Love Live
6 Inesperado - Kurakake Clara X Nagumo Haruya
Notas iniciais
Após ser rejeitada pelo grande amor da minha vida Suzuno Fuusuke, eu, Kurakake Clara sigo em frente, recuperando-me da dor. No começo obviamente é difícil, mas sabe que agora até acostumei com a ideia? Sim, eu imaginei que quando levasse um fora ia morrer, me suicidar, sei lá, mas tudo só voltou ao normal. O mundo continua girando, o dia vem, a noite vai.
É claro que tive que desapegar de Suzuno, se livrar de alguns pertences dele, jogar fotos fora, parar de pensar o tempo nele, não vigiá-lo com tanta frequência, se afastar um pouco... Simplesmente desapegar. E nesse tempo que perdi com o albino, hoje vejo o quanto estou largada! Quer dizer, fazia tempos que não me dedicava a coisas que gosto, afinal meu amor era tão doentio a ponto de gastar cada segundo com isso, foi bom ter dado um fim.
— Suzuno, por favor. Não vai! Não vou te deixar ir! — Ouvi a voz de um certo ruivo que prefiro chamar de cabeça de tulipa. Eu passava pelos corredores do orfanato Sun Garden e avistei ele e o albino o qual pareciam discutir algo.
— Nagumo... Pare com isso. Eu sinto que você ama outra pessoa, pode dizer, não vou ficar bravo. — Suzuno falou calmamente, não acreditei no que acabava de ouvir.
— Não, eu amo você! Somente você! — O ruivo segurou as mãos do parceiro e suplicou com voz chorosa.
— Nossa relação não é a como antes. Ultimamente você anda distante e não corresponde meu amor com a mesma intensidade, parece que você pensa em outra pessoa quando estamos juntos.
— Eu... É verdade que ando estranho, mas prometo que vou ser mais carinhoso. — Ele parece se desesperar.
— Não tente enganar a si mesmo, veja bem o que seu coração quer realmente, senão só irá perder tempo, além do mais, encontrei isso no bolso de sua calça. — Escondida atrás de uma parede, estiquei o pescoço vendo um papel na mão de Suzuno.
— I-isso, não é o que tá pensando. — Nagumo ficou nervoso e sem jeito.
— Acredito que guarda essa carta por um motivo especial, certo? — Ao ouvir isto de Suzuno, o outro abaixa a cabeça. — Não quero ficar com alguém que não me ame de verdade, ninguém quer Nagumo. É melhor nós dois procurarmos a felicidade... Mas desta vez sozinhos. Não me arrependo de todo o tempo que passamos juntos, você me fez muito feliz. Agora eu espero pelo menos ter a amizade que tínhamos antes. Então por favor Haruya, vamos terminar com nosso sofrimento. — O albino concluiu estendendo a mão que o ruivo apertou, ambos se abraçaram e após se separarem Suzuno se afasta lentamente.
Ao vê-lo sumir de vista, Nagumo se ajoelha no chão e chora silenciosamente, seu estado é de dar dó. Enquanto isso eu nem conseguia acreditar no que ouvia. Os dois se amavam tanto, como podia o ruivo antes tão ciumento e possessivo gostar de outra pessoa? E agora terminarem. Essa é a oportunidade perfeita para eu ter o albino pra mim certo? Eu digo, não! Após minha rejeição e súbita mudança de vida parei de gostar de Suzuno, a partir de então somente amizade.
Certo, retornando à realidade, Nagumo continuava inconsolável. Olha, mesmo que ele e eu tivemos vários problemas com relação à Suzuno e mesmo quase nos odiando mortalmente senti pena dele neste momento. Minha vontade é de falar com o ruivo, afinal, quem melhor que eu pra entender o que sentia? Nisso, sou experiente.
Só havia um pequeno problema. Medo de sua reação, a qual espero se tornar violenta só de ver minha cara, mas como sou teimosa... Resolvi cutucar a onça com vara curta.
— Nagumo? — O chamei saindo de trás da parede. Ando devagar para mais perto dele. Percebendo minha presença o ruivo leva um susto e me olha disfarçando a cara de choro.
— Você. — Sua expressão agora é de surpresa. — Você ouviu tudo, não foi Clara? — Fiquei abismada porque ele nunca me chamava pelo nome.
— Ahn... S-sim. — Não menti, até porque ele sabe quando faço isso. Nagumo vem a mim sério, fico amedrontada, mas não recuo.
Foi aí que, ele me abraçou. Se você for uma garota, deve estar achando que sou uma sortuda. Ok, confesso que sim, mas na hora não tive tempo pra pensar nisso, ter o ruivo me segurando nos braços é algo inacreditável! Tanto que fiquei chocada e paralisada, uns instantes. Após ficarmos neste estado, ele se separa bruscamente, se desculpa e sai correndo me deixando feito idiota naquele corredor.
— What A Hell?! — Meu cérebro bugou.
...
