Love Live

7 Mais uma chance - Hasuike An X Nagumo Haruya


Notas iniciais
Mais uma desse ship. É, eles combinam :P Essa fic é velhinha... Em 2014 >.< Ela trata de um assunto meio pesado, então tente ler de mente aberta. Ah e tem uma personagem chamada Bonitona kkkporém era só o seu apelido de alien, seu nome é Nitou Honoka e era da Prominence. Deixarei uma imagem dela nas notas finais pra refrescar-lhes a memória :) Sinopse do capítulo: Quando se trata de uma relação amorosa, necessita um pouco de tudo: felicidade, desentendimentos, apoio, confiança. Esse último item sendo o mais fundamental. Mas quando se cometem erros graves, é possível reconquistar essa virtude, ou se deve desistir de vez?

01:00 AM

Exatamente a essa hora em um quarto escuro, dois jovens bagunçavam os lençóis de uma cama. Trocando beijos, carícias, completamente nus. Um garoto de dezoito anos, cabelos tão vermelhos quanto fogo e olhos amarelos, seu nome? Nagumo Haruya. A outra figura no quarto era uma moça um ano mais velha, cabelos da cor azul petróleo, olhos roxos. Normalmente usava óculos, mas os retirou nesta ocasião especial, Nitou Honoka era seu nome, entretanto era conhecida como Bonitona.

— Tem certeza? — Bonitona perguntou em tom preocupado.

— Hã? Certeza do que? — Desta vez quem disse foi Nagumo.

— Sua namorada, vai mesmo chegar tarde?

— Absoluta! Hoje é sexta e ela só sai mais cedo terça e quarta, relaxe. — Confirmou ele — Não vamos falar mais nela ok?

— Ok. — Em seguida ela enlaçou seus braços em volta do garoto, que começou a dar chupões em seus seios.

...

Hasuike An, uma adolescente que tinha dezoito anos, acabava de sair do trabalho, mais cedo por sinal. Seus cabelos laranjas balançavam com a brisa leve do verão. No caminho pra casa tinha um pressentimento estranho, sentia algo ruim só não sabia o quê exatamente. Após um tempo, finalmente chegou ao seu destino. A garota morava em um apartamento com seu namorado, Nagumo Haruya.

Fazia dois anos que estavam juntos, ela a garota tímida e ele o popular. Onde quer que passava, Nagumo chamava a atenção das mulheres de todas as idades. Garotinhas mais novas que ele e até as mais velhas. Seu charme, beleza, e personalidade deixavam qualquer uma caidinha aos seus pés.

An nem se lembrava como conseguiu se tornar a namorada dele, só sabia que sempre o amou. Desde que estavam no orfanato Sun Garden a garota tinha estes sentimentos, mas o garoto nunca deu bola pra ela.

No começo do relacionamento, An estava tão feliz que não podia acreditar. Pra agradar Nagumo, ela fazia tudo. Cozinhava, lavava e passava suas roupas, limpava o apartamento, cuidava dele quando ficava doente. Além disso era super carinhosa, dando-lhe abraços e beijos sempre que chegava; atenciosa, quando ele queria falar-lhe algo; ajudava no que podia e aconselhava.

Porém um dia, An teve uma enorme decepção, a qual jamais poderia imaginar...

Traição...

Seu coração se partiu em milhares de pedaços, foi um choque. Ambos ficaram dias sem se falar, por fim conversaram e ela decidiu perdoá-lo por amor, mesmo que o sentimento de decepção continuasse em seu peito. A garota tratava o namorado quase da mesma forma que antes, só que desta vez com menos mimos.

As coisas ocorriam não muito bem. A decepção passava aos poucos, mas ela percebia que as atitudes de Nagumo mudavam, ele não tinha muito tempo pra An, pois sempre saía a algum lugar e quase nunca a chamava, parecia não responder aos seus carinhos ou fingia, a tratava às vezes de maneira fria e sem interesse.

Até que novamente uma decepção duas vezes mais grande que a outra surgiu...

Uma segunda traição...

An já não sabia mais o que pensar. Desta vez houve briga. Ela não sabia se o perdoava de novo ou não, ainda o amava muito mesmo com todas essas coisas acontecendo. Ela se perguntava o porquê disso. Talvez ele não gostasse mais dela, ou algo nela o irritava... Sua aparência? Sempre fora magra e sem curvas, não possuía seios grandes ou um traseiro bonito; seu rosto era infantil. Se for assim, então qual a razão dele não terminar com ela?

Mas outra vez ela o perdoou.

...

— Haruya? Onde você está? — Gritou An pela casa a procura do namorado, e não o encontrou em lugar algum. — Ele saiu de novo e nem me avisou?! — Nervosa, pegou o celular e discou o número dele, mas nem ao menos chamava. — Será que ele desligou? — Depois ligou para outra pessoa.

