Love Live
1 The Calling - Tsurugi Kyousuke X Nanobana Kinako
Notas iniciais
Era mais uma noite calma, fria e silenciosa na cidade de Inazuma. Todos aparentemente estavam em seus lares desfrutando de um bom sono, se não, poderiam estar longas horas na internet ou celular, jogando ou conversando ou assistindo tv. Resumindo, mais uma madrugada tranquila... Exceto para Nanobana Kinako.
A pequena mexia e se remexia em meio aos lençóis da cama. Suava frio e tremia nervosamente. De repente seus olhos se abrem e ela levanta em um pulo, o coração batia rápido pelo susto. Havia tido um pesadelo.
"Mais um pesadelo... Já é o segundo essa noite!" — Pensou ela impressionada. E logo voltou a se deitar, quer dizer, tentar.
Mas de nada adiantou. Suas orbes cor-caramelo se fecharam, mas um estranho calafrio passava por sua espinha. Era aquela sensação noturna de estar sendo observada. Ela abriu os olhos observando o quarto assustada esperando alguma entidade aparecer em sua frente, mas... Para alívio dela nada aconteceu. Contudo o quarto estava escuro demais para seu desagrado. A lâmpada de seu abajur havia queimado.
As janelas faziam sombras bizarras e diversos barulhos desconhecidos preenchiam o cômodo, antes silencioso. Assustada, ela se cobre da cabeça aos pés se encolhendo como se fosse um casulo. Por uns instantes tudo se aquieta. Kinako com coragem, tira o cobertor da cabeça devagar e se ajeita normalmente na cama, entretanto o sono se passou. Frustrada, ela se levanta novamente acendendo o interruptor de luz o mais rápido que pôde. Em seguida se senta na cama.
Sim, Kinako não conseguia dormir de nenhum jeito e ficara pensando no que fazer. Uma ideia surgiu e pôs em prática.
...
Na mesma cidade, porém em outra casa, Kyousuke Tsurugi também se encontrava acordado observando o teto de seu próprio quarto. Igualmente sem o mínimo sono e não sabia o que fazer para se distrair. Milagrosamente para a salvação de seu tédio, o celular do azulado começa a tocar e ao ver no visor o número, era Kinako chamando.
Por um instante ele hesitou. O que ela queria ligando essa hora da madrugada? Será que aconteceu algo? Ao pensar isso, Tsurugi tratou de atender rapidamente.
— Moshi Moshi?
— Tsurugi-kun? — Kinako pergunta com sua voz infantil. — Eu te acordei?
— Não, mas aconteceu alguma coisa Kinako?
— Não, só não consigo dormir e... Pensei em ligar para conversar contigo. — Ela se explica. O azulado se pergunta: "Por que ligar pra mim quando podia conversar com Tenma ou qualquer outra pessoa?"
— Então... Não consegue dormir porque está sem sono?
— Sim e... Não. Meu quarto está muito escuro e medonho. Tive alguns pesadelos por isto. — Um barulho de alguém rindo baixinho é ouvido. — Tá rindo do quê? — Meio irritada, Kinako pergunta.
— Nada... — O azulado tentou parar, cobrindo a boca.
— Eu tenho medo do escuro sim, muito engraçado né? — Kinako disse irônica.
— Típico de você, Kinako.
— E você? O bad-boy do time não tem nenhum medo?
— Não. — Responde Tsurugi indiferente. Apesar de estar mentindo.
— Metido... — Kinako decide mudar o assunto. — Tava fazendo o quê antes de eu te ligar?
— Nada. Só olhando o teto.
— Tsurugi... Você é meio estranho. — Kinako ri zombeteiramente. — Ainda bem que você tem a mim pra tirar seu tédio.
— Sim Kinako, não sei o que seria da minha vida sem você. — O azulado diz brincalhão.
