Love Me
18 A proposta
Notas iniciais
(...)
Scooter me pediu para sentar e assim fiz.
–Lembra quando você me disse que seria uma boa atuar? — Scooter perguntou.
–E eu atuei. Em CSI.
Ele assentiu e apoiou as mãos na mesa.
–Você está sendo convidado para protagonizar um filme. É a chance da sua vida.
Ele sentou e ficou observando minha expressão.
–Isso é o máximo! — me empolguei.
–É uma comédia romântica que se passa em Las Vegas e se chama... "Bom, Welcome to Vegas" — ele explicou.
–Que criativo! — ironizei.
–Seria ótimo para sua carreira, não tenho dúvidas de que o filme seria um suicesso e...
Realmente, era uma ótima oportunidade e eu não a deixaria passar. Na hora, não entendi o porquê da cara de preocupação.
–E qual é o problema? — perguntei.
–O problema é seu par romântico, Justin.
–Acha que Gabriella não aceitaria?
–Seu par romântico é Selena — ele disse, de uma vez por todas.
(...)
Esmurrei a porta mais uma vez.
–Já vai! — ela gritou.
Bati de novo. Minha raiva era tanta que eu poderia derrubar aquela porta.
–Não sabe esperar não? — ela abriu a porta e quando me viu mudou loigo de atitude — Ah, Justin!
Ela me abraçou, sorrindo. Não movi um músculo.
–O que te traz aqui? — Selena sorriu para mim — Quer entrar?
Ela estava com bobs no cabelo e vestia umaroupa simples. Sim, ela ainda era a mesma Selena de sempre.
–Então era esse o seu plano! — quase gritei — O tempo todo!
–Justin, não sei do que você está falando — ela disse, calma.
–Foi por isso que você veio para Atlanta. Você viu uma oportunidade maravilhosa para voltar a ser a garota mais badalada de Hollywood outra vez e está mesmo disposta a me namorar.
–Você bebeu?
O seu cinismo me enojava. Eu sabia que ela só tinha se mudado para Atlanta para tentar passar mais tempo comigo, para que a fofocas sobre nós voltassem.
–Pois saiba que isso NUNCA acontecerá. Porque eu amo Gabriella e você me dá nojo!
–Justin...
–É isso que você quer? Quer que eu faça essa porcaria de filme?
–Seria uma oportunidade única.
–Então eu não farei!
Dei as costas para ela e andei até o carro, ignorando seus gritos. Tirei o boné, joguei-o no banco traseiro e dei a partida.
(...)
–Você fará! — Gabriella disse.
Ok, eu realmente não esperava essa resposta vinda de Gabriella. Eu esperava que ela se juntasse a mim na minha revolta eterna e ficasse tão alterada quanto eu, esperava que ela começasse a andar de lá para cá xingando Selena mentalmente, como eu estava fazendo. Em vez disso, ela parecia... Controlada.
–Isso não te revolta? Ela quer roubar seu namorado e você não está nem aí? — dramatizei. Droga, eu estava parecendo um maricas.
–Claro que revolta, mas você não pode desperdiçar uma chance dessas por ela.
Alguém bateu na porta. Gabriella a abriu sem ao menos ver quem era.Claro, só podia ser ela.
–Como você descobriu onde eu moro? — Gabriella perguntou, ao ver Selena entrando no apartamento.
–Você já viu quantos paparazzi estão no pátio do seu prédio? Não foi muito difícil achar. E antes que pergunte como conseguiu subir, também não foi muito difícil.
Selena estava toda maquiada,bem vestidae com o cabelo impecável. Olhei para Gabriella, com o cabelo preso em um coque bagunçado, pijama e pantufas. Deus, como elas eram diferentes!
–Então descer será mais fácil ainda. Vamos, sai daqui! — Gabriella gritou, abrindo a porta.
–Irei embora assim que falar com Justin.
–Sou todo ouvidos.
Ela se aproximou de mim. Dei um passo para trás.
–Eu desisto do papel e volto para Los Angeles, mas, por favor, não jogue essa chance fora.
E eu também não esperava por isso. Ela parecia bem sincera e eu não sabia o que falar. Eu não conseguia acreditar no que tinha escutado. Então, talvez, fosse tudo verdade. Talvez Selena gostasse mesmo de mim. Talvez ela estivesse mesmo disposta a desistir por mim.
Abri a boca, mas não consegui falar nada.
–Isso não será necessário – Gabriella disse – Ele aceitará a proposta.
–Quem disse? – perguntei.
–Sério? – Selena me ignorou e chegou mais perto de Gabriella – Eu posso desistir, sem problemas.
–Por mais que eu queira que, quando você estiver descendo, role escada a baixo e quebre todos os seus dentes... – ela suspirou – Você também não pode perder uma chance dessas.
Selena abriu os braços e pulou em cima de Gabriella, que se esquivou do abraço e empurrou Selena para longe.
–Por favor, sem contato físico.
–Obrigado.
–De nada. Agora caia fora ou eu te expulso a pontapés – Gabriella disse – E não duvide de mim, sou mesmo capaz de fazer isso.
Selena acenou para mim e saiu do apartamento.
–A minha opinião não vale mais nada?
–Não quando ela está errada – ela sentou no sofá.
–Quem disse que eu vou concordar com essa loucura?
–Eu disse.
–Ah, claro – revirei os olhos.
Ela me derrubou no sofá e me beijou.
–Você já pensou em consultar um psicólogo? Justin, você surtou!
–Tá me chamando de louco?
–Só acho que essa pressão não te faz bem. Você não está pensando com clareza.
–Claro que estou. Gabriella, eu não quero fazer isso.
–Jus, atuar é o seu sonho!
–Meu sonho não é atuar. Eu já realizei meu sonho de ser um cantor e não preciso de mais nada.
–Pensa em como seria bom atuar. Conhecer gente nova, experimentar coisas novas... Justin, seria demais! – ela me abraçou.
–É, talvez.
–Talvez? Eu tenho certeza de que você vai amar participar desse filme! E depois lembre-se de me agradecer, viu?
Ri.
–Obrigado. Obrigado por abrir meus olhos.
(...)
–Pode mandar o contrato, porque eu aceito!
Scooter sorriu, Kenny pulou. Quanta felicidade!
–Você fez a coisa certa – Scooter disse.
Eu espero que você esteja certo, pensei. Ele colocou o contrato sobre a mesa e eu assinei, sem ao menos ler. Eu confiava em meu empresário, não precisaria ler nada.
Começaríamos filmar no final de Novembro. Eu sabia que seria desconfortável contracenar com Selena. Eu nunca mais me sentiria bem ao lado dela. Quando estávamos juntos, o clima era... Estranho. Eu me sentia desconfortável com a presença dela, era como se fôssemos dois estranhos. Eu não sabia o que falar ou o que fazer e as lembranças ruins voltavam.
Tantas lembranças boas, tantos sorrisos, tantos momentos inesquecíveis... Bom, nunca mais seria a mesma coisa.
–Aulas de teatro, aí vou eu!
Fale com o autor