Suzuno Fuusuke estava concentrado fazendo seu dever de casa quando seu celular toca. Observando o visor viu o nome Hasuike An, sua amiga.

Algumas horas antes, Suzuno estava tranquilo em sua casa fazendo suas habituais coisas até que seu celular toca, o número no visor era de Nagumo Haruya, seu melhor amigo.

O que você quer agora? Perguntou Suzuno tentando adivinhar o que o amigo queria.

E aí Suzuno! Olha, sabe aquela gostosa de cabelo verde que eu tô pegando?

A Bonitona? Sei, que tem ela?

É hoje amigo! É hoje que eu levo pra cama. Nagumo dizia entusiasmado.

Isso é novidade? Me ligou só pra dizer isso?

Não, liguei pra dizer que agora mesmo tô indo ver ela, só que tem um problema...

Qual seria?

Assim que a gente se falar eu vou desligar o celular e provavelmente a An vai tentar me ligar, e como não vou atender, ela ligará pra você perguntando de mim.

E você quer que eu minta pra ela de novo?

Sim, inventa uma desculpa, sei lá, tipo fala que eu resolvi dormir na sua casa.

Tá! E se ela quiser falar com você?

Diga que eu bebi e desmaiei.

E se ela vir aqui?

Pô cara, não consegue despistá-la hoje por mim?

Ah, você sabe que eu odeio quando me pede isso!

Vish, vai começar o sermão?

Você não devia fazer isso com a An, Nagumo! Ela te ama muito não percebe?

Eu sei.

Então!

Então que sou jovem demais pra ficar apenas com uma! Agente tem que aproveitar! Você é um lerdão mesmo Suzuno, por que não sai dessa e vem comigo? Dar uma animada no seu amiguinho de baixo.

O quê?

É! O que acha? Um sexo a três. Vai Suzuno, não vai se arrepender!

Eu não ouvi isso... O garoto de cabelo branco parecia abismado com a sugestão do amigo.

Se quiser eu posso chamar outra garota pra fazer par contigo então.

Tô fora.

Você quem sabe, mas tá perdendo uma oportunidade... Você faz essa fachada de santinho, mas eu sei que você não resiste aqueles dois melões da Bonitona, pensa que não te vejo olhando pra eles? Hehehe.

...

HAHA ficou até mudo!

Não desvie o assunto, eu tava falando da An!

Aff vou ter que escutar o sermão mesmo?

Olha Nagumo, ela ama muito você, tanto que ela te pegou traindo duas vezes e te perdoou! A An é uma garota de ouro, mais cedo ou mais tarde vai acabar perdendo ela!

Ha! Que nada! Vai acontecer a mesma coisa, ó, eu traí ela duas vezes e depois de três dias ela veio conversar comigo e me perdoou. Essa menina além de ser uma tábua de roupa é uma monga completa!

Se não gosta dela então por que não termina logo?!

Ah bem... Sabe, é que ela é útil pra mim muitas vezes, devo admitir, ela lava, passa, cozinha bem e me trata como um rei!

Então só a usa pra se aproveitar.

Exato, pois de gostosa ela não tem nada! Hahaha.

Você não a merece! Suzuno disse num misto de raiva, odiava quando o amigo falava assim, como ele podia esmagar os sentimentos de uma garota tão boa! Se ela fosse minha, com certeza daria um tratamento bem melhor!

Ah começou... Toda vez que falamos nela você fica alteradinho.

Eu não admito que a trate tão mal assim.

Mas não se esquece que ela é MINHA namorada. Nagumo deu ênfase ao minha. Mas deixa isso quieto! Vem cá, tem certeza que não quer vir comigo foder aquela gata? Pensa Suzuno, sua mão apertando aqueles peitos grandões e redondos...

NÃO! Fala logo o que você quer.

Ok, ok senhor certinho, eu já falei o que quero, se a An ligar só minta pra ela.

Não tem jeito de fazer você mudar de ideia né?

Sem chance, já cheguei. Não esquece do que falei ok?

...Ok. Suzuno concorda hesitante, não queria ter que mentir para a amiga.

E agora o celular dele tocava incessantemente. O que faria? Contar a verdade ou mentir? Na verdade, sua maior preocupação com a garota era devido ao fato de também gostar dela e vê-la sofrer por Nagumo, um cara mulherengo que não dá valor para nenhuma mulher, o machuca também, pois Nagumo é alguém que apenas tem interesses sexuais. Não é lá muito responsável e nem um pouco fiel, além de ser um completo idiota. Agora mesmo An poderia ser sua, somente sua, porém ela ainda ama intensamente o namorado e ele não lhe dá a mínima. Age com falsidade na frente dela e fala mal pelas costas. Que tipo de cara é esse que não tem o mínimo de respeito pela própria namorada?

