Love Like Winter

7 Sombras do passado


Notas iniciais
Olá a todos. Estou de volta. Caros leitores e queridos amigos do Sixth Guns. Demorei um pouco mais do que o esperado, mas não abandonei esta fanfic e não vou parar de escrever com o GazettE. Reita continuará fazendo parte das minhas histórias, assim como será para sempre um membro eterno da nossa banda favorita. Espero que gostem da continuação da história. Boa leitura.

Capitulo 7 — Sombras do passado


"Warn your warmth to turn away

Here, it's December

Everyday."

O trajeto até o templo foi feito em silêncio, quase reverente, como se todos ali sentissem a importância daquele momento. A neve caía em flocos finos e delicados, cobrindo lentamente as estradas estreitas e as árvores adormecidas pela estação, transformando a paisagem em um quadro branco e silencioso. O ar frio penetrava pelas frestas das janelas, fazendo com que cada um se encolhesse um pouco mais em seus assentos, enquanto o veículo avançava com cautela pela estrada escorregadia.

Dentro do veículo, Reita-san guiava com atenção redobrada, os olhos fixos na estrada, mas, de vez em quando, lançava olhares discretos para Uruha-san, que estava ao seu lado, com uma expressão pensativa e distante. Kai-san, sempre meticuloso, era o responsável pelo mapa, segurando-o firme e estudando cada curva e bifurcação que surgia à frente.

Aoi-san e Ruki-san, sentados em lados opostos nos bancos traseiros, permaneciam em silêncio, cada um absorto em seus próprios pensamentos, observando a passagem da paisagem pelas janelas embaçadas, como se tentassem absorver cada detalhe daquele momento.

Uruha-san observava a paisagem pela janela. Vestia o kimono branco e dourado escolhido por Ayumi-san, com detalhes dourados e sutis traços em vermelho se destacavam, bordados em padrões florais e ondulações delicadas que lembravam a realeza de outros tempos. O “obi” — a faixa que amarrava o kimono à cintura — era preto com folhas douradas, agora coberto por um manto tradicional para o frio. Sua energia, antes gélida e densa, parecia em repouso, contida pela serenidade do momento.

Era como se ela mesma não quisesse perturbar a paz que ainda reinava naquela manhã. Obasan Ayumi havia prendido seu cabelo com um ornamento dourado em formato de flores, complementando a delicadeza do conjunto.

As unhas de Uruha-san haviam sido pintadas de um vermelho intenso, um toque tradicional que Ayumi-san sempre acreditou trazer sorte e proteção. E, em suas mãos, ela segurava um guarda-chuva cerimonial vermelho, um acessório que não só a protegeria do sol, mas também representava o equilíbrio entre tradição e modernidade.

O som mais audível dentro do veículo era o ronco constante do motor, que preenchia o espaço com uma espécie de ritmo monótono e reconfortante. De vez em quando, o suave clique de Ruki-san mexendo na câmera quebrava o silêncio, enquanto ele ajustava o foco com cuidado e limpava a lente com o canto da camisa, tentando capturar a essência daquele cenário gelado e silencioso.

O céu cinzento, carregado e pesado, parecia refletir o clima contido e introspectivo entre os ocupantes do veículo, como se a natureza também respeitasse a atmosfera de contemplação e expectativa que pairava no ar.

— Estamos chegando — anunciou Kai-san, olhando o mapa com uma expressão de alerta. Seus olhos percorriam cada detalhe do trajeto, atentos a qualquer mudança inesperada no caminho. O grupo silencioso sentia a tensão aumentar à medida que se aproximava do destino, conscientes dos desafios que poderiam enfrentar adiante.

À medida que o veículo se aproximava do templo, as árvores começaram a se afastar, revelando um terreno mais aberto e silencioso. O templo, com suas estruturas antigas e imponentes, emergia lentamente da neblina, envolto em uma aura de mistério e serenidade.

Cada um dos passageiros sentiu uma mistura de ansiedade e reverência, conscientes de que estavam prestes a entrar em um espaço sagrado, onde o tempo parecia desacelerar e as preocupações do mundo exterior ficavam para trás.

O silêncio persistia, agora carregado de significado, enquanto o veículo parava suavemente em frente à entrada do templo. Reita-san desligou o motor, e todos respiraram fundo, como se tentassem se preparar para o que estava por vir. A neve continuava a cair, cobrindo tudo com sua manta branca, criando um cenário que parecia saído de um sonho, onde passado e presente se encontravam em perfeita harmonia.

