Love Me
19 Você ainda não viu nada
Notas iniciais
(...)
–Venha para Las Vegas comigo!
Abracei Gabriella e a joguei no sofá da minha casa.
–Quantos dias?
–Três meses.
–Tá louco, Bieber? Você sabe que eu estou estudando.
–E daí? É para isso que tenho professores particulares.
–E meus amigos? E Daniella?
–São só três meses, não três anos.
Joguei-me no sofá e a envolvi com os braços, enchendo sua bochecha de beijos.
–Não – ela disse, seca.
–Você me fez aceitar essa maldita proposta e agora vai me largar sozinho em Vegas?
–Esse era o plano – ela brincou.
–Pense com carinho, ok? – imitei a voz dela e ganhei um soco no ombro.
–Eu não falo desse jeito.
–Essa é minha imitação generalizada para mulheres.
Ela riu.
–Justin...
Eu já sabia o que viria e, honestamente, estava com medo. Ela sempre me chamava daquele jeito quando ia pedir alguma coisa.
–Que foi?
–Você pode ir ao teatro comigo amanhã?
–Assistir a que peça?
–Romeu e Julieta, a peça em que Luke atua. Ele está em cartaz com a peça há um tempão e eu nunca assisti.
–Qual o personagem dele?
–Romeu.
Pensei um pouco. Bom, por que não? Eu não tinha nenhum compromisso e nunca rejeitaria um pedido de Gabriella.
–Tudo bem, mas só para vê-lo morrer no final da peça.
Dei uma risada maligna. Ela riu e me jogou uma almofada. Nossa, era tão bom estar com Gabriella! Mesmo com a mania que ela tinha de me bater e/ou jogar coisas em mim, ela ainda era a melhor companhia do mundo. Gabriella me batia, me chamava de ifiota, me dava patadas, jogava coisas em mim, ria da minha cara, me fazia rir, me beijava, me abraçava, fazia carinho... É, não dá para entender Gabriella!
(...)
Ela abriu a porta. Ela estava simplesmente incrívele vestia a jaqueta que eu lhe dera de presente.
FLASHBACK ON
–Gabriella, tenho um presente pra você! – cantarolei, entrando no apartamento dela.
–Eu não quero! – ela gritou.
–Ah, aceita!
–Não!
Depois de meia hora insistindo, ela finalmente aceitou a jaqueta.
FLASHBACK OFF
–V-V-Vamos? – gaguejei.
–Claro que sim.
Gabriella entrelaçou seus dedos nos meus.
–Você está linda – sussurrei em seu ouvido.
–Você também está.
Descemos as escadas, saímos do prédio e entramos no carro. Dei a partida.
–Pensou naquilo que eu te falei?
–Pensei.
Esperei ela dissesse algo, mas tudo o que prosseguiu foi um enorme silêncio.
–E então? O que decidiu?
–Nada.
Como assim nada?, pensei.
–Como assim nada?
–Tá bom, tá bom. Eu decidi algo.
–Então fala, ué!
–Agora não.
Chegamos ao teatro. Saí do carro e abri a porta para Gabriella sair. Ela saiu e eu coloquei a mão em sua cintura. Entramos. Era um belo teatro, com poltronas vermelhas e muitos, muitos detalhes em ouro. Subimos uma escada que levava aos camarotes, andamos até achar nossas cadeiras. Na cadeira de Gabriella estava escrito o nome dela e na minha estava escrito babaca. Bufei.
–A letra é de Luke – ela observou.
–Percebi – murmurei, arrancando os papeis das cadeiras e jogando no chão.
Ela riu. As luzes se apagaram e apenas o palco estava iluminado, nos impedindo de ver qualquer coisa além do enorme palco no centro do teatro. Uma garota de cabelo ruivo apareceu.
–Oba! – exclamei, rindo.
Mesmo naquela escuridão, Gabriella achou o meu pé e o pisou. Droga de salto alto. Tapei a boca para não urrar de dor. A garota começou a falar com uma mulher vestida de empregada doméstica. Eu pouco prestava atenção no que elas falavam, apenas ficava olhando o cabelo sedoso da garota flutuar de lá para cá e o brilho em seus olhos verdes que aparecia quando iluminados pela luz dos holofotes. As luzes se apagaram novamente e, quando acenderam , Luke apareceu.
(...)
–Sou Gabriella Wilde.
–E eu sou Babaca.
O segurança riu.
–Gabriella e Babaca – sua voz era tão grave que me assustava. Ele olhou para a lista – Sim, Luke disse que viriam. Podem entrar.
Entramos no camarim de Luke. Ele estava sentado em uma poltrona, de costas para nós. Aquela, com certeza, fora uma peça de que eu nunca esqueceria. Depois daquilo, eu zoaria Luke para o resto da vida. Gabriella pulou em cima dele, abraçando-o. Eu mereço.
–Gaby! Babaca! Vocês vieram! – ele exclamou.
–Não, nós ainda estamos em casa – murmurei.
Gabriella riu e Luke fechou a cara.
–E aí, o que achou da peça? – Luke me ignorou completamente.
–Eu amei!
–Quer saber o que eu achei? – perguntei.
–Não – Gaby e Luke responderam, em coro.
–E olha que eu sou considerado um dos garotos mais influentes do mundo.
–E foi justamente por isso que eu te convidei par assistir minha peça. Será muito bom para minha carreira.
Gabriella me olhou com aqueles olhos brilhantes.
–Será que tem um lugar para Luke no seu filme? – ela perguntou.
–Não – respondi sem pensar.
–Ah, vamos lá! Se você arranjar um papel para ele, juro que vou com você para Las Vegas.
–Você tinha decidido quem não iria?
–Na verdade, decidi que vou. Se você não conseguir nada irei mesmo assim, mas... – ela me abraçou – Por favor, por favor.
–Figurante, que tal?
–Não – Luke me respondeu.
–Você viu, Justin, o moleque tem talento.
–Tudo bem, verei se consigo algo.
Gabriella me deu um selinho.
–Você é demais – ela disse.
(...)
–Vou falar com Scooter.
–Valeu, amor .
Ambos fechamos os olhos e Gabriella me deu um beijo. Abri os olhos ao ouvir o barulho de conversas e os flashes ofuscaram minha visão. Era a primeira vez, desde que estávamos namorando, que os paparazzi nos pegavam. Eu sempre dava um jeito de me esquivar deles, mas naquele dia esqueci de sair pela porta dos fundos. Desgrudamos nossos lábios.
–Há quanto tempo namoram? – alguém perguntou.
Gabriella tapou os olhos com a mão e abaixou a cabeça.
–Quase três semanas – respondi – E se depender de mim passaremos muito tempo juntos.
Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.
–Sério? – ela sussurrou.
–Pode responder, afinal, não temos nada a esconder – dei de ombros.
–Onde se conheceram?
–É uma longa história – Gaby respondeu.
Andamos até o carro respondendo todas as perguntas dos paparazzi. Abri a porta para ela, entrei no carro e sentei no banco do motorista.
–Nunca me senti tão importante assim – ela disse, afundando no banco do carona.
Os fotógrafos se amontoaram em frente ao carro, me impedindo de dar a partida. Buzinei.
–Você ainda não viu nada, Gabriella.
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