No outro dia disposta a descobrir o que raios aconteceu com o tulipa ambulante, fui até a porta de seu quarto, dei leves batidas e esperei. Ao ser aberta só deu tempo do ruivo olhar para mim e fechá-la na minha cara. Indignada comecei a bater sem parar, após cinco minutos inteiros ele abre novamente com um rosto nada amigável.
Olheiras escuras e profundas contornavam seus olhos de cor dourada, que também estavam inchados e avermelhados. Cabelos totalmente bagunçados como se tivesse acabado de acordar, ou melhor, parece que passou a noite toda sem dormir e chorando. Tá, isso não pode ficar mais estranho. Nagumo, o valentão orgulhoso e irritante chorando por ter terminado o namoro.
— Vai ficar estatalada me olhando ou vai falar o que você quer comigo? — Sua expressão e o modo de falar estavam normais.
— Bem, acho que você me deve uma explicação sobre ontem não? — Disse irônica.
— Eu e Suzuno terminamos, é isso que quer saber? Ótimo, pode ir atrás dele. — Nagumo ia fechar a porta novamente mas segurei-a.
— Como é? — Fiquei indignada. Por acaso esse cabeça de tulipa acha que tô desesperada atrás de homem? — Não tô nem aí pra ele! Só quero saber por que me abraçou.
— Ah, a-aquilo? — Vi sua face ficar corada. Corada? Nani?! Eu o deixei assim? —Aquilo foi... Um impulso! Isso, foi impulso do momento. — Ele argumenta enrolado nas palavras.
— Você é um péssimo mentiroso. — Ele pareceu ficar nervoso. — Não vou sair daqui até me dizer a verdade. — Meu tom saiu desafiador. Nagumo tentou me intimidar com sua cara séria chegando perto de mim, continuei firme, esses truques não funcionam mais, sou uma nova Clara agora.
— Pode ficar aí o tempo que quiser. — Adentrando o quarto, ele fecha a porta. Novamente começo a bater freneticamente, apenas dez minutos foram suficientes.
— Vá cuidar da sua vida Clara! Antes que eu te xingue de algo pior! — Agora sim é o cara que conheço, mas ainda sim se controlava.
— É tão difícil falar a verdade? — Provoquei.
— Se não acredita problema seu!
— Ah, para de ser tão orgulhoso. Você andava me ameaçando e até me machucando, agora de repente me abraça como sua melhor amiga. Digamos que não é muito normal pra mim. — Nagumo me encara durante um tempo deixando-me desconfortável com seus belos olhos dourados. Espera, belos?
— Tá! Vou te falar tudo, mas por celular.
— Eh? Pelo celular, mas por quê? — Pergunto confusa.
— Não vou conseguir cara a cara. — Começo a achar o rumo desta conversa meio estranho.
— Então vou passar o número.
— Eu já tenho. — Fiquei mais confusa ainda. — Peguei do Suzuno. — De algum modo ele parecia disfarçar algo.
...
Em meu próprio quarto, deitada na cama, meu celular tocou e atendi no primeiro toque, mas não houve resposta. Repeti diversas vezes até finalmente ouvir uma voz.
— Moshi-Moshi.
— Por que demorou tanto pra falar? — Pergunto meio alterada, mas ele se cala. — Deixa quieto, agora me explica o porquê do abraço. — Pedi curiosa.
— Vou falar de uma vez, mas não se assuste.
— Assustar? Por que diabos eu...
— Clara... — Fui interrompida. — Eu te amo!
— ... — Fiquei em silêncio um minuto. — Hahaha muito engraçado, Nagumo.
— Olha vou explicar desde o começo então, não me interrompa ok?
— Ahn... Certo. — Concordei hesitante.
...
Todos os dias, ela entregava cartas, bilhetes e presentinhos à Suzuno. Nunca vi uma garota tão pegajosa ou melhor, tão chiclete com ele. Seu nome é Clara. Que menina irritante! Não estou exagerando quando digo que todo santo dia persegue meu namorado. Já tentei intimidá-la diversas vezes, mas ela continua.
“Seus olhos azuis gélidos são capazes de congelar qualquer coisa, mas toda vez que olho neles meu coração se aquece.”
Cada baboseira melosa e infantil que ela escreve! E as cartas nem se fala! Gigantescas, chegam a ter duas folhas. Num ímpeto de fúria já rasquei muitas, pedacinho por pedacinho. Ah, ela também mandava bolos, biscoitos, bombons e todos os tipos de doces, o qual também jogava no lixo.
Isso me deixava puto da vida. Faltava pouco para eu explodir de vez, Suzuno é meu e não ia aceitar dividi-lo. E o pior é que por causa disso estamos brigando feio, maldita Clara, até quando vai ficar com essa palhaçada?
Hoje, achei mais um bilhetinho debaixo da porta de Suzuno. Ao invés de rasgar simplesmente a li, por incrível que pareça. O caso é que estava em um mau dia, apenas me sentia triste sem motivo e lê-la me animou um pouco.