— Alô? — Suzuno resolveu atender.

— Oi Suzuno é a An. Tudo bem?

— Sim, e você?

— Mais o menos.

— O que houve?

— Cheguei mais cedo em casa e Haruya não está, sabe onde ele foi?

— ... — O garoto pensou um tempo, mas se decidiu, isso não poderia ficar assim. — Sei sim, eu te levo lá.

...

Ambos chegaram em uma casa térrea. Desceram do carro e pularam o pequeno muro em silêncio, Suzuno não queria fazer Hasuike An sofrer mais, porém ela teria que ver com seus próprios olhos para realmente cair na realidade e ver quem era Nagumo Haruya de verdade.

Caminharam com cautela pelo quintal até virem uma janela. Havia uma brecha aberta e podia-se ouvir barulhos de lá. A garota pediu para o amigo ficar e foi em direção a janela hesitante e com medo. Chegou na brecha e ficou observando o cômodo, estava escuro, mas a luz da lua dava uma pequena iluminada, o bastante para ver que tinha duas pessoas em uma cama.

Seu coração parou, lágrimas queriam brotar de seus olhos, mas ela segurou o choro; o corpo todo tremia; sua boca abafou um grito; aquilo novamente aconteceu. Seu coração que estava partido em milhares de pedaços, agora foi reduzido a pó. Fora enganada pela terceira vez, mas não chorou. Seu desejo ali agora era acabar com aquilo tudo e pegá-los de surpresa; xingá-los com todas as ofensas que podiam existir. Chutar o pau da barraca e mostrar uma An que ninguém jamais vira; seu outro lado. Mas, não fez nada disso. Apenas olhou pra garantir que seus olhos viam direito e andou até onde seu amigo de orfanato a esperava.

— An... — O albino começou, mas foi interrompido.

— Suzuno, pode me fazer um favor? — Pediu com uma voz cortante e fria e um olhar sério.

...

Os raios solares iluminavam a cidade indicando o começo da manhã de sábado, aproximadamente umas sete horas. Nagumo Haruya dirige seu amado carro vermelho de volta para o apartamento onde iria descansar depois de uma longa noite. Hoje era seu dia de folga e ia aproveitar para conhecer mais mulheres, ou, como costumava dizer, fazer mais “vítimas.”

— Ah, que noitada! Admito que foi uma das melhores que tive! Bonitona faz jus ao nome. — Dizia o ruivo que chegou a porta do apartamento e girando a chave adentrou o mesmo. Com passos leves se dirigiu ao quarto que dividia com a namorada e abriu a porta lentamente. Para sua surpresa ninguém estava lá. — An? — Chamou, mas apenas obteve silêncio. Nagumo procurou-a pela casa toda sem ter sucesso, por fim se deu por vencido. — Será que ela saiu? Estranho... É difícil ela sair de manhã, pois chega quase capotando de sono... Bem, isso não importa! Quando a monguinha chegar, só tenho que fingir que fiquei bêbado a noite toda. — Concluiu os pensamentos. — Mas... Agora vou ter que fazer meu próprio café! Que saco! Odeio cozinhar!

...

Uma parcela de tempo após ter feito sua comida, Nagumo voltou ao quarto para ter um merecido descanso.

— Bem, não estava tão bom, mas pelo menos era comestível. — O garoto não tinha bons dotes culinários e por esta razão sempre comia fora.

Trocou de roupa e já se preparava para deitar, até olhar a pequena cômoda ao lado da cama e notou uma espécie de carta. Sem pensar pegou e abriu-a.

“Nagumo Haruya...

Você deve estar se perguntando o porquê de eu não estar aí. Não sei se percebeu, mas todos os meus pertences pessoais não se encontram mais em seu apartamento. Garanto que não irão fazer falta alguma para você, na verdade vai sobrar até mais espaço para sua amante, certo?

Sim, sua amante mil vezes mais gostosa que eu! Tenho certeza que se lembra não? Principalmente dos belos seios que você chupou e o traseiro enorme o qual apalpou a noite inteira.

Mas o motivo de estar aqui perdendo meu tempo escrevendo essa carta inútil, é pra dizer que a partir de hoje eu e você não temos mais nenhum tipo de laços, seja familiar ou de amizade, e muito menos laços amorosos. A partir de agora você não existe mais em meu mundo e o quero bem longe de mim. Não me procure para pedir desculpas ou explicar nada do que aconteceu pois eu simplesmente não irei acreditar.

A coisa que mais me arrependo foi de ter perdido todo o segundo de meu precioso tempo com sua pessoa. Eu te dei todo o meu amor e carinho, fiz de tudo para lhe agradar e a única coisa com a qual você me retribuiu, foi despedaçar meu coração e pisotear em mim.

