntou.
-Que pergunta é essa, menina?
-Até agora você se mostrou bonzinho e perfeitinho. Quero ver se você é assim mesmo. Vamos, conte-me.
-Perfeitinho? — ri.
Ela revirou os olhos.
-Tá bom, você pediu por isso. Retiro o que disse.
-Uma vez, quando tinha 10 anos, conheci uma garota. Eu a achava linda, então fui falar com ela. Ela me humilhou na frente da escola toda, então, no outro dia, decidi que devia me vingar. Aí eu grudei chiclete no cabelo dela todo.
-Devo ter medo?
-Claro que deve. Sou muito perigoso.
Gabriella riu.
-E você? Qual a pior coisa que fez? — perguntei.
-Prepare-se para tremer de medo.
-Estou preparado.
-Há dois anos, eu namorava um cara chamado Dylan. Assim como Zac, ele me traiu e eu descobri. — ela suspirou — Coitado dele. Fiz uma festa para comemorar 11 meses de namoro e terminei com ele na frente de todos.
-Devo ter medo?
-Não. Nunca farei isso com você.
-Porque nunca lhe trairei.
-Porque nunca namoraremos.
-Que mania feia essa sua de tentar adivinhar o futuro.
Ela riu e balançou a cabeça negativamente. Tivemos uma boa noite: conversamos, comemos e rimos. Eu já não lembrava a ultima vez que eu tinha me divertido tanto. Minha mãe estaav certa, afinal. A loirinha estaav me fazendo um bem imenso.
-Já é tarde — ela comentou.
-Sim. Deixa que eu te levo para casa.
-Não precisa, Justin.
-Claro que precisa.
Paguei a conta, mesmo com os protestos de Gabriella. Levantamos e saímos do restaurante.
-Que diabos é isso? — ela perguntou.
Cerca de 10 paparazzi no esperavam do lado de fora do restaurante. Gabriella me olhou assustada.
-Abaixe a cabeça e não responda nada — sussurrei em seu ouvido.
Ela fez o que pedi, abaixando a cabeça. Coloquei meu braço em volta do seu ombro e tentei abri caminho no meio da multidão de paparazzi.
-Vocês estão namorando? — alguém perguntou.
-Não! — Gabriella apressou-se a responder — Somos amigos, só isso.
-Não responda nada, por favor — sussurrei novamente.
Finalmente chegamos ao carro. Entramos rápido.
-Por quê não posso responder nada? — ela perguntou.
-Você não conhece essa gente. Eles modificam tudo o que você diz, inventam coisas que você não falou... O melhor é ficar calado mesmo.
Dei a apartida no carro.
-Então eu não devia ter respondido.
-Sem problemas. Você disse o que todos queriam ouvir, incluse minhas fãs.
Passamos o resto do trajeto calados. Quando parei o carro, saí correndo para abrir a porta para ela antes que ela saísse. Gabriella sorriu.
-Valeu mesmo, Justin.
-O quê? Já está dando tchau?
-E não deveria?
-Claro que não. Vou levar você até a porta da sua casa.
Subimos as escadas até o terceiro andar. Levei Gabriella até a porta e ela bateu.
-Quem é? — Daniella perguntou.
-Eu, mana.
Daniella abriu a porta. Ela era meio que uma Gabriella mais velha. Olhos azuis, cabelo loiro, sorriso meigo...
-Oh, Justin! — ela exclamou — Vamos, entre.
Olhei para Gabriella e ela assentiu com a cabeça. Sorri para Daniella e entrei. Era simples, porém bonito. A sala neutra parecia enorme apenas om o sofá, a televisão e a mesa. Gabriella tirou a jaqueta e jogou no sofá.
-Com licença — disse, ao entrar.
-Desculpe a bagunça — Daniella disse.
-Bagunça? Cadê? Você considera isso bagunça? Ainda não viu meu quarto.
Gabriella riu e sentou no sofá.
-Sente-se — ela disse.
-Obrigado.
Sentei ao lao dela.
-De quem são todos esses livros? — perguntei, apontando para a mesa cheia de livros atrás de nós.
-Da Gabriella — Daniella respondeu.
-Sério? — perguntei, virando para Gabriella.
-Por quê a surpresa?
-Não consigo lhe imaginbar devorando todos esses livros.
-Quando ela põe o óculos e senta nessa mesa só Deus a tira daí — Daniella afirmou.
-Nem é bem assim.
-Você usa óculos?
-Uso. Nem todos têm o privilégio de nascer com a visão perfeita como Daniella.
-Tenho olhos de águia — disse Daniella, gabando-se.
Gabriella ligou a televisão e viu que estava passando um filme de terror. Ela me convidou para assistir e eu pensei: Ora, por quê não? Daniella fez pipoca e passamos assim o resto da noite. De vez em quando Gabriella apertava a minha mão com força e eu passava a mão em seu cabelo para tranquilizá-la. Estávamos os três sentados no sofá, nos entupindo de pipoca. Confesso que às vezes eu tirava proveito da situação e chegava mais perto, colocava o braço no ombro de Gabriella, sussurrava algo em seu ouvido... Eu não conseguia resistir.
-Tenha muitos pesadelos! — ela gritou, quando eu ia embora.
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