“Por que não dá um belo sorriso hoje? Já pensou que alguém pode admirá-lo?”
As coisas escritas podiam ser infantis, mas eram sempre para agradar. Por curiosidade comecei a ler todas as romantices. Algumas guardava porque me agradavam as frases, outras porque ficava com pena, afinal, a pobre garota apaixonada gastava tempo fazendo isso.
Não pense que as cartas e bilhetes eram feitas com relaxo, pelo contrário, eram perfumadas e tinham uma caligrafia linda. O papel decorado junto de um envelope arrumadinho. As comidas também decoradas e deliciosas, inclusive parei até de jogar fora, pense o que quiser! Sei que sou cara de pau, mas é um desperdício.
Suzuno era indiferente com tudo, continuava ignorando-a numa tentativa de fazê-la parar. Quanto a mim, ficava indignado com tanta insistência, com certeza ela já se tocou que tá sendo rejeitada, então por que não deixar a fila andar?
Ao mesmo tempo que ficava com raiva, sentia pena como já falei. Muitas das coisas que Clara escrevia eu começava realmente a gostar. Algumas cartas não vinham com o nome de Suzuno, portanto eu lia como se fosse pra mim, e inevitavelmente eu sentia-me feliz, com os elogios e toda a baboseira sentimental. Aí então eu me lembrava que nada era pra mim e ficava com raiva novamente.
Mas, na verdade virou rotina. Pegar todos os papéis delicados e ler, em seguida guardar. Instintivamente sentia uma sensação boa ao fazer isto, sentia-me amado. Não que o albino não me amasse, mas seu jeito de amar é discreto; frio. É preciso conhecê-lo bem para saber os momentos que ele demonstra carinho e afeto.
Apesar de amá-lo, nossa relação de vez em quando se tornava algo comum, como se um estivesse acostumado a ter o outro por perto, igual a dois estranhos. Não posso negar que me fazia falta ter uma pessoa mais calorosa, mais quente e carinhosa do meu lado. Nesses momentos, o que preenchia esta falta era justamente o amor de Clara, o qual não era destinado a mim, mas que de qualquer jeito mexiam comigo.
Foi assim que o inesperado aconteceu.
— C-certo. — Depois de ouvir a explicação longa dele, eu realmente não sabia se acreditava, se ria, chorava, na verdade foi muita informação pra minha cabeça.
— Então é isso. — Nagumo disse calmamente. — Agora já entende porque te abracei.
— Não acredito. Quem ama de verdade não machuca a pessoa, como você fez comigo. Meu pulso ainda se lembra da última vez. — Falei olhando meu pulso que estava levemente roxeado. Enquanto esperava uma resposta, ouvi uns barulhos do outro lado da linha seguida de uma porta sendo fechada e alguns passos.
— Ainda dói? — Faço cara de confusa e hesito em responder.
— Ahn, por quê?
— Ainda dói? — A questão é repetida.
— Bem, um pouco. Apenas uma pontadinha, quase não sinto. — De repente ouço batidas em minha porta. — Espera, vou ver quem tá batendo aqui. — Deixo o celular na cama e quando abro a porta, qual não foi minha surpresa ver justamente a criatura com quem acabei de falar. — Mas o quê...
— Posso entrar? — O ruivo pergunta, não tenho outra opção a não ser dar passagem.
— Nagumo... — Chamo sua atenção. — Me diga... Você tem algum problema na cabeça?
Sem falar nada, ele simplesmente pega meu pulso machucado e observa a marca durante certo tempo. Em seguida deposita um beijo ali. Senti meu corpo arrepiar de nervosismo e minhas maçãs do rosto corarem quando o ruivo começa a massagear a área.
— Hey! — Puxo meu braço rapidamente. — O que foi isso?
— Desculpe. — Ele abaixa a cabeça. Ambos ficamos em um profundo e constrangedor silêncio olhando para o chão.
— Hey Nagumo. — Novamente o chamo. — É verdade mesmo, tudo o que disse?
— Sim. Amo você Clarinha. — Seu olhar parecia de completa sinceridade.
— Ainda não acredito.
Após ouvir minhas palavras, vi aqueles olhos dourados se entristecerem. Sem dizer nada o ruivo caminha em direção à porta, abrindo-a. Pouco antes dele sair completamente do quarto, consigo impedi-lo. Surpreso ele me olha esperando uma explicação desse meu ato.
— Mas... Se você me ama de verdade cabeça de tulipa, vai ter que me convencer. E sugiro que comece a fazer isso a partir de amanhã ouviu? — Confuso, ele pareceu não entender o que eu queria dizer, típico de Nagumo Haruya. — Isso significa que estou te dando uma chance burrinho! — E antes que ele dissesse algo, dei-lhe um selinho e fechei a porta.
É, acho que não custa dar uma chancezinha para uma coisa inesperada né?
Fale com o autor