Eu sempre percebi todas as vezes em que olhava para as mulheres enquanto andávamos de mãos dadas; todas as cantadas que dava para cada uma e claro, mais bonitas do que eu. Era só eu me afastar ou me distrair um segundo que você já tinha na mão o telefone de pelo menos dez.

Todos os dias me esforçava dolorosamente para ignorar as palavras maldosas que dizia a minha frente e às minhas costas; críticas principalmente em respeito ao meu corpo. Ignorei todos os seus abraços frios e os beijos técnicos, o fato de me usar como se fosse uma empregada. Fui muito burra, uma completa otária, lhe perdoei por algo que ninguém jamais perdoa: Traição. E não foi somente uma e sim TRÊS! Fora as que provavelmente eu nunca soube, afinal sempre serei a monga!

Me arrependo profundamente de todos os mimos e o amor que desperdicei com alguém que jamais me valorizou. Amor que poderia ser aproveitado por outro. E graças a Deus nunca tive a ideia maluca de perder minha virgindade com você. Enfim, não espere que desta vez vou te perdoar, e apesar de não ser preciso, digo novamente para não me procurar, a única coisa com que você vai ter que se preocupar é encontrar outra otária pra ser a nova empregada. EU JÁ ME CANSEI!

Sinceramente gostaria de poder dizer tudo isso pessoalmente, mas na verdade não é uma boa ideia. Meu ódio e minha raiva são tão grandes que sou capaz de dar um tiro na sua cara se te ver de novo. Estou saindo da sua vida como você está saindo da minha, apenas finja que morri.

Hasuike An.”

Haruya terminava de ler a carta com uma expressão meio surpreendida, ficou em silêncio durante um tempo para que seu cérebro absorvesse as palavras lidas. E de repente o garoto começou a rir histericamente voltando logo a si. Em seguida verificou o apartamento procurando algum vestígio dos pertences da namorada.

— Então ela descobriu de novo? Bem, desta vez ela levou tudo. Mas, é só uma questão de tempo. — Dizia num tom irônico e finalmente se jogou na cama macia.

...

Suzuno Fuusuke ouviu seu celular tocar e pelo visor, viu o número de Nagumo Haruya e sem hesitar, atendeu.

— Alô?

— Yo Suzuno! Você não esqueceu o que te falei ontem?

— Estou bem sim, valeu por perguntar! — Disse o albino sarcástico.

— Para de ser chato, responde logo!

— Eu não esqueci o que me falou ontem tá feliz?

— Sério? Sabe, é que a monguinha descobriu de novo.

— Ah é? — Perguntou Suzuno sabendo de quem se tratava.

— É, só não sei como ela sabia onde era a casa da Bonitona!

— A An não é idiota como você pensa, ela já suspeitava principalmente depois de você vacilar tanto.

— Ah bem, mesmo assim! Dessa vez ela pegou todas as coisas dela e deixou uma carta. Olha aqui. — O ruivo então começou a ler palavra por palavra, ao terminar deu algumas risadas.

— O que foi? — Perguntou o albino.

— É engraçado imaginar a cara da An falando isso pra mim. E tudo isso que escreveu foi à toa, só gastou tinta e papel! — O ruivo dava mais risadas.

— Você tem algum tipo de problema Nagumo?

— Não entendeu Suzuno?

— O quê?

— Daqui a três ou quatro dias ela vai voltar pra gente conversar, eu peço desculpas, digo que estou arrependido, ela me perdoa e tudo fica normal. Pronto.

— Tá muito confiante hein amigo? Desta vez acho que ela se foi pra sempre.

— Essa menina come na palma da minha mão Suzuno!

— Só que você abusou demais agora.

— Ah tanto faz, não vai fazer diferença nenhuma. Exceto que vou ter que gastar dinheiro na lavanderia e pra comer fora o tempo todo.

— Você que sabe, mas quando cair a ficha, vê se não fica reclamando tá? — Suzuno riu em deboche.

— Tá rindo por quê? Depois eu que tenho problema.

— Já conheci caras iguaizinhos a você que passaram pela mesma situação e no final se fuderam.

— Comigo é diferente gazela, esqueceu? Não vou ficar sofrendo por uma mina que nem gostosa era! Sou O cara e posso ter quantas quiser!

— An pode não ser... Gostosa, mas tem suas qualidades, só que você mesmo morando dois anos com ela teve a proeza de não perceber nenhuma.

— E você percebeu?

— Gentil, carinhosa, compreensiva, engraçada, boa cozinheira, ela te trata bem... Daria uma ótima esposa.

— Eu não consigo me imaginar nem com anel no dedo, quanto mais com uma aliança, você é louco!

— Você é um idiota.

— Eu sei que sou... — Nagumo fez uma pausa pensativo. — Hey, quer saber uma coisa cara?

— O que foi agora?

— Sabia que eu e a An nunca transamos?