O templo, hoje parcialmente restaurado e transformado em museu público. Cartazes com fotos de relíquias e armaduras decoravam a entrada. Um deles mostrava claramente uma “men-yoroi”, a máscara de guerra dos samurais, cuja superfície apresentava rachaduras finas e ferrugem. Uruha congelou por um momento ao ver a imagem.

— Aquela máscara... — Uruha-san murmurou com a voz rouca.

— É do general Imagawa-sama? — Reita-san perguntou, já adivinhando a resposta. Uruha apenas assentiu, os olhos fixos na imagem, como se ela quisesse saltar do papel.

Passaram discretamente pela bilheteria. O local não estava lotado, o que facilitou o plano improvisado de observação. Uruha e Reita foram à frente, como dois visitantes comuns. Ruki, Aoi e Kai ficaram mais distantes, prestando atenção aos funcionários do templo e às câmeras de segurança, que giravam lentamente em seus eixos.

Dentro do templo-museu, o ar era carregado de histórias. Cada vitrine parecia conter não apenas objetos, mas ecos fragmentados da memória coletiva do local e de algo mais. Em uma das vitrines de madeira antiga, meticulosamente resguardada por vidro reforçado, havia uma chaleira de ferro. Simples e desgastada pelo passar dos anos, com o cabo ligeiramente amassado. O rótulo informava apenas: "Chaleira do Período Edo, utilizada por uma sacerdotisa local em cerimônias do chá."

Uruha aproximou-se lentamente. Ela parou diante do objeto, sentindo o coração acelerar. Reita, ao seu lado, segurou sua mão discretamente, como sempre fazia quando sentia que algo estava prestes a se mover além do mundo visível.

— Quer tentar? — Reita sussurrou, com um brilho nos olhos que revelava tanto desafio quanto convite. Ela hesitou por um instante, sentindo o coração acelerar, mas a curiosidade e a vontade de se aventurar falaram mais alto. Então, com um leve sorriso, Uruha assentiu, pronta para o que viesse a seguir.

Esperou que o guarda se afastasse do corredor e, com um toque quase imperceptível na lateral da vitrine, encostou a ponta dos dedos no vidro. A chaleira vibrou levemente, e então um brilho dourado suave se acendeu sob o metal, percorrendo o vidro como um fio de luz até alcançar a mão de Reita, que ainda a segurava.

Nenhum alarme soou. Nenhum som externo mudou. Mas eles sabiam. Era um sinal. Um sinal silencioso, quase imperceptível para qualquer um que não estivesse atento, mas para eles, carregava um peso imenso — uma mensagem clara e urgente que não podia ser ignorada.

— Essa é uma delas. — Reita disse, em voz baixa, quase um sussurro, e Uruha o encarou com os olhos marejados, sentindo o impacto daquela revelação.

Eles sabiam que a situação exigia cautela, mas também uma decisão rápida. A presença daquela "uma delas" significava que algo maior estava prestes a acontecer, algo que mudaria para sempre trajetória de suas vidas.

Uruha tentou controlar a respiração para manter natureza fria contida, sentindo o coração bater acelerado no peito, enquanto Reita mantinha o olhar fixo, determinado e pronto para agir.

Ambos continuaram explorando o templo, enquanto Ruki, Aoi e Kai analisavam toda a segurança do local.

Poucos minutos depois, chegaram à ala da exposição de artefatos samurais. Lá estava a máscara de guerra, com expressão feroz e olhos estreitos, acompanhada da katana de lâmina curva. Ambas pertenciam ao mesmo homem: Imagawa Shōhō. Um nome que pesava no ar como um trovão contido.

Uruha-san se aproximou com reverência. Seu corpo inteiro reagia à presença daqueles objetos, como se as lembranças tentassem romper as paredes do tempo. Ao estender a mão, a mesma reação aconteceu novamente: uma luz carmesim intensa envolveu a máscara e a lâmina, conectando-se novamente à presença de Reita. Era quase como se seus espíritos estivessem ali, despertando entre relíquias adormecidas.

Por um instante, ambos viram o reflexo de uma memória ancestral: o som de espadas se chocando, uma mulher chorando, o clarão de uma vila em chamas e um homem ajoelhado diante de um altar profano. Uruha sentiu o gosto do sangue nos lábios — não o dela, mas de outra vida, distante no tempo e envolta em mistérios que pareciam pulsar em sua própria alma.

