Love Me
13 A verdade vem à tona
Notas iniciais
1 SEMANA DEPOIS
POV JUSTIN
Olhei para a tela do computador. Eu estava olhando — mais uma vez – a foto que eu e Gabriella tiramos no carro antes de ir ao baile. Desde o dia em que ela disse tudo aquilo para mim eu não tinha mais visto ou falado com ela. Dei um jeito de convencer os repórteres de que era só uma brincadeira e que eu e Gabriella nunca namoramos de verdade. Que o beijo foi algo sem importância nenhuma e que nós nunca tivemos nenhum tipo de compromisso. Como eu queria que essa fosse a verdade!
Alguém bateu na porta do quarto.
-Quem é? – perguntei.
-Sou eu – minha mãe respondeu – Você tem visita, Jus.
-Manda subir.
Droga! Desliguei o computador, me joguei na cama, liguei o Xbox amarelo (sim, eu tinha comprado a versão The Simpsons) e fingi que estava jogando. Ouvi a porta abrir e nem virei para ver quem era.
-Videogame bacana – disse alguém atrás de mim.
Ao perceber que era voz de homem eu virei, arqueando as sobrancelhas. Dei de cara com Luke, que não tirava os olhos do videogame. Eu já não o odiava tanto quanto antes, então não o expulsei. O que não quer dizer que fui educado.
-Que é? – perguntei, impaciente.
-Cara, eu não aguento mais isso – ele disse, sentando na poltrona.
-Isso o quê?
-Ah, você sabe. Ouvir a Gabriella falando de você.
Ri.
-De mim? Você deve estar enganado.
-Não, eu não estou – a expressão no rosto dele passou de despojada a séria – Eu queria estar. Não sei o que ela vê em você.
-Essa eu respondo: ela vê um babaca.
-Não. Isso é o eu vejo.
Cruzei os braços, cheio de tudo.
-O que você quer? Fala logo.
Ele respirou fundo e criou coragem.
(...)
Eu queria estraçalhar a cara de Zac mais uma vez. Quebrar os dentes daquele patife para e cortar a língua dele para ele nunca mais chantagear Gabriella daquele jeito. Oh, sim, eu já sabia de tudo. Mesmo não gostando de Luke, fui obrigado a agradecê-lo por contar tudo.
Saí do carro e disparei para dentro do shopping, sem ligar para as pessoas que tentavam me parar para pedir autógrafo ou coisa do tipo. Eu não tinha tempo para isso, todas as minhas forças estavam concentradas em um objetivo: trazer Gabriella de volta.
-Vai mais devagar! Nesse ritmo eu não vou conseguir te acompanhar – Luke gritou, logo atrás de mim;
-Molenga! – gritei, aumentando a velocidade.
Gabriella saía do cinema com os braços de Zac em cima dela. Quase sorri quando vi a cara de nojo que ela lançou para ele. Essa é a Gabriella que eu conheço, pensei. Zac beijou a bochecha dela. Se eu tivesse mais perto deles, com certeza jogaria uma cadeira em cima dele de novo.
Ele sorriu e virou para mim. O sorriso desapareceu.
-Bieber! — ele exclamou, abraçando Gabriella ainda mais – Não nos vemos há tanto tempo!
-Solta ela – sibilei, com os dentes trincados.
-Quem você pensa que é para me mandar soltar minha namorada?
-Eu? – dei um sorriso malicioso – Eu sou quem a sua namorada ama.
Ele franziu a testa e olhou para Gabriella, que sorria para mim. Logo ela voltou a ficar séria.
-Do que você está falando, Justin? Eu... Eu terminei tudo.
Luke apareceu atrás de mim, ofegante. Colocou as mãos nos joelhos e respirou fundo.
-Luke! – ela gritou, batendo o pé no chão e cruzando os braços.
Zac andou até mim. Eu não movi um músculo. Kenny apareceu atrás de mim e Zac arregalou os olhos. Sorri quando o vi recuar.
-Foi mal, Gabriella – Luke se desculpou.
-Zac, conheça Kenny. Kenny, esse é Zac.