— Não? Ah sim! Ela disse na carta.

— Pois é.

— Bem isso é inesperado, principalmente de você.

— Eu sei, mas sabe, é que eu nunca consegui sentir tesão por ela. O corpo da An não tem nada de atraente, é muito magra e não tem nenhuma curva, nem maquiagem ela usa!

— Que crueldade cara! Ela é bonita. — Suzuno se espantou com as palavras maldosas.

— Você é muito santinho! — Nagumo repreende o amigo. — Bom, na verdade ela é que não queria transar, sempre dizia que não tava preparada... Conversa de garota fresca sabe?

— Tá, tá, mas e aí? O que vai fazer agora?

— Nada, só esperar. — O ruivo respondera tranquilamente como se soubesse exatamente como os fatos irão acontecer.

— E... Se ela não voltar nunca mais?

— Ela VAI voltar. — Nagumo deu ênfase e suas palavras soaram com toda a certeza do mundo. Mal sabia ele...

...

Passou-se quatro dias, em seguida uma semana, um mês, e enfim um ano e meio desde que Hasuike An saíra do apartamento de Nagumo Haruya. A última vez que a viu, fora um dia antes, quando se despediu para ir trabalhar, e desde este dia a garota saiu completamente de sua vida; desapareceu sem deixar nenhum vestígio notícia ou qualquer sinal. Apenas aquela carta que ele insistia em guardar.

Nagumo usou e abusou da boa vontade de An, machucara e pisara sem dó em seu coração; não deu valor nenhum à sua presença e todas as humildes coisas que ela lhe fazia sem pedir nada em troca. Vendo que a garota, cansada de ser desprezada e desrespeitada, desta vez resolveu seguir seu rumo sem ele. Nagumo não se importou de início, entretanto com os tempos passando, aos poucos alguma coisa dentro dele começava a incomodá-lo.

Para começar teve que aprender a cozinhar direito, lavar suas próprias roupas e limpar a casa, afinal não era sempre que podia gastar dinheiro comendo fora ou em lavanderias e muito menos contratar uma empregada. Em segundo veio-lhe a solidão. Amigos e colegas nunca lhe faltaram, mas também não era sempre que podia vê-los. Já passaram da fase da adolescência e tinha responsabilidades a cumprir. Festas, baladas, saídas noturnas em bares quase não faziam parte de suas rotinas.

Nagumo continuava o mesmo no quesito mulheres, sempre chamando atenção por onde passava e conquistando qualquer uma que desejasse. Apesar deste fato acabou percebendo que absolutamente todas só queriam seu belo corpo por apenas uma ou duas noites. Ao falar de algo mais sério, elas logo davam uma desculpa.

“Ah bem, acho que você está confundindo as coisas bonitão.”

“Essa noite foi ótima, mas... Eu já sou comprometida.”

“A gente pode fazer isso mais vezes, quem sabe com umas amigas minhas pra diversão durar?”

Somente era visto desse jeito. Um objeto de luxúria e diversão, apenas satisfazia elas dando-lhe prazer, e na manhã seguinte o outro lado da cama estava vago. Mas a verdade era que nenhuma delas queria um mulherengo infiel. E essa verdade o machucava. Ao pensar nisso lembrava-se da carta de An, cada palavra escrita com profunda raiva e ódio, direcionadas apenas a Nagumo.

Um pesar no coração o invadia. O arrependimento de ser deste jeito, do modo como tratou suas poucas namoradas que lhe deram amor e carinho, e Nagumo as retribuiu com desprezo e frieza. E agora percebeu que estava sozinho. Não havia mais ninguém para cuidar dele quando adoecia; ninguém para mimá-lo com bolos, tortas, pudins ou qualquer outra sobremesa; ninguém para ligar apenas para dizer Oi enquanto trabalhava, ou para animá-lo quando tinha um dia horrível; por fim, ninguém se encontrava a seu lado na hora de dormir o impedindo de ficar com medo do escuro.

Estava sozinho e não gostava nem um pouco disso, já se acostumara a morar com outra pessoa. Nagumo esqueceu completamente de como era ficar só e este sentimento só piorava cada vez mais, principalmente ao ver casais juntos, e nas datas comemorativas igualmente. Sua rotina era simplesmente acordar, trabalhar, sair um pouco com amigos, voltar para casa e iniciar o mesmo ciclo nos próximos dias.

— Merda! — Reclamava o ruivo enquanto se jogava no sofá de sua sala. Havia acabado de chegar do trabalho e tinha muitas tarefas a fazer, porém não contava com uma maldita dor nos ombros para lhe atormentar. — Uma massagem seria tão bom...

“O dia estava prestes a terminar e houvera sido um dos piores. Ansiava chegar em casa e apenas se jogar na cama. Não queria falar com ninguém, apenas dormir.

Cheguei. Seu tom demonstrava frustração.