A visão se desdobrou como um filme antigo, revelando cenas de batalhas sangrentas, rostos marcados pela dor e pela esperança, e um juramento silencioso que atravessava gerações. O cheiro da fumaça e da terra molhada invadiram seus sentidos, enquanto a lembrança daquela época perdida a envolvia por completo. Era como se o passado e o presente se entrelaçassem, formando um elo invisível que conectava seu destino ao daqueles que vieram antes dela.

Uruha sentiu uma força crescente dentro de si, uma chama que despertava um propósito esquecido, uma missão que transcendia sua existência atual. A mulher que chorava, o homem ajoelhado, a vila em chamas — todos eles eram fragmentos de uma história maior, e naquele momento, ela compreendeu que sua jornada estava apenas começando.

— Os dois... estão ligados à maldição. — ela murmurou, ofegante, recuando um passo, como se o simples ato de falar essas palavras a deixasse ainda mais tensa. — São fragmentos da mesma história. Ele está preso nesses objetos e quer sair.

“Havia um problema: Ambos os itens estavam sob forte vigilância.”

Ela tinha consciência de que precisava libertar a parte da alma que estava aprisionada nesses objetos, a fim de completar o ritual, para o corpo de Reita, no qual residia a alma renascida de seu general. A maldição não era meramente uma lenda: era uma força concreta, capaz de influenciar o ambiente ao redor e de distorcer o tempo e o espaço. E aquele ser cativo desejava ardentemente a liberdade, almejando retomar o controle que havia perdido há séculos.

Enquanto observava o local, seus olhos captavam cada detalhe: o reflexo das luzes nas superfícies polidas, o ritmo cadenciado das patrulhas e o leve zumbido dos sensores eletrônicos.

O tempo corria contra ela, mas estava decidida a enfrentar esse desafio, custasse o que custasse. Quatro séculos daquela maldição era muito tempo de sofrimento.

Ruki, Aoi e Kai se juntaram a eles, analisando as câmeras nos quatro cantos do salão, com ângulos que não deixavam nenhum ponto cego. Dois seguranças em rondas rotativas, atentos a qualquer movimento suspeito, e sensores no vidro que, ao menor toque, disparariam alarmes estridentes. Era uma fortaleza tecnológica, projetada para proteger esses artefatos misteriosos.

— Não vamos conseguir tirá-los facilmente... — Ruki comentou, juntando-se a eles com ares conspiratórios. — Mas talvez... se alguém distraísse os seguranças com um pequeno blefe espiritual ou um susto digno de filme de terror?

— Está dizendo que devemos invocar um fantasma falso?— Kai arqueou uma sobrancelha, divertido, mas cético.

— Eu disse “um blefe”. Não afirmei que seria falso. — Ruki piscou, como quem já tinha um plano engatilhado. — O templo tem lendas locais. Bastaria amplificá-las um pouco... — apontando para Uruha.

— Podemos manipular as câmeras? — Aoi perguntou, surgindo com um mapa da planta elétrica na mão. — Não por muito tempo, mas o suficiente para criar uma falha de sinal.

— Se a luz piscar e os alarmes não dispararem, os seguranças irão investigar as salas erradas. — Completou Kai — Precisamos de cinco minutos. Talvez menos.

Uruha estava mais tranquila do que os demais e pediu a Reita que verificasse no calendário a fase da lua naquele dia. Reita conferiu e informou que era lua crescente.

— Faltam exatamente sete dias para a próxima lua cheia — disse ela, olhando para Reita — Podemos retornar três dias antes da lua cheia, pois é nesse período que os véus entre os mundos se tornam mais sutis, permitindo que retiremos as relíquias sem incomodar o espírito.

— Isso nos deixa com pouco tempo para revisar os esquemas de segurança e elaborar um plano de extração. — murmurou Kai, enquanto olhava para o calendário em seu celular.

— Vocês acreditam que a presença dele nesses itens permitirá que sejam retirados do templo? — perguntou Aoi.

Uruha não deu uma resposta imediata. Voltou a olhar para a máscara. Seus olhos se encontraram com os da figura vazia de Imagawa Shōhō, e por um instante, algo no ambiente pareceu murchar — como se o próprio tempo estivesse respirando pelas paredes.