Kenny acenou com a cabeça. Ele era mesmo de colocar qualquer um para correr e, ao lado dele, eu me sentia um anão frágil e desprotegido, como se qualquer toque dele pudesse quebrar todos os meus ossos. E talvez pudesse mesmo.
Zac murmurou algo e se afastou de nós para dar uma ligação. Gabriella não tirava os olhos de mim e Zac não tirava os olhos dela. Sorri para ela. Era tão bom saber que ela ainda me amava e que tudo o que ela me dissera era mentira. Depois de saber a verdade eu me senti um tonto por ter acreditado nela, Gabriella nunca fora uma boa atriz. Ela retribuiu o sorriso e desviou o olhar.
Zac voltou, a abraçou e sussurrou algo em seu ouvido. Ela respirou fundo e assentiu.
-Tchau – ela disse, olhando para mim.
Eles andaram até a saída enquanto nós os seguíamos o tempo todo. Passaram pela porta principal e pararam na calçada. Puxei Gabriella pelo braço e ela virou para mim, com um olhar suplicante. Zac virou, vermelho de ódio.
-O que você quer com ela? – ele gritou, me empurrando.
Kenny se jogou entre nós, mas eu pedi que ele se retirasse.
-A pergunta é: O que você quer com ela? Não pode nos deixar em paz?
Ele riu, estalando o pescoço.
-Claro que não – ele respondeu, sacando algo do bolso.
Tudo estava se passando em câmera lenta em minha mente. Vi Zac tirando a arma do bolso e a apontando para mim e depois tudo que vi foi Kenny se jogando em minha frente e caindo no chão todo ensanguentado. Meus ouvidos zumbiam, eu via Gabriella gritando, mas não conseguia realmente ouvi-la.
-Você... Atirou... No... Meu... Amigo! – gritei, correndo até Zac.
Ele parecia tão atordoado quanto eu. Olhou para a arma em suas mãos e depois para Gabriella, antes de correr. Zac atravessou a metade da rua correndo feito louco enquanto eu corria atrás dele para fazê-lo pagar. Gabriella correu até mim e me puxou para trás pela cintura, me fazendo cair em cima dela. Em um segundo eu estava vendo Zac no meio da rua e no outro eu já o via cerca de três metros de onde ele estava antes. O caminhão derrapou na rua e bateu em uma joalheria, espalhando cacos de vidro para todos os lados, cortando algumas pessoas. Todos gritavam. Se ela não tivesse me puxado eu provavelmente estaria no mesmo lugar que Zac estava. Provavelmente estaria morto.
Olhei para trás. Kenny, ainda consciente, gemia de dor enquanto Luke tentava parar o sangramento, amarrando um pedaço de sua camisa no ombro de Kenny. Gabriella chorava descontroladamente. Era a primeira vez que eu a via chorar. Abracei-a, angustiado, a beijando descontroladamente. Aquele não era o fim que eu desejava, mas mesmo assim significava o fim dos nossos problemas. Pelo menos era o que eu pensava.
(...)
A médica caminhou até nós. Levantamos em um pulo, ansiosos por notícias. Devo admitir que eu torcia para que Zac estivesse vivo tanto quase tanto quanto torcia por Kenny.
-Tenho uma boa e uma má notícia. Qual devo contar primeiro? – a médica perguntou.
-A má – Gabriella respondeu. Ela já tinha se recomposto e já estava séria de novo.
-O amigo de vocês não resistiu. Eu fiz o melhor que pude, mas não foi o suficiente.
Gabriella revirou os olhos. Meu estômago revirou quando ela terminou de falar.
-Qual dos dois? – Gabriella perguntou, impaciente.
Ela olhou para a planilha em suas mãos e demorou bastante para falar. Gabriella a fitava aflita, com os braços cruzados e respirando fundo. Eu já estava quase para desmaiar ali. Eu nunca me perdoaria se Kenny estivesse morto. Sempre que acordasse de manhã lembraria que Kenny morrera por mim e...
-Zachary Daniel Hudson.
Suspirei. Eu sabia que era errado ficar aliviado porque Zac estava morto, mas não podia deixar de pensar que era melhor Zac do que Kenny.
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