Bem-vindo. Aconteceu alguma coisa? Você parece irritado. An tinha vindo receber-lhe na porta com um sorriso.

Apenas me deixe em paz. Nagumo respondeu se dirigindo ao quarto, a garota seguiu-o.

Outro dia ruim? Pergunta An sem obter resposta. Quer desabafar? Ela começa a afagar os cabelos vermelhos do namorado que retirou suas mãos.

Só me deixa sozinho. Ai... Nagumo levou uma mão aos ombros, que lhe causavam dores.

O que foi? Seu ombro dói?

É só uma dor.

Eu já volto. An saiu em seguida voltou com um copo de água e um comprimido nas mãos. Tome isso, vai melhorar. Sem hesitar ele bebeu. Pronto, agora tire a camisa.

O quê? O ruivo questiona em tom confuso.

Tire a camisa.

O que você vai fazer?

Vai, tira logo. Ele então fez o que pediu. Agora deite de costas pra mim.

An, o que você vai fazer? Perguntou novamente receoso.

Só uma massagem. Não se preocupe, fiz curso de massoterapia.

Ah. O ruivo havia pensado em outra coisa mais íntima.

Nagumo sentia as mãos macias e delicadas da namorada deslizarem por sua pele. Os dedos finos e pequenos darem leves apertos em suas regiões mais sensíveis, principalmente o pescoço. Aqueles gestos começavam a dar-lhe arrepios. Por um momento pensou em como essas mãozinhas tão pequenas e macias poderiam servir para outras coisas ou para acariciar outra parte do corpo dele, especificamente algo que se encontrava no meio de suas pernas.

Decidiu espantar esses pensamentos para longe. Nunca se sentiu atraído por ela, An era só uma garota boba.”

Mas agora ele não tinha mais aquelas mãos suaves e tinha que se virar. Com dor, levantou-se do sofá e foi procurar um remédio na cozinha. Tinha que olhar atentamente pois da última vez que tomara um medicamento por conta própria, fora parar no hospital. Encontrado o remédio certo, jantou, arrumou a casa e foi deitar, ou pelo menos tentar pois a escuridão e o silêncio lhe davam calafrios.

...

O dia seguinte era domingo e como não trabalhava este dia da semana Nagumo Haruya decidiu sair de casa. Como sempre se encontrava sozinho, seus amigos até o convidaram pra comer um churrasco, mas não queria ficar de vela entre eles e recusou. Caminhando pelo centro da cidade, refletia sobre os fatos de sua fatídica vida. Sempre foi o popular na escola e teve milhares de ficantes, entretanto, se tratando de namoradas ele podia contar nos dedos de uma mão.

Jamais falara em se casar e muito menos ter filhos, afinal isso era coisa de mulher, na verdade, já chegou a pensar nele mesmo vestido de terno numa igreja, colocando uma aliança na mulher de sua vida e até imaginou um casal de crianças lhe abraçando e chamando-o de pai. Esses pensamentos costumavam causar arrepios de medo, porém agora talvez não lhe parecesse algo tão terrível, principalmente porque se sentia muito só.

Parando de caminhar, resolveu sentar no banco de madeira situado em uma praça. Ficou admirando a paisagem.

— Por que me sinto assim agora? Eu nunca fui desse jeito! Sempre fui rodeado de pessoas...

O ruivo começou a prestar atenção aos casais presentes no local, até suas orbes douradas captarem um certo alguém, o que fez seu coração saltar de surpresa.

— A-An? — Sim, com toda certeza era ela, madeixas laranjas e curtas, olhos azuis safira, a pele rosada. Ao avistá-la Nagumo partiu em direção da garota que estava sentada um pouco mais distante. Um pequeno sorriso brotou no rosto dele. — An! Hey An! — Tentou chamá-la.

De repente uma outra figura chegou ao lado de An, essa figura não era nada mais e nada menos que Suzuno Fuusuke.

— Hein? Suzuno? — Disse a si mesmo. Entretanto Nagumo foi surpreendido novamente quando viu o prateado chegar perto de An e beijá-la. Não um beijo na testa ou na bochecha, não um abraço ou aperto de mão. Um beijo intenso que a garota retribuiu. Nagumo não sabia o porquê, mas aquilo o machucou e antes que o casal o avistasse, saiu correndo para fora do campo de visão. — Mas... O quê? Como? — Observando-os ao longe pensou em segui-los e foi o que fez.

Uma parcela de tempo seguindo os dois, Nagumo finalmente chegou à conclusão de que Hasuike An, sua ex-namorada e Suzuno Fuusuke seu melhor amigo, eram namorados. Praticamente por todo o momento andavam de mãos dadas, trocavam beijos e carinhos, sem falar que sempre sorriam. Era como se fossem dois adolescentes. Agora ambos estavam em frente à porta de uma casa onde conversaram e se despediram, Suzuno foi seguindo rumo até sua casa. Nagumo esperou-o se afastar e tocou a campainha da suposta casa de An que ao abrir fez a maior expressão de surpresa.