— Ele anseia por ser lembrado, mas não da forma como foi condenado, desonrado e traído. — ela observou. — Ele procura por redenção, mas ainda não descobriu como solicitá-la. Se conseguimos romper a minha maldição, ele será libertado, e a alma de Reita será exclusivamente dele.

O grupo partiu logo depois, em silêncio. Cada um imerso em reflexões logísticas, espirituais e emocionais. O caminho de volta parecia mais extenso, como se o mundo exterior se curvasse em torno das revelações que haviam feito.

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A cabana emanava uma atmosfera de serenidade, impregnada pelo aroma de pinho fresco e pelo som distante do vento entre as árvores. Ayumi-san, com um olhar tranquilo e pouco ansiosa, aguardava a chegada deles. Ao ouvir o carro estacionar, foi até a porta para recebê-los e ouvir as novidades sobre a visita ao templo.

Como já era tarde e a noite se aproximava, o jantar estava à mesa, pronto para o grupo faminto. Os rapazes, mais famintos do que com frio, rapidamente foram ao banheiro, lavaram as mãos e se sentaram para comer.

Uruha-san caminhou até a lareira e se sentou, observando a madeira crepitando enquanto se perdia em seus pensamentos. O calor do fogo a mantinha focada e protegia as pessoas da cabana do frio. Além disso, fazia tempo que ela não se alimentava, e sua energia estava se esvaindo. Se o ritual na próxima lua cheia não tiver sucesso, ela teria que retornar à floresta e encantar um viajante perdido na neve para drenar sua energia vital.

Ayumi-san se aproximou, sentando-se na cadeira e ao lado de Uruha-san, que estava no tapete.

O silêncio entre elas parecia pesado, carregado de preocupações não ditas. Ayumi, com um olhar ansioso, quebrou a tensão inicial.

— Como foi a visita ao templo? — indagou Ayumi, sua voz suave, porém carregada de preocupação. Sentia que algo incomodava Uruha, e sua intuição a alertava para a tristeza que parecia pairar sobre ele.

Uruha, mergulhado em seus pensamentos, levantou a cabeça lentamente, como se estivesse despertando de um transe.

— Gomemnasai... Ayumi-san, estava pensando e me distraí. — Sua voz era baixa, quase um sussurro. Ela tentava se recompor, mas o peso das lembranças ainda a envolvia. — Foi interessante.

Ayumi percebeu a hesitação em suas palavras e ficou ainda mais preocupada.

— Por que você parece triste? — A pergunta saiu de seus lábios quase automaticamente, um reflexo de sua empatia profunda. O coração de Ayumi se apertou ao ver a expressão de Uruha, uma mistura de nostalgia e dor.

— Entrar no templo me trouxe lembranças que há muito tempo havia esquecido. — Uruha respondeu, a tristeza em seu olhar, denunciando a batalha interna que travava. As memórias de sua vida passada, ligadas ao seu samurai, o assombravam.

— Encontraram relíquias antigas do seu samurai Imagawa-sama? — Ayumi perguntou, tentando trazer à tona algo bom, que pudesse iluminar seu semblante.

— Sim — Uruha confirmou, e um brilho de esperança surgiu em seus olhos por um breve momento. — Quando Reita e eu chegamos perto da máscara e da katana, as relíquias reagiram com luz e vibraram.

— Isso é muito bom; mostra que poderão ser usadas no ritual. — A afirmação de Ayumi era firme, como se quisesse ancorar Uruha em um ponto de luz no meio da escuridão de suas lembranças.

— Exato, mas há um problema: parte da alma do general está presa nas peças. — Uruha deixou escapar, e o peso da responsabilidade se fez presente em suas palavras. O fardo da história não era apenas dele, mas de todos os envolvidos.

— Entendi, será preciso purificá-las antes de usar. — A mente de Ayumi começou a traçar um plano, a lógica se entrelaçava com a emoção. Havia uma solução para cada dificuldade, e isso a confortava.

— Encontrei também uma chaleira que usava para fazer chá em exposição numa vitrine de vidro. — Uruha continuou, sua voz agora um pouco mais animada. A chaleira era um símbolo de sua conexão com o passado, um item que poderia ser vital.

— Perfeito, com um item do seu passado, os itens do seu samurai e a alma renascida no meu neto, poderemos fazer o ritual que o feiticeiro mencionou. — Ayumi exclamou, a excitação tomando conta dela.

