Love Me

12 Nós temos que conversar


Notas iniciais
Tá aí o capítulo, gente. Cheio de drama, haha.

(...)

Eu não sabia como falar com Justin sem ferir seus sentimentos. Eu não podia dizer o que estava de fato acontecendo, pois ele nunca aceitaria, mesmo que fosse para o seu bem. Toda vez que eu pensava em deixá-lo meu coração doía e eu chorava sem parar, já sofrendo por antecipação. Daniella, Luke e Bonnie eram os únicos que sabiam sobre a chantagem de Zac e eu os fiz jurar que não iriam contar nada para Justin. Eu o amava demais para arriscar sua vida, se acontecesse algo a ele eu nunca me perdoaria, sabendo que eu seria a única culpada.

-Eu ainda acho que ele tem que saber de tudo – Daniella disse, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto.

Eu, Luke, Daniella e Bonnie estávamos sentados no chão do meu quarto, tentando imaginar um jeito de terminar meu namoro com Justin, mesmo que isso me matasse de dor por dentro. O melhor de namoro de um dia de toda a minha vida, com o garoto mais fantástico do mundo.

-Não! – exclamei – Se Zac desconfiar...

-Zac não vai fazer nada. Justin é o garoto mais famoso do mundo – Bonnie disse, revirando os olhos.

-Eu... Eu não posso arriscar. Se alguma coisa acontecer com Justin, eu... Eu... – optei por não terminar de falar, para não cair no choro de novo, pela centésima vez só naquele dia.

Eu sabia que seria difícil terminar com Justin. Não só porque não era aquilo que eu queria, mas também porque todo mundo estava falando sobre o nosso namoro. O vídeo que a garota do McDonald’s fizera já era um dos mais vistos do YouTube e fotos nossas pipocavam na internet.

(...)

Bati na porta da casa de Justin, com um imenso aperto no coração. Uma lágrima rolou pelo meu rosto. Droga. Eu tinha que me controlar, tentar mostrar que estava tudo bem ou ele não acreditaria em mim.

-Eu atendo! – Justin gritou, de dentro da casa – Quem é?

-Gabriella – respondi.

Justin abriu a porta, com um sorriso de orelha a orelha. Tentei sorrir, mas senti que se forçasse demais, acabaria chorando bem ali, então achei melhor não sorrir. Ele me abraçou e me beijou.

-Entre – ele disse, rindo.

-É... É melhor não.

O sorriso em seu rosto desapareceu. Tentei me lembrar de todas as minhas aulas de teatro que eu tivera quando tinha 10 anos. Entre no personagem de corpo e alma, lembrei o que meu professor dissera. Mas era bem mais difícil quando esse personagem era você mesmo. Eu tinha que fingir que estava tudo bem e que eu não estava sofrendo com tudo aquilo, mas por dentro eu estava despedaçada.

-O que foi? – ele perguntou, preocupado – Aconteceu alguma coisa?

-Não. Quero dizer, sim. Justin, nós temos que conversar.

POV JUSTIN

Nós temos que conversar. Por que essa bendita frase me perseguia? As lembranças voltavam à tona e me atacaram como mil adagas afiadas. Selena usara a mesma frase para me dar um fora. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo de novo. Eu ia quebrar a minha cara mais uma vez e voltar para mesma vida miserável sem amor que eu tinha antes de conhecer Gabriella. Senti um bolo de lágrimas se formar em minha garganta, mas lutei contra elas.

-Fale – eu a encorajei, seco.

Ela mordeu o lábio inferior e olhou em meus olhos. Caramba, aquilo só tornaria mais difícil ainda suportar o que eu sabia que ela estava prestes a falar.

-Isso não vai dar certo – ela disse, por fim, desviando o olhar.

Então era assim? Isso não vai dar certo? Como ela podia saber se aquilo iria dar certo ou não? E, o mais importante, como ela tinha coragem de fazer isso comigo? Mesmo depois de minha declaração patética de amor, de passar com ela a melhor noite da minha vida. Ela me enchera de falsas esperanças e então despedaçara meu coração. Típico das mulheres.

-Você só pode estar brincando – eu disse, feito um bobo. Eu não conseguia e nem queria acreditar no que ela estava me falando.

-Eu não brincaria com uma coisa dessas, Justin. Não é vo...

-Não é você, sou eu – eu disse, arrancando as palavras da boca dela – Você usou essa mesma desculpa esfarrapada para quantos garotos?

Ela tirou o cabelo do rosto e abaixou a cabeça, olhando para os pés. Meus olhos começaram a arder, senti as lágrimas de formando. Esfreguei-os com agressividade, tentando arrancar as lágrimas dali. Ela não merecia.

-Não é uma desculpa esfarrapada, eu...

-Ah, não? – a interrompi, cheio de sarcasmo – Eu não nasci ontem, Gabriella. Eu já ouvi essa frase antes.

-Mas é a pura verdade – ela disse, me encarando.

-Não sei por que não consigo acreditar nisso – eu disse, sarcástico – Ontem, quando você disse que me amava, eu acreditei em você. Eu te dei todo o meu amor e você só estava brincando comigo. Foi bom ter namorado com uma celebridade pelo menos por um dia?

Ela pareceu ofendida, mas logo mudou de expressão.

-Foi ótimo – ela disse – Mas o sonho acabou. Eu caí na real. Somos de mundos diferentes, Justin, não vai dar certo.

-Quando o amor é verdadeiro, ele supera tudo

Olhei em seus olhos. Gabriella ainda parecia a mesma garota de antes, mas eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Ela iria desistir de tudo, sem ao menos se importar com meus sentimentos. Meu coração doía, como se tivessem o esfaqueado, as palavras saíam automaticamente e eu lutava contra mim mesmo, tentando não chorar.

-É, eu acho que o nosso amor não é verdadeiro.

Eu quase caí quando ela me disse aquilo. Como Gabriella podia duvidar do meu amor por ela? Logo eu, que a amei desde o primeiro instante que a vi e continuava a amando, mesmo ela falando todas essas coisas para mim. Se alguém tinha o direito de duvidar do amor do outro, esse alguém era eu.

-Nosso amor? Pelo o que estou vendo, a única pessoa que ama aqui sou eu. A outra só finge.

Ela virou as costas para mim.

POV GABRIELLA

Virei as costas, para impedir que Justin me visse chorando. Minhas pernas estavam bambas e a cada palavra que eu dizia parecia que eu ia morrer. Limpei as lágrimas rapidamente e virei de novo, olhando em seus olhos.

O garoto mais perfeito do mundo estava ali, na minha frente, dizendo que me amava, e eu tinha que deixá-lo para proteger sua própria vida. Eu podia ver o sofrimento em seus olhos castanho-claros e me angustiava ao saber que não podia fazer nada quanto a isso e que a culpada era eu.

-Você tem razão – eu disse – Tchau, Justin.

Virei e comecei a andar na direção oposta a Justin, sem ao menos voltar para olhá-lo pela última vez. Se eu continuasse ali eu colocaria tudo a perder e me jogaria nos braços deles, beijando-o e dizendo que o amava. E isso poderia custar a vida dele.