Um silêncio se estabeleceu por alguns segundos antes dela fechar a porta, porém o ruivo a deteve.

— Ei, calma! Quero falar com você.

— Não temos nada pra falar.

— Por favor An!

— Vá embora! — An ia fechando a porta novamente.

— Não vou sair daqui até me ouvir pelo menos um pouco. — Ele segurou a porta e começou a empurrá-la para o lado oposto. Vencida pela força, An parou.

— O que quer comigo? Já não basta tudo o que me fez? Toda a humilhação?

— Posso entrar antes de responder? — Nagumo pergunta e a garota lhe dá passagem, fechando a porta ambos se sentam no sofá.

— Diga logo! — Raiva e impaciência estavam presentes no tom que usou An ao mandar.

Nagumo ficou calado uns instantes pensando exatamente no que falar, na verdade nem sabia direito o motivo de estar ali, só sabia que quando avistou a moça não hesitou um minuto e foi correndo até ela. Um sentimento de grande felicidade tomou-lhe conta. Talvez... Toda a solidão e tristeza que sentira nesses tempos seriam por causa dela? Será que realmente se deu conta o quanto não dera valor a uma mulher preciosa? Mas e agora? Não pode simplesmente dizer para ela o perdoar. Fizera tantas coisas horríveis...

— Faz um tempo que não nos vemos.

— E?

— Desde que você se foi... Quero dizer... Eu me senti tão... Argh! Eu quero dizer, me desculpa! — Exclamou o ruivo meio nervoso por não saber o que dizer.

— Desculpas? Pelo quê?

— Por tudo. Pelas traições; o desrespeito; a falsidade; a maldade; a frieza e principalmente todo o desprezo que eu dei pra você. Eu sei que não se pede desculpas por essas coisas, mas não sei como eu mostro que estou arrependido.

— ... — An fez pausa e pareceu pensar por um momento. — E você espera que eu acredite e te perdoe?

— Não.

— Então por que veio aqui? Ou melhor, como achou minha casa? — O tom dela ainda era de irritação.

— Segui você e seu namorado.

— Como...

— Foi apenas uma coincidência, eu te vi na praça e decidi ir atrás.

— E veio aqui só pra dizer isso? Foi perda de tempo, eu já disse e repito: Não vou te perdoar. — Agora sua voz saiu fria demonstrando que não se importara nenhum pouco. — Vivo feliz com alguém que realmente me ama.

— Eu sei que não vai me perdoar An, mas não estou aqui pra isso... E sim pra pedir mais uma chance... Pra te conquistar. — O olhar de Nagumo desta vez sério e determinado fez a moça ficar confusa, mas se conteve.

— Como quer fazer isso sendo que sou comprometida? Se Suzuno descobrir ele vai tirar satisfações comigo!

— Deixe que cuido dele, mas me responde, sim ou não?

— O quê?

— Posso tentar te conquistar?

— Ah tanto faz. — An deu de ombros.

— Então isso é um sim?

— É, ok. — Ela suspirou e viu o ruivo se levantar eufórico e dizer “yes”. — Pode ir agora? Antes que eu decida chamar a polícia? — Ele riu e se dirigiu à porta.

— Mas eu vou te mostrar o quanto mudei Hasuike An! — Nagumo finalmente saiu.

— O que eu fiz? — An se perguntava confusa com o que tinha acabado de ocorrer, poderia muito bem ter chamado a polícia ou gritado socorro ou chamado o namorado, mas... Simplesmente o deixou entrar. O cara que a traiu várias vezes, a humilhou, desprezou; a usou; deixou que o mesmo falasse e ainda lhe deu outra chance! — Eu devo ser mesmo uma burra! — Amaldiçoou a si mesma.

O motivo dela ter dado mais outra chance nem ela mesma sabia, porém, alguma coisa nos olhos de Nagumo Haruya havia dito que desta vez poderia confiar nele novamente.

...

Quatro dias se passaram desde então. Era sexta-feira e An saía de casa para trabalhar como cozinheira de um restaurante, ao chegar no local de trabalho foi surpreendida por sua colega lhe entregando um buquê de rosas amarelas, por sinal suas favoritas, e junto delas um cartão.

— Bom-dia An, olha um cara passou aqui e mandou entregar isso pra você.

Pegou as flores e começou a ler o cartão.

“Bom dia

Você sabe como sou péssimo com palavras românticas e melosas então só vou deixar esse cartão pra parecer mais bonitinho.

Ah gostou do presente? Escolhi amarelas porque me lembrei que um dia me disse que combinava com seus olhos e cabelos.