A esperança crescia, e a ideia de reunir tudo em um só propósito trazia um brilho renovado aos olhos de ambos.

— Só falta um plano para retirar as três peças do templo, sem ser preso pelos seguranças. — Uruha concluiu, a seriedade do momento pairando sobre eles novamente.

Neste momento, os demais integrantes do grupo, Reita, Ruki, Aoi e Kai, que haviam concluído o jantar, se reuniram a elas na sala próxima à lareira. A expressão deles era firme, e a gravidade da situação era visível em seus rostos.

— Temos um plano para fazer o roubo silencioso — anunciou Reita, com voz firme e segura. — Usaremos a sua energia fria e a lenda da youkai para assustar os guardas.

Os olhos de Uruha e Ayumi se encontraram, um entendimento silencioso passou entre eles. A esperança, agora alimentada pela determinação do grupo, envolveu-os como um manto protetor. Juntos, eles estavam prontos para enfrentar os desafios que estavam por vir, unidos por um propósito maior.

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Ayumi-san entrou em seu quarto em busca de um manto, ervas e velas para montar um altar na cabana. Ela puxou a mesinha de centro em direção à lareira. Acendeu as velas com ervas resinosas e colocou o nome do samurai Imagawa, escrito em um papel branco dobrado em quatro. Chamou Uruha-san, que se sentou à mesa, e juntas sussurraram uma prece. Em vez de pedir proteção, ela pediu por clareza.

Os jovens se retiraram para seus quartos. Reita se aproximou de Uruha à mesa, quando sua avó Ayumi desejou boa noite e se dirigiu ao quarto.

Reita ficou observando Uruha; o altar montado tinha o propósito de acalmar e purificar o espírito aprisionado do General Imagawa. Era algo peculiar, pois ele começou a sentir uma paz interior, reafirmando que fazia parte da alma renascida.

Uruha olhou para Reita, sentindo-se mais aliviada por ele ter aceitado embarcar nessa jornada para romper a maldição.

Mesmo perto da lareira, tudo ao seu redor estava envolto em uma névoa densa e, com o medo que os moradores da cabana, fossem congelados, Uruha se levantou para ir embora.

Reita, no entanto, não permitiu que isso acontecesse; ofereceu-lhe o cômodo para passar a noite e pediu que aguardasse.

Ele correu até o quarto, pegou um futon e travesseiros, e voltou à sala, arrumando uma cama improvisada ao lado da lareira para Uruha.

_ Sei que você tá preocupada, com sua energia fria ficar fora de controle, mais perto do fogo não vai ter perigo para todos nós.

_ Certeza que é isso mesmo que você quer, posso colocar todos em risco de morte, nunca ninguém pensou no meu conforto ou se eu estava sofrendo. Como se eu fosse apenas um perigo ambulante, uma ameaça que precisa ser controlada a todo custo.

_ O calor do fogo pode ajudar a estabilizar sua aura, mantendo tudo sob controle. Eu entendo que essa situação não é fácil para você, e é normal sentir esse medo.

_ Não quero que ninguém se machuque por minha causa, mas também não posso continuar vivendo com essa sensação constante de isolamento e que meu conforto emocional é tão importante quanto a segurança física de todos.

_ Eu sei, estamos todos tentando encontrar um equilíbrio, uma forma de coexistir sem que ninguém saia ferido.

Reita acenou com compreensão, seus olhos refletindo uma promessa silenciosa de apoio.

_ Vamos descansar então. Amanhã é outro dia, e quem sabe o que ele pode trazer? Disse ele, seu tom suave como um abraço.

Reita caminhou em silêncio até o quarto, perdido em seu próprio pensamento. Uruha, deitou-se no futon, olhando para o teto escuro. O peso em seu peito parecia mais leve, pelo menos por agora. Fechando os olhos, se permitiu sonhar, não com medos ou dúvidas, mas com esperança.

Em seu sonho, Uruha era livre, correndo por meio de vastas paisagens cobertas de neve sob um céu azul cristalino. Não havia correntes, não havia olhares julgadores, apenas a liberdade e a alegria pura de existir. Uma promessa de felicidade, de liberdade, longe das amarras de ser uma youkai da neve.

No seu quarto, Ayumi-san, segurando o celular, refletia se deveria enviar uma mensagem ou fazer uma ligação para seu filho. Decidiu, então, apenas comunicar por escrito que eles permaneceriam na cabana por mais cerca de 20 dias durante as férias de janeiro. Segundo ela, esse seria o tempo necessário para adquirir as relíquias e realizar o ritual.