— Eu sabia! Sabia que você me ama Kyousuke! — Kinako brinca novamente, porém deixando o amigo corado do outro lado da linha. Ela nunca o chamara assim.
— Bom que sabe... Assim não preciso ter o trabalho de dizer.
— Dizer o quê?
— Você sabe.
— Não, não sei. O que é? — Kinako se faz de desentendida.
— Esquece. Kinako você tem uma Keshin? — Tsurugi desconversa.
— Não desvia o assunto Tsurugi! — Ela altera um pouco a voz, fingindo estar brava.
— Assunto? Qual? — Desta vez ele se faz de desentendido.
— Tsurugi! — Ele suspira decidindo se render. Kinako ia atormentá-lo até o dia seguinte se não fizesse o que ela queria. — O que você queria dizer?
— Que eu te amo Kinako. Satisfeita?
— Ah, bem melhor. — A pequena adorava provocá-lo. — Apesar de ser meio estranho ouvir isso de você.
— Até para mim foi. — Tsurugi admite.
— Pensei que tinha uma namorada.
— Não. Por que acha isso?
— Nada. — Kinako sentiu-se aliviada ao saber disso. — Sua vez de falar alguma coisa.
— Kinako... — O garoto muda seu tom para um mais sério. — Você tem mesmo que voltar pra sua era?
Um momento de silêncio se formou entre os dois até Nanobana responder.
— Uma hora vou ter que ir. — Disse ela com um misto de seriedade e tristeza.
— E se você não for?
— Eu tenho.
— Você pode escolher... Se ficar, pode viver uma vida normal... Não vai morrer. — O azulado hesita um pouco antes de falar.
— Verdade, mas não é o certo. Seria egoísta de minha parte. Se eu ficar, Fey não vai existir. Não posso mudar o destino das coisas só porque quero, Tsurugi.
— ...Você não muda de ideia né? — Era comum esse tipo de resposta sempre vir quando Tsurugi perguntava essa mesma questão para Kinako.
— Por enquanto eu prefiro não me preocupar com isso. Quando o dia chegar, partirei, sempre lembrando de todos, especialmente você Tsurugi-kun. Por hora apenas me importo em aproveitar cada momento.
— Kinako... — O azulado estava sem palavras.
— Já é tarde assim?! É melhor eu desligar senão a gente não acorda. Então nos vemos amanhã na escola? — Pronuncia ela com um bocejo.
— Ok. — Ele responde meio desconcertado.
— Bye bye, Oyasumi! Te amo. — Tsurugi se surpreende ao ouvir a frase.
— Oyasuminasai... Te amo. — Ele diz enquanto fica corado.
— Já ia te cobrar o te amo. — Kinako ri e em seguida envia uma foto dela fazendo S2 com as mãos. Tsurugi não deixou de notar o pijama de gatinho que ela usava e deu um sorriso. A ligação é finalizada.
Refletindo sozinho, Tsurugi pensa o quanto se importava com Kinako. Mesmo a conhecendo pouco tempo, já se tornara alguém especial para ele. Quando a verdade sobre Nanobana e o destino da pequena foram revelados, isso o abateu de uma maneira que ele não podia explicar ao certo. E infelizmente teria que aceitar os fatos.
Balançando a cabeça para espantar os pensamentos, ele pega novamente o celular e disca um número.
— Moshi Moshi... — Uma voz infantil, porém sonolenta atendeu.
— Kinako.
— Tsurugi? — Ela pergunta surpresa. — O que foi?
— Não consigo dormir... Posso ficar conversando com você?
— Claro! — Quase era possível imaginar ela sorrindo na outra linha.
— Se estiver com sono pode deixar.
— Eu estava com sono sim, mas até acordar. E você sabe como fico quando acordo, certo?
— Praticamente liga na tomada. — Ambos dão risadas.
Aceitar um triste destino não vai ser fácil, mas por enquanto Tsurugi e Kinako vão aproveitar juntos até quando puderem.
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