Nagumo Haruya.”

Ao terminar, a moça se questionou se aquilo realmente era sério ou apenas mais uma de suas brincadeiras para partir de novo seu coração.

— Mas se for assim... Por que eu? Vingança? Não... Não acho que ele perderia seu tempo com vingançinha, não vai ganhar nada com isso. — Pensativa observou o buquê. — Não é muito certo aceitar, mas... Seria maldade jogar fora. — An então colocou-as em um vaso com água e foi trabalhar.

Assim todos os dias ela recebia vários tipos de flores, rosas, margaridas, tulipas de todas as cores e sempre acompanhadas de um cartão com algum tipo de frase escrita.

“Espero que estas flores alegrem seu dia.”

“Te vi saindo de casa e percebi o quanto está linda.”

“As flores podem ser cheirosas, mas não tanto quanto você.”

E a moça sempre as guardava, ainda não acreditava em uma possível mudança no comportamento dele apesar de que parecia estar se esforçando. No dia seguinte como de costume recebeu um novo buquê.

“Queria conversar com você, podemos nos encontrar a sós?” — Dizia o bilhete e em seu verso um telefone.

...

Às sete da noite ambos se encontravam sentados a um pequeno lago um pouco distante da cidade. An olhava Nagumo pelo canto dos olhos esperando-o dizer algo.

— Você está linda. — Elogiou o ruivo. An estava com um vestido tomara que caia cor pêssego, um palmo acima do joelho e sapatilhas brancas.

— Olha, Nagumo... Não posso ficar aceitando esses presentes.

— Por que não?

— Aceitar presentes de outro homem sem ser meu namorado, é como se eu estivesse o traindo, não é justo fazer isso com ele.

— Você só está recebendo flores. Não vou tentar te beijar, abraçar ou fazer nada que não goste ou que comprometa a sua relação com o Suzuno, ele é meu amigo também. Me sinto mau por tentar roubar a namorada dele. Mas, o que posso fazer? Quero uma segunda chance para consertar meus erros.

— ... — An estava abismada, Nagumo pedia suplicante, e pelas palavras parecia que realmente tinha se arrependido. Mas era difícil... Ele a machucou tanto... Mesmo se quisesse não conseguiria perdoá-lo. Ela ficou com um pé atrás, afinal é possível que ele tinha mudado? E se An o perdoasse e Nagumo fizesse a mesma coisa? — Só agora você percebe a minha falta? Só agora que você se arrepende? Claro, depois que não tem mais uma pessoa para lavar, cozinhar e limpar para você? — Perguntou sarcástica.

— Você sabe que se fosse assim eu já teria arrumado outra garota rapidinho para me fazer essas coisas. A todo minuto vem uma mulher tentar algo comigo. Mas agora decidi escolher apenas você An, senão não gastaria meu tempo e muito menos dinheiro para te dar flores todo dia e escrever cartões. — Nagumo fez questão de argumentar afim de provar sua mudança. — E saiba que não me importo de fazer isso se for para você.

— Não posso te perdoar Nagumo, já fiz isso várias vezes. Tentei ignorar minhas mágoas e tristezas, me feri tanto para que você pudesse me amar de verdade. — A moça agora lembrava-se amargamente das vezes em que ele vacilou com ela.

— Eu sei que não pode... É por isso que eu te chamei aqui, pra te perguntar de novo. — Nagumo então ficou à frente de An se ajoelhou e tirou uma caixinha preta do bolso. Ao abrir, continha um anel prateado com pequenas pedras brancas e estendendo para ela perguntou. — Hasuike An, aceita me dar mais uma chance de entrar em sua vida?

— Haruya... Seu idiota... Eu aceito. — A moça estendeu uma de suas mãos a ele que colocou o anel em seu dedo médio. — Mas, SÓ mais uma chance. — Disse ela por fim decidida.

— Vou aproveitar! — Por impulso do sentimento de animação que se formou em seu coração, Nagumo Haruya deu um selinho em An.

— Você disse que não ia me beijar! — Exclamou a moça, surpresa e um pouco corada pelo gesto.

Suzuno e Nagumo sempre seriam amigos, não importa o que aconteça. Tinha certeza que explicando e entendo a situação, o albino compreenderia seu lado. E Hasuike An sempre amou o Haruya. Apesar do atual namorado a fazer feliz, seu coração clamava por Nagumo. Ela já tomou sua decisão, por mais que pareça burra. Ele mudou de verdade, e caso pague de trouxa, ambos tinha entendido o recado que a vida lhes ensinou.

— Desculpe, não resisti dessa vez. — Justificou sorrindo o ruivo que agora faria as coisas do jeito certo.

Notas finais
Beijos e Abraços da Dark - See Ya! Nitou Honoka - Bonitona (É a de cabelo verde): http://www.zerochan.net/1449348
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.