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Durante os dias iniciais de janeiro, enquanto a lua crescia pouco a pouco, iluminando as noites frias com seu brilho prateado e misterioso, o grupo se preparava com afinco e determinação. Ruki-san, com sua atenção meticulosa, estudava as câmeras instaladas ao redor da fortaleza, buscando qualquer ponto cego ou falha na vigilância que pudesse ser explorada.

Kai-san, por sua vez, dedicava-se a mapear os horários de ronda dos guardas, anotando cada detalhe, desde o momento em que eles passavam até os padrões de seus movimentos, para garantir que nenhum passo fosse despercebido.

Enquanto isso, Aoi-san ajudava Ayumi-san, a preparar poderosos encantamentos para proteger os itens que pertenciam ao general. Cada amuleto, cada pergaminho mágico, e um manto era envolto em feitiços protetores, garantindo que nenhum mal pudesse tocá-los durante a missão. Obasan Ayumi, com suas mãos enrugadas e voz serena, recitava antigos cânticos que ecoavam pelo ambiente, reforçando as barreiras invisíveis que os protegeriam do perigo.

Enquanto isso, explorava o sótão empoeirado da cabana, rodeada por pilhas de livros antigos e pergaminhos esquecidos pelo tempo. Ela revirava as páginas amareladas, tentando encontrar pistas nos contos antigos e nas lendas obscuras que falavam sobre a youkai da neve.

Decifrar o que realmente aconteceu após a falha do feitiço com a magia da flor de lótus era fundamental para o sucesso do ritual de libertação. A maldição que fazia a youkai sugar a energia vital dos homens até que sua alma gêmea renascesse era um enigma que precisava ser desvendado com urgência, pois só assim poderiam quebrar o ciclo de sofrimento e restaurar a paz.

E Uruha-san… sonhava. Cada noite, uma nova imagem invadia sua mente, como fragmentos de um passado esquecido tentando se revelar. Via uma espada enterrada na terra negra, símbolo de um poder perdido e de uma promessa não cumprida. Sentia o peso daquela arma, como se ela carregasse toda a responsabilidade de sua missão.

Depois, aparecia uma criança sozinha diante de um portão de pedra, imóvel e silenciosa, como guardiã de segredos antigos e proibidos. E, por fim, um juramento quebrado sob a neve, que trazia consigo a dor da traição e a esperança de redenção. Esses sonhos perturbadores a acompanhavam, guiando seus passos e alimentando seu desejo de corrigir os erros do passado.

À medida que os dias passavam, a tensão no grupo aumentava, mas também crescia a confiança entre eles. Cada um sabia que sua contribuição era vital para o sucesso da missão.

Sentados ao redor da lareira na sala da cabana, para não serem consumidos pelo frio que sempre emanava da youkai. Ruki-san, com seus olhos atentos, compartilhava suas descobertas sobre as câmeras, indicando possíveis rotas de infiltração.

Kai-san, com seu mapa detalhado, sugeria os melhores momentos para agir, evitando os horários de maior vigilância. Aoi e Obasan Ayumi, com seus encantamentos, criaram uma atmosfera de proteção quase impenetrável, com amuletos e um manto purificado para envolver a máscara e a katana do general, sem perturbar os espíritos.

Uruha-san, apesar dos sonhos inquietantes, sentia-se mais determinada do que nunca. Sabia que o peso da maldição não era apenas seu, mas de todos que estavam ligados àquela história ancestral. Cada passo que dava, cada ritual que preparava, era uma tentativa de restaurar o equilíbrio perdido e trazer luz à escuridão que envolvia a youkai da neve. O destino os aguardava, e eles estavam prontos para enfrentá-lo, unidos pela esperança e pela coragem.

Assim, sob a crescente luz da lua de janeiro, o grupo continuava sua preparação, consciente de que o momento decisivo se aproximava. A jornada estava apenas começando, e o futuro dependia da coragem que carregavam em seus corações.



"Love like winter... Oh... Oh...

Love like winter... winter... 3... 4..."

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Notas finais
O plano de roubo silencioso funcionará? Deixe suas teorias nos comentários. Obrigado por ler Obrigado por gostar Obrigado por comentar ❤ Muito obrigado Novos capítulos assim que estiverem prontos.